O sonho meu,
como o de tanta gente, era que um teatro tivesse tanta gente como um
Benfica-Sporting, e nem era preciso tanta. Mas estas coisas acontecem porque
desde putos jogamos, à bola rua, - ainda se joga à bola nas ruas? – e criámos
esse gosto.
Joaquim
Benite é um homem de teatro.
Conheci-o
ainda ele era um jovem repórter de “O Século”.
Como morava
num quarto, perto da casa dos meus pais, amiúde, acontecia apanharmos o último
eléctrico para a Graça. Descíamos ao fundo da Heliodoro Salgado, subíamos a rua
e entre tantas outras conversas, o teatro entrava sempre. Terá sido das
primeiras pessoas a quem ouvi dizer que o teatro existia para ser representado
e que entre ler uma peça e vê-la nas tábuas de um palco, há como aquela
diferença entre beber um café e beber um nescafé porque o teatro tem que ter
aquela vivacidade que só o actor e um palco emprestam ao texto.
Fiquei feliz
quando lançou e alicerçou o “Grupo de Teatro de Campolide” ali,
entre o Restaurante “Valenciana” e a “Pastelaria A Pastorinha” ícones do bairro
de Campolide.
Mais velho
que o mundo: quem gosta verdadeiramente do que faz , tarde ou cedo alcança o
sonho.
O sonho hoje
chama-se “Companhia do Teatro de Almada”.
De 4 a 18 de
Julho realiza-se o 28º Festival de Almada, que se encontra entre os melhores
festivais que se realizam pelo mundo.
Mais
informações aqui
“Não sei se Joaquim Benite foi um
jornalista que se transformou em encenador, ou se foi um homem de teatro que
andou escondido, demasiado tempo, no lado quase invisível das notícias que
escreveu para os jornais e revistas onde trabalhou.
Mas isso não é o mais importante, pelo
menos se pensarmos que Almada conhece muito melhor o homem do teatro - cujo
contributo artístico, como encenador e director da Companhia de Teatro de
Almada, tem sido fundamental para o desenvolvimento da Arte de Talma na nossa
cidade -, que o homem dos jornais.”
Luís Eme em “O Casario do Ginjal”
Lembrança de
um texto publicado em O Cais do Olhar de 7 de Julho de 2011.

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