quarta-feira, 12 de agosto de 2026

AO CAIR DO PANO

 

Tanta gente para, ao longo do país, olharem a lua tapar o sol.

A Maria Judite de Carvalho, num dos seus livros, diz: «Todos estamos sozinhos, Mariana; Sozinhos e muita gente à nossa volta. Tanta gente, Mariana! E ninguém vai fazer nada por nós. Ninguém pode. Ninguém queria, se pudesse. Nem uma esperança.».

As televisões, com a mediocridade, a banalidade habituais, com que abordam tudo o que tocam, ocuparam todo o tempo, do antes e do depois, do eclipse do sol.

cmtv colocou em «alerta»: «o eclipse está a fascinar os portugueses».

Algures, um português diz ao repórter: «a graça disto, deixa um gajo maravilhado!»

O primeiro-ministro, ainda antes do eclipse, afirmou, em Cascais, aos jornalistas:

«O governo trabalha todos os dias, 24 horas por dia, sete dias por semana", deixando ainda um pedido, uma reflexão à comunicação social sobre as suas prioridades.

E, ternamente, voltei a ouvir falar de Rio de Onor, uma aldeia com 43 habitantes, que recebeu centenas de visitantes, pois era aí que o eclipse se mostraria a 100%.

Sem comentários: