Pela publicidade
dos anos 60 andaram, entre muitos outros, Luís de Sttau Monteiro, Vasco da
Costa Marques, Alves Redol, José Cardoso Pires, Alberto Ferreira, Álvaro
Guerra, Cipriano Dourado.
Ary, nos anos
60, inventa:
Cerveja Sagres, a sede que se deseja.
Para a Wollmark:
Minha lã, meu amor.
Também:
Knorr é naturalmente melhor.
Para o Grémio
Nacional dos Seguradores:
Mais seguro, mais futuro.
Para o Banco
Pinto & Sotto Mayor:
Deposite confiança no futuro.
Numa reunião
para encontrar um slogan para o Halazon, um spray oral, Ary,
durante a mesma, mostrou um perfeito desprendimento, está em toda a parte
menos ali.
Mas quase no
final da reunião rabisca num papel:
Halazon, a melhor invenção depois do beijo!
Legenda: cartaz
tirado de Ary dos Santos; O Homem, o Poeta, o Publicitário.
Série de nove "fascículos de poesia"
publicados no Porto, entre 1957 e 1961, sob a direção de Egito Gonçalves, Daniel
Filipe, Papiniano Carlos, Luís Veiga Leitão, Ernâni Melo Viana e António
Rebordão Navarro. Incluíam poesia empenhada, que se insurgia contra o mundo
circundante (a violência, a injustiça, a falta de liberdade) e afirmava o valor
da solidariedade com o próximo.
A designação da revista, retirada do título de um poema de Egito Gonçalves,
publicado no 4.° fascículo de Árvore, remete para um programa de poesia de
resistência, aludindo metaforicamente ao cerco a que estavam submetidos os
intelectuais portugueses.
Sem apresentar texto programático, nem textos de crítica ou teoria poética, a
publicação reúne criação poética de autores com opções estéticas diversas (além
da direção, Jorge de Sena, Casais Monteiro, Miguel Torga, Afonso Duarte,
António José Fernandes, Vasco Costa Marques, Mário Henrique Leiria, Maria
Almira Medina, João Ribeiro Melo, Orlando da Costa, José Fernandes Fafe,
António Reis, Daniel Filipe, Joaquim Namorado, João Rui de Sousa, Alexandre
O'Neill, Mário Dionísio, Armindo Rodrigues, José Augusto Seabra, Pedro Alvim,
Maria Teresa Rita, Gastão Cruz), mas que colaboram sistematicamente com
composições subordinadas a um intuito de denúncia e combate. Cada fascículo
incluía, ainda, nas últimas páginas, tradução de poetas estrangeiros (Brecht, Guillevic,
Stephan Hermlin, Jorge Carreara Andrade, Jean Todrani, Nicolau Vaptzarov). Os
fascículos 6 e 8 são dedicados a poetas moçambicanos e angolanos.
Da Infopédia,
Porto Editora
Este é o poema Notícias
do Bloqueio de Egito Gonçalves, do livro A Viagem com o Teu Rosto
(1958) e reunido em Os Arquivos do Silêncio:
NOTÍCIAS DO BLOQUEIO
Notícias do Bloqueio
Aproveito a tua neutralidade,
o teu rosto oval, a tua beleza clara,
para enviar notícias do bloqueio
aos que no continente esperam ansiosos.
Tu lhes dirás do coração o que sofremos
nos dias que embranquecem os cabelos...
tu lhes dirás a comoção e as palavras
que prendemos - contrabando - aos teus cabelos.
Tu lhes dirás o nosso ódio construído,
sustentando a defesa à nossa volta
- único acolchoado para a noite
florescida de fome e de tristezas.
Tua neutralidade passará
por sobre a barreira alfandegária
e a tua mala levará fotografias,
um mapa, duas cartas, uma lágrima...
Dirás como trabalhamos em silêncio,
como comemos silêncio, bebemos
silêncio, nadamos e morremos
feridos de silêncio duro e violento.
Vai pois e noticia com um archote
aos que encontrares de fora das muralhas
o mundo em que nos vemos, poesia
massacrada e medos à ilharga.
Vai pois e conta nos jornais diários
ou escreve com ácido nas paredes
o que viste, o que sabes, o que eu disse
entre dois bombardeamentos já esperados.
Mas diz-lhes que se mantém indevassável
o segredo das torres que nos erguem,
e suspensa delas uma flor em lume
grita o seu nome incandescente e puro.
Diz-lhes que se resiste na cidade
desfigurada por feridas de granadas
e enquanto a água e os víveres escasseiam
aumenta a raiva
e a
esperança reproduz-se
Sempre tive como referência que a autoria do Hino
de Caxias, pelo menos a sua letra, é do poeta Vasco da Costa Marques. Há
fontes que também lhe atribuem a autoria da música.
Também há quem considere que o Hino de Caxias é um
trabalho colectivo em que terá colaborado Vasco da Costa Marques juntamente com
outros seus camaradas presos na mesma cela em Caxias.
A única versão que possuo do Hino de Caxias faz parte
de uma gravação ao vivo, editada em cassette, de um espectáculo realizado no Pavilhão
dos Desportos, nos dias 18 e 19 de Março de 1977, com texto de José
Carlos Ary dos Santos, Manuel Branco, Joaquim Pessoa, Rui Pedro, João Rodrigues,
Ruben de Carvalho e publicada pelas Edições Avante.
Todas as canções interpretadas no espectáculo têm indicação
dos respectivos autores, excepto o Hino de Caxias o que, provavelmente,
remete para a sua autoria colectiva.
Seja como for, trata-se de uma peça importantíssima da luta
contra a ditadura.
Longos corredores
nas trevas percorremos
sob o olhar feroz dos carcereiros
mas nem a luz dos olhos que perdemos
nos faz perder a fé nos companheiros.
Vá camarada mais um passo
que já uma estrela se levanta
cada fio de vontade são dois braços
e cada braço uma alavanca.
Cortam o sol por sobre os nossos olhos
muros e grades encerram horizontes
mas nós sabemos onde a vida passa
e a nossa esperança é o mais alto dos montes.
Vá camarada mais um passo
que já uma estrela se levanta
cada fio de vontade são dois braços
e cada braço uma alavanca.
Podem rasgar meu corpo à chicotada
podem calar meu grito enrouquecido
que para viver de alma ajoelhada
vale bem mais morrer de rosto erguido. Vá camarada mais um passo que já uma estrela se levanta cada fio de vontade são dois braços e cada braço uma alavanca.