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quinta-feira, 30 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


Quadras Populares

Fernando Pessoa

Selecção e introdução: Luísa Freire

Assírio & Alvim, Lisboa, Junho 1999


Cantigas de portugueses

São como barcos no mar —

Vão de uma alma para outra

Com riscos de naufragar.

 

Todos os dias que passam

Sem passares por aqui

São dias que me desgraçam

Por me privarem de ti.


O canário já não canta.
Não canta o canário já.
Aquilo que em ti me encanta
Talvez não me encantará.

A abanar o fogareiro
Ela corou do calor.
Ah, quem a fará corar
De um outro modo melhor!

A tua boca de riso
Parece olhar para a gente
Com um olhar que é preciso
Para saber que se sente.

A tua saia, que é curta,
Deixa-te a perna a mostrar:
Meu coração já se furta
A sentir sem eu pensar.

Ai, os pratos de arroz doce
Com as linhas de canela!
Ai a mão branca que os trouxe!
Ai essa mão ser a dela!

Tenho uma pena que escreve

Aquilo que eu sempre sinta.

Se é mentira, escreve leve.

Se é verdade, não tem tinta.


Saudades, só portugueses

Conseguem senti-las bem,

Porque têm essa palavra

Para dizer que as têm.

Quem lavra julga que lavra
Mas quem lavra é o que acontece...
Não me dás uma palavra
E a palavra não me esquece.


Rosmaninho que me deram,

Rosmaninho que darei,

Todo o mal que me fizeram

Será o bem que eu farei.

quinta-feira, 21 de março de 2024

OLHAR AS CAPAS

Fernando Pessoa

António Quadros

Colecção A Obra e o Homem nº 3

Editora Arcádia, Lisboa, Novembro de 1960

Finalmente, aos leitores susceptíveis de se assustar com a ousadia das afirmações e das posições do autor da Mensagem nos campos da vida social, da política e da religião, lembramos que o seu caso, rigorosamente individualizado e a sua exigência espiritual, absoluta para além dos dados da cultura do tempo, o afastaram de todas as ortodoxias e partidos, como o navegador em transe de descoberta se fasta de todas as ilhas e costas conhecidas.

domingo, 17 de março de 2024

OLHAR AS CAPAS


Poesia de Ricardo Reis

Selecção de textos e prefácio: Ana Luísa Amaral

Capa: Pedro Proença

Colecção:  Obra Essencial de Fernando Pessoa nº5

Expresso, Lisboa, Outubro de 2015

Para ser grande, sê inteiro: nada
      Teu exagera ou exclui. 
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és 
      No mínimo que fazes. 
Assim em cada lago a lua toda 
      Brilha, porque alta vive.