Será
tempo de dizer que gosto mais da escrita de Patti Smith do que das suas
músicas, canções.
Suponho
que isto deverá incomodar algumas gentes mas é o que me ocorre e cada vez, à
medida que a velhice avança, estou mais surdo, mais dado a disparatar.
Mas é a própria Patti Smith que, numa entrevista disse: «reafirmei para mim mesma o desejo de escrever — mais do que cantar, gravar, fazer shows. Ser uma escritora é a coisa mais importante para mim. É o que me dá mais prazer e, também, me exige mais esforço.»
O último livro de Patti Smith é, como os anteriores, uma viagem pelas memórias de
toda uma vida.
«Tudo em nosso redor são destroços e, contudo, avançamos pé ante pé para não pisarmos uma silhueta minguante, a nossa pele primordial».
Uma
outra citação:
«Com a minha mãe e o
meu pai a trabalhar e os meus irmãos longe, ficava deitada sozinha com os meus
livros, bem aconchegada, a telefonia sintonizada na estação de música clássica
que o meu pai preferia. Por vezes, ouvia alguma coisa que me enchia de uma
emoção sem nome. Certa manhã, ouvi uma voz tão bela que me senti transportada
para outro reino. Anotei o nome da canção, uma ária da Madame Butterfly, e
escutava atentamente a telefonia, na esperança de tornar a ouvi-la.»
O livro, citado na badana, tem um feitiço poderoso, escreveu um crítico no The Guardian e eu apresso-me a concordar.
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