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sexta-feira, 17 de outubro de 2025

SER LIVRE

Ser livre é querer ir e ter um rumo
e ir sem medo,
mesmo que sejam vãos os passos.
É pensar e logo
transformar o fumo
do pensamento em braços.
É não ter pão nem vinho,
só ver portas fechadas e pessoas hostis
e arrancar teimosamente do caminho
sonhos de sol
com fúrias de raiz.
É estar atado, amordaçado, em sangue, exausto
e, mesmo assim,
só de pensar gritar
gritar
e só de pensar ir
ir e chegar ao fim.

Armindo Rodrigues

segunda-feira, 5 de abril de 2021

PRISÃO DE CAXIAS 1949


 

Como fantasmas, sem repouso,

no corredor andam os guardas,

de pistola à cinta, dia e noite.

Nuvens vazias lhes pesam.

Um vinho azedo os corrompe.

O corredor é longo e estreito

longo e sujo,longo e escuro.

Do tecto baixo as lâmpadas exaustas

dir-se-ia que de remorsos lhe põem mais sombras

na atmosfera sombria de remorso.

Só nas salas, fechados, os presos falam,

os presos riem,os presos cantam.

Não há remorso na lembrança deles.

Na desgraça deles não há remorso.

O remorso ficou lá fora,

no corredor onde andam os guardas,

de pistola à cinta, dia e noite,

a manchar de vergonha a vida

e a fazer nojo aos escarradores

alinhados contra a parede.

O remorso ficou lá fora,

na felicidade e na cobardia

dos que se alheiam do combate.

 Na minha sala há treze presos.

Treze são as salas que dão

para o corredor onde andam os guardas,

de pistola à cinta, dia e noite.

Maldita seja a maldição

com que à honra se responde.

Cada sala tem uma janela

que nem finge de fingimento,

porque além da barreira das grades

em frente um talude nos cobre

a despreocupação de ave

do horizonte desdobrado,

e lá fora andam outros guardas,

de carabina ao ombro, dia e noite.

Na minha sala há treze presos,

com treze protestos erguidos,

mas erguida uma só bandeira.

São criminosos de querer,

num tempo torpe de prisões,

as torpes prisões arrasadas.

Os outros presos, nas outras salas,

sangram das mesmas feridas,

ardem de desejo igual.

Estão aqui presos, mas são livres,

porque neles a justiça

sopra como os vendavais.

A prisão ficou lá fora,

nos felizes e nos cobardes.


Armindo Rodrigues de O Tempo Suspenso em Poemabril

domingo, 12 de julho de 2020

ANTOLOGIA DO CAIS


Para assinalar os 10 anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar alguns textos que por aqui foram sendo publicados.

MARCHAS,DANÇAS E CANÇÕES

Em Setembro de 1945, a casa de João José Cochofel,  no Senhor da Serra, em Semide, juntou Fernando Lopes-Graça, Carlos de Oliveira, José Gomes Ferreira e João José Cochofel.

Na Sala Ping-Pong, nasceu o projecto musical Marchas, Danças e Canções.

Na conta capa do disco, explica ao que vinham essas canções:

«O que são as “Canções Heróicas” que, pela primeira vez, se oferecem ao público editadas em disco? Resumidamente, podemos dizer que são obrinhas de circunstância ou, se quisermos ser mais explícitos e sem temer o uso rigoroso das palavras, defini-las-emos como canções politicamente empenhadas. Politicamente empenhadas no sentido, ou na medida, em que pretenderam contribuir – e cremos que de facto contribuíram – para a luta do povo português, a que primordialmente foram destinadas, contra o regime despótico, anti-democrático e violentador de corpos e almas que durante cerca de cinquenta anos lhe foi imposto.»



Um ministro de Salazar disse: 

«É mais perigoso um mi bemol de Lopes Graça do que mil panfletos subversivos.»

Por sua vez, José Gomes Ferreira, em A Memória das Palavras ou o Gosto de Falar de Mim, conta como, naquele ano de 1945, tudo começou:

«Nesse Verão, como lhe contasse que eu ainda não tinha encontrado poiso no campo para convalescer, Fernando Lopes Graça, propôs-me:

-Venha comigo para o Senhor da Serra, perto de Semide…


- Há por lá alguma pensão?

- Pensão propriamente dita não há. Mas a srª Rosinha costuma receber hóspedes num quartito muito limpo e com uma vista extraordinária para o Vale da Lousã… E fica a dois passos da casa do João José Cochofel, onde vou instalar-me.

Na casa de João José Cochofel juntaram-se, então, Fernando Lopes Graça, José Gomes Ferreira, Carlos de Oliveira.»



Novamente José Gomes Ferreira:

«Por esses dias, com tantos poetas às ordens, ensejou-se a Fernando Lopes Graça realizar um velho sonho que expôs em meia dúzia de frases sóbrias aos circunstantes. Queria letras para canções. Marchas, danças, rondas infantis, hinos… O que nos apetecesse. Contanto que não nos demorássemos muito, pois a inspiração já ardia.»



Esgotada a inspiração dos poetas circundantes, Fernando Lopes Graça implorou o auxílio a Coimbra (Joaquim Namorado, Arquimedes, Ferreira Monte) e a Lisboa, donde acudiram ao chamamento Mário Dionísio, Armindo Rodrigues e Edmundo Bettencourt.

Texto publicado em 29 de Março de 2017

Legenda:

Na primeira fotografia vêem-se João José Cochofel, Fernando Lopes Graça e José Gomes Ferreira.
Na segunda fotografia João José Cochofel e Carlos de Oliveira.

Fotografias retiradas da Fotobiografia de José Gomes Ferreira 

domingo, 14 de junho de 2020

ANTOLOGIA DO CAIS


Para assinalar os 10 anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar alguns textos que por aqui foram sendo publicados.

MEMÓRIA DE LISBOA

Este texto de Urbano Tavares Rodrigues, encontrei-o no Teia Portuguesa.
É um texto não datado, em que Urbano fala das suas experiências de vida em Lisboa: amores, vivências, conspirações para derrube da ditadura, tertúlias em cafés, quando ainda havia cafés em Lisboa, com José Cardoso Pires, Augusto Abelaira, José Gomes Ferreira, Armindo Rodrigues.
Um bonito texto sobre uma Lisboa praticamente desaparecida:

Ao atravessar as ruas da Baixa e o Rossio, ainda em obras, quando a poalha desta luz de Maio enevoada doira vagamente as cimalhas e mansardas das velhas casas pombalinas, clareando o ocre do Teatro D. Maria, parece-me ter sonhado a vida que por aqui vivi. Já não me reconheço na criança que às vezes vinha de Moura e atravessava o grande rio, de olhos deslumbrados, entre gaivotas e navios descomunais, e desembarcava no Terreiro do Paço, todo simétrico na sua verde harmonia palaciana. Do alto da sua altivez, o cavaleiro do cavalo negro dominava o mundo e fazia correr mais depressa o sangue nas minhas veias. O táxi entrava na corrente do trânsito, que também me surpreendia, outro tempo ali começava a nascer, e os meus olhos erguiam-se, exorbitados, para o emblema da cidade, talvez a sua alma, aquele arco imenso, com prodigiosas esculturas, umas violentas, tal como eu as retinha, outras majestosas e da brancura dos lugares supremos.

Quando vim morar em Lisboa, já na adolescência, a minha vida decorria sobretudo nas Avenidas Novas e um pouco mais tarde na antiga Faculdade de Letras, Rua da Academia das Ciências. Vinha então à Baixa porque o meu alfaiate (ainda as pessoas comuns faziam os fatos por medida) ficava na Rua de Santa Justa. E, quase sempre que lá ia, passava, como toda a gente (uns mais apressados, outros menos, sinais da roda da fortuna ou do relógio interior de cada um), por aquelas ruas que ainda não me pareciam estreitas, onde o vento por vezes gemia, acompanhando os cegos que tocavam violino e os gritos dos cauteleiros e dos ardinas. Já então a Baixa era um grande centro comercial, onde muitos casais, com os meninos pela mão, vinham aos domingos contemplar as montras. A pequena multidão engrossava às horas de ponta, era por vezes uma autêntica enxurrada de corpos alheios e agressivos, empurrando-se, arfando, tossindo, e onde às vezes se cruzavam dois olhares subitamente acesos em desejo ou compreensão, fadados quiçá para se entenderem por todo o sempre, e que logo se perdiam um do outro, como sucede no giro incessante das grandes cidades.


Continuo a gostar muito da Baixa, do seu estridor, do jardim de saibro que o Rossio já foi, com as suas fontes e estátuas, o falso D. Pedro vestido agora de tapumes. Mesmo cheia de pó, de aterros e buracos traiçoeiros, acidentes transitórios, volto sempre à Baixa dos tocadores de concertina nas escadinhas de Santa Justa, dos turistas coloridos, de binóculo e máquina fotográfica a tiracolo, olhos voltados para cima, acompanhando a pesada gaiola do ascensor. Apesar da falta de pintura dos prédios, do certo abandono de quarteirões inteiros dessa cidade baixa delicadamente setecentista, a sua fauna humana, renovada, persiste: lá vão as melancólicas costureiras de alfaiate, muitas das quais perderam o emprego, o cantor da voz triste, que comovia algum melómano perdido na onda de gente apressada. Eis os cães dos drogados cheirando a hache e a suor curtido; e os mesmos barbeiros, agora cabeleireiros, de bata azul e com o "Record" na mão, espreitando, à porta, o cliente da hora certa; e a insolência dos "klaxons", a empurrarem furiosamente a condutora da frente; o povo a correr para os bancos.

Morava numa trapeira da Rua da Madalena uma das namoradas dos meus 17 anos. Não a primeira, que essa era italiana, estudante e sardenta, e ensinou-me, num ardente Agosto do Estoril, entre mar e casino, quase todos os segredos e requintes do amor fora de regras. A Conceição, corista do Parque Mayer, que chegou logo a seguir à minha educação erótica, era paradoxalmente menos libertina e muito mais romântica. Linda de pasmar, parecia, ora uma "starlet", ora virgem de altar, até pelos azuis vaporosos que vestia. Havia um ou mais sujeitos ricos que a sustentavam (com o que ela ganhava, coitada, não tinha outro recurso), e atrevia-me eu a ter ciúmes, tão pouco sabia das crueldades daquela vida. Um dos banqueiros podia passar por galã maduro, mas só sabia comprar, comprar, até o prazer, que eu colhia de todas as partes do corpo dela, sem saber sequer como a cativara, se por sedução quase inconsciente ou por a fazer rir dos meus despropósitos. Quando ela saía da segunda sessão da revista, já muito tarde, ainda íamos às vezes dançar ao Bar do Cristal, ou então arrastava-me até ao Cais das Colunas, de mão dada, para vermos a noite ainda a arder de estrelas, que caíam no Tejo, e só depois fazíamos amor longamente na trapeira onde ela morava, e as suas lágrimas, no fim da nossa festa e das suas confissões, eram cristais desmaiados que me cortavam a voz.

Adorava roupas à moda, que eu não podia dar-lhe, corria às vezes os olhos aguados pelas montras luxuosas da Rua Augusta, a puxar por mim, se me acontecia passear com ela, de tarde. E íamos beber chocolate à Central da Baixa. Nessa pastelaria calma e elegante, muitos anos depois, sendo eu já redactor do "Diário de Lisboa", acabara de comprar em segunda mão uma arrastadeira de 11 cavalos, creio que foi no ano da Revolta da Sé, acontecia-me não raro ali conspirar e almoçar um bife raspado, à alemã, ou dois pães de leite com fiambre e manteiga e um "indiano" recheado com café.


A Baixa era para mim ponto de encontro com outros oposicionistas, que ali tinham escritório, como o Mário Soares, na Rua do Ouro, ou o Abranches Ferrão, que editou, pelo jornal de Foro, a minha novela "Uma Noite e Nunca", apreendida pela Censura, e que tinha banca na Rua do Crucifixo, com o Luiz Francisco Rebello, o Duarte Vidal e, mais tarde, o José Carlos de Vasconcelos, se a memória não me atraiçoa. É a altura do "Programa para a Democratização da República", que a todos nos levou à PIDE, ao Aljube ou a Caxias, e que a muitos valeu longos meses de encarceramento.

Na Rua de Santa Justa e mais tarde na Rua da Vitória, cortou-me o cabelo durante algumas décadas um alentejano simpático, de bigodinho aventureiro, o Sebastião Carrajola de Figueiredo, ex-menino do coro em Portalegre, cheio de lábia e assanhado defensor do 25 do Quatro, como ele dizia, que ali mesmo combatia a reacção, dentro dos limites que o ofício lhe consentia, e chegou a ter a subida honra (sic) de barbear e pentear o seu camarada Salgado Zenha, cuja candidatura à Presidência da República veio mais tarde a subscrever - e disso muito se orgulhava.

Foi na Rua do Ouro, junto ao elevador de Santa Justa, que numa tarde histórica apanhei um dos panfletos de denúncia do fascismo que o Palma Inácio, ao volante de um avião militar roubado, ou melhor, apreendido em nome da liberdade, lançava sobre Lisboa, numa nuvem branca, cintilante de esperança. Pouco depois do paquete "Santa Maria" ser transformado, por um comando revolucionário, em "Santa Liberdade".

Outra visão: a da Rua do Arsenal, memória viva, inapagável, dos operários da Resistência, como o Bento Gonçalves. E nessa mesma rua, o enxame de lojas e lojinhas de todas as coisas e todos os sonhos, pintado por Cesário Verde, nas "Ave Marias".

Foi o José Cardoso Pires quem me chamou a atenção para as lojas de aparelhos ortopédicos que se seguem umas às outras na Rua dos Fanqueiros, anos antes de descrever admiravelmente essa estranha paisagem urbana em "A Balada da Praia dos Cães".


Por falar em escritores, quero lembrar a Baixa de José Gomes Ferreira e de Armindo Rodrigues, companheiros de deambulações líricas pela noite de Lisboa, que o segundo fixou nas suas "Dez Odes ao Tejo", enquanto o autor do "Poeta Militante" nos fala não só do rio como do Largo de São Domingos e das putas tristes dessa área, fantasmas de um vazio de Julho.

Desapareceram muitos dos cafés do Rossio, onde o surrealismo abancou, sobretudo no Gelo, entre eles o Chave d' Ouro, onde Humberto Delgado deu a célebre conferência de Imprensa, em que estrondeou o "Obviamente demito-o", que tanto afrontou o orgulho de Salazar. Do Chave d'Ouro tenho também na lembrança o David Mourão-Ferreira, supremo encantador da palavra, lendo versos numa tertúlia lá em cima, e o Abelaira escrevendo numa absorta mesa, perto da porta, entre muitas chávenas de café e filosofia viva.

Os mirones do Rossio, que metralhavam as mulheres sós com o olhar concupiscente e lhes segredavam galanteios dos mais obscenos, encandeados pela "seminudez" das refugiadas estrangeiras durante a guerra de 39-45, tiveram o seu apogeu machista nos finais dos anos 60, aquando do primeiro surto das mini-saias e dos "hot-pants", uns shorts muito curtos, género calção de banho em tecido leve. O espaço do ascensor de Santa Justa, agora que sigo vasculhando na memória, foi teatro de muitos momentos da minha vida. No restaurante A Quinta, pendurado sobre a Baixa, mesmo ao lado do elevador, jantámos com o Curt Mayer Clason vários escritores na berra desses mesmos anos 60, entre eles o Cardoso Pires e o Abelaira; e do mirante que fica ao lado mostrei de outra vez a dois grandes poetas, o Murilo Mendes e o Jaime Salinas, o soberbo panorama do Castelo e da Sé, que encimam esse tão especial casario ocre, castiço e lírico, o dos quadros de Carlos Botelho, que vai descendo de Santa Luzia até às gruas dos cais e aos mastros do rio enfadado de sol.

Cá em baixo, junto à base do elevador, à porta do então Salão Império, em 1970 (ou 197l?), estive longos minutos, nervoso, com metade de uma folha do "Borda d'Água", mal cortada, fechada na minha mão, à espera da pessoa, para mim desconhecida, que me traria a outra metade da mesma folha, para um importante encontro clandestino. Era uma rapariga magra, que me pareceu disfarçar o nervosismo com um sorriso. Hoje que tanta gente, velha e nova, vive a farejar o dinheiro, em todos os cantos da cidade e da vida, e a comprar luxos inúteis quase por obrigação, ainda me aquece aquele aperto de mãos, que se davam uma e outra à luta pela liberdade, sonhando um país que (ainda) não existe.

Do calor branco do Verão vinham as flores baratas que comprávamos, à esquina das escadinhas de Santa Justa, para a alegria da namorada ou da parceira de uma noite bonita e casual. Viver à espera da PIDE, com projectos incertos, dava direito a beber de vez em quando a espuma de uma hora louca.
Pelas ruas da Baixa, num 1º de Maio proibido em que a polícia nos dispersou a tiro e com indelével água azul, houve correrias dementes pela Rua do Ouro, trabalhadores e estudantes espancados, o Manuel Vilaverde Cabral ficou, se bem me lembro, todo pintado da cor do céu, e eu por lá andei e escapei dessa vez aos encontrões e às cacetadas.

Relendo os contos que então escrevi, verifico que nalguns reproduzi (e obviamente alterei, acrescentei ou reduzi) os factos reais; noutros, pelo contrário, antecipei, como se adivinho fosse, a vida que ia viver.

Texto publicado em 15 de Agosto de 2013

Legenda: quadros de Luiza Cardoso.

domingo, 3 de maio de 2020

OLHAR AS CAPAS


Um Poeta Recorda-se

Armindo Rodrigues
Edições Cosmos, Lisboa, Dezembro de 1997

Era o José Rodrigues Miguéis, ademais, um orador e um conversador brilhante, e por aquela altura, como o Manuel Mendes e eu, comunista de ideais, se bem que nenhum fosse filiado no Partido. O José Gomes Ferreira seria, porventura, o mais conservador, ou o mais prudente de nós, demasiado agarrado ao republicanismo vagamente socializante do pai, idealista, generoso, a quem eu assistiria na doença de que morreu. Poderia o José Miguéis ter sido um advogado notável e, daí, prosperíssimo. Mas algo o impedia, como ao José Gomes, de exercer essa profissão. Mais tarde a minha posição em relação ao Partido modificou-se, e a mim se queixou o José Miguéis de nunca ninguém o ter convidado para nele entrara. Isso comuniquei ao Bento Gonçalves, que me ripostou não convidar o Partido ninguém, o que não era verdade porque ele próprio para eu nele me integrar a mim me instara.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

LIBERDADE



Ser livre é querer ir e ter um rumo 
e ir sem medo, 
mesmo que sejam vãos os passos. 

É pensar e logo 
transformar o fumo 
do pensamento em braços. 

É não ter pão nem vinho, 
só ver portas fechadas e pessoas hostis 
e arrancar teimosamente do caminho 
sonhos de sol 
com fúrias de raiz. 

É estar atado, amordaçado, em sangue, exausto 
e, mesmo assim, 
só de pensar gritar 
gritar 
e só de pensar ir 
ir e chegar ao fim. 

Armindo Rodrigues

quarta-feira, 29 de março de 2017

MARCHAS, DANÇAS E CANÇÕES


Em Setembro de 1945, a casa de João José Cochofel no Senhor da Serra, em Semide, juntou Fernando Lopes-Graça, Carlos de Oliveira, José Gomes Ferreira e João José Cochofel.

Na Sala Ping-Pong, nasceu o projecto musical Marchas, Danças e Canções.

O Acordai nasceu durante o reino do medo, quando os frutos amargavam e o luar sabia a azedo e é uma das muitas canções a que alguns dos nossos melhores poetas emprestaram palavras e que foram musicadas por Fernando Lopes Graça.

Na contra capa do disco, explica ao que vinham essas canções:

O que são as “Canções Heróicas” que, pela primeira vez, se oferecem ao público editadas em disco? Resumidamente, podemos dizer que são obrinhas de circunstância ou, se quisermos ser mais explícitos e sem temer o uso rigoroso das palavras, defini-las-emos como canções politicamente empenhadas. Politicamente empenhadas no sentido, ou na medida, em que pretenderam contribuir – e cremos que de facto contribuíram – para a luta do povo português, a que primordialmente foram destinadas, contra o regime despótico, anti-democrático e violentador de corpos e almas que durante cerca de cinquenta anos lhe foi imposto.

Um ministro de Salazar disse:

É mais perigoso um mi bemol de Lopes Graça do que mil panfletos subversivos.

Por sua vez, José Gomes Ferreira, em A Memória das Palavras ou o Gosto de Falar de Mim, conta como, naquele ano de 1945, tudo começou:

Nesse Verão, como lhe contasse que eu ainda não tinha encontrado poiso no campo para convalescer, Fernando Lopes Graça, propôs-me:

-Venha comigo para o Senhor da Serra, perto de Semide…

- Há por lá alguma pensão?

- Pensão propriamente dita não há. Mas a srª Rosinha costuma receber hóspedes num quartito muito limpo e com uma vista extraordinária para o Vale da Lousã… E fica a dois passos da casa do João José Cochofel, onde vou instalar-me.

Na casa de João José Cochofel juntaram-se, então, Fernando Lopes Graça, José Gomes Ferreira, Carlos de Oliveira.

Novamente José Gomes Ferreira:

Por esses dias, com tantos poetas às ordens, ensejou-se a Fernando Lopes Graça realizar um velho sonho que expôs em meia dúzia de frases sóbrias aos circunstantes. Queria letras para canções. Marchas, danças, rondas infantis, hinos… O que nos apetecesse. Contanto que não nos demorássemos muito, pois a inspiração já ardia.

Esgotada a inspiração dos poetas circundantes, Fernando Lopes Graça implorou o auxílio a Coimbra (Joaquim Namorado, Arquimedes, Ferreira Monte) e a Lisboa, donde acudiram ao chamamento Mário Dionísio, Armindo Rodrigues e Edmundo Bettencourt.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

POSTAIS SEM SELO


Aqui vive-se por teima e sonha-se por desafio.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

MEMÓRIAS DE LISBOA


Este texto de Urbano Tavares Rodrigues encontrei-o no Teia Portuguesa.
É um texto não datado, em que Urbano fala das suas experiências de vida em Lisboa: amores, vivências, conspirações para derrube da ditadura, tertúlias em cafés, quando ainda havia cafés em Lisboa, com José Cardoso Pires, Augusto Abelaira, José Gomes Ferreira, Armindo Rodrigues.
Um bonito texto sobre uma Lisboa praticamente desaparecida:

Ao atravessar as ruas da Baixa e o Rossio, ainda em obras, quando a poalha desta luz de Maio enevoada doira vagamente as cimalhas e mansardas das velhas casas pombalinas, clareando o ocre do Teatro D. Maria, parece-me ter sonhado a vida que por aqui vivi. Já não me reconheço na criança que às vezes vinha de Moura e atravessava o grande rio, de olhos deslumbrados, entre gaivotas e navios descomunais, e desembarcava no Terreiro do Paço, todo simétrico na sua verde harmonia palaciana. Do alto da sua altivez, o cavaleiro do cavalo negro dominava o mundo e fazia correr mais depressa o sangue nas minhas veias. O táxi entrava na corrente do trânsito, que também me surpreendia, outro tempo ali começava a nascer, e os meus olhos erguiam-se, exorbitados, para o emblema da cidade, talvez a sua alma, aquele arco imenso, com prodigiosas esculturas, umas violentas, tal como eu as retinha, outras majestosas e da brancura dos lugares supremos.

Quando vim morar em Lisboa, já na adolescência, a minha vida decorria sobretudo nas Avenidas Novas e um pouco mais tarde na antiga Faculdade de Letras, Rua da Academia das Ciências. Vinha então à Baixa porque o meu alfaiate (ainda as pessoas comuns faziam os fatos por medida) ficava na Rua de Santa Justa. E, quase sempre que lá ia, passava, como toda a gente (uns mais apressados, outros menos, sinais da roda da fortuna ou do relógio interior de cada um), por aquelas ruas que ainda não me pareciam estreitas, onde o vento por vezes gemia, acompanhando os cegos que tocavam violino e os gritos dos cauteleiros e dos ardinas. Já então a Baixa era um grande centro comercial, onde muitos casais, com os meninos pela mão, vinham aos domingos contemplar as montras. A pequena multidão engrossava às horas de ponta, era por vezes uma autêntica enxurrada de corpos alheios e agressivos, empurrando-se, arfando, tossindo, e onde às vezes se cruzavam dois olhares subitamente acesos em desejo ou compreensão, fadados quiçá para se entenderem por todo o sempre, e que logo se perdiam um do outro, como sucede no giro incessante das grandes cidades.


Continuo a gostar muito da Baixa, do seu estridor, do jardim de saibro que o Rossio já foi, com as suas fontes e estátuas, o falso D. Pedro vestido agora de tapumes. Mesmo cheia de pó, de aterros e buracos traiçoeiros, acidentes transitórios, volto sempre à Baixa dos tocadores de concertina nas escadinhas de Santa Justa, dos turistas coloridos, de binóculo e máquina fotográfica a tiracolo, olhos voltados para cima, acompanhando a pesada gaiola do ascensor. Apesar da falta de pintura dos prédios, do certo abandono de quarteirões inteiros dessa cidade baixa delicadamente setecentista, a sua fauna humana, renovada, persiste: lá vão as melancólicas costureiras de alfaiate, muitas das quais perderam o emprego, o cantor da voz triste, que comovia algum melómano perdido na onda de gente apressada. Eis os cães dos drogados cheirando a hache e a suor curtido; e os mesmos barbeiros, agora cabeleireiros, de bata azul e com o "Record" na mão, espreitando, à porta, o cliente da hora certa; e a insolência dos "klaxons", a empurrarem furiosamente a condutora da frente; o povo a correr para os bancos.

Morava numa trapeira da Rua da Madalena uma das namoradas dos meus 17 anos. Não a primeira, que essa era italiana, estudante e sardenta, e ensinou-me, num ardente Agosto do Estoril, entre mar e casino, quase todos os segredos e requintes do amor fora de regras. A Conceição, corista do Parque Mayer, que chegou logo a seguir à minha educação erótica, era paradoxalmente menos libertina e muito mais romântica. Linda de pasmar, parecia, ora uma "starlet", ora virgem de altar, até pelos azuis vaporosos que vestia. Havia um ou mais sujeitos ricos que a sustentavam (com o que ela ganhava, coitada, não tinha outro recurso), e atrevia-me eu a ter ciúmes, tão pouco sabia das crueldades daquela vida. Um dos banqueiros podia passar por galã maduro, mas só sabia comprar, comprar, até o prazer, que eu colhia de todas as partes do corpo dela, sem saber sequer como a cativara, se por sedução quase inconsciente ou por a fazer rir dos meus despropósitos. Quando ela saía da segunda sessão da revista, já muito tarde, ainda íamos às vezes dançar ao Bar do Cristal, ou então arrastava-me até ao Cais das Colunas, de mão dada, para vermos a noite ainda a arder de estrelas, que caíam no Tejo, e só depois fazíamos amor longamente na trapeira onde ela morava, e as suas lágrimas, no fim da nossa festa e das suas confissões, eram cristais desmaiados que me cortavam a voz.

Adorava roupas à moda, que eu não podia dar-lhe, corria às vezes os olhos aguados pelas montras luxuosas da Rua Augusta, a puxar por mim, se me acontecia passear com ela, de tarde. E íamos beber chocolate à Central da Baixa. Nessa pastelaria calma e elegante, muitos anos depois, sendo eu já redactor do "Diário de Lisboa", acabara de comprar em segunda mão uma arrastadeira de 11 cavalos, creio que foi no ano da Revolta da Sé, acontecia-me não raro ali conspirar e almoçar um bife raspado, à alemã, ou dois pães de leite com fiambre e manteiga e um "indiano" recheado com café.


A Baixa era para mim ponto de encontro com outros oposicionistas, que ali tinham escritório, como o Mário Soares, na Rua do Ouro, ou o Abranches Ferrão, que editou, pelo jornal de Foro, a minha novela "Uma Noite e Nunca", apreendida pela Censura, e que tinha banca na Rua do Crucifixo, com o Luiz Francisco Rebello, o Duarte Vidal e, mais tarde, o José Carlos de Vasconcelos, se a memória não me atraiçoa. É a altura do "Programa para a Democratização da República", que a todos nos levou à PIDE, ao Aljube ou a Caxias, e que a muitos valeu longos meses de encarceramento.

Na Rua de Santa Justa e mais tarde na Rua da Vitória, cortou-me o cabelo durante algumas décadas um alentejano simpático, de bigodinho aventureiro, o Sebastião Carrajola de Figueiredo, ex-menino do coro em Portalegre, cheio de lábia e assanhado defensor do 25 do Quatro, como ele dizia, que ali mesmo combatia a reacção, dentro dos limites que o ofício lhe consentia, e chegou a ter a subida honra (sic) de barbear e pentear o seu camarada Salgado Zenha, cuja candidatura à Presidência da República veio mais tarde a subscrever - e disso muito se orgulhava.

Foi na Rua do Ouro, junto ao elevador de Santa Justa, que numa tarde histórica apanhei um dos panfletos de denúncia do fascismo que o Palma Inácio, ao volante de um avião militar roubado, ou melhor, apreendido em nome da liberdade, lançava sobre Lisboa, numa nuvem branca, cintilante de esperança. Pouco depois do paquete "Santa Maria" ser transformado, por um comando revolucionário, em "Santa Liberdade".

Outra visão: a da Rua do Arsenal, memória viva, inapagável, dos operários da Resistência, como o Bento Gonçalves. E nessa mesma rua, o enxame de lojas e lojinhas de todas as coisas e todos os sonhos, pintado por Cesário Verde, nas "Ave Marias".

Foi o José Cardoso Pires quem me chamou a atenção para as lojas de aparelhos ortopédicos que se seguem umas às outras na Rua dos Fanqueiros, anos antes de descrever admiravelmente essa estranha paisagem urbana em "A Balada da Praia dos Cães".


Por falar em escritores, quero lembrar a Baixa de José Gomes Ferreira e de Armindo Rodrigues, companheiros de deambulações líricas pela noite de Lisboa, que o segundo fixou nas suas "Dez Odes ao Tejo", enquanto o autor do "Poeta Militante" nos fala não só do rio como do Largo de São Domingos e das putas tristes dessa área, fantasmas de um vazio de Julho.

Desapareceram muitos dos cafés do Rossio, onde o surrealismo abancou, sobretudo no Gelo, entre eles o Chave d' Ouro, onde Humberto Delgado deu a célebre conferência de Imprensa, em que estrondeou o "Obviamente demito-o", que tanto afrontou o orgulho de Salazar. Do Chave d'Ouro tenho também na lembrança o David Mourão-Ferreira, supremo encantador da palavra, lendo versos numa tertúlia lá em cima, e o Abelaira escrevendo numa absorta mesa, perto da porta, entre muitas chávenas de café e filosofia viva.

Os mirones do Rossio, que metralhavam as mulheres sós com o olhar concupiscente e lhes segredavam galanteios dos mais obscenos, encandeados pela "seminudez" das refugiadas estrangeiras durante a guerra de 39-45, tiveram o seu apogeu machista nos finais dos anos 60, aquando do primeiro surto das mini-saias e dos "hot-pants", uns shorts muito curtos, género calção de banho em tecido leve. O espaço do ascensor de Santa Justa, agora que sigo vasculhando na memória, foi teatro de muitos momentos da minha vida. No restaurante A Quinta, pendurado sobre a Baixa, mesmo ao lado do elevador, jantámos com o Curt Mayer Clason vários escritores na berra desses mesmos anos 60, entre eles o Cardoso Pires e o Abelaira; e do mirante que fica ao lado mostrei de outra vez a dois grandes poetas, o Murilo Mendes e o Jaime Salinas, o soberbo panorama do Castelo e da Sé, que encimam esse tão especial casario ocre, castiço e lírico, o dos quadros de Carlos Botelho, que vai descendo de Santa Luzia até às gruas dos cais e aos mastros do rio enfadado de sol.

Cá em baixo, junto à base do elevador, à porta do então Salão Império, em 1970 (ou 197l?), estive longos minutos, nervoso, com metade de uma folha do "Borda d'Água", mal cortada, fechada na minha mão, à espera da pessoa, para mim desconhecida, que me traria a outra metade da mesma folha, para um importante encontro clandestino. Era uma rapariga magra, que me pareceu disfarçar o nervosismo com um sorriso. Hoje que tanta gente, velha e nova, vive a farejar o dinheiro, em todos os cantos da cidade e da vida, e a comprar luxos inúteis quase por obrigação, ainda me aquece aquele aperto de mãos, que se davam uma e outra à luta pela liberdade, sonhando um país que (ainda) não existe.

Do calor branco do Verão vinham as flores baratas que comprávamos, à esquina das escadinhas de Santa Justa, para a alegria da namorada ou da parceira de uma noite bonita e casual. Viver à espera da PIDE, com projectos incertos, dava direito a beber de vez em quando a espuma de uma hora louca.
Pelas ruas da Baixa, num 1º de Maio proibido em que a polícia nos dispersou a tiro e com indelével água azul, houve correrias dementes pela Rua do Ouro, trabalhadores e estudantes espancados, o Manuel Vilaverde Cabral ficou, se bem me lembro, todo pintado da cor do céu, e eu por lá andei e escapei dessa vez aos encontrões e às cacetadas.

Relendo os contos que então escrevi, verifico que nalguns reproduzi (e obviamente alterei, acrescentei ou reduzi) os factos reais; noutros, pelo contrário, antecipei, como se adivinho fosse, a vida que ia viver.

Legenda: quadros de Luiza Cardoso.

sábado, 3 de novembro de 2012

ACORDAI!


Eram milhares e milhares e milhares das mais diversas e diferentes gerações, dos mais diversos partidos, muitos sem partido, outros nem sequer alguma vez exerceram o direito de votar.

Por um sábado de Setembro invadiram as ruas para, aos senhores do governo, dizerem basta!

Cantou-se o Acordai!

Sabe-se que o futuro de um povo joga-se na acção, nunca na inacção.

Nos últimos trinta e seis anos andámos a colocar nas cadeiras do poder gente que nos conduziram à fome, à miséria, às mais diversas provações

Entretidos em coisas de somenos, não demos pela teia, que em redor de um povo, uma série de aldrabões e corruptos acabaram por tecer.

De repente, o povo acordou do estado de coma e veio para a rua gritar: Acordai!

Espero que de uma vez por todas…

…espero.




O Acordai nasceu durante o reino do medo, quando os frutos amargavam e o luar sabia a azedo e é uma das muitas canções a que alguns dos nossos melhores poetas emprestaram palavras e que foram musicadas por Fernando Lopes Graça.

Na conta capa do disco, explica ao que vinham essas canções:

O que são as “Canções Heróicas” que, pela primeira vez, se oferecem ao público editadas em disco? Resumidamente, podemos dizer que são obrinhas de circunstância ou, se quisermos ser mais explícitos e sem temer o uso rigoroso das palavras, defini-las-emos como canções politicamente empenhadas. Politicamente empenhadas no sentido, ou na medida, em que pretenderam contribuir – e cremos que de facto contribuíram – para a luta do povo português, a que primordialmente foram destinadas, contra o regime despótico, anti-democrático e violentador de corpos e almas que durante cerca de cinquenta anos lhe foi imposto.

Um ministro de Salazar disse: É mais perigoso um mi bemol de Lopes Graça do que mil panfletos subversivos.


Por sua vez, José Gomes Ferreira, em A Memória das Palavras ou o Gosto de Falar de Mim, conta como, naquele ano de 1945, tudo começou:




Nesse Verão, como lhe contasse que eu ainda não tinha encontrado poiso no campo para convalescer, Fernando Lopes Graça, propôs-me:


-Venha comigo para o Senhor da Serra, perto de Semide…
- Há por lá alguma pensão?

- Pensão propriamente dita não há. Mas a srª Rosinha costuma receber hóspedes num quartito muito limpo e com uma vista extraordinária para o Vale da Lousã… E fica a dois passos da casa do João José Cochofel, onde vou instalar-me.

Na casa de João José Cochofel juntaram-se, então, Fernando Lopes Graça, José Gomes Ferreira, Carlos de Oliveira.

Novamente José Gomes Ferreira:

Por esses dias, com tantos poetas às ordens, ensejou-se a Fernando Lopes Graça realizar um velho sonho que expôs em meia dúzia de frases sóbrias aos circunstantes. Queria letras para canções. Marchas, danças, rondas infantis, hinos… O que nos apetecesse. Contanto que não nos demorássemos muito, pois a inspiração já ardia.


Esgotada a inspiração dos poetas circundantes, Fernando Lopes Graça implorou o auxílio a Coimbra (Joaquim Namorado, Arquimedes, Ferreira Monte) e a Lisboa, donde acudiram ao chamamento Mário Dionísio, Armindo Rodrigues e Edmundo Bettencourt.

Estamos hoje no limiar do desespero.

Resultado da incompetência do governo, encontra-se, há uma semana, em Portugal, uma delegação do FMI, como diz um comunicado do governo, gente com profundo conhecimento e experiência no aprofundamento da corte de despesas.

Mais do que nunca, que ninguém esqueça:

ACORDAI!


Legenda:
Canções Heróicas e Canções Regionais Portuguesas, Coro da Academia dos Amadores de Música, A Voz do Dono 061 – 40 328 editado em 1974

Primeira fotografia onde se vêem João José Cochofel, Fernando Lopes Graça, José Gomes Ferreira.
Segunda fotografia onde se vêem João José Cochofel e Carlos de Oliveira.

Fotografias retiradas da Fotobiografia de José Gomes Ferreira, Publicações Dom Quixote, Lisboa Novembro 2001.