terça-feira, 5 de maio de 2026

TEU ROSTO

Uma mão – de quem?,

a pele azul, as unhas vermelhas,

segura uma paleta.

Quero ser uma cara, diz a paleta.

E a mão converte-se em espelho

e no espelho aparecem teus olhos

e teus olhos tornam-se árvores, nuvens, colinas.

Um carreiro serpeia entre a fila dupla

das insinuações e alusões.

Por esse carreiro chego à tua boca,

fonte de verdades recém-nascidas.

 

Octavio Paz

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