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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

BALADA DEL QUE NUNCA FUE A GRANADA



Qué lejos por mares, campos y montañas!
Ya otros soles miran mi cabeza cana.
Nunca fui a Granada.

Mi cabeza cana, los años perdidos.
Quiero hallar los viejos, borrados caminos.
Nunca vi Granada.

Dadle un ramo verde de luz a mi mano.
Una rienda corta y un galope largo.
Nunca entré en Granada.

¿Qué gente enemiga puebla sus adarves?
¿Quién los claros ecos libres de sus aires?
Nunca fui a Granada.

¿Quién hoy sus jardines aprisiona y pone
cadenas al habla de sus surtidores?
Nunca vi Granada.

Venid los que nunca fuisteis a Granada.
Hay sangre caída, sangre que me llama.
Nunca entré en Granada.

Hay sangre caída del mejor hermano.
Sangre por los mirtos y aguas de los patios.
Nunca fui a Granada.

Del mejor amigo, por los arrayanes.
Sangre por el Darro, por el Genil sangre.
Nunca vi Granada.

Si altas son las torres, el valor es alto.
Venid por montañas, por mares y campos.
Entraré en Granada.

Rafael Alberti

Música: Paco Ibañez

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

DA MINHA GALERIA


Um lindissimo concerto de Paco Ibáñez.
Comovente até às lágrimas.
Uma frase que Paco lembrou e que lhe foi dita pela sua filha Alice: se quiseres fechar o teu cérebro, abre a televisão!

domingo, 3 de fevereiro de 2013

SARAMAGUEANDO



Já há algum tempo esgotado, realiza-se hoje, na Fundação Calouste Gulbenkian, um concerto de Paco Ibáñez.

José Saramago, no 1º volume de O Caderno, publicou um texto sobre o cantor:

PACO

Ibañez, claro. A esta voz reconhecê-la-ia em qualquer circunstância e em qualquer lugar onde me afagasse os ouvidos. A esta voz conheço-a desde que, no princípio dos anos 70, um amigo me enviou de Paris um disco seu, um vinilo que o tempo e o progresso tecnológico puseram materialmente fora de moda, mas que guardo como um tesouro sem preço. Não exagero, para mim, naqueles anos ainda de opressão em Portugal, esse disco que me pareceu mágico, quase transcendente, trouxe-me o resplendor sonoro da melhor poesia espanhola e a voz (essa inconfundível voz de Paco) o veículo perfeito, o veículo por excelência da mais profunda fraternidade humana. Hoje, quando trabalhava na biblioteca, Pilar pôs-nos a ouvir a última gravação dos poetas andaluzes. Interrompi o que estava a escrever e entreguei-me ao prazer do momento e à recordação daquele inesquecível descobrimento. Com a idade (que alguma coisa há-de ter, e tem, de bom) a voz de Paco tem vindo a ganhar um aveludado particular, capacidades expressivas novas e uma calidez que chega ao coração. Amanhã, sábado, Paco Ibañez cantará em Argelès-sur-mer, na costa da Provença, em homenagem à memória dos republicanos espanhóis, entre eles seu pai, que ali sofreram tormentos, humilhações, maus tratos de todo o tipo, no campo de concentração montado pelas autoridades francesas. A douce France foi para eles tão amarga quanto o seria o pior dos inimigos. Que a voz de Paco possa pacificar o eco daqueles sofrimentos, que seja capaz de abrir caminhos de fraternidade autêntica no espírito daqueles que o escutem. Bem o necessitamos todos.


Legenda: Capa do LP publicado, em 1964, pela Polydor em que Paco Ibáñez canta poemas de Federico Garcia Lorca e Luis de Gongora.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Pelas 19,00 horas do próximo dia 3 de Fevereiro, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, Paco Ibáñez canta poetas latino-americanos.

Salvador Dali chamava-lhe "a mais espanhola das vozes". Mas nem por isso Paco Ibáñez, histórica figura do antifranquismo, deixou de querer cantar outras terras e outras vozes da língua castelhana. Aos 70 anos decidiu prestar homenagem a alguns dos poetas maiores da América Latina e, portanto, traz até nós e através do seu canto as palavras da ragentina Alfonsina Strorni, do peruano César Vallejo, do chileno Pablo Neruda, do cubano Nicólas Guillén e do nicaraguense Rubén Dario.

sábado, 10 de setembro de 2011

SARAMAGUEANDO


                                 


José Saramago em “O Caderno” Vol. I:

Ibañez, claro. A esta voz reconhecê-la-ia em qualquer circunstância e em qualquer lugar onde me afagasse os ouvidos. A esta voz conheço-a desde que, no princípio dos anos 70, um amigo me enviou de Paris um disco seu, um vinilo que o tempo e o progresso tecnológico puseram materialmente fora de moda, mas que guardo como um tesouro sem preço. Não exagero, para mim, naqueles anos ainda de opressão em Portugal, esse disco que me pareceu mágico, quase transcendente, trouxe-me o resplendor sonoro da melhor poesia espanhola e a voz (essa inconfundível voz de Paco) o veículo perfeito, o veículo por excelência da mais profunda fraternidade humana. Hoje, quando trabalhava na biblioteca, Pilar pôs-nos a ouvir a última gravação dos poetas andaluzes. Interrompi o que estava a escrever e entreguei-me ao prazer do momento e à recordação daquele inesquecível descobrimento. Com a idade (que alguma coisa há-de ter, e tem, de bom) a voz de Paco tem vindo a ganhar um aveludado particular, capacidades expressivas novas e uma calidez que chega ao coração. Amanhã, sábado, Paco Ibañez cantará em Argelès-sur-mer, na costa da Provença, em homenagem à memória dos republicanos espanhóis, entre eles seu pai, que ali sofreram tormentos, humilhações, maus tratos de todo o tipo, no campo de concentração montado pelas autoridades francesas. A douce France foi para eles tão amarga quanto o seria o pior dos inimigos. Que a voz de Paco possa pacificar o eco daqueles sofrimentos, que seja capaz de abrir caminhos de fraternidade autêntica no espírito daqueles que o escutem. Bem o necessitamos todos.