Obras Escolhidas
Marx e Engels
Três Tomos
Tradução:
José Barata-Moura
Edições
Avante, Lisboa, Abril de 1982
… os
indivíduos procuram apenas o seu interesse particular, o qual para eles
não coincide com o sei interesse comunitário.
Marx e Engels
Três Tomos
Tradução:
José Barata-Moura
Edições
Avante, Lisboa, Abril de 1982
… os
indivíduos procuram apenas o seu interesse particular, o qual para eles
não coincide com o sei interesse comunitário.
Ainda vamos ouvindo, uma conversa sem fim, que Israel é uma democracia.
Uma história para enteter camelos.
Ben-Gvir, ultra-ministro do ultra governo de Benjamim Netanyahu, divulgou imagens da violência com que Israel trata as pessoas que participaram na última
flotilha que foi interceptada. As imagens chocaram o mundo e Netanyahu veio
dizer que aquele tratamento “não se alinha com os valores de Israel”.
Mas
quais são os valores de Israel?
O
governo português , como em outras situações em que as sanguinárias forças de
Israel estão envolvidas, gagueja para um lá e para outro. Não só o governo
português porque nos restantes países da Europa, do mundo, não se vê uma reação
violenta contra os governantes israelitas.
Têm
medo de quê?!
Terá sido no
decorrer do campeonato do Mundo de 1990, realizado em Itália, na final a
Alemanha ganhou por 1 a 0 à Argentina, que o final da ópera Tarandot de Giacomo Puccini, cantado por Luciano
Pavarotti se tornou popular.
«A Princesa
Turandot, filha do Imperador Altum da China, odeia todos os homens, e jura que
jamais se entregará a nenhum deles; isto devido a um fato ocorrido na família
imperial que a traumatizou para sempre: o estupro e assassinato da princesa
Lo-u-Ling, quando os tártaros invadiram e conquistaram a China. Seu pai, porém,
exige que ela se case, por razões dinásticas, e para respeitar as tradições
chinesas. A princesa concorda; porém, com uma condição: ela proporá três
enigmas a todos os candidatos, que arriscarão a própria cabeça se não acertarem
todos os três, e somente se casará com aquele que decifrar todas as três
duríssimas charadas. A crueldade e frieza da princesa não fazem mais do que
atiçar a paixão do Príncipe Desconhecido, filho do deposto rei dos tártaros,
que decide arriscar a própria vida para conseguir a mão da orgulhosa princesa.
Ele consegue, após a derrota de todos os outros candidatos, até porque é o
único que compartilha da natureza sádica e egoísta da princesa, sendo capaz de
entendê-la.»
Ninguém durma! Ninguém durma!
Nem mesmo tu, ó Princesa,
No teu quarto frio,
Olhas para as estrelas
Que tremem de amor
E de esperança!
Mas o meu segredo está guardado em mim,
O meu nome ninguém saberá!
Não, não, na tua boca eu o direi,
Quando a luz brilhar!
E o meu beijo derreterá
O silêncio que te faz minha!
(Coro: O nome dele ninguém saberá! E nós
teremos, ai de nós, que morrer!)
Desaparece, ó noite!
Esvaneçam, estrelas!
Esvaneçam, estrelas!
Ao alvorecer vencerei!
Vencerei! Vencerei!
Donald Trump, Benjamim Neta, toda aquela montanha de ignorantes que os envolvem, meteram-se naquele vespeiro que é o Irão e não sabem como hão-de sair daquilo.
O Vietnam, o
Iraque, o Afeganistão não lhes serviram de exemplo.
Mas todos os
dias, Donald Trump diz aos seus fanáticos
que destruiu a marinha, a força aérea do Irão, mas que ainda falta o golpe final
que destruirá um país, golpe que, até agora, não passa da louca imaginação
daqueles fanáticos.
E o mundo vai olhando para uma das suas maiores crises...
Como é possível?
Que cor ó telhados de miséria
onde nasci
de tanta pequenez de tão humildes ovos
de nenhum querer
a que horas nasceram as estrelas que
um dia foram
a que horas nasci?
Não vim embarcado não me encontrei
na rua
não nos vimos
não nos beijamos
nunca parti
Não sei que idade tenho
António Ramos Rosa em Obra Poética, Vol. I
O ditador
entendia que já lhe bastava um Castrim, quanto mais muitos castrinzinhos.
O Mário
Castrim chegou a dizer antes castrinzinhos que castradozinhos!
O Juvenil
publicou-se de 1967 a 1970.
Talvez um dia
se faça a história daquela cantera de poetas, que o pasquim fascista Diário
da Manhã chamava o Konsommolskaya das Terças-Feiras, romancistas,
actores de teatro/cinema, jornalistas, apresentadores de televisão, deputados,
ministros, um primeiro-ministro e entidades abstractas, como eu, que não deram
em nada.
Numa viagem,
não exaustiva, permite-se citar:
Fernando
Guerreiro
José Mariano
Gago
Luís Filipe
Castro Mendes
Maria Elisa
Jaime Rocha
Fernandes
Jorge
Joaquim
Manuel Magalhães,
Franco
Alexandre
Helder Moura
Pinheiro
Maria do Céu
Guerra
Durão Barroso
Casimiro de
Brito
Nelson de
Matos
José Pacheco
Pereira
Cáceres
Monteiro
Nicolau Saião
A.M. Pires
Cabral
José Freire
Antunes
Hélia Correia
João
Bonifácio Serra
José
Agostinho Baptista
Diana
Andringa
Jorge Silva
Melo
Eduardo Prado
Coelho
Eduarda
Dionísio
Alice Vieira
José Jorge
Letria
Luís Miranda
Rocha
João Mendes
Nuno Júdice
Maria Leonor
Xavier
Tito Lívio
Helder Pinho
Hugo Beja
Torquato da
Luz
Paulo da
Cunha Leão
Rui Nunes
José de
Matos-Cruz
José António
Saraiva
Legenda: imagem da Hemeroteca
Recorte do Diário
de Lisboa-Juvenil que mostra que Nuno Júdice ganhou o prémio de poesia, 2ª
Semana do Concurso Fósforo Ferrero.
O poema Introspecção
com que Nuno Júdice venceu o Prémio de Poesia Fósforo Ferrero.
O anúncio da Fósforo Ferrero que patrocinava os Prémios do Diário de Lisboa-Juvenil.
Não sei, não sei mesmo, se o Nuno Júdice é o autor de uma obra poética decisiva que marca a poesia portuguesa.
Sei apenas
que gosto muito da sua poesia.
Sentindo o
fim aproximar-se, Nuno Júdice deixou três pastas com poemas, a sua mulher
Manuela Júdice e o amigo Ricardo Marques, seleccionam os poemas para o livro em
que Nuno trabalhara e a que foi dado o título, escolhido pelo autor em conversa
com Ricardo: Primeiro Poema.
«Quando acabo um poema não sei muito bem o que escrevi», disse numa entrevista
Houve uma
altura da vida do Diário de Lisboa-Juvenil que deu a louca ao Mário
Castrim. Foi quando em estado de pura e avassaladora paixão pela Alice, decidiu que tinha
de deixar a Natália, sua mulher de longos e duros anos. Difícil e dramática
decisão. O Mário Castrim até tinha uma capacidade de trabalho alucinante,
acima, muito acima, de qualquer média, mas aquilo era demais e a cabeça não
dava para tudo: diariamente crítica de televisão no Diário de Lisboa,
colaboração diversificada e dispersa por jornais e revistas, colaboração no
Rádio Clube Português com histórias para crianças e o Juvenil. Quanto a
este terá então pensado que teria de deixar, por uns instantes, a selecção dos
textos e poesias a mim e ao Armindo, gente de confiança, como ele dizia. Assim
foi.
Mário Castrim
fazia a grande triagem e passava o resto da papelada para mim e para o Armindo
e, cada um fazia a leitura e selecção da colaboração. Trocávamos impressões e
seguia-se a reunião com o Mário Castrim, para o Juvenil da semana
seguinte, normalmente no Diário de Lisboa ou na Orion, café e
pastelaria com “fabrico próprio” que, para meu grande espanto, não se tornou
banco ou loja de trapos, ainda existe no cimo da calçada do Combro, esquina
para a rua que vai dar a Santa Catarina, uma das mais belas vistas de Lisboa
Por vezes, Castrim,
punha lápis vermelho nas nossas escolhas. O Armindo ficava à beira de um ataque
de nervos, eu nem por isso porque entendia que o Mário era o responsável-mor do
suplemento. Foi nessas andanças que nos surgiram os poemas do Nuno Júdice e
neles já estava quase tudo do que viria a ser um dos poetas marcantes da poesia
portuguesa, assim como o Jorge Valdano disse, que um verdadeiro camisa 10 se nota logo,
mesmo que venha mascarado de bailarina sevilhana.
Lembro-me do
olhar deliciado do Armindo a ler os poemas do Nuno Júdice, nas mesas da
Brasileira, chávena de café suspensa na
mão.
O Armindo deu
o “salto” para fugir à guerra colonial, mandou-me um primeiro postal de
Grenoble, mas nunca mais, para meu grande lamento, tive notícias do seu exílio.
Primeiro
Poema
Nuno Júdice
Prefácios:
Manuela Júdice e Ricardo Marques
Capa: Rui
Garrido
Publicações
Dom Quixote, Lisboa, Abril 2026
O Espelho da
estrofe
Se me perguntarem para que serve
a poesia, peço para pegarem num espelho
de vidro limpo e puro. O rosto que ali
aparece, mais do que aquele de quem o
olha,
é o rosto que perdura no olhar que, um
dia,
encontrou noutro olhar o seu duplo.
Assim,
se a poesia serve para alguma coisa,
é para te ver, para lá do tempo
e da ausência, e novamente ter à minha
frente
esse olhar que nunca mais esqueci
e que vive, no mais fundo de mim,
quando te encontro, no espelho do poema,
fazendo com que eu peça que o reflexo
se transforme na realidade do teu corpo.
Vem o Inverno com o seu carrinho do frio
a apertar nas curvas; a Primavera e os
seus
paroxismos que não duram muito; o Verão
e os seus langores de ainda menos; e por
fim,
mas também pode ser no meio ou no
princípio,
lá vens tu, que não falhas nunca,
melancólico
e misericordioso Outono, a estenderes-me
a taça
de vinho puro que eu bebo lenta e
gravemente
com aquela lentidão, aquela gravidade
característica
dos que não têm religião nenhuma, ou têm
apenas essa.
Rui Caeiro em
Resumo: a poesia em 2012
Apenas existe
um volume com a Correspondência trocada com José Rodrigues Miguéis, organização
e notas de José Albino Pereira, publicado pela Editorial Caminho, em Abril de
2010.
É desse livro
que respigamos uma carta de José Rodrigues Miguéis, datada de Nova Iorque no
dia 21 de Maio de 1971:
«Querido Saramago:
Chegou-me há semanas o seu livro de
crónicas, que venho agradecer-lhe com algum atraso, porque tencionava, e não me
tem sido possível, fazê-lo com mais largas considerações. Pelo que lhe escrevi
há tempos, quando me deu a ler algumas delas, já Você sabe o que delas penso. A
leitura do volume só me conformou nessa opinião. Não creio que nenhum outro
cronista nosso escreva hoje de maneira tão toante, directa e moderna – e tão
bem! – sobre os pequenos e grandes quotidianos da nossa vida: humanidade,
ironia, e um pessimismo sorridente, isento de amargura. Algumas são pungentes,
como a Neve Preta, outras de um sereno humor que contrasta com o tom geral da
nossa literatura e jornalismo. Embora reunidas em volume, se acentue o efémero
das crónicas de jornal, estas guardam a flagrância dos apontamentos de um
pintor-poeta que percorre a paisagem do dia a dia e do lugar, ou a outra, mais
funda, das memórias.»
Legenda: entrada de 8 de Agosto de 1998 no Último Caderno de Lanzarote
«O Departamento de Justiça dos Estados Unidos fez uma segunda cedência de
monta ao Presidente Donald Trump no âmbito de um acordo extrajudicial para
encerrar um processo do republicano contra a autoridade tributária (o IRS, na
sigla inglesa). Para além de constituir um polémico fundo de 1,8 mil milhões de
dólares para indemnizar aliados de Trump que tenham sido alvo de alegada
perseguição política, o departamento concede agora imunidade ao Presidente, aos
seus familiares e às suas empresas face a várias investigações fiscais em
curso.
Esta segunda cedência surge num documento de uma página, assinado pelo
procurador-geral dos EUA, Todd Blanche (líder, por inerência, do Departamento
de Justiça), que foi adicionado na terça-feira ao acordo extrajudicial
anunciado na véspera.
“Os Estados Unidos libertam, exoneram, isentam e desvinculam para sempre cada
um dos autores [Trump, familiares e empresas], e ficam pelo presente para
sempre impedidos e inibidos de demandar ou intentar toda e qualquer reclamação,
reconvenção, causa de pedir, recurso ou pedido de qualquer reparação, incluindo
tutela inibitória, compensação financeira, indemnizações, exames ou avaliações
semelhantes ou relacionadas, recursos, perdão de dívida, custas, honorários de
advogados, despesas e/ou juros, sejam actualmente conhecidos ou desconhecidos,
que – à data de entrada em vigor do acordo – tenham sido ou pudessem ter sido
invocados pelos réus [o IRS] contra qualquer um dos autores ou indivíduos
relacionados ou afiliados (incluindo, sem limitação, familiares ou outros que
apresentem declarações conjuntas), ou partes, incluindo fundos fiduciários (trusts),
empresas-mãe, associadas ou relacionadas, afiliadas e subsidiárias”, lê-se na
declaração assinada por Blanche.»
No mundo poucos anos, e cansados,
vivi, cheios de vil miséria dura;
foi-me tão cedo a luz do dia escura,
que não vi cinco lustros acabados.
Corri terras e mares apartados
buscando à vida algum remédio ou cura;
mas aquilo que, enfim, não quer ventura,
não o alcançam trabalhos arriscados.
Criou-me Portugal na verde e cara
pátria minha Alenquer; mas ar corruto
que neste meu terreno vaso tinha,
me fez manjar de peixes em ti, bruto
mar, que bates na Abássia fera e avara,
tão longe da ditosa pátria minha!
Luís de Camões em Sonetos
Em Abril Abril
1.
«No Piolho, um guia «explica» a quatro
turistas a origem do nome do café: «Durante a ditadura de Salazar, este local
era frequentado por muitos estudantes oposicionistas. A polícia política sabia
disso e aparecia de vez em quando. Para não serem apanhados desprevenidos, os
estudantes criaram um sinal de alerta: quando um agente entrava no café,
começavam a coçar a cabeça como se tivesse piolhos. Daí o nome.»
Rui Manuel
Amaral em Bicho Ruim
2.
O Presidente
da República convidou esta terça-feira o Papa Leão XIV a visitar Portugal já no
próximo ano para assinalar "os 500 anos da formalização da Nunciatura
apostólica em Portugal" e os "110.º aniversário das aparições
marianas em Fátima".
3.
A Corticeira
Amorim cortou mais 212 postos de trabalho em 2025, ano em que arrecadou 55,6
milhões de euros de lucro.
4.
Já está no
Parlamento a proposta do Governo com meia centena de alterações e alguns
recuos, face à posição inicial. Ainda assim, o documento tem por base o
anteprojeto aprovado há quase um ano.
5.
A presidente da Comissão Europeia considerou esta terça-feira que a União Europeia (UE) "continuará vulnerável" enquanto depender de petróleo e gás importados, dada a crise energética causada pela guerra no Médio Oriente, apelando à eletrificação do continente.
Na semana passada Xi Jimping recebeu Donald Trump.
Agora recebeu Vladimir Putin.
Está a ganhar
em todos os tabuleiros.
A ministra do Trabalho diz que o Presidente da República “deu respaldo à UGT” para não celebrar o acordo relativo à reforma da lei laboral, em sede de concertação social. Em entrevista no podcast “Política com Assinatura”, da Antena 1, Maria do Rosário Palma Ramalho garante que não responsabiliza António José Seguro, mas entende que ele “empoderou a UGT no sentido que tornou dispensável chegar a acordo”, ainda que quisesse “exatamente o contrário”, ou seja, sentar os parceiros à mesa para negociar.
No quase
final de uma reforma laboral pessimamente conduzida desde o 1º minuto, e o que nasce
torto, tarde ou nunca se endireita, a Ministra pretende atingir o Presidente da
República.
Velha de
Ródão é uma vila portuguesa raiana no Distrito de
Castelo Branco, região estatística do Centro e sub-região da Beira
Baixa, parte da província tradicional com o mesmo nome.
É sede
do município homónimo com 329,91 km² de área e
3.515 habitantes (2023), subdividido em 4 freguesias. O
município é limitado a norte e leste pelo município de Castelo Branco, a
sueste pela Espanha, a sul por Nisa e a oeste por Mação e Proença-a-Nova.
As Portas de Ródão constituem um monumento natural emblemático de Vila Velha de Ródão, de que usufrui em parceria com o Município de Nisa.
A Chave de Vidro
Dashiell
Hammett
Tradução:
Helena Domingos
Capa: João
Botelho
Colecção:
Série Negra nº 5
A Regra do
Jogo Edições, Junho de 1980
Ned Beaumont foi para casa. Bebeu café,
fumou, leu um jornal, uma revista, metade de um livro. De vez em quando parava
de ler e punha-se a passear, enervado, pela casa. A campainha da porta não
tocou. O telefone não tocou
Às oito da manhã tomou banho, fez a barba e vestiu-se de lavado. Depois mandou vir o pequeno almoço e comeu-o.
Eu gosto tanto, tanto, tanto
de estar quieta, muito parada,
de fazer nada, coisa nenhuma,
e de fazer isso, que é não fazer
e de não estar, não ir, também.
Eu cá faço nada e todos
me dizem que faço isso muito bem.
Faço arroz de nada, pudim de nada
(que não é nada, está-se mesmo a ver)
e é tudo muito bom, delicioso,
só por não ser preciso fazer.
Eu faço nada, sou um nadador,
mas não daqueles que nadam mesmo,
O que é cansativo, tão maçador;
é que nadar, cá para mim,
tem um defeito insuportável:
aquele erre que está no fim.
E não digam que não faço nada
porque eu faço isso o mais que posso
e se não faço mais é porque mesmo nada
fazê-lo muito é uma maçada.
Não quero ir. Ainda é cedo.
Que pressa é essa? Não pode ser!
Deixem-me estar porque eu hoje tenho
bastante nada para fazer.
Álvaro Magalhães
Donald Trump mandou suspender novo ataque ao Irão que estava marcado para amanhã, em resposta a um pedido dos líderes dos países do Golfo. Trump afirmou que estão em curso “negociações sérias» e acredita-se que 2será alcançado um acordo”.
Contudo Trump acrescentou que a Administração norte-americana está pronta para um “ataque em grande escala contra o Irão, a qualquer momento, caso não se chegue a um acordo aceitável”.As xávegas, ou a arte da Barca, fizeram a fortuna de Monte Gordo na segunda metade do século XVIII, havia então mais de 3 mil homens diretamente envolvidos na pesca com xávegas, e foram responsáveis pelo aumento populacional do aglomerado ao longo do século XIX. O seu declínio, no entanto, começaria ainda nas décadas de 1880 e 1890, com a concorrência de artes mais modernas e produtivas, como os cercos americanos e os galeões a vapor e, mais tarde, as traineiras. Ainda que se tivessem mantido ao longo do tempo, e em determinados períodos com algum significado, na década de 1960 já só ocasionalmente faziam os seus lanços.” E, mais adiante: “A partir de finais da década de 1960, com o turismo a valorizar o pescado, com a motorização e a mecanização das embarcações a possibilitarem um maior raio de ação, maior regularidade das saídas e companhas menos numerosas, os marítimos de Monte Gordo regressam aos tresmalhos.
É
ver a devoção com que, uma vez por ano, todos os anos, fazendo o próprio rol
dos homens a quem é concedida a honra maior de levar o andor, seguem em
procissão, todos marítimos, tudo gente do mar, o mais velho ao comando, com a
vara das ordens, metálica, a orientar as pausas, os recomeços, o baixar, o
erguer de novo, o virar ao mar, aos barcos de buzinas ruidosas, enfeitados com
bandeirinhas e papéis crepe, é ver a devoção e o dramatismo triunfal com que se
aproximam de novo da Igreja, no regresso, mais de vinte homens com as suas
varas de apoio, a passada ensaiada ao ritmo da filarmónica, os movimentos em
forma de pendulo a fazerem oscilar o andor, a Santa virada de costas para a
entrada do templo, o adro cheio dos fiéis, dos peregrinos, e então a bênção, um
lençol de lágrimas, três vivas à Senhora das Dores.
José Carlos Barros em Os Filhos de Monte Gordo
Cartas
1ª
Série
Antero
de Quental
Prefacio:
António Sérgio
Edição
de Couto Martins, Lisboa, 1957
Agradeço-lhe
muito os seus artigos no Jornal
do Comércio, e creia V. Exª que o não
faço só por civilidade, ainda que não é coisa que se deva desdenhar par le
temps qui court. Não lhe direi que me
agradaram os seus artigos, porque isso é o menos; dir-lhe-ei que me comoveram.
Há neles uma sinceridade que me encantou, e um tom fraternal que me foi direito
ao coração, onde quero que não morra nunca a vibração dessas palavras amigas.
De uma carta a Maria Amália Vaz de Carvalho
Por algum motivo as lágrimas descem
até à boca.
Mastiga-se o sabor, entra
no sangue o sal,
em vida se transforma, é
sulco que a dor abre, fertiliza,
aberta linha de semeadura onde
poderá surgir um bosque,
uma cidade, uma justiça…
É o gosto da dor
que vitaliza, acende o palpitar
no coração que sobe à superfície.
Descem até à boca
por algum motivo as lágrimas.
Egito Gonçalves em O Fósforo na Palha
Durante a Ditadura salazarista/marcelista a censura, por ignorância, por maldade pura e dura, foi aplicada nas coisas mais incríveis.
Legenda: recorte tirado de Os Beatles e a Censura em Portugal
1.
Contratações
acima dos 50 anos são raras nas grandes empresas. O mercado fecha as portas aos
trabalhadores seniores e menos de 5% dos contratados têm mais de 50 anos.
2.
O CDS está em
congresso. Ter-se agarrado à AD foi uma débil possibilidade de sobrevivência.
3.
Na Grã-Bretanha o rei disse ao povo que «um mundo cada vez mais perigoso e volátil ameaça o Reino Unido».
A propósito, lembra-se a frase de Rimbaud que Patti Smith colocou, como epígrafe, em «O Ano do Macaco»
«Abate-se sobre o mundo uma loucura fatal.»
4.
Por causa da
guerra Estados Unidos/Irão a crise mundial aumenta. Por aqui, a crise dos fertilizantes
agrava os custos na agricultura e pressiona o preço do cabaz alimentar. Segundo
a DECO aumentou 7,68% entre 14 de Janeiro e 13 de Maio.
5.
O Escrito na Pedra do Público de hoje apresenta uma frase de S. Chamfort, poeta, jornalista, humorista e moralista francês:
«A sociedade
é composta por duas grandes classes: aqueles que têm mais jantares que apetite
e os que têm mais apetite que jantares».
Um dos
patrões da Aida dizia-lhe que só há duas vidas: uma é boa, a outra não presta.
6.
Dados da
APAV, que presta apoio às vítimas, revelam que agressões de pais a filhos
aumentaram 40% e a maioria das vítimas são mulheres com 65 anos ou mais anos.
7.
Pedro Garcias na sua crónica de hoje no Fugas/Público:
«Luís Montenegro não consegue falar sem sorrir, pelo que de certeza nem ele acredita no que diz, que o país está muito bem, que o mundo nos admira e elogia e que este Governo vai ficar na história».
Pé
ante pé, estamos a chegar aos Santos Populares.
Tempo de festa, tempo de fogueiras, tempo de cheiros: bailaricos, sardinhas assadas, iscas, bifanas, manjericos, caldo verde, sangrias, cheiro e mais cheiros.
Lisboa já tem Sol mas cheira a Lua
Quando nasce a madrugada sorrateira
E o primeiro elétrico da rua
Faz coro com as chinelas da Ribeira
Se chove cheira a terra prometida
Procissões têm o cheiro a rosmaninho
Nas tascas da viela mais escondidas
Cheira a iscas com elas e a vinho
Um cravo numa água furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa
Uma rosa a florir na tapada
Cheira bem, cheira a Lisboa
A fragata que se ergue na proa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiros de flores e de mar
Lisboa cheira aos cafés do Rossio
E o fado cheira sempre a solidão
Cheira a castanha assada se está frio
Cheira a fruta madura quando é verão
Nos lábios tem um cheiro de um sorriso
Manjerico tem cheiro de cantigas
E os rapazes perdem o juízo
Quando lhes dá o cheiro a raparigas
Um cravo numa água furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa
Uma rosa a florir na tapada
Cheira bem, cheira a Lisboa
A fragata que se ergue na proa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiros de flores e de mar
Comprei ontem o primeiro manjerico no Pingo Doce.
Custou-me 1,29 euros, vaso de plástico,
folha grossa.
Há uns anos, também no Pingo Doce, o
majerico custou-me 0,95 euros.
Mas a guerra faz aumentar tudo, tudo, tudo.
Em outros tempos, o Largo de Camões, o
Martim Moniz, o Rossio, enchiam-se de pequenas barracas com montanhas de
manjericos em prateleiras. Pediam um preço, o freguês virava costas e elas
marchavam atrás e em cada passo desciam o preço.
Hoje, os manjericos vendem-se no Pingo Doce,
não sei se em mais alguma grande superfície. Também os encontramos nas
floristas, mas pedem em balúrdio.
Cheguei a comprar sementes de manjerico, mas
não deram em nada.
Dum velho Fugas do Público, deixo-vos
cuidados a ter com os manjericos.
No dia 9 de Dezembro de 2025, Clara Pinto Correia é encontrada morta pela sua empregada doméstica, na casa em Estremoz, para onde se havia mudado há alguns anos.
O que tinha
para dizer?
Que, pelo ano
de 1987, olhando as críticas, comprei o policial Adeus, Princesa, e
recordo-me que me diverti à brava.
Pelo meio,
soube, vagamente, da paixão assolapada que Clara Pinto Correia manteve
com António Mega Ferreira, que deu em casamento.
Era uma das
mulheres mais belas de Lisboa.
Também,
vagamente, soube, algures, de ter sido acusada de plágio relativamente a um
artigo publicado na revista Visão.
Pouco mais
vim a saber sobre Clara Pinto Correia até ter aparecido morta na sua casa de
Estremoz.
Escritora,
jornalista, professora universitária, bióloga e divulgadora e uma vida em que o
mistério, as sombras a envolveram.
Adeus Princesa foi publicado quando tinha 25 anos e marcou
um tempo.
Sabia que o
livro existia na Biblioteca da Casa mas por mero capricho, ou qualquer
outra cousa, tardei em encontrá-lo e acabei por o reler.
Sorri, mas
não me diverti tanto como na primeira leitura.
É natural…
mais que natural…
Não se sabem
os motivos da morte mas lembro-me de ter lido sobre depressão, vícios,
isolamento, problemas financeiros, traumas pessoais derivados dos amigos que a
abandonaram.
A eterna
solidão que, por vezes, invade os artistas, e não só…
Recordo
sempre, ou quase sempre, Tomás da bolandeira no romance Vidas
Secas de Graciliano Ramos, quando Fabiano muitas vezes dissera:
- “Seu Tomás, vossemecê não regula. Para quê tanto papel? Quando a desgraça chegar, seu Tomás se estrepa, igualzinho aos outros”.