sexta-feira, 16 de outubro de 2026

RETRATOS


Na secreta raiz de algum poema

tu nasceste por dentro das palavras.

 

Cantar era para ti uma viagem.

Sentias a revolta, nervo a nervo,

como um pássaro ferido.

 

Neste tempo rasteiro e abafado,

guardavas o veneno precioso.

 

Ias para longe de mais e o tempo passa:

os milhafres do nojo prosseguiam,

rasgando a carne pura do teu sonho.

 

Matavas o silêncio.

Mas na sombra do tempo houve uma pausa,

um outono mais rápido,

um inverno mais súbito.

E as pétalas da noite desabaram,

corroendo o teu nome de grinaldas perdidas.

 

Rui  Namorado

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