Porque
és o retrato dos meus olhos
Onde as fontes do sol vêm beber
Este mar de setembro azul perfeito
Que nas pedras acaba de morrer.
Porque na noite clara do teu peito
A lua é só um pássaro ferido
E as palavras nascem dos meus dedos
Carregadas de sonho e de sentido.
Porque és a cor dos rios em cada fonte
No silêncio da terra desvelada
Lágrima orvalho pétala horizonte
Onde se abre verde a madrugada.
António Lobo Antunes em Livro de Poemas
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