quarta-feira, 22 de julho de 2026

QUOTIDIANOS

 «Numa tarde em que estava sentada numa esplanada a beber um café e a ler um livro, fui interpelada por uma antiga colega de trabalho que apareceu sem eu dar conta: disse-me, em tom jocosos, que eu tinha uma boa vida, pois estava ali, sem fazer nada, “ a lar um livrinho ao sol”. Achei interessante esta ideia de que uma pessoa que está a ler um livro tem uma vida ótima, porque eu estava de rastos nesse dia, exausta, a ter os meus primeiros trinta minutos sozinha depois de ter sido mãe. Ela tinha razão: ali estava a viver uma boa vida, no entanto, não era por não estar a fazer nada – luxo a que todos deveríamos ter acesso -, mas, sim, por estar a ler.»

Maria Francisca Gama, escritora

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