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terça-feira, 28 de abril de 2026

OLHAR AS CAPAS


Os Mortos Têm Todos a Mesma Pele

Vernon Sullivan

Tradução e Posfácio: Boris Vian

Capa: António S.

Colecção:  Série Negra

A Regra do Jogo, Lisboa 1982

- Posso levá-la a sair uma destas noites?, perguntou ele enfim, orando

- É muita amabilidade sua, disse ela com um sorriso incerto.

- Não, afirmou ele seriamente. Dá-me um grande prazer.

Ela suspirou.

- É engraçado… Não fazia ideia que os polícias fossem como você.

- Aceito isso como um cumprimento, disse Cooper corando ainda mais. Desculpe tenho de ir. Estou de serviço.

- Telefone, disse ela.

terça-feira, 7 de abril de 2026

OLHAR AS CAPAS

Morte aos Feios

Vernon Sullivan

(Boris Vian)

Tradução: António Sabler

Capa: António S.

Série Negra nº 10

A Regra do Jogo, Lisboa 1981

Levar uma paulada na cabeça, não é nada. Ficar drogado duas vezes na mesma noite, enfim… Mas asir para o fresco e calhar num quarto desconhecido, mais uma mulher, na indumentária de Adão e Eva, aí já começa a ser um pouco forte. Quanto ao que veio a seguir…

 

terça-feira, 24 de março de 2026

OLHAR AS CAPAS


Elas Não Dão Por Ela

Vernon Sullivan

Traduzido do americano por Boris Vian

Versão Portuguesa: Regina Louro

Capa: António S.

A Regra do Jogo Edições, Lisboa 1982

Pois bem, ao reler as minhas notas, dá-me ideia de que nem uma vez me dirão que foi um tipo que estudou quem escreveu isto. Questão de vocabulário? Não. Na minha opinião é, sobretudo, falta de citações latinas.

quinta-feira, 7 de março de 2024

VIAGENS POR ABRIL


              Este não é o dia seguinte do dia que foi ontem.

                                                       João Bénard da Costa

Será um desfilar de histórias, de opiniões, de livros, de discos, poemas, canções, fotografias, figuras e figurões, que irão aparecendo sem obedecer a qualquer especificação do dia, mês, ano em que aconteceram.

As voltas que Abril dá.

Fazemos hoje uma pausa nos acontecimentos políticos que temos vis a relatar e regressamos à música e será a única incursão que faremos fora do contexto das músicas de intervenção portuguesas que já fizemos e outras que estarão por fazer.

A canção é de contexto anti guerra. Um soldado escreve uma carta ao presidente dizendo das suas razões por que se recusa pegar em armas.

Le Deserteur tem poema de Boris Vian e música de Harold Berg e foi editada em 1954.

A versão portuguesa tem o dedo de José Mário Branco.

Ao Senhor Presidente
E Chefe da Nação
Escrevo a presente
P’ra sua informação
Recebi um postal
Um papel militar
Com ordem p’ra marchar
Pr’a guerra colonial

Diga aos seus generais
Que eu não faço esta guerra
Porque eu não vim à terra
P’ra matar meus iguais
E aqui digo ao senhor
Queira o senhor ou não
Tomei a decisão
De ser um desertor

Desde que me conheço
Já vi meu pai morrer
Vi meus irmãos sofrer
Vi meus filhos sem berço
Minha mãe sofreu tanto
Que me deixou sozinho
Morreu devagarinho
Nas dobras do seu pranto

Já estive na prisão
Sem razão me prenderam
Sem razão me bateram
Como se fosse um cão
Amanhã de madrugada
Pego numa sacola
E na minha viola
E meto-me à estrada

Irei sem descansar
P’la terra lusitana
Do Minho ao Guadiana
Toda a gente avisar
À guerra dizei “Não!”
A gente negra sofre
E como nós é pobre
Somos todos irmãos

E se quer continuar
A explorar essa gente
Vá o senhor Presidente
Tomar o seu lugar
Se me mandar buscar
Previna a sua guarda
Que eu tenho uma espingarda
E que eu sei atirar”

 

domingo, 27 de setembro de 2020

ANTOLOGIA DO CAIS


 Para assinalar os 10 anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar alguns textos que por aqui foram sendo publicados.

 ESSE MOVIMENTO DE ANCAS

 Juliette Greco evoca Miles Davis, amante. Quando, anos depois, o reencontrou em Paris. Ela, alguns passos na sala, de costas, um pouco curvada, desatenta: procurar um isqueiro, encher um copo com álcool, abrir uma janela porque faz calor. E ele ri, feliz. Juliette Greco pergunta: "Estás a rir, porquê?” E Miles Davis responde: “Porque reconheceria esse movimento de ancas em qualquer parte do mundo.”

Eduardo Prado Coelho em Tudo o Que Não Escrevi, Volume I

 Legenda: Miles Davis, Juliette Gréco e Boris Vian

 Texto publicado em 26 de Novembro de 2014