Um livro,
quase, inédito de poemas de António Lobo Antunes, que o escritor, que sempre
lamentou não ter sido poeta foi escrevendo ao longo da vida, foi publicado em
Junho pelas Publicações Dom Quixote.
António Lobo
Antunes, poeta?
Não na exacta palavra, mas são versos, versinhos, coisinhas, chamava-lhe “letrinhas de cantigas” que, no dizer de Vitorino, foram escritos, a BIC, nas toalhas dos restaurantes que, que uma vez por semana, visitavam com incidência primeira nos Moínhos da Funcheira:
«E às quintas-feiras almoço nos Moinhos da Funcheira
com o Zé Ribeiro, o Zé Francisco, o Vitorino. Os Moinhos da Funcheira são o
subúrbio do subúrbio, depois da Venda Nova, da Brandoa, da Pontinha: toda a
gente acha feio e eu acho lindo. De onde me virá este amor sincero, genuíno,
pelo que as pessoas consideram de mau tom, leões de calcário, duendes de gesso,
quadros de queimadas, cerâmicas de casa de banho com cisnes doirados?
Quando digo que almoço às quintas-feiras
nos Moinhos da Funcheira digo que a empregada nos trata por
- Meu querido
nos traz salsichas com ovos estrelados e
nos sentimos indecentemente felizes
Com pena da gente a empregada diz
- Meus queridos
e soma-nos a conta na toalha».
Adianto já que, algumas crónicas do António Lobo Antunes, são verdadeiros poemas.
Leiam-nas, por favor!
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