The
Golden Age of Old American Radio
Starring Bing Crosby
United Artists Records UAK 30115
With Jud Conlon’s Rhythmaires
John Scott Trotter and His Orchestra
Apresentador: Ken Carpenter
Side One
1-Where The Blue Of The Night Meets The Gold Of The Day - Orchestra
2- Lady Of Spain – Bing Crosby
3 - Hello, Hello – Kay Thompson and The William Brothers
4 -For Me And My Gal - Judy Garland and Bing Crosby
5 - Young At Heart – Bing Crosby
6 - Lazy River And Paper Doll - The Mills Brothers
and Bing Crosby
7 - Where Is Your Heart – Bing Crosby
8 - Lullaby Of Broadway – Dick Powell and Bing Crosby
9 - It Might As Well Be Spring – George Burns abd Bing Crosby
10 - It's Only A Paper Moon – Bing Crosby
11 -That's A Plenty – Connie Bonwell and Bing Crosby
12 - You Go To My Head – Bing Crosby
13 - Where The Blue Night Meets The Gold Of The Day (Reprise) – Orchestra
1- Zip-A-Dee-Doo-Dah – Bing Crosby
2 - I Can Dream Can't I? – The Andrews Sisters and Bing Crosby
3- Tell Me Why – The Four Aces and Bing Crosby
4 - Two To Tango – Rosemary Clooney and Bing Crosby
5 - Mona Lisa – Bing Crosby
6 - If I Knew You Were Coming I'd Have Baked A Cak - Bob Hope and
Bing Crosby
7 - On A Slow Boat To China – Peggy Lee and Bing Crosby
8 - Medley
(You Gotta Start Off Each Day With A Song - Maurice
Chevalier and Bing
Crosby, My Love Parade – Maurice Chevalier- Louise –
Maurice Chevalier and
Bing Crosby - Mimi – Maurice Chevalier)
9 - You Gotta Start Off Each Day With a Song – Jimmy Durante and Bing
Crosby
10 -You Belong To Me – Bing Crosby
11 -Wish You Were Here – Bing Crosby
12 - May The Good Lord Bless And Keep You - Nat King Cole, The Andrew
Sisters and Bing Crosby
13 - Orchestral Closing
Where The Blue Of The Night Meets The Gold Of The
Day
Quando se gosta da vida, gosta-se do passado, porque ele é o presente tal como
sobrevive na memória.
Se bem que o malandro do José Gomes Ferreira lhe tenha dito que «saudades,
só do futuro», mas há coisas em que gosta mesmo de voltar lá atrás.
Cresceu a ouvir rádio.
Primeiro num velho «Pilot», mais tarde, muito mais tarde, num «Blaupunkt
já com dois altifalantes laterais, um luxo!, diziam que era estéreo.
O rádio tocava todo o dia.
O avô chamava-lhe telefonia.
Os mais variados programas, das mais variadas estações: o folhetim do «Tide» da
mãe e da avó, a música clássica do avô, os relatos de hóquei em patins do
Torneio de Montreux em cada tempo de Páscoa, ao domingo os relatos de futebol.
De todas as músicas, ficou-lhe um gosto por «big bands», por «crooners».
As canções dos primeiros amores, os primeiros bailes, slows, boleros - «a
menina dança?»
O modo como uma mão nas costas nos conduzia, podia mudar tudo, passagem
quase certa para lá do arco-íris.
Aquilo a que chamaram a idade da inocência.
O tempo, onde as promessas, as causas, porque também nos fomos
apaixonando por ideias, nos preenchiam os quotidianos.
Quando ainda acreditávamos, que iríamos ficar fiéis àqueles amigos,
àqueles ideais.
As músicas é que ficaram.
Memórias também: Brigitte Bardot a acenar num velho filme a preto e branco,
Sophia Loren a não caber no écran do Cine-Oriente, Eusébio no Mundial de 66 em
Inglaterra.
Não vivíamos para ouvir rádio. Somente para melhorar essa vida.
«Rashid: é a primeira casa que vejo sem televisão.
Paul : Já tive uma, mas estragou-se aqui há uns anos e nunca me decidi a
substituí-la. De qualquer das maneiras, prefiro não ter nenhuma. Odeio essas
porcarias.
Rashid: Mas assim não pode ver os jogos. Disse-me que era fã dos Mets
Paul: Ouço pela rádio. Assim consigo ver muito bem os jogos. O mundo está na
nossa cabeça, lembras-te?»
Diálogo do filme «Smoke» de Paul Auster/Wayne Wang
Extinta está a rádio que grande parte da vida o acompanhou.
Degradou-se a partir de um tempo que não sabe onde mora.
Ou melhor: quando os programas de autores e de vozes eméritos deram lugar
às «play-lists», em que uma garotada inculta, aos guinchos, às piadolas sem
graça alguma, às conversinhas parvas tiraram o lugar a profissionais como
Cândido Mota, Rui Morrison, Maria José Mauperrin, Jaime Fernandes, António
Cartaxo, José Duarte, Adelino Gomes, António Curvelo, Aníbal Cabrita, António
Sérgio, João David Nunes, Luís Pinheiro de Almeida - «why not?»
E não tem qualquer ponta de esperança que essa rádio regresse nos tempos
que ainda terá para andar por aqui.
Razão única para ter uma ternura especial por este velho LP, que o leva,
volta e meia, a pôr o disco a rodar e amiúde senta-se no sofá a ver Os Dias da
Rádio do Woody Allen, copo de gin ao lado.
Texto publicado em 11 de Maio de 2018 no inesquecível «IÉ-IÉ» blogue do Luís Pinheiro de Almeida.
Sem comentários:
Enviar um comentário