As Pessoas Invisíveis
José Carlos Barros
Capa: Rui Garrido
Leya, Lisboa, Abril
de 2022
E sorriu a pensar que talvez uma coisa fosse igual à outra, e que às vezes tanto faz como fez.
As Pessoas Invisíveis
José Carlos Barros
Capa: Rui Garrido
Leya, Lisboa, Abril
de 2022
E sorriu a pensar que talvez uma coisa fosse igual à outra, e que às vezes tanto faz como fez.
Os Filhos de Monte Gordo
José Carlos
Barros
Capa: Inês
Sena
Fundação
Francisco Manuel dos Santos, Lisboa, Fevereiro de 2025
É difícil, hoje, uns 250 anos depois,
com os turistas a deambular na baixa-mar, deitados ao sol ou resguardados por
palhotas, mergulhando na ondulação do levante ou nas águas paradas da baía,
cobrindo a quase totalidade dos areais que vão de Cacela à foz do Guadiana,
sentados nas esplanadas passeando nos passadiços sobrelevados, comprando bolas
de Berlim ou jogando à raquetes, imaginar esse tempo, na segunda metade do
século XVIII, em que havia mais de 3 mil homens envolvidos directamente na
pesca (quase tantos como a população total de Monte Gordo na actualidade), umas
5 a 8 mil pessoas a viverem nestes areais durante a quase metade da safra da
sardinha, em cabanas de estorno, mas já então com uma igreja de pedra e cal no
monte de areia mais elevado, o monte gordo da zona central do aglomerado, a unir em identidade,
pela devoção mariana, esta comunidade formada por gente de tão desencontradas
geografia e culturas.
Um Amigo Para o Inverno
José Carlos Barros
Capa: Rui Garrido
Casa das Letras,
Lisboa, Junho de 2013
A camioneta corre por estradas sinuosas como se o levasse a um lugar
distante que lhe pertencesse. Porque todos temos um lugar que julgamos pertencer-nos.
E, no entanto, somos nós que pertencemos aos lugares: às suas ruas ou casas,
nascentes ou árvores, largos, tanques, muros, sombras dos muros. É verdade que
uma paisagem é quase sempre o resultado do que fizemos dela: do modo como
desviámos ou represámos águas, arroteámos florestas, cortámos pedra e erguemos
paredes. Mas é a força dos lugares (mesmo depois do primeiro olhar de um homem
sobre as encostas e os vales, mesmo depois da primeira mão modeladora, mesmo
quando do que eram ficou um irreconhecível retrato) o que prevalece e se impõe
sobre a obstinação e a vontade, o esforço e a audácia de procurar afeiçoar a um
corpo o que vem de mais longe do que a mão e a ideia de construir uma casa e um
terraço virado aos dias de Verão.