domingo, 26 de julho de 2026

VOLTEMOS ÀS GREGUERÍAS

Mais Greguerías de Ramón Gómez de la Serna: 

A felicidade consiste em ser-se um desgraçado que se sente feliz.

Aquele tipo tinha um tique, mas não tinha um taque – por isso não era relógio.

A civilização terá atingido um alto grau quando os gatos estiverem a ler revistas infantis nos portais.

O mar só vê viajar: ele nunca viajou.

A medicina oferece-se para curar dentro de cem anos os que estão agora a morrer.

A água não tem memória: por isso é tão limpa.

Há quem se reserve para dar esmolas aos pobres que houver à porta do céu.

O que acorda da sesta ao fim da tarde repara que lhe roubaram o dia enquanto dormia.

O arco-íris é o cachecol do céu.

As algas que dão á praia são os cabelos que as sereias arrancam ao pentearem-se.

Se ao morrer nos lembramos que já estivemos mortos antes de nascer.

O abraço tem alma de serpente, mas no final abranda.

O gato só admira o homem quando este mete mais lenha na chaminé

As lágrimas são tão efémeras que nenhuma chegou a ser diamante.

O cachimbo não arde: logo, se os homens fizessem as casas com madeira de cachimbo, haveria bombeiros a mais.

Sem comentários: