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domingo, 17 de agosto de 2025

MÚSICA PELA MANHÃ

Na segunda-feira, dia 11 de Agosto, deu-nos a loucura mansa de irmos ao Cinema Nimas ver o «1900», o poderoso filme de Bernardo Bertolucci.

São 5 horas e 17 minutos, com um intervalo de 10 minutos, entre o 1º e o 2º filme.

Noite maravilhosa e a surpresa de uma ligeira espantação de ainda existir cabedal para assistirmos a uma maratona destas.

Como observação apenas o mau estado de algumas das cadeiras do Nimas, que perderam a parte almofadada, as nádegas assentes em suma-pau, fazendo lembrar os últimos tempos do lendário Cinema King em que tudo, ou quase, começou a ficar decrépito.

A música desta manhã sai da banda sonora do filme, concebida pelo enorme Enio Morricone.

A canção é o tema do filme, apenas porque Herbert Pagani, que escreveu o poema, com a aprovação de Morricone, assim o entendeu, pois no filme nunca a ouvimos. Um pouco com aconteceu com o tema de Era Uma vez no Oeste, de Sergio Leone, também com a aprovação de Enio Morricone, em que Dulce Pontes, aparece a cantar algo a que chamou Amor a Portugal.

«1900»

Nascemos no mesmo dia, meu irmão
Herdámos os dois a mesma terra
Para mim a palha, para ti os lençóis de linho
Já nos tinham traçado dois caminhos.

Cada um partia para os campos, meu irmão
Para quem os frutos e para quem a miséria
A tua terra amassei-a como quem amassa o pão
Cada sulco está gravado nas minhas mãos.

Um dia precisei de partir para a guerra
Arriscando a vida para defender a terra
Parti escravo, mas regresso livre
Sabendo que cada espiga de trigo me pertence.

Doce planície com quem vêm fazem amor
Todos juntos sob o sol
Doce planície num turbilhão de abelhas
Em ti os teus filhos farão outros filhos.

Das colinas descem as bandeiras
Em direcção às mulheres e às casas
O vinho tinto faz rebentar os tonéis
Salpicando a noite com mil canções.

De que lado queres ficar, meu irmão
Queres a paz ou queres a guerra
Se a tua terra é a minha terra

Se o teu sangue é o meu sangue
Deixa os teus e junta-te às nossas fileiras.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

CONHECER UM PAÍS

Um fascinante disco Pagani A Bobino é o registo ao vivo de um espectáculo realizado em Paris no ano de 1976, e que Pagani repetiu em diversas cidades, Lisboa incluída, 24 de Abril de 1980, no velho Coliseu dos Recreios.

Vítima de uma leucemia galopante, Herbert Pagani, morreu a 16 de Agosto de 1988 tinha 44 anos.

Quando em Abril de 1978 esteve em Lisboa, deu uma entrevista ao semanário Sete. Disse que levava na mala de viagem, um pacote de tabaco português, «porque um país para se conhecer, também se tem que fumar». 

sábado, 4 de abril de 2020

DIÁRIO DOS DIAS DIFÍCEIS


Em 1939, José Gomes Ferreira, escreveu um Diário dos Dias Cruéis, incluído em Poesia II.

No dia 22 de Setembro, palavras que antecedem um poema:

«Os filhos dos nossos filhos hão-de insultar-nos: «covardes! Que nos deram um planeta sujo!»

Ao longo dos tempos, tantos e tantos foram esses tempos, lançaram-se inúmeros avisos, sérios avisos, de que estávamos a contaminar o planeta.

Os senhores presidentes, os muitos Trumps e Bolsonaros, espalhados ao longo destes tempos todos, assobiaram para o lado e nós continuámos a nossa vidinha.

Até que chegou o tempo de um minúsculo e desconhecido vírus colocar o mundo em pantanas.

Um mundo que, quando terminar este pesadelo – quando terminará? – não será o mesmo.

Começaremos da estaca zero ou lá que estaca seja.

Um fascinante disco Pagani A Bobino é o registo ao vivo de um espectáculo realizado em Paris no ano de 1976, e que Pagani repetiu em diversas cidades, Lisboa incluída, 24 de Abril de 1980, no velho Coliseu dos Recreios.

Vítima de uma leucemia galopante, Herbert Pagani, tinha 44 anos, morreu a 16 de Agosto de 1988.

Na faixa Messieurs Les Ptresidents, pode ouvir-se:


«Pelos pequenos regatos, cobertos de espuma branca, pelos pequenos peixes, que nascem já cosidos, pelas florestas que os nossos jornais cortam em tiras, pelo passarinho, que em vão procura o seu ninho e pelos nossos telefones, sempre com três na linha, nós dois e depois um chui com os seus auscultadores, e a nossa vida vivida que é posta de castigo dentro das tripas de aço dos vossos ordenadores e por essas cruzes gamadas, surgidas dos anos 30, que se vêem sobre os anúncios nos quiosques e nas estações, e por tudo o que faz um certo grupo que tenta fazer pender à direita as jovens gerações, por esses putos que lançam granadas, pelos que financiaram os seus campos de treino antes de os terem visto a fazer footing nos estádios, dizemos-vos: Bravo! senhores presidentes.»


1.


«As injustiças multiplicam-se no mundo, as desigualdades agravam-se, a ignorância
cresce, a miséria alastra. A mesma esquizofrénica Humanidade que é capaz de enviar
instrumentos a um planeta para estudar a composição das suas rochas, assiste
indiferente à morte de milhões de pessoas pela fome. Chega-se mais facilmente a Marte
neste tempo do que ao nosso próprio semelhante.»


José Saramago em Discursos de Estocolmo

2.

Até hoje, 31.914 empresas já se candidataram ao mecanismo do lay-off simplificado.

3.

«Mas o pior está mesmo para chegar. Os fatores económicos são o determinante mais poderoso da saúde pública (mais até do que o papel dos serviços de saúde). A ideia de que há uma escolha a fazer entre prioridade à saúde pública ou preservação da economia é, aliás, totalmente errada. O colapso anunciado da economia, o brutal aumento do desemprego previsto e um longo período de austeridade que se seguirá mostrarão que a tendência nos óbitos da segunda quinzena de março não foi coincidência e tenderá a intensificar-se. Vão ser muito mais aqueles que vão morrer por causa do coronavírus do que os que vão morrer com coronavírus.»

Pedro Adão e Silva no Expresso

4.

O Presidente da República disse que vai ter uma videoconferência com os presidentes dos principais bancos para os ouvir sobre a situação no país. Até porque «esta é uma ocasião de a banca retribuir aos portugueses.»

5.

A 9.ª edição do Rock in Rio Lisboa foi adiada para os dias 19, 20, 26 e 27 de Junho de 2021.

Mais de 24.800 espectáculos foram cancelados, adiados ou suspensos em Portugal por causa das medidas de contenção da epidemia da Covid-19, revelou a Associação de Promotores e Espectáculos, Festivais e Eventos.

A contabilização indica que 364 promotores tiveram de cancelar 7.866 espectáculos, adiar 15.412 e suspender 1.537 eventos, afectando um total de 24.815 eventos culturais e artísticos de dança, música, teatro e outras artes performativas.

As marchas populares de Lisboa e os arraiais dos santos populares foram também cancelados.

 Já soubemos, também, que numa só semana, a venda dos livros, caiu 65,8%.

6.

Os negros números:

Itália

15.362 mortes

Espanha

11.818 mortes

Estados Unidos

8.162 mortes

França

7.560 mortes

Grã-Bretanha

4.313 mortes

Irão

3.452 mortes

China

3.207 mortes

Alemanha

1.158 mortes

Portugal

266 mortes

Mundo

64.316 mortes

7.

João Lopes no blogue Covid-20:

«Fim de semana. Medida inconsequente do tempo. Não porque a semana não acabe, antes porque, num certo sentido, nada começa nas novas medidas do nosso calendário. O tempo adquire espessura imaterial, instala-se na nossa intimidade, nem lento, nem veloz, como um fantasma cruel, quase doce na sua crueldade. Poderemos, talvez, aplicar-nos a definição da ficção de Godard (na abertura de Fim de Semana, precisamente), apresentando-se como "um filme perdido no cosmos", aliás, "um filme encontrado no ferro velho". Não há nenhuma razão para abdicarmos das razões da nossa cinefilia. Não se morre disso.»

domingo, 2 de dezembro de 2012

DA MINHA GALERIA


Certamente que neste Natal nos vai faltar muita coisa. Como ontem disse: que não nos falte a amizade.
Esta é uma bonita canção que fala de amigos, no fundo, uma canção dentro do espírito natalício.

L'Amitié - Herbert Pagani

Floresce como uma planta selvagem,
não importa onde, na prisão, na escola,
apanhamo-la como apanhamos sarampo,
apanhamo-la como apanhamos a brisa.

É mais forte do que laços de família
e menos complicada do que o amor;
está presente quando estás muito alegre
está presente quando pedes socorro.

É o único carburante que se conhece
que aumenta à medida que é usado
os velhos nela encontram a juventude
e os jovens fazem dela lei.

 É o banco de todas as ternuras
uma aram para todos os combates
aquece-nos e dá-nos coragem
e tem apenas um slogan: partilhar.

 À claridade da amizade, ´céu é mais belo
vem beber à amizade, meu amigo Pierrot
a amizade é outra linguagem
um só olhar, e tudo compreendemos
e  é como um SOS de desempanagem
podes  sempre telefonar dia e noite.

A amizade é o testemunho falso
que te salva num tribunal
é o tipo que te vira as páginas
quando estás só num leito de hospital.

É o banco de todas as ternuras
uma arma para todos os combates
aquece-nos e dá-nos coragem
e tem apenas um slogan: partilhar…