domingo, 13 de julho de 2025
quinta-feira, 26 de junho de 2025
NÃO ENTRES DOCILMENTE NESSA NOITE SERENA
Não entres docilmente nessa noite
serena,
porque a velhice deveria arder e delirar no termo do dia;
odeia, odeia a luz que começa a morrer.
No fim, ainda que os sábios aceitem as
trevas,
porque se esgotou o raio nas suas palavras, eles
não entram docilmente nessa noite serena.
Homens bons que clamaram, ao passar a
última onda, como podia
o brilho das suas frágeis ações ter dançado na baia verde,
odiai, odiai a luz que começa a morrer.
E os loucos que colheram e cantaram o
vôo do sol
e aprenderam, muito tarde, como o feriram no seu caminho,
não entram docilmente nessa noite serena.
Junto da morte, homens graves que vedes
com um olhar que cega
quanto os olhos cegos fulgiriam como meteoros e seriam alegres,
odiai, odiai a luz que começa a morrer.
E de longe, meu pai, peço-te que nessa
altura sombria
venhas beijar ou amaldiçoar-me com as tuas cruéis lágrimas.
Não entres docilmente nessa noite serena.
Odeia, odeia a luz que começa a morrer.
Dylan Thomas
Tradução: Fernando Guimarães
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024
OLHAR AS CAPAS
As Palavras da Tribo
Antologia pessoal de poemas dos autores
Fernando Guimarães
Mário Cláudio
Nuno Júdice
Pedro Tamen
Desenhos de José Guimarães
Quetzal, Lisboa 1985
Não tenho para ti
quotidiano
mais que a polpa seca ou vento grosso,
ter existido e existir ainda,
querer a mais a mola que tu sejas,
saber que te conheço e vai chegar
a mão rasa de lona para amar.
Não tenho braço livre mais que olhar
para ele, e o que faz que tu não queiras.
Tenho um tremido leito em vala aberta,
olhos maduros, cartas e certezas.
Neste comboio longo, surdo e quente,
vou lá ao fundo, marco o Ocupado.
Penso em ti, meu amor, em qualquer lado.
Batem-me à porta e digo que está gente.
Poema de Pedro Tamen.
domingo, 28 de janeiro de 2024
OLHAR AS CAPAS
Jorge de Sena Vinte Anos Depois
Edições Cosmos, Lisboa, Março de 2001
Colaborações, entre outros:
Joaquim-Francisco Coelho, Almeida Faria, Fernando Guimarães, João Rui de Sousa, Eugénia Vasquies, Luís Francisco Rebello, Jorge Fazenda Lourenço, Eugénio Lisboa, José-Augusto França.
«À morte de Jorge
de Sena, em 1979, fiz uma aula de História da Arte na minha Universidade, com a
leitura deste poemas, uns atrás dos outros, e projecção das obras referidas – e
foi, assim somente, uma lição com certeza
mais útil do que todas as mais que dei
na minha cadeira. Pela emoção intelectual e sensitiva que nenhum outro poeta português
poderia assim provocar, em conhecimento vivido ou convivido, de obras de arte
ao longo de mais de dois mil anos…»
Do texto de José Augusto França.
sexta-feira, 15 de novembro de 2019
MORTE
é a mais pesada. Havemos de esperar
por ela. Acolhemo-la e nada
podia ser tão nosso. Compreendemos
que no seu interior talvez exista
a última seiva, o rumor de outra
germinação para que fique
junto dela. Descai silenciosa
e devagar. A terra é o nosso corpo.
Fernando Guimarães em Resumo: a poesia em 2010

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