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segunda-feira, 6 de julho de 2026

REOLHARES

O sonho meu, como o de tanta gente, era que um teatro tivesse tanta gente como um Benfica-Sporting, e nem era preciso tanta. Mas estas coisas acontecem porque desde putos jogamos, à bola rua, - ainda se joga à bola nas ruas? – e criámos esse gosto.

Joaquim Benite é um homem de teatro.

Conheci-o ainda ele era um jovem repórter de “O Século”.

Como morava num quarto, perto da casa dos meus pais, amiúde, acontecia apanharmos o último eléctrico para a Graça. Descíamos ao fundo da Heliodoro Salgado, subíamos a rua e entre tantas outras conversas, o teatro entrava sempre. Terá sido das primeiras pessoas a quem ouvi dizer que o teatro existia para ser representado e que entre ler uma peça e vê-la nas tábuas de um palco, há como aquela diferença entre beber um café e beber um nescafé porque o teatro tem que ter aquela vivacidade que só o actor e um palco emprestam ao texto.

Fiquei feliz quando lançou e alicerçou o “Grupo de Teatro de Campolide” ali, entre o Restaurante “Valenciana” e a “Pastelaria A Pastorinha” ícones do bairro de Campolide.

Mais velho que o mundo: quem gosta verdadeiramente do que faz , tarde ou cedo alcança o sonho.

O sonho hoje chama-se “Companhia do Teatro de Almada”.

De 4 a 18 de Julho realiza-se o 28º Festival de Almada, que se encontra entre os melhores festivais que se realizam pelo mundo.

Mais informações aqui

“Não sei se Joaquim Benite foi um jornalista que se transformou em encenador, ou se foi um homem de teatro que andou escondido, demasiado tempo, no lado quase invisível das notícias que escreveu para os jornais e revistas onde trabalhou.

Mas isso não é o mais importante, pelo menos se pensarmos que Almada conhece muito melhor o homem do teatro - cujo contributo artístico, como encenador e director da Companhia de Teatro de Almada, tem sido fundamental para o desenvolvimento da Arte de Talma na nossa cidade -, que o homem dos jornais.”

Luís Eme em O Casario do Ginjal” 


Lembrança de um texto publicado em O Cais do Olhar de 7 de Julho de 2011.

domingo, 5 de julho de 2026

FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA


Todos os anos, em Almada, acontece o Festival de Teatro.

Começou ontem e prosseguirá até 18 de Julho.

Ao todo serão 19 espectáculos, 12 estrangeiros, sete portugueses.

A programação pode ser consultada aqui.

Legenda: fotografia de Rui Ornelas.

sábado, 31 de maio de 2025

PANCADAS DE MOLIÉRE


Se a parte do cérebro que tem adormecida lhe permitisse, lembrar-se-ia quando começou a ser selectivo no que respeita ao cinema, ao teatro, aos livros, à música.

De certeza certa sabe que por um qualquer dia de Março de 1961, se sentou no Pavilhão dos Desportos em Lisboa, para ver teatro.

A Câmara Municipal de Lisboa, o SNI, patrocinava o “Teatro Popular de Lisboa” dirigido por Pedro Bom.

Não viu tudo, não leu tudo, não ouviu tempo mas consumiu tudo o que lhe viesse parar, aos olhos, aos ouvidos, às mãos.

Razão suficiente para estas Duas-Peças-Duas:

“O Morgado de Fafe em Lisboa”, comédia em 2 actos de Camilo Castelo Branco e “Falar Verdade a Mentir”, comédia em 1 acto de Almeida Garrett.

No programa poderia ler-se:

Espectáculo para maiores de 12 anos.

Haverá um intervalo de 10 minutos entre os 1º e 2º actos de “O Morgado de Fafe em Lisboa” e outro de 20 minutos entre esta peça e a comédia “Falar Verdade a Mentir”.

Encenações de Pedro Bom.

Apontamentos cenográficos e arranjos de cena de Mário Alberto.

Guarda-roupa gentilmente cedido pela Empresa Rey Colaço-Robles Monteiro.

Cabeleiras de Alberto Madureira.

Sonorização de Luís Moreira e Afonso Araújo.

Ponto: João da Silva.

Contra-regra João Leiria.

Actores que participavam nas duas peças: Carlos Costa, Fernanda Alves, Alexandre Vieira, António Anjos, Maria José, Ruy Mendes, Victor Ribeiro.

Actores que apenas participavam na peça de Camilo: Maria Albergaria, Mário Sargedas, Cândida de Lacerda, Roberto Viana, Manuel de Oliveira.

Na contracapa do programa, Luiz Francisco Rebelo situava historicamente as duas peças e os autores.

Notas à margem:

Imaginem as condições acústicas do Pavilhão dos Desportos para ver teatro.

Imaginem que o espectáculo começava às 21,45, havia meia-hora de intervalo, e calculem a que horas o espectáculo acabava.

Imaginem que ele descia, a pé, parte do Parque Eduardo VII, toda a Avenida da Liberdade para ir apanhar, ao Martim Moniz, o eléctrico para a Graça, que o deixava em Sapadores, e depois ia para casa, na Rua da Penha de França, não tinha a chave de casa, tocava à campainha, o pai abria-lhe a porta.

Imaginem que ele naquele tempo tinha 16 anos e daí a pouco, às 08,30, horas começava as aulas no Liceu Gil Vicente”.

Era feliz, sabe-o agora.

Sente hoje um arrepio gelado quando presencia uma enormidade de gente a proclamar, ufana, a sua incultura.

Sabe que os governantes deste país têm um soberano desprezo pela cultura.

O 25 de Abril já fez 52 anos.

Sempre é verdade que se envelhece!

Mas a Cultura nunca é um enfeite.

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

PANCADAS DE MOLIÉRE


O meu neto mais velho comprou bilhete para o Teatro Aberto.

Mas perdeu-se no tráfego e chegou 15 minutos atrasado.

Não o deixaram entrar.

Aos filhos e aos netos fui lembrando o que o meu avô, largas vezes, me foi dizendo: «Se te marcam encontro para uma qualquer hora, estás 10 minutos antes!»

Espero bem que o meu neto tenha aprendido, de vez. a lição.

Sobre a não entrada, fora de horas, nos teatros, andei à procura de um texto, não publicado, guardado por aí.

Remonta a Novembro de 2003.

Aqui fica.

 «Veio nos jornais que houve gente escandalizada por ter sido impedida de entrar no teatro para ver a peça “Sete Minutos” que é  ponto de partida de um actor que é interrompido por um telemóvel enquanto interpreta Macbeth, que levanta questões sobre o comportamento dos espectadores, chegando tarde, atendem telemóveis ou veem mensagens.

António Fagundes, actor brasileiro, esteve em Lisboa e no Porto, para apresentar a peça.

À hora do espectáculo começar, as portas fecharam e os retardatários não puderam entrar, tal como acontece em países civilizados em que há o respeito pelos autores e pelos actores.

O «jet-set» ficou indignado e houve quem murmurasse, ou dissesse em alta voz: «estes tipos vêm do Brasil e quem pensam que são?!»

Chegam tarde ao teatro, ao cinema, aos concertos. Não é a arte, a cultura que os move antes o espectáculo pífio do chocalhar das jóias, do espanejar dos vestidos, das peles, das conversas de chacha.

Jorge Silva de Melo, sobre «Histórias do público, segundo os artistas», num inquérito no Público, de que não tenho data, já abordara o assunto.

sexta-feira, 24 de maio de 2024

OLHAR AS CAPAS


10 Anos de Teatro e Cinema em Portugal

1974-1984

Carlos Porto e Salvato Teles de Meneses

Capa: Ivone Ralha

Editorial Caminho, Lisboa, Agosto de 1985

 

O repórter perguntava a um velho trabalhador (alentejano) que idade tinha:

Velho – Tenho quatro anos.

Repórter – Como é isso?

Velho- Tenho quatro anos porque são feitos depois do 25 de Abril. Antes disso não conto.

Mário Castrim, Diário de Lisboa.

(Epigrafe colocada por Carlos Porto no início do livro.)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

AS CULTURAS PERDEM COM QUASE TUDO...


 Finais dos anos 50, cheguei a ter um professor de Organização Política que amiúde dizia que a cultura era perigosa e que tivéssemos muita atenção. Comentando o caso com o meu pai, logo disse para me pôr a pau com essa gajada salazarista.

Depois fui aprendendo que a cultura não é um enfeite, antes uma ferramenta para entendermos o mundo.

Decididamente não podemos espantar-nos com as «ideias» (não) culturais dos nossos governos. Têm todos, sem excepção, um soberano desprezo pela cultura, não compreendem que o maior problema do país é de ordem cultural e não apenas de ordem económica e não conseguem distinguir um livro de uma abóbora.

Lembro que um dia, quando Sá Carneiro estava a constituir um dos seus governos, tinha de arranjar um secretário de estado da cultura. Vasco Pulido Valente seu adjunto, foi incumbido de encontrar o tal secretário. Como Sá Carneiro tinha de apresentar a lista do governo ao presidente Ramalho Eanes até às oito da noite, começou a enervar-se. Ligou ao Vasco: «Já tem o SEC?», respondeu um não. «Então vai você, porque não posso apresentar a lista incompleta». O amargo Vasco ainda lhe respondeu que ia ser um fiasco. E Sá Carneiro: «Se for um fiasco logo se vê, mas sempre se ganha tempo.»

Dos 4 ou 5 blogues que leio, O Largo da Memória está nessa lista. Gostei do que li hoje e aqui coloco o texto, dizendo que a fotografia também do é do Luís Eme:

 «Acendeu um cigarro e depois disse: «as salas de teatro voltaram a ter demasiados lugares vagos.»

Antes que eu o interrompesse,  explicou-nos o óbvio. «Sei que não é nenhuma novidade. Acontece sempre que aumenta o preço do pão, do leite, do peixe, da carne...»

E depois fez uma confissão: «É nestes momentos que tenho inveja do futebol. Não há nenhuma crise que consiga tirar os malucos das bancadas dos estádios.»

Levantou-se e antes de nos virar costas, ofereceu-nos mais meia-dúzia de palavras, com um sorriso que tinha tanto de amargo como de derrotista: «As culturas perdem com quase tudo...»

terça-feira, 12 de julho de 2022

PANCADAS DE MOLIÉRE


Conheci o Joaquim Benite por meados dos anos 60.

Trabalhava o Benite n'O Século, boemava eu, pelos cafés de Lisboa, com o José Ferraz e o Armindo, e amiúde encontrávamo-nos no último eléctrico, que do Martim Moniz subia até à Graça.

Morava num quarto alugado na Rua Cesário Verde, uma vida muito difícil.

Eu morava em casa dos meus pais, na Mestre António Martins.

Descíamos na paragem do Forno do Tijolo, subíamos a Heliodoro Salgado, madrugada dentro a falar, por exemplo, de algumas das maneiras de deitar um ditador de botas, do trono abaixo. Nenhuma era do modo como veio a acontecer.

Detestava o teatro que se fazia na altura, entre os pastelões do Nacional, os pastelões comerciais, o teatro de revista.

Tinha um sonho. Melhor: tinha muitos sonhos.

Acompanhei os seus primeiros tempos no Campolide. Uma dedicação, um entusiasmo que não cabem em palavras.

Já a trabalhar em Almada, Benite e a sua mulher, Teresa Gafeira, chegava altas horas da noite à casa onde viviam na Rua da Paz, r desatava a fazer esparguete à bolonhesa, falava, falava, fumava um milhão de cigarros.

- És um autêntico caixeiro-viajante do teatro.

- Sabes lá o que é o teatro, sabes lá o que é um caixeiro-viajante.

O 39º Festival de Almada termina no próximo dia 18 de Julho.

No dia 29 de Julho do ano passado, o Público publicou uma crónica de Augusto M. Seabra, sobre Joaquim Benite e o Teatro de Almada.

Respigo:

«O teatro é a arte da polis mas é também o grande teatro do mundo/o grande mundo do teatro. E o Festival de Almada trouxe-nos mundo, isto é, estética e eticamente, conhecimento, o cosmopolitismo que é tão urgente e, enquanto tal, uma acrescida noção de cidadania, gesto artístico e também político, pois.

Há um quadro histórico a considerar, mesmo “pré-histórico” ao Festival. Em 1971 surgiu o Grupo de Teatro de Campolide dirigido por Joaquim Benite, amador de estatuto mas parte integrante da explosão dos grupos independentes nesses inícios dos anos 70, com Os Bonecreiros, a Comuna e depois a Cornucópia. Depois de algumas andanças, em 1978 o grupo passou para a outra margem e em 1981, há 40 anos portanto, passou a ser a Companhia de Teatro de Almada. E o fazer, o amor e o conhecimento do teatro de Joaquim Benite fez surgir o Festival de Almada.

Há uma particularidade nos festivais de teatro: conhecendo os maiores, Avignon e Edimburgo, e tendo uma considerável frequência dos de cinema, música e ópera, não se me oferecem dúvidas que é nos primeiros que festival é uma expressão da sua etimologia em festa.

Almada é a nossa grande festa do teatro. O que devemos a Almada é incomensurável. Obrigado Companhia de Teatro de Almada, obrigado Joaquim!»

quinta-feira, 20 de maio de 2021

POSTAIS SEM SELO


«A Cultura é a maneira de as pessoas viverem, é aquilo que pensam. É de todos os cidadãos, não só dos que têm dinheiro para comprar cultura. A Cultura não é uma coisa que se compre, é uma coisa que se vive».

Luís Miguel Cintra, juntamente com Jorge Silva Melo, distinguido com o grau «doutores honoris causa» pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

domingo, 11 de abril de 2021

OLHAR AS CAPAS


Experiência do Drama

Roger Vailland

Tradução: Zita Mendonça

Capa: Alves Martins

Colecção Divulgação e Ensaio nº 3

Editorial Presença, Lisboa s/d

Nunca me aborreço completamente no teatro, mesmo quando a peça é má e os actores medíocres. Por que motivo, pois, esperei tanto tempo para frequentar os teatros?

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

OLHAR AS CAPAS


Mário Gin-Tónico Volta a Atacar

Mário-Henrique Leiria e Mário Viegas
Textos inéditos, semi-inéditos, desconhecidos, esquecidos e muito divertidos
Capa do programa do Teatro Estúdio no S. Luiz, Março de 1987
Único actor e irresponsável: Mário Viegas

«A minha cumplicidade com Mário em 1978 e com o seu Humor foi fulminante!!
Estreei Mário Gin-Tónico no Porto em Junho de 1986 e durante dois anos foi das experiências maiores da minha vida: milhares de gargalhadas e espectadores.
Quando o espectáculo chegou às 3 horas… decidi parar. Aqui está de volta e com novos textos.
Vai um copo?

sexta-feira, 19 de julho de 2019

PANCADAS DE MOLIÉRE


Ivone Silva foi uma extraordinária actriz do teatro de revista.
Ficaram célebres as suas rábulas, com Camilo de Oliveira, Agostinho, Agostinha, na série televisiva Sabadabadu.
Os restos mortais de Ivone Silva encontram-se no Cemitério do Alto de São João.
Alguém, volta e meia, vai lá deixar, aberta, uma garrafa de vinho.


Esta é a capa de um EP onde se pode ouvir o dueto Os Agostinhos.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

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Sobre os incidentes ocorridos no Teatro Capitólio, em Março de 1960, durante a representação, pela Companhia de Maria Della Costa, da peça de A Boa Alma de Sé-Chuão de Bertolt Brecht, e referidos nestas Pancadas de Moliére, reproduz-se uma página de memórias, escrita por Luiz Francisco Rebello, e que está incluída no programa da representação da peça pelo Novo Grupo.

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Capa do programa da representação de a Boa Pessoa de Setzuan pela Companhia  Grupo Novo no Teatro Aberto em Fevereiro de 1983.
Encenação de João Lourenço, interpretações, entre outros, de Irene Cruz, Mário Viegas, António Montez, Mário Sargedas.

PANCADAS DE MOLIÉRE


Em plena ditadura salazarista, vieram a Portugal algumas companhias brasileiras de Teatro

Recordo-me de o meu pai contar que, nos anos 60, assistiu no Capitólio à representação de A Alma Boa de Sé-Chuão de Bertolt Brecht, pela Companhia de Maria Della Costa, em que metade da assistência era composta por agentes da PIDE e legionários, que no final desataram a patear, mas foram engolidos pela ovação que ecoou pela sala, entremeada com Vivas à Liberdade e à Democracia.

Por sinal, José Saramago numa carta para José Rodrigues Miguéis,  datada de 22 de Março de 1960 fala da proibição das representações da Companhia de Maria Della Costa no Capitólio:

«… sabe que a «rapaziada» do Tempo Presente fez escândalo no Capitólio durante as representações da Alma Boa de Se-Tsuan, do Brecht, pela maria della Costa? Garrafinhas de mau cheiro, gritos de «fora!» e «abaixo!», intervenção da autoridade – um encanto! O cabecilha era o Goulart Nogueira, nazista honrado e confesso, que tem chorado amargamente lágrimas pela morte de S. Hitler, principal santo do seu (dele) agiológico. Conseguiram o que queriam: a peça foi retirada…»

Este é o bilhete que regista a minha presença no Recital que Paulo Autran realizou, no Teatro Monumental, na noite de 19 de Abril de 1966.

Paulo Autran fazia parte da Companhia de Tonia Carrero que, por esse tempo, esteve em Lisboa e aproveitou um intervalo nas representações para este Recital de Poesia.

Um deslumbramento.

Ouvimos o discurso de Marco António em Júlio César de Shakespeare, monólogos do Othelo, outra vez Shakespeare, monólogo do rei Creonte da Antígona de Sófocles, poemas dos poetas brasileiros Cecília Meireles, Vinicius de Moraes, Castro Alves, Carlos Drumond de Andrade, Sophia de Mello Breyner Andresen, Alexandre O’ Neill, Mário Cesariny de Vasconcelos, António Gedeão, Joaquim Namorado.

Antes da recitação dos poemas dos poetas portugueses Paulo Autran teve o cuidado de dizer que no Brasil os poetas portugueses, da moderna geração eram completamente desconhecidos. Foi apenas em Lisboa que, mão amiga, lhe mostrara poemas desses poetas e pedia desculpa pelo pouco tempo que dedicara à  preparação da recitação desses poemas.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

PANCADAS DE MOLIÉRE




Crítica, assinada por Manuel de Azevedo, publicada no Diário de Lisboa de 2 de Fevereiro de 1965, à peça O Render dos Heróis de José Cardoso Pires e representada pelo Teatro Moderno de Lisboa.

sábado, 1 de outubro de 2016

PANCADAS DE MOLIÉRE


A demolição do Cine-Teatro Monumental, a ocupação do Cinema Império por  uma seita, dita religiosa, são dois crimes que marcam a vida de Lisboa.

O CinemaImpério tinha uma capacidade para 908 espectadores na plateia e 1418 espectadores nos seus dois balcões.

A sala do Estúdio tinha uma capacidade para 250 espectadores.

Para além das fitas e espectáculos de music-hall, Cliff Richard e os Shadows por ali actuaram, e não só, de 1961 a 1965 albergou uma das mais importantes experiências teatrais de antes do 25 de Abril : o Teatro Moderno de Lisboa, fundado por um grupo de actores de que faziam parte Carmen Dolores, Fernando Gusmão e Rogério Paulo.

O Teatro Moderno de Lisboa estreou em 13 de Novembro de 1961, com a peça de Carlos Muñiz “O Tinteiro”, encenação de Rogério Paulo, peça que em Abril de 1962 representou Portugal no Festival Internacional de Le Theatre de Lutece em Paris.

Dada a programação cinematográfica do Império, apenas foi possível enconrtar disponíveis as sessões das 18,30 horas às segundas, terças, quintas e sextas, para além de uma sessão nas manhãs de domingo.


Segundo José Carlos Alvarez de José Carlos Alvarez, o Teatro Moderno de Lisboa, foi responsável pela formação de um novo público e de um novo gosto teatral, num tempo de grande agitação social e política.

Por motivos referidos na História Breve do Teatro Moderno de Lisboa, atrás reproduzida, os seus responsáveis resolveram interromper a actividade da companhia na época de 1963-64.

Receou-se que seria o fim do Teatro Moderno de Lisboa mas, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, ainda houve a possibilidade de fazerem a temporada de 1964-65, em que tiveram a oportunidade de representar O Render dos Heróis, peça de José Cardoso Pires.

Reproduz-se a seguir um texto de João Antunes Tunes, que deveria ser publicado no Diário de Lisboa-Juvenil caso a Comissão de Censura salazarista não lhe tivesse colocado a indicação de CORTADO.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A HISTÓRIA DO TEATRO ÁDÓQUE


Neste sábado, na Associação Renovar a Mouraria, foi lançado o livro da autoria de Luciano Reis: Teatro Adóque (1974-1982) História de um Sonho Teatral.

Presentes alguns dos que, durante 8 anos, levaram a cabo um dos projectos mais interessantes do nosso Teatro de Revista.

Quis o acaso que o livro fosse lançado escassos dias depois da morte de Francisco Nicholson, o grande impulsionador deste sonho teatral.

Mesmo debilitado, ainda conseguiu forças para  escrever as breves linhas que constituem o prefácio:

«Foram momentos inolvidáveis, heroicos, irrepetíveis.
Dir-me-ão que havia qualquer coisa de místico, em tudo isto. Dir-vos-ei que nunca o Adóque foi um templo onde se adorassem deuses, venerassem santos os reverenciassem palavras sacerdotais.
Éramos irreverentes, descarados, impertinentes, malcriados, mas, sempre fraternos, generosos, despojados. Ah!... sempre com a preocupação de sermos politicamente muito incorrectos.
Tínhamos um sonho. Ousámos sonhá-lo intensamente para que mais luminosamente se tornasse real.»

O livro de Luciano Reis , com histórias e fotografias, faz a história do Adóque, bem como a nomeação de todos os que, durante oito anos tornaram o sonho possível. Muitos deles ainda no meio teatral, outros na televisão e outros que, infelizmente, já não se encontram entre nós.

Na apresentação do livro estiveram os actores Rui Mendes, Magda Cardoso e Virgílio Castelo que, no seu depoimento escreveu:

«Nunca me tinha passado pela cabeça ser actor e aos 21 anos quando conheci aquele grupo de pessoas que já admirava do teatro e da televisão, estava londe de pensar que viria a partilhar a minha vida com eles e a moldar o meu futuro a partir do que eles me ensinaram.»

O livro  termina com uma longa lista de todos aqueles que fizeram uma época marcante da nossa cultura, mais de três centenas de nomes, entre actores, bailarinos, autores, encenadores, compositores, músicos, coreógrafos, figurinistas, costureiras, caracterizadores, técnicos, pessoal das bilheteiras e de outos tipos de apoio e até os jornalistas que faziam o Jornal Adóque.

Segundo números referidos no livro, o Ádóque produziu 21 espetáculos, aos quais assistiram mais de 1,2 milhões de espetadores, em Lisboa e em mais de 70 localidades do país, tendo a sua produção de palco dado origem a 15 discos sendo 12 singles e três álbuns.

quinta-feira, 3 de março de 2016

POSTAIS SEM SELO


Só que não concebo teatro sem a publicação dos textos. 

Jorge Silva Melo

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

SARAMAGUEANDO


Nas conversas que José Saramago manteve com Carlos Reis, fala de um seu livro que nunca foi publicado e que se seguiu à “Terra do Pecado”:

“Escrevi esse livro que se chama “A Clarabóia” e é um romance. É a história de um prédio com seis inquilinos sucessivamente envolvidos num enredo. Acho que o livro não está mal construído. Enfim, é um livro também ingénuo, mas que, tanto quanto me recordo, tem coisas que já têm que ver com o meu modo de ser.

O livro foi enviado para um editor, para o Diário de Notícias, por lá ficou quarenta anos, até que um dia recebo uma carta dizendo: “Foi encontrado, na reorganização dos nossos arquivos, o original do seu livro, etc., etc.” E então diziam logo: “se quiser publicar, nós publicamos.” Fui lá, à Empresa Nacional de Publicidade, e saquei o livro que está aí.

Agora, a história de seis famílias que habitam um prédio de Lisboa e vivem sob a nuvem do Salazarismo, ganha uma adaptação pelas mãos do grupo de teatro A Barraca. Num trabalho de adaptação de Maria do Céu Guerra e João Paulo Guerra.

A peça estreia no dia 10 de Dezembro, data em que se comemora o 17.º aniversário da entrega do Prémio Nobel de Literatura a José Saramago. 

Ficha Artística e Técnica
Texto: José Saramago
Adaptação do Texto: João Paulo Guerra
Dramaturgia: Maria do Céu Guerra e João Paulo Guerra
Encenação: Maria do Céu Guerra
Cenografia e Coordenação de Guarda Roupa: José Manuel Costa Reis
Banda sonora: João Paulo Guerra
Assistência Geral do espectáculo: Adérito Lopes e Sérgio Moras
Apoio à Direcção de Actores: Lucinda Loureiro
Sonoplastia: Ricardo Santos
Iluminação: Paulo Vargues
Relações Públicas e Produção: Paula Coelho, Inês Costa
Cartaz/ Design Gráfico: Arnaldo Costeira
Fotografias: MEF – Luís Rocha


Maria do Céu Guerra sobre a adaptação da obra de Saramago:

A Barraca tem no seu historial inúmeras obras de ficção transformadas em escrita dramática, a partir das quais se produziram inesquecíveis espectáculos. É aliás esta uma das suas principais vocações. Viagens de Gulliver, de Swifft, O Diabinho da mão furada, de António José da Silva, Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, A Relíquia, de Eça de Queiroz, Gente da Terceira Classe, de José Rodrigues Miguéis, Os Emigrantes, de Ferreira de Castro, A Balada do Café Triste, de Carson McCullers, são apenas algumas dessas obras.
 Neste sentido, A Claraboia, de José Saramago, constitui para A Barraca um desafio enorme. São dezassete personagens distribuídas em seis apartamentos num bairro de gente "remediada" na Lisboa dos anos 50. As suas necessidades, aspirações, quezílias, transgressões, mentiras são a principal matéria/desafio para um grande espectáculo de Teatro a acontecer. Tudo encerrado num espaço onde a ausência de amor é a parede mestra de cada casa e onde o fascismo à portuguesa, é vivido até ao mínimo pormenor com a policia à espreita dentro de cada um.
 O entusiasmo de A Barraca e a anuência da Fundação José Saramago levaram-nos a tentar dar cumprimento ao nosso sonho e programarmos este espectáculo para o segundo semestre de 2015.
 Temos a certeza que este espectáculo honrará as instituições culturais envolvidas e não menos o seu autor.