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segunda-feira, 20 de julho de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO

A extrema-direita nunca gostou de Luís Neves, o ministro da Administração Interna.

O jornalismo de sargeta, que a apoia, tem vindo a cozinhar o caldo habitual que, nestas circunstâncias, pratica e onde há de tudo.

O presidente daquela coisa, com o seu costumaz timbre histérico, escreveu ao primeiro-ministro exigindo a demissão imediata de Luís Neves e mais um par de botas.

Diga-se que, vá lá saber-se porquê, que o ministro se colocou a jeito.

O ruidoso silêncio que passou a praticar, de modo algum lhe é favorável.

Teremos que esperar as cenas dos próximos capítulos, como o bom senso aconselha!... 

domingo, 28 de junho de 2026

SOLTAS

De blogue em blogue, encontro no Bicho Ruim a fotografia e a respectiva legenda:

«A capa de hoje d' O Diabo foi feita de propósito para os arquivos Ephemera. O José Pacheco Pereira deve andar aos pulos de contente.»

1.

Faturação dos hospitais privados cresce para valor recorde em 2025: 2 790 milhões de euros.

2.

Lido em Página Um

«Luís Delgado tentou travar um novo processo na Justiça por dívidas da Trust in News ao Fisco, mas apenas conseguiu adiar o inevitável. Os três gerentes da dona da Visão vão, de novo, sentar-se no banco dos réus e arriscam ser condenados a pena de prisão efectiva. Em causa, uma dívida de 1,2 milhões de euros em prestações de IVA não entregues às Finanças entre 2021 e 2023.»

3.

Actualmente a esperança de vida à nascença em Portugal é de 81,8 anos, um aumento de 1,28 anos na última década,

 4.

A Meo solicitou ao Governo o estatuto de empresa em reestruturação, um passo que facilita a rescisão de contratos com os trabalhadores, já que permite ir além das quotas legalmente previstas nas saídas por mútuo acordo com atribuição de subsídio de desemprego. O estatuto foi concedido até ao fim deste mês e a empresa conta fechar 1200 saídas por via de acordo até ao fim do ano.

5.

Julian Barnes olha para o fim da vida com a serenidade de quem se cumpriu – “Pisei todas as massas de terra firme, exceto as congeladas. Por isso, prefiro voltar a vaguear pelas vilas e cidades europeias, observar o mar a partir da segurança de uma esplanada e as montanhas nevadas de uma distância em que não sinta frio” – e, por isso, recusa a derrota: “o obituário “Morreu depois de uma prolongada e corajosa luta contra o cancro” deveria ser substituído por “Morreu depois de uma prolongada e corajosa luta que o cancro manteve com ele”.

sábado, 13 de junho de 2026

A PROVA DE QUE O RIDÍCULO NÃO MATA


«Esta imagem é uma imitação das que Trump publica todos os dias e em que se apresenta com diferentes trajes e posturas, desde Jesus Cristo ao Capitão América. Se vivêssemos num mundo normal, o narcisismo patológico de Trump já o teria levado a ser internado numa instituição para doentes mentais. O homem mais poderoso do mundo está louco, certificado por muitos médicos e psiquiatras, e a sua loucura tem aberto um caminho perigoso para tornar os EUA uma ditadura, e dado origem a muitas mortes, destruição de vidas e famílias, invasões, vinganças, ameaças e uma perturbação mundial dos equilíbrios geoestratégicos sem qualquer ideia de fundo, mas apenas caos e errância. O pior retrato dos anos que vivemos é esse homem poder continuar a estragar as poucas coisas que as democracias e o primado da lei e do direito tinham adquirido, poucas coisas, mas raras e boas, no meio de um mundo que já era, em si mesmo, muito mau. Trump valorizou todas as coisas más e está a destruir as boas.

André Ventura é o nosso discípulo de Trump. Tem muito de comum com Trump, a violência, a crueldade, o conteúdo vingativo contra os mais fracos, o combate à empatia, nos dias de hoje, um programa anticristão, criticado com severidade pelos bispos portugueses e pelos Papas. O “Deus” da legenda no cavalo é mais o do Jeová do Antigo Testamento e menos o de Cristo no Novo, ou melhor ainda não é Deus nenhum, porque o “Deus” é o que está a montar o cavalo.

O título que dei a este artigo, a prova de que o ridículo não mata, aplica-se à letra. Para além da enorme prosápia, tudo está errado nesta imagem. O grande anacronismo é obviamente a bandeira jacobina, que, mesmo sendo a nossa bandeira nacional, tem uma história e um conteúdo totalmente incongruentes com o cavaleiro e cavalo, as duas imagens mais fortes. Convém lembrar que, quando a República escolheu a actual bandeira, muitos republicanos e monárquicos ficaram furiosos pelo abandono do branco e azul. Não tenho nenhuma dúvida de que, se esse debate fosse hoje, Ventura estaria com os monárquicos contra a bandeira “ideológica” da República.
 
Compreende-se, a actual bandeira nacional recupera a bandeira revolucionária do 31 de Janeiro e do 5 de Outubro, com origem na Carbonária, escolhendo o verde, a “cor que, segundo Augusto Comte, mais convém aos homens do porvir”, como se diz no relatório oficial da bandeira. Comte e o positivismo, Carbonária, República revolucionária, pouco têm que ver com o “Deus, Pátria e Família" e com o programa político do cavaleiro medieval que a segura. Na verdade, valia mais usar a bandeira da Mocidade Portuguesa.

Como a imagem foi feita com inteligência artificial e ninguém tinha a cultura mínima para a rever, os erros abundam. O castelo de fundo nada tem que ver com os castelos medievais, mas sim com os pastiches românticos que vão desde Sintra à Penitenciária de Lisboa. Mas, na verdade, a ideia dos pastiches, se calhar, tem todo o sentido. A procissão que aparece ao lado tem também anacronismos semelhantes. Liderada pela bandeira jacobina, atrás vão as cruzes. Pode ser liberdade poético-política, mas estas falsificações têm um significado.

O “Deus, Pátria e Família” também tem uma história maldita e de novo convém lembrar que os mais recentes Papas criticaram essa trilogia, a começar por Bento XVI, falando da “Família” como sendo a “família universal”, ou seja, ciganos, monhés, banglas, etc., acima do nacionalismo.

Mas é Salazar a sua inspiração, como se vê nesta imagem, toda ela um programa: homem a regressar do trabalho no campo, a mulher a cozinhar, o filho vestido da Mocidade Portuguesa e a cómoda com um pequeno altar. Este é o mundo imaginário do Chega e de Ventura, e mais valia admiti-lo na sua inspiração salazarista sem rodeios.

Quanto ao significado do conjunto da imagem de Ventura, tenho mais sugestões para novas imagens: D. Miguel, um Inquisidor, Salazar, Silva Pais, e muitos outros, dos protagonistas da ditadura aos Integralistas Lusitanos, os cavaleiros da Monarquia do Norte, etc., etc. Hesitei em sugerir Miguel de Vasconcelos, em parte uma provocação que não vale a pena, mas por outro lado mais certeira, porque Miguel de Vasconcelos era um patriota dos espanhóis, e Ventura e o Chega são patriotas dos americanos de Trump e fecharam os olhos à nossa soberania teórica da base das Lajes.

O que isto tudo revela é que esta política do cavaleiro branco vai ao mais fundo da nossa ignorância e que, se Ventura quer fazer de cavaleiro medieval, talvez se arranje uma máquina de viajar no tempo para o enviar para o século XIV, uma época, apesar de tudo, complicada pelas jacqueries que não gostavam deste tipo de cenas. Essa máquina chama-se crítica política, voto e primado da lei, democracia.»

José Pacheco Pereira no Público de hoje.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


 Metem medo, estes nossos políticos. Dá-se-lhes a confiança e o voto na melhor boa fé, e quando esperamos deles uma palavra de clarividência, fruto de um pensamento amadurecido no conhecimento das realidades pátrias, roem-nos a corda. Sobem a uma tribuna e deixam-nos boquiabertos com os repentismos de uma demagogia desmiolada. Em vez de serem os enviados redentores em que acreditamos, parecem pragas de Deus.

Miguel Torga em Diário Vol. XIII

quarta-feira, 3 de junho de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO


O PSD vai-se atolando.

Num repente, tentando o desespero de ver o pacote laboral aprovado na Assembleia da República, abraçou-se, mais uma vez, «aquela coisa», para adiar, até 30 de Dezembro, a entrega de projetos de revisão da Constituição.

Entretanto, Luís Montenegro disse “não fazer ideia” de qual será a adesão à greve geral de hoje, mas tem a convicção de que “a grande maioria, a esmagadora maioria dos portugueses que trabalha, vai trabalhar amanhã

Montenegro acrescentou que, muitas vezes, o que acontece é que uma minoria consegue condicionar o trabalho dos outros. "Eu espero que isso não aconteça, espero que se conciliem as duas coisas, que é, uns têm o direito a exercer o direito à greve e fazem-no, outros têm o direito a trabalhar e também o possam fazer", vaticinou.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

SOLTAS


SOLTAS DESTA QUINTA-FEIRA


Hoje, foi Dia da Espiga.

Festa da tradição pagã, também festa religiosa, designada como Quinta-Feira da Ascensão, que é o 40º dia a partir da celebração da Páscoa.

Em alguns lugares do país, hoje é feriado local, tradição de outros tempos em que se ia para os campos, apanhar a espiga, bailaricos, merendar, aquele pic-nic de burguesas em que o encanto supremo da merenda foi um apanhar de papoilas num granzoal, seios como duas rolas saindo do ramalhete rubro das papoilas, tal como Cesário Verde deixou desenhado.

As mulheres que vendiam ramos de espiga pela cidade, já lhe colocam outros adornos, mas o verdadeiro ramo de espiga, aquele que a minha avó pendurava atrás da porta da cozinha, para dar sorte, tinha uma espiga de trigo (pão), malmequeres (ouro e prata), papoilas (amor e vida), um ramo de oliveira (azeite e paz), um esgalho de videira (vinho e alegria), alecrim (saúde e força).

Diz-se (ainda se diz?) que o ramo da espiga deve ser guardado em casa e “não deve ser perturbado na sua quietude, sendo substituído apenas no ano seguinte por outro igual mas mais viçoso”.

1.

O presidente daquela coisa está disponível para negociar a proposta laboral, Luís Montenegro, que no dia 13 foi a Fátima, também está disponível para tudo.

Quanto ao Partido Socialista quer conhecer a proposta mas não se mostra disponível para discussões.

2.

Comida ficou mais cara agora do que no início da guerra da Ucrânia.

Em Fevereiro de 2022, Rússia invadiu a Ucrânia. Em janeiro e Abril desse ano, o aumento dos preços de alimentos frescos e essenciais foi de 5,7%. Agora, já vai em 7%.

3.

Rui Manuel Amaral leu no jornal que os assessores mais próximos do presidente norte-americano evitam dar-lhe informações negativas sobre as campanhas militares porque «o Presidente detesta más notícias».

4.

Xi Jinping ,apesar dos muitos sorrisos, avisou Donald Trump de que Taiwan, que reivindica como parte do seu território, pode estragar as relações entre os dois países.

  5.

Cuba anuncia esgotamento das reservas de combustível e pede ajuda.

“Não temos absolutamente nenhuma gasolina nem de gasóleo. Já não temos reservas”, declarou o ministro da Energia e Minas, Vicente de la O Levy.


SOLTAS DE OUTROS DIAS


1.

O valor da água que é anualmente desperdiçada em Portugal devido a rupturas, fugas ou avarias é de cerca de 158 milhões de euros por ano.

2.

Segundo a Pordata quase 40% dos trabalhadores portugueses com menos de 30 anos têm contratos temporários, colocando o país como o quarto com maior precariedade jovem na União Europeia.

3.

Em 10 anos, a venda de antidepressivos e antipsicóticos cresceu respectivamente 82% e 72%. Em 2025 foram dispensadas por dia, em Portugal continental, cerca de 80 mil embalagens de psicofármacos, totalizando quase 29,4 milhões, o valor mais elevado da última década, com encargos do SNS a rondar os 152 milhões de euros.

4.

 “A Democracia deixa viver os amigos de Ventura e do Chega. Não é certo que os amigos de Ventura deixassem viver as esquerdas e os democratas”

António Barreto, no Público.

5.

«Quando Maria Antonieta se irritou com o povo faminto que pedia pão e o mandou comer brioche, inaugurava uma condição a que o futuro chamaria 'não saber ler a sala'. Não percebeu a brisa a tornar-se vento, nem que o aroma do ar dos tempos era já mais acre do que rosa. »

Rodrigo Guedes de Carvalho

6.

Indignados, católicos acusam bispos de “desastre” no tratamento das vítimas de abuso
Cerca de 70 católicos, das mais diferentes dioceses do país, assinaram uma carta aberta manifestando “perplexidade e indignação” pela forma como a Igreja Católica em Portugal, e em particular a Conferência Episcopal Portuguesa, tem lidado com toda a situação dos abusos sexuais. Contestam a linguagem utilizada, a forma como o processo de compensações foi dirigido e o modo como os bispos decidiram reduzir os valores a atribuir às vítimas. “Um desastre”, dizem, acusando os bispos de “falta de empatia”. Prometem que não se vão calar.

sábado, 25 de abril de 2026

COMEMORAR A "REVOLUÇÂO MISERÁVEL"


 O 25 de Abril, “essa revolução miserável”

André Ventura


«Cada pessoa na rua hoje vai mais do que comemorar, resistir. Resistir a quê? À manipulação da memória da revolução do 25 de Abril, à cuidadosa transformação da guerra colonial numa designação geográfica, a “guerra da África”, ou na “guerra no Ultramar”, a comparações absurdas entre abusos pontuais e muitos milhares de actos de violência e humilhação dia após dia, ano após ano, que duraram 48 anos. Já para não falar dos massacres, execuções sumárias, “heróis” assassinos que se especializaram em atirar granadas incendiárias contra mulheres e crianças.

Resistir a quê? Ao Chega. As manifestações do 25 de Abril este ano serão contra o Chega, contra o novo ambiente político de crueldade e agressão, e contra o ataque à “revolução miserável” feito por aqueles que gostavam da ditadura e das suas violências, por uma série de motivos, nenhum nobre e que esconderam pela censura, corrupção e prepotências quotidianas.»

José Pacheco Pereira no Público

quarta-feira, 15 de abril de 2026

À LUPA

«A propósito do absurdo momento televisivo entre Pacheco Pereira e André Ventura, tem sido recordada a recomendação de George Bernard Shaw: não se deve lutar com um porco, pois enquanto este gosta, quem entra na peleja fica inapelavelmente enlameado. Infelizmente, já estamos num tempo diferente, no qual a sujidade se expande em ondas incontroláveis, que nos envolvem a todos. A explicação está num equívoco sobre o que é ser democrático.»

Pedro Adão e Silva no Público

segunda-feira, 6 de abril de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO

José Pacheco Pereira, ontem, no programa Princípio da Incerteza na CNN, abordando o lamentável discurso do presidente «daquela coisa», por ocasião do 50º Aniversário da Constituição de Abril, acusou André Ventura de recorrer a “todas as formas de mentira” - desde a falsidade direta à omissão e à sugestão enganosa -, rejeitando a ideia de que o discurso possa passar sem resposta.

“Eu tenho uma regra que é um insulto não se leva para casa, que é uma regra básica e como gosto do meu país e gosto de Portugal, não gosto, evidentemente, das pessoas que são moles. E o insulto aqui é de todas as pessoas que lutaram contra a ditadura antes do 25 de abril. Na intervenção do André Ventura, ele utilizou todas as formas de mentira”, afirmou.

Ao mesmo tempo lançou um repto a André Ventura:

«Organizemos um debate sobre estas coisas com as seguintes características. Duas eu acho fundamentais. Um debate dura pelo menos uma hora e a segunda é que cada afirmação que cada um de nós faça tem que ser documentada. Tem que ser documentada, porque não adianta estar a vir com coisas. Se eu disser que morreu este por causa daquilo, eu documento. Se eu disser que a violência nas colónias tem estas características, eu documento. E a mesma coisa espero que o André Ventura faça. Claro que havia uma outra regra que valorizava, eu termino já, que valorizava no fundo o debate, que era que não houvesse ataques pessoais, mas eu aceitarei essa regra se o André Ventura aceitar igualmente esta regra".

Muitos e variados são os que ajudaram «aquela coisa» ao que despudoradamente são. 

Alexandra Leitão, no mesmo programa da CNN:

«O Chega nem sequer mente ao que vem. Querem acabar com o regime que saiu do 25 de Abril e que está hoje consagrado na nossa Constituição. Querem outro regime e querem outra Constituição. E, portanto, é nestas três linhas que se insere o discurso e quebrando até um consenso que havia relativamente à Constituição de 76. Claro, teve sete revisões constitucionais, todas elas melhoraram o texto constitucional, é evidente que a revisão constitucional de 82 foi fundamental para por fim há aquele período transitório com o Conselho da Revolução. Isso é tudo verdade. Mas até o CDS, que agora se radicalizou para ser uma espécie de Chega 2, mas até o CDS sempre teve, sempre viveu neste regime, sem pôr em causa a Constituição de 76, apesar de originalmente ter votado contra ela. Agora é que se radicalizou a achar que a receita do Chega lhes vai servir a eles também. E quebram este consenso em torno da Constituição em nome da criação de uma quarta república, que eu duvido muito que se for algo gizado pelo Chega seja uma república democrática. Duvido muito".»

Muitos e variados são os que ajudaram «aquela coisa» ao que despudoradamente

são.»

Ficamos à espera, sem muita esperança, que resposta o presidente «daquela coisa»

irá dar!

domingo, 22 de março de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO

A anterior passagem de Carlos Moedas pela presidência da Câmara Municipal de Lisboa foi um desastre.

Contudo, nas últimas autárquicas, teve os votos suficientes para voltar a ganhar, de novo sem maioria, a Câmara.

De repente, qual passe de mágica, tratou de ter essa maioria, angariando uma vereadora que se tinha desvinculado «daquela coisa».

Neste momento, a presidência de Carlos Moedas está a entrar num caos, mas ele assobia para o lado.

Como chegámos a isto?

Somos obstinadamente atrasados, incultos e incapazes  há muito de nos governar.

sexta-feira, 13 de março de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO


No topo do lado esquerdo da 1ª página do Público de hoje, pode ler-se que Rita Rato foi afastada da direcção do Museu do Aljube. Um dia antes ficámos a saber que Franscisco Frazão não ficava à frente do Teatro do Bairro Alto.

Já se conhecem os nomes para os lugares: Miguel Loureiro assume Teatro do Bairro Alto, Anabela Valente dirigirá Museu do Aljube. Miguel Loureiro, director do São Luiz, acumulará funções no Teatro do Bairro Alto, Anabela Valente, líder da maçonaria feminina, promete continuidade no Aljube.

Carlos Moedas, como o outro, quando lhe falam de cultura, puxa logo da pistola e nesse entendimento teremos que chamar os bois pelos nomes e adiantar que Moedas, para além dos compadrios vários,  com «aquela coisa», para obter maioria na Câmara, começa agora a realizar saneamentos políticos.

sábado, 7 de março de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO

A semana, prestes a terminar, foi marcada pela loucura trumpiana, pela tentativa do passismo, não se sabe bem como, a morte física de António Lobo Antunes, sim porque os livros estão ali, naquela parte da estante, apenas à espera de serem relidos uns, lidos outros.

Sobre o passismo deverá ler-se o artigo de José Pacheco Pereira no Público de hoje.

«Seria bom que Passos desse passos para entrar a todo o vapor na política partidária de uma forma mais transparente do que o alimento cínico do sebastianismo».

Atente-se nesta frase que marca os nossos dias:

«O bloqueio do elevador social em Portugal, como noutros países da Europa, foi um dos factores do ascenso do populismo e da extrema-direita».

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO

Copiado do Público:


«Luís Neves tomou posse como novo ministro da Administração Interna e prometeu abraçar “todas as propostas positivas” que lhe cheguem. Tendo deixado a Polícia Judiciária (PJ) a poucos meses de concluir o seu terceiro mandato como director nacional, o novo ministro afasta quaisquer “reservas” quanto a esta transição e explica ter sentido o apelo para “abraçar este novo projecto”.
No final da cerimónia, que decorreu no Palácio de Belém, Luís Neves foi questionado sobre o seu papel na PJ na investigação ao dossier Spinumviva e à construção da casa de Espinho de Luís Montenegro, apressando-se a afastar qualquer conflito relacionado com o seu passado na investigação criminal: “O director nacional não investiga ninguém. O papel de um director nacional é organizar e prover meios para a instituição.”».

Finalmente, um primeiro-ministro deste país, não recolhe à tralha partidária para colocar no cargo de primeiro-ministro um independente. Claro que esta história dos independentes tem o que se lhe diga mas é a vida, como diria o engenheiro.

Sabe-se que Luís Neves não alinha na narrativa da insegurança com os imigrantes e o presidente «daquela coisa» já declarou aos adeptos que vai estar muito a tento, podem contar com ele. Pois então!...





 


domingo, 22 de fevereiro de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO

«Os pontos de contacto entre dirigentes, candidatos, autarcas e membros do Chega e o grupo neonazi 1143 não são uma ficção ou simples coincidências. Estão amplamente documentados na investigação de Miguel Carvalho que o PÚBLICO publica este domingo e que mostra a facilidade com que militantes do Chega apoiam a ideologia neonazi e as causas do grupo liderado por Mário Machado.
Relações perigosas entre Chega e 1143
Durante a campanha eleitoral para as presidenciais e perante a detenção de 37 membros do 1143 por associação criminosa e incitamento ao ódio e à violência, André Ventura disse desconhecer ligações de pessoas do seu partido ao grupo de Mário Machado, mas nunca chegou a condenar a natureza daquela organização. Limitou-se a dizer que “o Chega tornou-se um partido muito grande, com muitos militantes de todos os quadrantes e, como em todos, há situações que não são as melhores”
Estas novas acusações, a que o Chega não quis responder, são também elas graves, pois indiciam a eventual instrumentalização partidária de um movimento extremista e mesmo financiamento ilegal numa das maiores estruturas do partido. Não é um pormenor que o líder do maior partido da oposição possa ignorar.»


Do editorial do Público de hoje assinado por Helena Pereira.

Legenda: título da 1ª página do Público de hoje.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

À LUPA

«Ventura ganhou nos países onde a emigração “é menos qualificada”, Seguro nos novos destinos

Tirando o caso da Alemanha, Ventura ganha nos destinos mais tradicionais, como França, Luxemburgo ou Suíça, que são os países onde a emigração portuguesa continua a ser menos qualificada.»

Rui Pena Pires, investigador, no Público 10 de Fevereiro

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

À LUPA


 O debate de ontem nas televisões ajudou a concluir que o presidente «daquela coisa» não é flor que se cheire e que não basta António José Seguro vencer a 2ª volta das presidenciais, é muito importante que ninguém fique em casa e demonstre nas urnas que «aquela coisa» não pode continuar a ofender, a criar cenas de ódio, a desestabilizar um país, já em si tão frágil.

É importante reconhecer, apesar de tudo, a importância do momento que vivemos, representa a necessidade de lutar para que as a esperança em tempos melhores não morra de vez.

Tal como se pode ler na Antologia do Esquecimento:

«Ventura acha que está no caminho certo porque estão todos contra ele. Na verdade, não estão todos contra ele. Mais de 1 milhão de palermas votaram nele. Ele próprio, nas eleições anteriores em que foi candidato, todas e mais algumas, tem vindo a gabar-se de arrasar com este e com aquele porque os portugueses estão do seu lado. Ora, há nesta lógica propagandística uma contradição que não é de admirar. Ventura diz e desdiz a cada hora que passa. O que me parece interessante, desde já, sublinhar é a importância de estarmos todos contra as pragas de ratos, independentemente do caminho que elas sigam. O discurso dos estão todos contra mim é ainda interessante por vir de um bully que passa a vida a estar contra tudo e todos, nomeadamente o PSD e PS, que ele faz equivaler em cartazes sobre corrupção, ou os ciganos, assim generalizados como se no interior da comunidade não houvesse tanta gente diferente. Ventura está constantemente a pôr-se no centro do mundo, as televisões ajudam. Também por isto é tão importante ir votar contra ele, para que finalmente ele perceba que os que estão com ele não são assim tantos como ele apregoa. O que está em causa nas próximas eleições não é a direita versus a esquerda, é indecência versus a decência, não é o socialismo versus as democracias liberais, é o respeito pela Constituição da República versus o desrespeito por uma Constituição que se pretende mudar para favorecer elites contra os direitos de todos, o que está em causa não é 52 anos de corrupção versus três Salazares para acabar com a mama, é a possibilidade de o país continuar a progredir versus um cheque em branco aos pardais das mamadas.»

domingo, 25 de janeiro de 2026

A TRANSFORMAÇÃO DE MONTENEGRO EM RÃ


 «Nessa altura, André Ventura ainda não tinha nascido e Luís Montenegro estava a entrar para a escola primária. Duas décadas e meia depois, o primeiro faz o que quer do segundo — goza-o, insulta-o, humilha-o, age como Trump com os seus críticos —, e, mesmo assim, o segundo anui e baixa a cabeça. Colocar o líder do Chega no mesmo plano de António José Seguro diz tudo sobre Montenegro. Nem sabe o que aí vem. Um dia, muito em breve, acorda, olha-se ao espelho e vê uma rã, acabada de ser engolida e cuspida por um Ventura de peito feito com a honrosa derrota que o espera na segunda volta das eleições presidenciais. Nem o PS lhe valerá, porque o líder socialista também acredita que o partido acaba de ressuscitar. Os passistas, esses, assistem de camarote, como escorpiões em pedra bolideira. Quando atacarem, depois de darem corda ao bicho, talvez já seja tarde até para eles.»

Pedro Garcias na crónica do Público de 24 de Janeiro

MÚSICA PELA MANHÃ

As gentes «daquela coisa, perigosamente, entraram num caminho que pretende fazer o regresso do país aos terríveis e negros tempos que vivemos antes do 25 de Abril.

«Na Assembleia Municipal de Lisboa de 13 de Janeiro de 2026, a deputada municipal do Chega, Margarida Bentes Penedo, demonstrou ter muitas, mesmo muitas, dúvidas sobre a linha artística do Teatro do Bairro Alto (TBA). Demonstrou também simpatizar com apenas um artista em Portugal, (o fadista João Braga), que gostaria de ver integrado na agenda cultural da cidade.»

Pedro Adão e Silva, hoje no Público, escreve que estas gentes, para além de outros atropelos, pretendem «Para defender a cultura diabolicamente nova
A premissa de que há uma "cultura de esquerda" que deve ser substituída por uma "cultura de direita" é perigosa. As políticas culturais devem garantir a variedade da oferta, sem interferência política nos conteúdos da programação; assegurar que há espaço para tudo e criar oportunidades para os artistas e as propostas emergentes. A cultura é um espaço de representação, mas também o lugar onde devemos esperar inovação. Sem essa margem para transgredir, as nossas sociedades ficam condenadas ao imobilismo.»

Uma sondagem da Universidade Católica mostra que, no próximo dia 8 e Fevereiro, António José Seguro obtém 70% de votos contra 30% do presidente «daquela coisa».

O perigo destes números é a existência de eleitores que poderão pensar que o vencedor está encontrado e já não será necessário ir votar.

Lembrar que a abstenção é uma atitude que, poderá não lhe dar a vitória, mas favorece os desígnios do presidente «daquela coisa».

Por isso, a música da manhã de hoje, leva-nos para o poema de  António Gedeão que deu uma canção de Manuel Freire.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO

 Segundo o jornal  Público o «Grupo 1143, classificado pela Polícia Judiciária como uma associação criminosa neonazi, terá realizado pelo menos um “treino de combate” no ano passado e um exercício no ano anterior em que os membros terão marchado com escudos antimotim. A cúpula do grupo, liderado por Mário Machado, teria a intenção de transformar a organização numa “milícia”.».

A frase de Mário de Carvalho, ontem, escolhida para o Postal Sem Selo: Não perceberão as pessoas que atravessamos um momento perigosíssimo?», tinha o propósito de vincar o perigo que a democracia portuguesa atravessa.

Mais ainda quando o presidente «daquela coisa», numa entrevista à RTP, não quis, não conseguiu, demarcar-se do apoio que os grupos neo-nazis lhe prestam: afirmou não os conhecer e disse ter afastado apenas os que "tinha de afastar".

Mais se adensa a ideia de que foi um enorme erro (?) o Tribunal Constitucional ter permitido a existência «desta coisa».