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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

MÚSICA PELA MANHÃ


 Em relação a Elvis Presley, sou mais que suspeita, sou suspeitíssima.

Sei que é um exagero, mas gosto de tudo o que o Elvis canta e adianto que White Christmas adquire um outro sentido na voz do Rei.

Colaboração de Aida Santos.

sábado, 1 de abril de 2023

MÚSICA PELA MANHÃ


Aos sábados é hábito colocarem-se por aqui músicas e canções.

Na semana em que José Duarte nos deixou, e pegando no seu livro «Jazzé e Outras Músicas», temos por lá músicos e cantores que o Zé viu em espectáculos e alguns entrevistou.

De tanta gente que por lá se fala, acabei por ficar na página 100, em que aparece Tony Bennett quando pela primeira vez esteve em Lisboa.

Reportando para o DL, José Duarte tinha para Tony uma pergunta pertinente que metia Nossa Senhora de Fátima.

Assim:

«Como, depois de Boulevard of Broken Dreams, sua primeira gravação, e de Because of You, seu primeiro milhão vendido, e no meio da lista de sucessos dos anos 50 até I Left My Heart in S. Francisco em 62, que foi pico da carreira, aparece o tema Our Lady Of Fatima?!!...

Nesse tempo, disse ele, quem escolhia as cantigas para gravar não era ele, eram os outros. Preço para uma carreira que começava. Hoje é diferente, claro. E Fátima seria que Bennett sabia o que é? Não. Expliquei-lhe, devoto. A CBS, multinacional atenta, deu-me um toque no cotovelo e corrigiu-me. O milagre não é dos anos 40, é de 1917! Repórter envergonhado, ainda tentei convencer a estrela a cantar Fátima no Casino, alegando o grande sentimento religioso de nós, os latinos…

Que não, que já não se lembra do poema, nem da melodia, nem sequer quem são os autores. Mas que lá cantar, cantou e que foi um êxito, foi. Bennett cantou Fátima, pronto, pont.

É verdade.»

Sim, realmente, Tony Bennett gravou «Our Lady  of Fatima» em 1950.

Uma página da Rádio Renascença na net. conta-nos:

 “Our Lady of Fatima”, uma canção composta pela irlandesa Gladys Gollahon, uma pianista amadora que vivia em Cincinnati, Estados Unidos, tornou-se rapidamente um êxito naquela cidade. Quando a WSAI, uma rádio local, passou a canção pela primeira vez, o telefone não parou de tocar, com ouvintes a pedir que a repetissem uma e outra vez.

A música foi comprada, em 1950, pela editora Robbins e gravada, nos meses seguintes, na voz de vários artistas famosos na época, como Red Foley, Kitty Kallen e Ricard Hayes, Andy Williams e Bill Kenny.

Na sua autobiografia “The Good Life: The Autobiography Of Tony Bennett”, Tony Bennett recorda que quando entrou em estúdio, em Julho de 1950, os seus produtores aconselharam-no a fazer uma versão desta canção, já que era um “êxito provado”.

O cantor descreve a música como “melodramática”, mas diz ter sido uma gravação importante na sua carreira, já que foi a primeira vez que trabalhou com o orquestrador Percy Faith.

Nesse ano, canção atingiu o sexto lugar na “hit parade”, um "ranking" de músicas da revista Billboard - um feito pouco comum para uma música religiosa.

A mesma página da Rádio Renascença, também informa que Elvis Presley gravou uma canção sobre Fátima:

«No dia 15 de Maio de 1971, o rei do rock gravou uma canção sobre o milagre de Fátima. A música seria divulgada no ano seguinte, a 20 de Fevereiro, no álbum "Elvis Now!".

Permanece um mistério a razão pela qual Elvis Presley, criado na Igreja Evangélica Assembleia de Deus, quis gravar uma canção dedicada ao rosário, uma oração tipicamente católica.

Chama-se "The Miracle of the Rosary" e foi escrita pelo homem que ensinou Elvis a tocar guitarra aos 13 anos: Lee Denson, um amigo da família Presley, casado com uma católica devota de Nossa Senhora de Fátima.

A canção foi escrita em 1960, quando Denson se aproximou também do catolicismo. Algum tempo depois, o Papa Paulo VI chegou mesmo a abençoar a canção.»




Deixando Fátima de lado, a função fecha-se com duas canções dos primeiros tempos de Tony Bennett: Because of You e Boulevard of Broken Dreams.


quarta-feira, 3 de junho de 2020

terça-feira, 2 de junho de 2020

TUPELO, MISSISSIPI - BIRTHPLACE OF ELVIS PRESLEY


Acelerei o mais possível por aquela Estrada 45 fora, esperando que, como era Sábado, a Casa fechasse mais tarde e não às estúpidas 17h00, como era habitual.

O dia já ia bem cheio porque tinha passado pela “Dockery Plantation”, local onde muitos garantem ter nascido o “Blues” do Delta da Mississippi, e depois tinha estado em Rowan Oak, numa povoação chamada Oxford, que é a casa onde William Faulkner viveu com a sua Família durante mais de 30 anos, aí tendo escrito a maior parte da sua Obra.


E foi em Rowan Oak que perdi mais tempo, não só porque visitei a casa de ponta a ponta com todo o vagar, como à saída me apeteceu também vaguear pelo jardim e depois descansar uns minutos, no mesmo banco onde Faulkner também gostava de se sentar. E de seguida fui passear pelo Centro de Oxford e visitar as suas belas livrarias, ricas como não vi outras iguais nesta viagem pelo Sul dos Estados Unidos.


Não admira... É uma cidade universitária que nos dá a sensação de estarmos algures em França ou Inglaterra, e não no Mississippi profundo.

Mas as minhas melhores esperanças de condutor apressado não se iriam concretizar...
17h00 são 17h00, quer seja Sábado ou dia de semana, e quando chegámos a Tupelo tanto a casa onde Elvis Presley nasceu, como o museu que lhe é adjacente, já estavam a encerrar as suas portas.


Este espaço de homenagem a Elvis engloba, para além da casa, um pequeno museu, uma igreja e um grande jardim, um pouco mais afastado.

É um lugar calmo e aprazível, sentindo-se aqui um genuíno desejo de honrar, de uma forma digna e humilde, a memória do herói local, e não de fazer um ataque desenfreado ao bolso do visitante, como sucede em Graceland.


Embora tivesse levado bastante tempo a concretizar, tudo isto terá sido imaginado muito cedo quando Elvis, já a caminho do estrelato após o lançamento do primeiro álbum e das suas primeiras aparições na televisão, atuou pela primeira vez na sua terra natal, em 26 de Setembro de 1956, e doou a receita do concerto à edilidade local para a construção de um parque em sua memória.

Hoje o “Elvis Presley Park” impõe-se, imponente, lá no alto, com algumas estátuas de bronze a homenagear o intérprete de “Love me Tender”.


A casa tinha-se mantido desabitada e estava em muito mau estado de conservação, mas não tardou que os fãs de Elvis tivessem conhecimento da sua existência e começassem a chegar a Tupelo com desejo de a visitar. Quando, no início dos anos 70, foi decidido recuperá-la e abri-la ao público, foi posto um anúncio num jornal local solicitando à população a doação de loiças e mobiliário da época, e foi assim que foi constituído o recheio atual casa...




Como já vos disse, não pude visitar o museu, mas sei que, entre muitas outras coisas, tem no seu interior fotografias da Família Presley nas quais um Elvis criança e adolescente surge ao lado dos seus pais, alguns instrumentos musicais, roupa da época e uma “maquette” de como era a casa e as imediações em meados dos anos 30 do século passado.


Nas suas paredes exteriores o museu está coberto de mensagens de quem privou de perto com o Elvis desses tempos, desde vizinhos e colegas de escola ao pároco da igreja.

A igreja pertencia à “First Assembly of God Church” da qual a mãe de Elvis, Gladys, fazia parte, e estava um quarteirão mais afastada, tendo sido, posteriormente, transplantada para este espaço. Foi nesta igreja que Elvis tomou contacto com a música “Gospel” e ouviu os primeiros “hymns” que tanto o influenciaram e que tantas vezes iria homenagear em gravações ao longo da sua carreira. E foi também aqui que o jovem Elvis cantou em público pela primeira vez.


Quanto à origem da modesta casa, a história conta-se em poucas palavras.

Sabendo que a sua mulher iria dar à luz pela primeira vez e que necessitariam de melhores condições de alojamento, o pai de Elvis, Vernon Presley, pediu 180 dólares emprestados e construiu-a ele próprio em 1934.


A 8 de Janeiro do ano seguinte nasceria Elvis, que teria melhor sorte do que o seu irmão gémeo Jesse, nado-morto uns minutos antes.

Mas Vernon Presley não conseguiu pagar o empréstimo dentro do prazo previsto e a Família teve de largar a casa aos credores, tinha Elvis 3 anos.


Seguir-se-iam mais 10 anos de vida difícil em Tupelo, mudando de casa com frequência, até que em 1948, tinha Elvis 13 anos, a Família se meteu à estrada num Plymouth de 1939 igual a este que aqui veem, a caminho de Memphis.

Foi a sorte de Elvis.

O ambiente musical com que iria deparar em Memphis motivou-o e deu-lhe outras oportunidades que, provavelmente, nunca teria encontrado se tivesse permanecido em Tupelo.

Mas isso é outra história, que contarei quando vos falar da “Sun Records”.

É, na verdade, um bonito espaço este de Tupelo, e só lamento não ter tido tempo para nele me passear com outra disponibilidade.



De saída da cidade parei num daqueles grandes bares à beira da estrada onde nos podemos sentar ao balcão e escolher uma de entre as trinta e seis variedades de cerveja de pressão que temos à nossa frente.

Vendo-me a tirar fotografias, alguém a meu lado meteu, gentilmente, conversa, e eu contei-lhe o que me tinha trazido àquela terra, pensando para comigo que nem teria sido necessário explicar, porque saloios como eu à procura de Elvis paparia ele, certamente, todos os dias ao pequeno almoço...

Entre outras coisas, disse-nos que perto do Centro da cidade havia um bonito mural em homenagem a Elvis mas, na verdade, já era tarde e não tive tempo de por lá passar...

É que me esperava, ainda, um festival de “Blues”, na noite de Clarskdale.

PS:

“Dockery Plantation” e “Rowan Oak” terão direito, cada uma, a seu texto.

Texto e fotografias de Luís Miguel Mira

quinta-feira, 28 de maio de 2020

COLETTA'S


Tínhamos andado a abusar das excelentes carnes do Tennessee e, naquela noite, a Cristina apetecia-lhe algo mais ligeiro para o jantar.

Na véspera tinha jantado alarvemente um BBQ de “ribs”no “Charlie Vergo’s Rendezvous”, uma verdadeira instituição da Gastronomia de Memphis desde 1948, e muito embora não me importasse nada de continuar no mesmo ritmo, a pobre da Cristina, como é habitual, começava a não conseguir acompanhar a minha pedalada...

Sugeri-lhe, então, um restaurante italiano, porque tinha visto que haveria pelo menos um recomendável, o “Coletta’s”.

Afinal não era apenas um, mas dois com o mesmo nome, pertencentes à mesma Família. Um maior, hoje gerido pelos filhos dos proprietários, e outro mais pequeno, agora gerido pelos seus pais. E foi precisamente a este último que o GPS nos conduziu.


Tinha várias salas, mas ficámos logo na de entrada, uma salinha simpática com mesas cobertas com uma daquelas toalhas aos quadradinhos brancos e vermelhos, de que tanto gosto.

Desde o momento da entrada que sentimos alguma deferência e simpatia à nossa volta, o que não estranhámos visto sermos os únicos estrangeiros na sala.

Como é habitual, eu estava sem aparelho no ouvido mas apercebi-me, a determinada altura, que o nome de Elvis Presley estava a sair, frequentemente, da boca da jovem empregada que nos servia.

Perguntei à Cristina o que se passava e ela esclareceu-me que a empregada lhe tinha dito que aquele era um dos restaurantes preferidos do Elvis, em Memphis, que por lá aparecia com muita frequência.

Estranha conversa essa, respondi-lhe eu, porque nos tínhamos limitado a sentar e a pedir a lista, e nem uma palavra acerca do Elvis lhe tínhamos dito.


Daí a pouco, nova investida de Elvis...

Eu escolhi como prato principal uma pizza de BBQ, e ela felicitou-me pela escolha dizendo que era, também, o prato favorito do Elvis...!

Sabendo que, nos seus últimos anos de vida, o “King” se alimentava a grandes “paletes” de hamburgers com mostarda e ketchup, não fiquei lá muito satisfeito com a comparação e com o nível do meu gosto gastronómico, mas era evidente que a pequena nos queria “vender” qualquer coisa que eu ainda não tinha percebido muito bem o que era, não obstante já estar de aparelho no ouvido...


E ainda por ali andou ela às voltas a perguntar-nos se a comida estava boa, sempre com Elvis para a direita e Elvis para a esquerda, apontando para uma pequena sala lá ao fundo e dizendo que era o “reservado” que ele e a sua “entourage” ocupavam quando por lá passavam. Até que a determinada altura se aproximou da mesa o corpulento patrão, certamente descontente com a ineficácia demonstrada pela sua empregada em nos sacar a desejada informação, e então caí em mim e percebi tudo, rapidamente...

Por mera coincidência, era 10 de Agosto e no dia seguinte começava a “semana de Elvis”, ou seja, os dias em que os mais fanáticos dos seus fãs se juntam para o homenagear e assistir a uma cerimónia especial na qual se comemora o aniversário do seu falecimento, no dia 16 de Agosto.


Sorte dos Távoras, pensei eu para com os meus botões... Mais uns dias e a confusão em Memphis seria muito maior e eu não teria andado tão à vontade em todos os lugares por onde andei.

E o que o patrão pretendia de nós era, agora, muito claro... Primeiro queria saber se já pertencíamos à vaga de fãs da “semana do Elvis” e se estávamos ali por o
nome do restaurante lhe ser associado...

Se lhe respondêssemos que sim ficaria satisfeito, porque tal seria a garantia de mais clientes nos dias seguintes...

Se lhe disséssemos que éramos do grupo mas que nunca antes tínhamos ouvido falar do restaurante, certamente que contaria connosco “to spread the message”...


Mas a resposta que ouviu da nossa boca foi aquela que menos desejaria... Que não estávamos em Memphis por causa do Elvis, que fôramos ao seu restaurante por mero acaso e que bem cedo no dia seguinte partiríamos para o Sul...

Despediu-se, desolado, desejando-nos boa viagem.

É claro que não resisti à tentação de dar uma espreitadela ao “reservado do Elvis”.
É uma salinha pequena rodeada de cartazes e fotografias em todas as paredes, mas onde nem sequer se encontra nenhuma daquelas típicas fotos do “herói” rodeado pelos proprietários do restaurante, todos sorridentes e de polegar virado para cima...!


O máximo que por lá se consegue ver é uma foto de Elvis a jogar futebol americano com os amigos num terreiro de Memphis, e outra do corpulento Elvis dos últimos anos a espreitar à janela de uma viatura, com a mulher ao lado, e um talão de fatura do restaurante, sem qualquer discriminação de despesa, autografado por ele.

Sim, é bem possível que Elvis Presley tenha, uma bela noite, jantado no “Colleta’s”...

Texto e fotografias de Luís Miguel Mira

quarta-feira, 29 de abril de 2020

TO ELVIS, WITH LOVE





Os muros que ladeiam a casa de Elvis estão apinhados de mensagens dos seus fãs.

Da maneira como as mais recentes se sobrepõem, fiquei com a ideia de que todo o muro é lavado de tempos a tempos para permitir novas levas de mensagens.

Aqui está uma respeitável Senhora apanhada em pleno ato… Procurou, procurou e lá encontrou um pedacinho onde escrever.

Comovente...

Cada um é como é e longe de mim censurar…

Deus sabe como sou fã de Gram Parsons e já  andei a perseguir as suas memórias em todo o lado por onde caminhou, mas nunca me passaria pela cabeça deixar-lhe um bilhetinho... 

Texto e fotografias de Luís Miguel Mira

terça-feira, 28 de abril de 2020

GRACELAND


“I’m going to Graceland
Memphis, Tennessee
I’m going to Graceland
Poor boys and pilgrims with families
And we are going to Graceland
…………………………………….
…………………………………….
Ooh, ooh, ooh,
In Graceland, in Graceland
For reasons I cannot explain
There’s some part of me wants to see
Graceland”

(Paul Simon – “Graceland”)

Paul Simon nasceu em 1941 e teria 13 anos quando Elvis Presley fez as suas primeiras gravações no “Sun Records”, em Memphis.

É natural, portanto, que sinta uma certa nostalgia em relação a  Graceland, mesmo que não nos saiba  explicar muito bem porquê.

Não é o meu caso.


Respeito a memória do Elvis  e tudo o que ele representou para o surgimento de um novo tipo de música de que, muitos anos mais tarde, aprendi a gostar.

Também sei separar o trigo do joio, ou seja, as qualidades de Elvis, o cantor, das muitas vezes grotescas trapalhadas em que Elvis, o Homem, se viu envolvido ao longo da sua vida…

E se uma das primeiras músicas em língua inglesa que me lembro de ter gostado, em criança de 7 ou 8 anos, foi “Wooden Heart”,  era preciso ter um coração de pedra para não ter ficado com um pouquinho do Elvis dentro de mim.


Mas isso não teria sido suficiente para me fazer voar para Memphis, Tennessee…

As memórias musicais que mais me aquecem o coração não habitam por aqui…

Mas também ir a  Memphis sem passar por Graceland seria uma pura estupidez…

E assim aconteceu.

Cheguei lá e – sacrilégio…!!! - acabei por não fazer a visita à Casa.


Naquele lugar os cifrões giram à volta da nossa cabeça.


Não admira… É a Casa mais visitada em todos os Estados Unidos da América…. Uma verdadeira máquina de fazer dinheiro!

Paga-se para ver o interior da casa, paga-se para ir ao “Meditation Garden”, onde se encontra o túmulo de Elvis, paga-se para  ver a coleção de automóveis e de motas, paga-se para entrar nos dois aviões privados, eu sei lá… Só falta mesmo pagar para se poder respirar no interior…

Julgo que foi na “Estratégia da Aranha”, do Bertolucci, que ouvi ou li algo que me parece ter sido uma citação de Brecht e que dizia mais ou menos o seguinte: “Felizes dos Povos que não precisam dos seus Heróis”.

Eu não tenho rigorosamente nada contra o facto de toda esta gente vir aqui em peregrinação saudar a memória do seu Herói.

Bem pelo contrário…


Mas confesso que me incomoda bastante o cheiro a ganância que se sente no ar num lugar como este.  

Fiz as contas por alto e  uma curta visita não me ficaria por menos de 120 €…

Não sou forreta nem fundamentalista….. Seria uma vez na vida e em circunstâncias normais confesso que talvez me tentasse a ir, embora a Cristina me tivesse logo avisado que não estava nada p’raí virada.

Mas a Casa encerrava às 17h00 e já passava  das 16H00 quando lá chegámos. Teria de comprar o bilhete e apanhar um “bus” no outro lado da avenida, na zona onde estão os dois aviões privativos de Elvis, pelo que me restaria muito pouco tempo útil para a visita…  


É claro que poderia lá ter ido no dia seguinte, mas se em circunstâncias normais já não consegui cumprir o programa que tinha estabelecido para dois dias em Memphis, se tivesse regressado a Graceland estava frito… É que se diz que isto fica em Memphis mas, na realidade, fica muitíssimo  longe do centro da cidade.

Assim sendo, cheirei a propriedade por fora, li algumas das inscrições nos muros que a rodeiam, vi ao longe os dois aviões, o maior “Lisa Marie” e o mais pequeno “Hound Dog II”, comprei um catálogo para mim e algumas recordações para os amigos, e zarpei.

 Mas não me despedi do Elvis para o resto da viagem porque, uma vez que iria  andar lá por perto, ainda tinha previsto passar por Tupelo, no Mississippi,  ver a casa onde ele nasceu, o que até se iria revelar bastante mais interessante, como na altura própria vos contarei. 

Em tempo:

Quem estiver interessado em dar uma olhadela ao interior da Casa não terá de ir a Graceland.  Bastará ir ao YouTube…. 

Texto e fotografias de Luís Miguel Mira

domingo, 22 de março de 2020

ANTOLOGIA DO CAIS

Para assinalar os 10 anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar alguns textos que por aqui foram publicados.

NUNCA CAMINHARÃO SOZINHOS

Foram os ingleses que inventaram o futebol, têm um enorme respeito por ele e chamam-lhe «The Beautiful Game.»

Vivem o jogo como ninguém.

Deslocam-se, enchem os estádios.

Avós, pais, filhos, netos, bisnetos: a família.

A festa.

Nem em tempo de Natal o dispensam.

Bem pelo contrário: exigem que haja jogos nesses dias.

Nos dias de transmissão do futebol inglês, quando as câmaras focam as bancadas, vêem-se espectadores das mais variadas idades. Por vezes, parece que toda uma família, do mais novo ao mais velho, foram ao futebol.

Uma das claques mais conhecidas, no Reino Unido, é a do Liverpool.

Tomaram como hino You’ll Necer Walk Alone, uma canção composta por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II para o musical da Broadway Carousel, de 1945 e que, em 1956, foi adaptado ao cinema por Henry King.

Mas seria com a versão de Gerry &The Pacemaker, conjunto oriundo da própria cidade, que a canção se tornaria o hino do clube.

Hoje, outros clubes, em outros países, o adoptaram como hino, mas nada como em Anfield Road.

Simplesmente  arrepiante.

Uma visita ao You Tube permite ficarmos a saber dos grandes nomes da música norte-americana, bem como outros, que gravaram You'll Never Walk Alone.

Shirley Jones gravou-a para a banda sonora de Carousel, mas há versões de Ella Fitzgerald, Ray Charles, Aretha Franklin, Mahalia Jackson, Nina Simone, Louis Armstrong, Elvis Presley, Barbra Streisand, Andy Williams, Judy Garland, Frank Sinatra, Johnny Cash, Roy Orbinson, The Rigteous Brothers, Tom Jones.

Também é possível encontrar uma versão dos Beatles.

Estas são as minhas escolhas.

A versão da Nina Simone é tocada ao piano.

Numa entrevista ao Expresso (06.02.2016), por ocasião dos 50 anos dos Cinco Minutos de Jazz, perguntaram-lhe por um episódio destes longuíssimos minutos de jazz, o José Duarte respondeu:

Fui a uma rádio em Los Angeles, que passa jazz 24 horas por dia. O edifício era lindo, alto, todo em vidro. Era o início dos anos 70, o João ainda era vivo. Eu tinha levado comigo uma cassete da Nina Simone a tocar piano. O apresentador fez-me perguntas, estranhou onde era Portugal, expliquei-lhe que se nadasse sempre em frente chegaria a Lisboa. E quando lhe contei que tinha um programa de cinco minutos fechou o microfone, pensava que eu me tinha enganado no inglês! No fim, pôs a minha cassete da Nina Simone e ia caindo da cadeira: nunca a tinha ouvido só a tocar o piano. Saí daquela rádio orgulhoso.

Um orgulho tão grande que, certamente, no regresso a Lisboa, obrigaram o José Duarte a pagar excesso de bagagem.

Texto publicado em 24 de Maio de 2016







domingo, 17 de novembro de 2019

VELHAS CANÇÕES


Domingo de chuva.
Arrumações tendo em vista o Natal que se aproxima.
E de repente, cai este velho disco da Eurovisão de 1967, quando as canções da Eurovisão eram mesmo canções e não um folclore de macacadas e efeitos especiais, excepção feita ao nosso Salvador Sobral em que se chegou a pensar que o Festival poderia voltar aos velhos tempos… mas não… não voltou…
Devem lembrar-se que a Sandie Shaw apresentou-se a cantar Puppet on s String, descalça.
Conversa puxa conversa e, de repente, saltou que também existe uma canção do Elvis Presley que faz parte de um filme do Elvis que nunca vi. Também se chama Puppet on a String e, escusado será dizer, que o Elvis é sempre o Elvis e o que canta faz a sua diferença.



sexta-feira, 31 de maio de 2019

DO BAÚ DOS POSTAIS


Continuação dos postais da Cristina e do Miguel.
«Finalmente na casa do Elvis! Mas chegámos muito tarde, os bilhetes são um roubo (120 euros...!) e optámos por não entrar e ver apenas de fora. Mas não nos esquecemos de umas lembrançazinhas para ti.»

domingo, 30 de dezembro de 2018

PEACE IN THE VALLEY




Já várias vezes o tenho dito: não frequento a FNAC.
Motivos vários e inultrapassáveis.
Hoje, por via de uma troca de presente natalício, tive de lá ir.
Agoniado, muito agoniado, mesmo.
Valeu ter encontrado a uma esquina da sala de música clássica ter um escaparate com discos de vinil, mais concretamente discos de Natal.
Valeu o sacrifício…




quarta-feira, 12 de setembro de 2018

ELVIS SEMPRE!


Continuo a apresentar as recordações que a Cristina e o Miguel me trouxeram da América.
Esta é a Carta de Condução de Elvis Presley.

sábado, 2 de junho de 2018

BAILES



Regressar a este espaço com um baile-bossa-nova-mandado com o rei Elvis, o senhor Fred Astaire e a Rita Hayworth.
Junho é mês grande festas e bailes.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

40 ANOS


Quarenta anos sem o Rei.
Lido hoje no Diário de Notícias:

Desde 1977 até hoje, foram publicadas 94 compilações discográficas de Presley. O que permite dizer que, 40 anos depois de falecer, ele ainda figura entre os artistas musicais mais rentáveis do mundo. 


domingo, 16 de abril de 2017

APENAS ROCK AND ROLL



Duas fotografias de Elvis Presley com o grupo The Jordanaires.

OS CROMOS DO BOTECO


Uma capa do Elvis em Domingo de Páscoa.

Elvis acompanhado pelos The Jordanaires.

Returno to Sender - I Don't Wanna Be Tied - Girls! Girls! Girls!- I Don't Want To

Tenham um Bom Domingo de Páscoa.


quinta-feira, 13 de abril de 2017

APENAS ROCK AND ROLL


Fotografia tirada da revista «Elvis 100%».

segunda-feira, 27 de março de 2017

ELVIS & FRIENDS


Realizou-se, ontem, o habitual almoço «Elvis & Friends» e, como, habitualmente foi um sucesso.
O repasto foi no Restaurante «Os Severianos» em Torres Vedras.

Pena não ter havido tempo nem espaço para um passinho de rock.

sexta-feira, 24 de março de 2017

APENAS ROCK AND ROLL


Elvis Presley com Priscilla.

sábado, 21 de janeiro de 2017

«MEU, NÃO ACREDITO NISTO»


Orbison, na verdade, transcendia todos os géneros – folk, country, rock-and-roll, e quase tudo o mais. As suas músicas misturavam todos os estilos e até alguns que ainda não tinham sido inventados. Ele podia soar mal e desagradável num verso e depois, no verso seguinte, cantar numa voz de falsete como a do Frankie Valli. Com o Roy não se sabia se estávamos a ouvir mariachi ou ópera. Ficávamos com pele de galinha. Tudo nele era oito ou oitenta. Soava como se estivéssemos no cimo do monte Olimpo e soubesse o que andava a fazer. Uma das suas primeiras canções, «Ooby Dooby» tinha sido bastante popular mas a sua nova canção não era nada assim. «Ooby Dooby» era decepcionantemente simples, mas Roy tinha progredido. Estava agora a cantar as suas composições em três ou quatro oitavas, o que nos dava vontade de atirar com o carro por uma ravina abaixo. Cantava como um criminosos profissional. Começava por um nível baixo, quase inaudível, mantinha-se por lá e depois, surpreendentemente, lançava-se para entoações exageradas. A sua voz podia enlouquecer um cadáver e fazia-nos resmungar coisas do género «Meu, não acredito nisto». As canções dele tinham canções dentro de canções. Alternavam de tonalidade maior para menor sem qualquer lógica. Orbison não brincava em serviço – não era nem um amador nem um principiante. Não havia nada como ele na rádio. Ficava na esperança de ouvir outras canções boas mas comparado com Roy, o que passava na rádio era uma chatice… sem coragem e sem energia. Tratavam-nos como se não tivéssemos cérebro. À excepção do George Jones, não gostava da música country. Elvis Presley. Já ninguém o ouvia. Há anos que ele tinha feito aquelas coisas com as ancas e levado as canções a outros planetas. Ainda assim, eu continuava a ligar o rádio, provavelmente mais por hábito do que por qualquer outra razão.

Bob Dylan em Crónicas