Na secreta raiz de algum
poema
tu nasceste por dentro das
palavras.
Cantar era para ti uma
viagem.
Sentias a revolta, nervo a
nervo,
como um pássaro ferido.
Neste tempo rasteiro e
abafado,
guardavas o veneno
precioso.
Ias para longe de mais e o
tempo passa:
os milhafres do nojo
prosseguiam,
rasgando a carne pura do
teu sonho.
Matavas o silêncio.
Mas na sombra do tempo houve
uma pausa,
um outono mais rápido,
um inverno mais súbito.
E as pétalas da noite
desabaram,
corroendo o teu nome de
grinaldas perdidas.

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