Cá se vai andando com a cabeça entre as
orelhas.
Sérgio
Godinho
Legenda:
pintura de Georg Schrimpf
Voltamos
à pergunta de Mário de Carvalho:
Não perceberão as
pessoas que atravessamos um momento perigosíssimo?
Pelo
que se dirá, citando o músico Miguel Guedes, que a 2ª volta da Eleição
Presidencial «não é uma escolha, é uma obrigação. Não há negociação ou
transigência. A estabilidade e a decência não podem pecar por omissão, muito
menos por parte de cada um dos candidatos que não passaram à segunda volta,
sendo grotesco que qualquer deles, à Direita, não venha a admitir endereçar o
seu voto a António José Seguro.»
A
nossa Música Pela Manhã deste sábado, atravessa uma das mais importantes
canções de Sérgio Godinho.
É
a faixa de abertura do álbum «À Queima Roupa» de 1974:
LIBERDADE
Viemos com o peso do
passado e da semente
Esperar tantos anos
torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera
só se estanca na torrente
e a sede de uma espera
só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a
falar pela calada
Só se pode querer tudo
quando não se teve nada
Só quer a vida cheia
quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia
quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério
quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério
quando houver
Liberdade de mudar e
decidir
quando pertencer ao
povo o que o povo produzir
quando pertencer ao
povo o que o povo produzir
O Mistério de Lisboa
Nuno Júdice, Maria Isabel Barreno, Sérgio Godinho, António Ramos Rosa, Fernando Pinto do Amaral, Mário de Carvalho, entre outros
Pinturas: José
António Cardoso, Ilda David
Ilustrações:
Fernanda Fragateiro, Rui Martiniano
Fotos: José
Afonso Furtado
Capa: Fernando
Mateus
Relógio D’Água
Editores, Lisboa 1993
Havia vendedores de quase tudo: peixeiras com canastas
à cabeça, tapadas com um oleado; as várias carroças de hortaliças, de frutas;
havia até a carroça do petróleo; e a mulher da fava-rica, e o oculista e o
homem das peles de coelho. Alguns não só vendiam como compravam, nesse tempo em
que os cordéis se guardavam numa caixa, na despensa, e os papéis também, em que
quase tudo valia algum dinheiro, pouco que fosse, e tinha certamente um valor
de uso; o das peles de coelho, que comprava as peles frescas e vendia pelas
curtidas, o ferro velho, o dos trapos e garrafas. Todos tinham pregões, espécie
de logotipo sonoro da época, e hora certa para passar.
(Maria Isabel Barreno)
Durante muitos anos
persegui os livros de poemas de Margarida Ferra editados pela &Etc., sem
nunca os encontrar.
Numa conversa com o Vitor
Silva Tavares falei-lhe nisso. Deu uma volta por onde pensou existirem ainda,
mas sem sucesso.
Em Março de 2014 tomei
conhecimento de Margarida Ferra.
É este o texto de hbmf lido
na Antologia do Esquecimento:
«Enquanto lia Sorte de Principiante (&etc, Novembro de 2013),
lembrei-me de uma canção de Sérgio Godinho intitulada Dias Úteis. Começa
assim: «dias úteis / às vezes
pretextos fúteis / pra encontrar felicidades / no percurso de um só dia».
E já no final, canta-se: «Por
pretextos talvez fúteis / a alegria é o que nos torna / os dias úteis / Por
motivos talvez claros / o prazer é o que nos torna / os dias raros». Os
poemas de Margarida Ferra (n. 1977) afinam pelo mesmo diapasão, com um ritmo
compassado onde a experiência dos “dias úteis”, invocados a páginas 31,
solicita cogitações e exercícios reflexivos de ordem desigual. A prosa
introdutória intitulada Coisas quentes a baixas temperaturas dá o
mote, oferecendo aos leitores de poesia referências familiares. «Mistura o que quiseres», escreve
Margarida Ferra, como escrevia o livreiro da Poesia Incompleta quando expunha
nos escaparates do seu weblog livros de autores com linguagens
diversas (senão mesmo divergentes). Apesar de se dirigir a uma segunda pessoa,
este texto funciona como uma arte poética que guiará a versificação
subsequente: «Não espreites
perfis. Mistura o que quiseres, podes ser duas pessoas ou mais: vender e ser
vendido, escrever biografias e cortá-las até terem duas linhas - uma delas pode
ser tua, os outros relatos também são falsos. Ouve e copia sotaques alheios,
como se a tua família fosse outra. Mistura o que quiseres, não expliques, não
te queixes, cita sem saber quem citas. Escreve sempre que precisares».
(p. 9) O tom recomendativo, que se repete em alguns poemas, por vezes sob a
forma de receita, falível como todas as receitas, não deve iludir-nos. Na realidade,
ele dissimula uma insegurança que nada tem que ver com a eventual elevação do
sujeito poético face aos seus leitores. Dirigindo-se a outrem, é a si mesmo que
se dirige - numa clara renúncia do biografismo que contamina os
versos e do confessionalismo que fica sempre aquém da complexidade
existencial. A autora protege-se, deste modo, de eventuais confusões entre o
texto enquanto expressão do Eu, fixado num tempo e num espaço específicos, e o
Eu enquanto edifício mais ou menos estável, singular, em construção permanente
até à hora da morte. Pertinente, pois, até pelo movimento que sugerem, a
divisão dos poemas em três conjuntos: Poemas do Início, Poemas do
Meio, Poemas do Fim, todos eles numerados e apenas por três vezes
intitulados (Escreve sempre que precisares, Leio menos do que penso, Não
te iludas). Reproduzo os títulos por duas razões: 1.ª tornam perceptíveis a
alternância entre o discurso na primeira pessoa e o discurso dirigido a uma
segunda pessoa (que, como disse, não suprime a primeira); 2.ª relevam a
importância do texto introdutório, chão sobre o qual os poemas despontam e se
desenvolvem. Prescrições, instruções, "receituários" são, neste
contexto, formas engenhosas de exprimir um esforço de autoconhecimento onde se
notam inquietações íntimas e uma certa desarrumação emocional, porventura
geradas pelas rotinas da vida doméstica, pelo “tédio”, pelo sedentarismo, pelo
adiamento das rupturas ou de acções menos convencionais (ou mesmo por uma certa
solidão que advirá da incapacidade de reconhecer a singularidade de um ser
esbatido entre multidões): «Apaixonei-me
todas as vezes / e ainda assim foram insuficientes / para a idade e dedos que
tenho. // Conduzo a alta velocidade, / ignorante dos radares. / Foram pelo
menos quinze, / os túneis até hoje. // Escapei ilesa. Frases mal pronunciadas,
/ suspiros demasiado presentes, / uma t-shirt usada em excesso / em dias de
sono longe, / memórias inesperadas, / longas páginas de prosa, / poesia,
jornalismo e catálogos / de venda postal / têm-me salvo com frequência / do
abismo. // Ensinavas-me a viver longe e / podia acreditar em ti, / se me
chamasses / assim e outros termos vulgares, / entre dois vídeos. Só que ninguém
/ enfrenta a câmara / antes do próximo semáforo» (pp. 16 - 17).
Exemplar no desafio que coloca a si próprio, este poema traduz a paisagem do
conjunto. Nas entrelinhas, o que torna os dias úteis e respiráveis. Mas também
o que os torna fúteis e (até ver) suportáveis».
A Música pela Manhã de hoje é a canção do Sérgio Godinho, que veio à memória do hmbf enquanto lia Margarida Ferra, um mágico de palavras e músicas, dos mais brilhantes autores/cantores que temos por aqui.
O facto de eu manejar, e penso que bem, a minha língua foi também uma maneira de não perder algo que me era essencial. Até comecei a escrever em francês, porque na altura não conseguia encontrar uma voz própria em português. Mas quando, de repente, isso aconteceu, senti que precisava disso para não perder a minha identidade, através da língua portuguesa.
Sérgio Godinho
Era muito longe, ou seja
no Pacífico
Notícias de jornal, confusas:
tanques ocupam a praça
central
de Lisboa
Digo-me: mal eles sabem
que se chama
Rossio
mas digo também: se é a
revolução
daquele do monóculo
pouco tenho a esperar
Depois espanto-me: como
é possível
que libertem assim
sem mais nem menos
os presos políticos
e prometam a autodeterminação
de colónias
economicamente tão
preciosas?
O povo saiu à rua e foi
isso
que mudou tudo,
explicam-me então
pelo telefone
No dia que abalei
para aqui ficar
deixei sem remorsos:
a minha horta
cujos legumes tantas
vezes protegi
um trabalho que tanto
suspeitava amar
e os amigos que,
querendo ser generosos
me disseram:
«Vai, vais ver que não
te arrependes»
Esquece-se muita coisa…
à força de ver caras
novas
não sei se me lembro
das antigas
embora as veja tão
bonitas
e disponíveis
na memória
e por vezes em
fotografia.
Sérgio Godinho
«A liberdade está sempre ameaçada, mas existe. Estamos numa altura ingrata em relação às forças de esquerda – que eu defendo -, porque há uma ascensão preocupante da extrema-direita. Não só aqui, mas no resto da Europa. Pensar que o Trump, por exemplo, possa ser o próximo Presidente dois Estados Unidos é assustador.»
Sérgio
Godinho, entrevista no Público de 20 de Março de 2024.
Uma frase de
Sérgio Godinho, tirada da entrevista que no corpo da revista deu a Marta
Ribeiro:
«Muitas vezes, o povo não é nada sábio.»
Este não é o dia seguinte do dia que foi
ontem.
João Bénard da Costa
Será um desfilar de histórias, de opiniões, de livros, de discos, poemas, canções, fotografias, figuras e figurões, que irão aparecendo sem obedecer a qualquer especificação do dia, mês, ano em que aconteceram.
Nestas Viagens por Abril, no que refere
a canções e intérpretes, já falámos de Adriano Correia de Oliveira, José
Afonso, Francisco Fanhais, António Macedo, Manuel Freire.
Falamos hoje de Sérgio Godidnho e ainda ficam por referir outros. Lá chegaremos.
Se me perguntassem, assim de repente, quais os cantores de Abril antes de 25, e
continuaram depois, os que acreditaram, como disse o poeta, que o poema fosse
microfone e falasse uma noite qualquer para que a lua estoirasse, diria:
Adriano, José Afonso, Manuel Freire, Sérgio Godinho, José Mário Branco.
Há outros?
Sim, há algunns alguns de quem gosto mesmo, Samuel, Fausto, por aí fora…
Para falar do Sérgio pego num dos muitos grandes
álbuns do Sérgio Godinho: À Queima Roupa.
O melhor?
Que seja, ou não, mas possui na primeira faixa do lado A uma das melhores entradas de canções portuguesa. Só portuguesas?
«A paz, o pão,
habitação, saúde, educação.»
Começado em Vancouver, onde Sérgio vivia com
sua mulher, Sheila Charlesworth, continuado e finalizado em Lisboa, nos
estúdios da Rádio Triunfo, com José Fortes como engenheiro de som.
Dizem que o ódio é
baboseira
E que a raiva é má
conselheira
Mas nós com o
grande capital
Damo-nos mesmo
muito mal
Damo-nos mesmo muito mal.
O grande capital
Está vivo em
Portugal
E quem não o
combate
É que dele faz parte.
Li o Pela Estrada Fora de Jack
Kerouac antes de saber quem era o Sérgio Godinho.
Antes do álbum, chegou o EP com Romance
de um Dia na Estrada, perdido não se sabe onde. Uma capa com roxos e o
rosto Sérgio em negativo.
Quando ouvi a música, liguei-a, de imediato, a Kerouac. Anos mais tarde Sérgio
Godinho há-de confirmar que a música tem muito do “on road”.
O LP Sobreviventes tem outras canções fortes, que
força é essa que trazes nos braços ou aprende a nadar
companheiro que a liberdade está a passar por aqui, entre a rua e o país vai o
passo de um anão, mas é esta a minha preferida. E Kerouac tem muito a ver
com esse gosto:
«…porque as únicas pessoas autênticas para mim são as loucas, as que estão
loucas por viver, loucas por falar, loucas por ser salvas, desejosas de tudo ao
mesmo tempo, aquelas que nunca bocejam ou dizem um lugar comum, mas ardem,
ardem, ardem como fabulosas peças de fogo-de-artifício a explodir entre
aranhas, entre estrelas…»
Há dias, pouquíssimos dias, perguntaram
ao Sérgio que como estamos à beira de eleições legislativas, como é que ele olhava
para a situação do país.
Não demorou a resposta:
«Vivemos tempos estranhos, interna e externamente, mas se calhar os tempos
sempre estiveram estranhos. Somos um país extremamente imperfeito em muitos
setores. E parece que há coisas que emperram e que já deviam ser mais ágeis.
Desde há anos que é absolutamente indispensável que todos os portugueses tenham
um médico de família, o que, no fim de contas, é uma consequência do Serviço Nacional
de Saúde, mas atualmente temos mais de um milhão e meio de pessoas sem médico
de família. Isso é uma constatação de falência ou, pelo menos, de
insuficiência. E há que trabalhar em todos esses aspetos. A Justiça, por
exemplo, é outro setor que tem muito a ser trabalhado. Portanto, vivemos num
país que tem uma democracia sim, mas uma democracia muito imperfeita. Mas
também não gosto daquela conversa de que isto já nem é democracia. Claro que é!
Simplesmente é muito imperfeita. Tanto mais que atualmente temos ameaças de
extrema-direita tanto cá, como noutros países da Europa. E mais longe, na
América, quando se pensa que o Trump pode ser reeleito é de arrepiar. E para
além das guerras que decorrem...
Vai-se vivendo o
presente, esperando que o futuro seja um bocado melhor. As utopias não são
realizáveis. Temos, sim, de estar um passo à frente.»
Manuel António Pina foi colega de Sérgio Godinho no 6º e 7º Anos do liceu.
Estavam em áreas diferentes, mas tínham cadeiras comuns.
Foi o Pina que lhe mostrou Pela Estrada Fora do Kerouac. Foi também ele que lhe mostrou as Odes Elementares de Pablo Neruda - «Deu-me um baque!»
E mistérios dos mistérios, os
direitistas, nestes quase 50 anos, nunca organizaram qualquer manifestação
comemorativa do 25 de Novembro, não por seguirem o exacto grito lançado por Maria Velho da Costa, «ESTE DIA NÃO!, mas simplesmente porque lhes faltam dedinhos para a fraca guitarra que
possuem.
No Público de 26 de Novembro de 2000, Adelino Gomes perguntava:
Quem desencadeou o 25 de Novembro? Quem
deu ordem aos páras para ocuparem quatro bases aéreas? Otelo traíu os seus
homens ou evitou a Guerra Civil? O PCP de que lado(s) esteve? Até onde chegavam
as ligações aos MDLP? Quantos grupos funcionaram dentro do Grupo dos Nove? Qual
foi a mais decisiva: a Região Militar do Norte (MN) ou a Região Militar de Lisboa
(RML)?; o Posto Avançado da Amadora, comandado pelo então tenente-coronel
Ramalho Eanes, ou o Posto de Comando Principal, montado em Belém, e onde
ficaram o Presidente Costa Gomes e o comandante da RML e Conselheuro da
Revolução, vasco Lourenço? Quantos 25 de Novembro houve naquele dia?
O 25 de Novembro existiu?
Nuno
Galopim
Assírio
& Alvim, Lisboa, Maio de 2006
Há ainda em Campolide um tema instrumental da banda sonora de Le
Soleil en Face e que representa a primeira vez que Sérgio Godinho compôs para
guitarra portuguesa, sempre com a memória de Carlos Paredes a assaltá-lo: «Inspirei-me
assumidamente no seu fraseado – aliás na minha memória do seu fraseado… Foi uma
homenagem íntima ao seu génio e a tudo o que ele me deu. Cheguei a pensar pôr-lhe
uma letra, mas não faria sentido».
«Haverá sempre alguém, em qualquer parte do Mundo, que nunca tendo lido
um livro será alcançado por um bocadinho de poesia que a canção traz. Uma arma
invencível e por isso planetária. Fui tocado várias vezes. Ouvir as coisas do
(Leonard) Cohen, “Songs of love and hate”, por exemplo, e sem perceber exactamente
o que estava em causa ou o que ele queria dizer com aquilo, saber que estava
ali poesia. Que a canção entrava pela poesia e que a poesia entrava pela
canção.»
Por fim: «Nunca me lamentei por estar sozinho.»
As duas canções de
que fala Carlos Tê, são as mesmas que me levaram a comprar os discos do Sérgio
e do Zé Mário, duas canções notáveis, principalmente Romance de um dia na estrada, que cheguei a ter em EP, editado pela
Guilda Música, Prémio de Imprensa de 1971, misteriosamente desaparecido, como
tantos outros, muito antes do LP.
Andava há já vinte dias
Ao frio, ao vento e à fome
Às escondidas da sorte
Um dia fraco, outro forte
Que o dia em que se não come
É um dia a menos para a morte
Um dia fraco, outro forte
Quando um barulho de cama
A voltar-se de impaciente
Me fez parar de repente
Era noite e o casarão
Não tinhas lados nem frente
Dentro havia luz e pão
Me fez parar de repente
Ó da casa, abram-me a porta
Fiz as luzes se apagarem
Cheguei-me mais à janela
Vi acender-se uma vela
Passos de mulher andarem
E uma mulher muito bela
Chegou-se mais à janela
Não tenhas medo, eu não trago
Nem ódio nem espingardas
Trago paz numa viola
Quase que não fui à escola
Mas aprendi nas estradas
O amor que te consola
Trago paz numa viola
Meu marido foi pra longe
Tomar conta das herdades
Ela disse "Companheiro"
Eu disse "Vem", ela "Tu primeiro"
"Tu que me falas de estradas"
"E eu só conheço um carreiro"
Ela disse "Companheiro"
A contas com a nossa noite
Afundados num colchão
Entre arcas e um reposteiro
Descobrimos um vulcão
Era o mês de Fevereiro
E o Inverno se fez Verão
Descobrimos um vulcão
E eu que falava de estradas
E só conhecia atalhos
E ela a mostrar-me caminhos
Entre chaminés e orvalhos
Pela manhã, sem agasalhos
Voltei a rumos sozinhos
E ela a mostrar-me caminhos
Andarei mais vinte dias
ao frio, ao vento e à fome
Às escondidas da sorte
Um dia fraco, outro forte
Que o dia em que se não come
É um dia a menos para a morte
Um dia fraco, outro forte
Um dia fraco, outro forte