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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

SOLTAS


O Papa Leão XIV visitou a França e não esqueceu as vitimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero e pediu aos bispos franceses que continuem a trabalhar mantendo “a máxima vigilância” face ao flagelo dos abusos, durante uma reunião em Lourdes.

«Nos últimos anos, vocês enfrentaram com firmeza o doloroso flagelo do abuso de menores cometido por membros do clero ou no seio da Igreja. Tomaram medidas corajosas para a combater, através da escuta ativa, da busca da verdade, da justiça, do perdão, da reparação e de um firme compromisso com uma cultura de prevenção e proteção contra estes crimes.»

Em França, foram identificados aproximadamente 330.000 casos de abusos cometidos por membros do clero entre 1950 e 2020, de acordo com uma investigação de 2021, e pouco menos de 2.000 vítimas receberam uma indemnização por esses crimes.

Assim vai o clero, frouxo quase indiferente, face aos crimes praticados, seja onde for, pelos seus membros.

A atitude do clero português, face a este flagelo, nem é frouxa, nem indiferente:

É MISERÁVEL!

1.

 

Não esquecer nunca que a União Europeia, os Estados Unidos, outros mais, são cúmplices do genocídio que Netanyahu está a realizar em Gaza.

2.

Alguém terá que dizer a Cristiano Ronaldo, e Jorge Jesus não é rapaz indicado para isso, que está a aproximar-se de um fim de carreira sem ponta de glória.

Diz um leitor do Público:

« Ronaldo está a envelhecer muito mal. É preciso saber sair, é preciso saber carregar todos os records.Fazer figura de malcriado, reles, mimado e burgesso não é compatível com a sua ambição.Ronaldo precisa de contratar um gestor de carreira e de liderança para conseguir não estragar tudo o que alcançou. Pode cobrir-se de ouro, diamantes, pedras preciosas, jactos privados,iates, carros desportivos bimbos, tudo o que o dinheiro pode comprar, mas isso não esconde a ignorância, a soberba e falta de visão. Mais dignidade, gravitas e sabedoria, acorda Ronaldo, já bateste contra a parede.»

3.

Um estudo recente da Fundação Francisco Manuel dos Santos faz um levantamento  dos 507 ministros da democracia portuguesa, concluindo que quem  tem governado Portugal em democracia são sobretudo homens, com mais de 50 anos, que  pertencem a “elites políticas altamente profissionalizadas, nas quais a experiência partidária e a competência técnica se entrelaçam de forma estrutural; de acordo com o estudo, os governos portugueses estão a ficar mais velhos, mais qualificados e mais partidários e para entrarem no círculo do poder as mulheres precisam de mais estudos; outro dado: ser ministro em Portugal não é um emprego estável já que  a duração média no cargo é de um ano e meio, 19% dos membros do governo  não completam o mandato e quatro em cada dez saem devido a escândalos, pressões dos jornais ou contestação social.

4.

Portugal é o país da União Europeia (UE) onde mais pessoas bebem álcool diariamente. Quase um quinto da população (16%) ingere estas bebidas todos os dias, três vezes mais do que a média europeia. Os homens portugueses consomem o triplo das mulheres e 15,4% desta população está em risco de pobreza ou exclusão social.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

SOLTAS


SOLTAS DESTA QUINTA-FEIRA


Hoje, foi Dia da Espiga.

Festa da tradição pagã, também festa religiosa, designada como Quinta-Feira da Ascensão, que é o 40º dia a partir da celebração da Páscoa.

Em alguns lugares do país, hoje é feriado local, tradição de outros tempos em que se ia para os campos, apanhar a espiga, bailaricos, merendar, aquele pic-nic de burguesas em que o encanto supremo da merenda foi um apanhar de papoilas num granzoal, seios como duas rolas saindo do ramalhete rubro das papoilas, tal como Cesário Verde deixou desenhado.

As mulheres que vendiam ramos de espiga pela cidade, já lhe colocam outros adornos, mas o verdadeiro ramo de espiga, aquele que a minha avó pendurava atrás da porta da cozinha, para dar sorte, tinha uma espiga de trigo (pão), malmequeres (ouro e prata), papoilas (amor e vida), um ramo de oliveira (azeite e paz), um esgalho de videira (vinho e alegria), alecrim (saúde e força).

Diz-se (ainda se diz?) que o ramo da espiga deve ser guardado em casa e “não deve ser perturbado na sua quietude, sendo substituído apenas no ano seguinte por outro igual mas mais viçoso”.

1.

O presidente daquela coisa está disponível para negociar a proposta laboral, Luís Montenegro, que no dia 13 foi a Fátima, também está disponível para tudo.

Quanto ao Partido Socialista quer conhecer a proposta mas não se mostra disponível para discussões.

2.

Comida ficou mais cara agora do que no início da guerra da Ucrânia.

Em Fevereiro de 2022, Rússia invadiu a Ucrânia. Em janeiro e Abril desse ano, o aumento dos preços de alimentos frescos e essenciais foi de 5,7%. Agora, já vai em 7%.

3.

Rui Manuel Amaral leu no jornal que os assessores mais próximos do presidente norte-americano evitam dar-lhe informações negativas sobre as campanhas militares porque «o Presidente detesta más notícias».

4.

Xi Jinping ,apesar dos muitos sorrisos, avisou Donald Trump de que Taiwan, que reivindica como parte do seu território, pode estragar as relações entre os dois países.

  5.

Cuba anuncia esgotamento das reservas de combustível e pede ajuda.

“Não temos absolutamente nenhuma gasolina nem de gasóleo. Já não temos reservas”, declarou o ministro da Energia e Minas, Vicente de la O Levy.


SOLTAS DE OUTROS DIAS


1.

O valor da água que é anualmente desperdiçada em Portugal devido a rupturas, fugas ou avarias é de cerca de 158 milhões de euros por ano.

2.

Segundo a Pordata quase 40% dos trabalhadores portugueses com menos de 30 anos têm contratos temporários, colocando o país como o quarto com maior precariedade jovem na União Europeia.

3.

Em 10 anos, a venda de antidepressivos e antipsicóticos cresceu respectivamente 82% e 72%. Em 2025 foram dispensadas por dia, em Portugal continental, cerca de 80 mil embalagens de psicofármacos, totalizando quase 29,4 milhões, o valor mais elevado da última década, com encargos do SNS a rondar os 152 milhões de euros.

4.

 “A Democracia deixa viver os amigos de Ventura e do Chega. Não é certo que os amigos de Ventura deixassem viver as esquerdas e os democratas”

António Barreto, no Público.

5.

«Quando Maria Antonieta se irritou com o povo faminto que pedia pão e o mandou comer brioche, inaugurava uma condição a que o futuro chamaria 'não saber ler a sala'. Não percebeu a brisa a tornar-se vento, nem que o aroma do ar dos tempos era já mais acre do que rosa. »

Rodrigo Guedes de Carvalho

6.

Indignados, católicos acusam bispos de “desastre” no tratamento das vítimas de abuso
Cerca de 70 católicos, das mais diferentes dioceses do país, assinaram uma carta aberta manifestando “perplexidade e indignação” pela forma como a Igreja Católica em Portugal, e em particular a Conferência Episcopal Portuguesa, tem lidado com toda a situação dos abusos sexuais. Contestam a linguagem utilizada, a forma como o processo de compensações foi dirigido e o modo como os bispos decidiram reduzir os valores a atribuir às vítimas. “Um desastre”, dizem, acusando os bispos de “falta de empatia”. Prometem que não se vão calar.

sábado, 11 de abril de 2026

SOLTAS


Religiosamente, sou ateu.

Já por aqui contei a história:

Um dos livros herdados da biblioteca do meu pai, é um calhamaço, mais de 700 páginas, da Editorial Inquérito: A História das Religiões de Chantepie de la Saussaye.

Tinha os meus 17 anos, passei os olhos, apanhei o que consegui entender e, passados uns tempos, não lembro quanto tempo, comecei a ler o Albert Camus.

Quanto a religiões fiquei vacinado.

Respeito a fé, as crenças, tudo, de quem entenda a isso dedicar-se.

Gostaria que respeitassem o facto de não frequentar deuses, mas não acontece facilmente.

Só Deus sabe da tranquilidade do meu ateísmo e do respeito que tenho pela fé dos outros.

O que a igreja portuguesa está a fazer com as vítimas das sevícias dos padres é um nojo!

Leia-se o artigo de Susana Peralta no Público de 10 de Abril: «Generosa com abusadores, avara com vítimas».
“Se há um mal feito por alguém, é esse alguém que é responsável. É uma questão individual” – foram as palavras de José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), duas semanas depois de serem conhecidas as conclusões da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa (CI), coordenada por Pedro Strecht.

Ornelas errou; a Igreja, enquanto instituição, é cúmplice ativa dos crimes. Cito partes do Relatório da CI ao qual voltei nestes dias.

Em primeiro lugar, porque os crimes não são alheios ao ambiente religioso que os propicia. Quando a CI perguntava às vítimas “O que lhe dizia a pessoa abusadora para se aproximar de si?”, uma resposta comum era “Nada”. “Aparentemente redutor, este 'Nada' é bem revelador da perceção do 'direito/poder' que o adulto sente em relação à criança sobre a qual age sem que nada lhe seja devido verbalizar. (...) E é um 'nada' que assenta numa estrutura de poder e de domínio (...).” À pergunta “O que lhe dizia [o abusador] durante o abuso?”, uma resposta comum envolvia “a invocação verbal do (...) desígnio divino e a consequente necessidade de o mesmo ter de ser cumprido (...)”.

Em segundo lugar, porque os abusadores não agiram sozinhos. Uma vítima mulher (página 229) conta o abuso semanal por um padre, a partir dos 5 anos, no orfanato onde cresceu, “com a conivência das freiras”, que a levavam ao abusador quando ele a mandava chamar. Quando se queixou a uma freira, foi tratada de maluca e mentirosa e ficou três dias sem comer. Uma vítima do sexo masculino, na página 224: “Os outros padres nunca nos perguntaram porque faltávamos aos momentos de orientação espiritual — eu acho que, no fundo, sabiam, ou pelo menos desconfiavam [de] que algo estranho se passava.” Mais uma vítima, também homem (página 244), desta feita no hospital de uma ordem religiosa: “Havia um enfermeiro que se chamava Y e que ainda é vivo e que sabia de tudo. Outro auxiliar V também dizia umas coisas tipo: 'cuidado com os padres e com as festas [no sentido de carícias]'.”.


Em terceiro lugar, porque o encobrimento organizado dos abusos propicia o crime, e a solução de rodar os abusadores por paróquias só serve para lhes oferecer mais vítimas numa bandeja.»

Foram pelo menos 4815 as crianças abusadas no seio da Igreja em Portugal, segundo o estudo retrospectivo sobre os abusos sexuais cometidos no seio da Igreja em Portugal desde 1950 até à actualidade. Segundo o coordenador da comissão, Pedro Strecht, esse é o número "absolutamente mínimo", a que foi possível chegar após terem sido validados 512 testemunhos.

Soube-se agora que Igreja Católica vai pagar mais de 1,6 milhões de euros às vítimas de abuso sexual
Foram considerados elegíveis 78 pedidos e 57 já têm os montantes de compensação definidos. Há nove casos a aguardar a definição do montante. Compensações variam entre os nove mil e os 45 mil euros.

Sem perdão!

1.

O objectivo de Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, é claro: esmagar os trabalhadores e acabar com os sindicatos. Só há uma resposta para toda esta sanha.

2.

Corridas ao armamento implicam pesados aumentos da despesa, de défices e subidas da dívida pública. Para compensar, FMI vê cortes de 25% nos apoios sociais, de 26% na Saúde e 14% na Educação. 

sábado, 27 de dezembro de 2025

OLHARES

Há uns anos, assistimos  à quase loucura, de pais natal de plástico a treparem janelas e varandas.

Generalizaram-se e constituíram um belo negócio para os chineses.

Por cansaço, o que quer que seja, já quase desapareceram.

Depois apareceu uma ideia, importada de Espanha, estandartes de pano vermelho com um Menino Jesus desenhado, objectivo maior para devolver, aos católicos, o verdadeiro espírito natalício combate árduo contra o pagão e barbudo Pai Natal que tem a péssima mania, de, por outros vícios, publicitar a Coca-Cola.

A Igreja Católica despertava para uma realidade que lhe passou ao lado, como, aliás, quase tudo o que vai acontecendo no mundo novo. Desesperadamente, tentaram combater as renas, os trenós, um certo paganismo, dizem, que se apropriou do Natal. E tentaram recuperar os símbolos cristãos do espírito natalício.

Não chegaram a tempo.

Um breve passeio pelas ruas do bairro, e o bairro é grandinho, deu para encontrar um único desses católicos panos de menino exposto e que se vê no topo do texto.

Sim, o Pai Natal é de um outro campeonato!

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

NESTE DIA

Neste dia, no ano de 1969, José Gomes Ferreira escrevia nos seus Dias Comuns, 7º volume que intitulou, Rasto Cinzento e lembrava o regresso do exílio de D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto:

domingo, 11 de maio de 2025

À LUPA

 A Lupa que, apanha frases, pequenas histórias, hoje estendeu-se um pouco para o além. O além é um muito interessante artigo de Bárbara Reis, publicado no Público de 10 de Maio - O Papa matemático: o que tem Deus que ver com números?

Interessantes também, alguns dos mais de 40 comentários que os leitores quiseram deixar.


Citações de Bárbara Reis:

«Não fiquei maravilhada, mas aviso que não vou sequer tentar explicar porque é que, tendo o ateísmo como único pedigree, dei por mim comovida ao ouvir em directo a frase "Habemus Papam".
Há cinco séculos que a frase é precedida por “eu vos anuncio uma grande alegria” e o facto é que, ainda sem saber quem era o sucessor de Francisco, fiquei alegre.
Ora, isto não faz sentido. Porque é que sinto alegria e comoção com o anúncio de um novo Papa? Tem que ver com o ritual e tudo isso, com certeza. Talvez também, hoje mais do que no passado, tem que ver com o legado de Francisco, que transformou a vida de homossexuais e divorciados crentes que, com ele, passaram a sentir que têm um lugar à mesa.»

Comentário de um leitor:

«Está enganada Bárbara Reis. A pergunta não é “o que fez o jovem padre Robert Prevost licenciar-se em Matemática?. A pergunta correcta é o que leva um jovem matemático a fazer um mestrado em Teologia e decidir ser padre?»

Um outro comentário:

«Em matéria de Deus e de religiões, prefiro ater-me à máxima do ateu e prémio Nobel da Literatura, José Saramago: Deus não existe; até porque, se existisse, seria um ser malévolo. Eu concordo: que Deus todo poderoso e amante de todos permitiria toda a miséria e sofrimento que assolam as suas criaturas?»

quinta-feira, 8 de maio de 2025

PAPA LEÃO XIV

Não deixou de ser uma surpresa a nomeação do cardeal norte-americano Robert Francis Prevost, para suceder a Francisco, tendo escolhido ser Leão XIV.

Seria muito difícil a Igreja escolher um outro Francisco, mas também não caiu no conservadorismo.

Provavelmente, as janelas abertas por Francisco não se fecharão, mas outras, porventura, não serão abertas.

A Igreja está cheia de problemas, problemas da mais diversa ordem, em que ressaltam, um pouco por todo o mundo eclesiástico, os abusos sexuais das crianças, a que muitos cardeais e bispos continuam a fechar os olhos.

A Leão XIV apontam-se sinais progressistas, seja lá o que isso, dentro da Igreja possa ser, ao mesmo tempo que não se conhecem, a Francis Prevost, qualquer simpatia pelo trumpismo, mas Donald Trump, por causa das moscas, não deixou de declarar:

«Parabéns ao cardeal Robert Francis Prevost, que acaba de ser nomeado Papa. É uma grande honra saber que ele é o primeiro Papa norte-americano. Que emoção e que grande honra para o nosso país. Estou ansioso por conhecer o Papa Leão XIV. Será um momento muito significativo!»

 

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO


 Donald Trump é uma ameaça para a Democracia.

Há dias. José Pacheco Pereira lembrava que; «
«Vai acontecer alguma coisa? Duvido, ele diz coisas destas todos os dias, e não perde, que se saiba, metade dos americanos como eleitores, nem que a máquina de minimização da importância do que ele diz funcione em pleno, até em Portugal, nas mais altas esferas do poder. Na direcção do PSD, no CDS e no Chega, há quem esteja “hesitante” se devia votar em Trump. O que significa que, se votassem, votariam.»

Texto de Carolina Amado, copiado do Público de 3 de Novembro:

 
«A poucos dias das eleições norte-americanas, o The
New York Times publicou este sábado, 2 de Novembro, um editorial a apelar ao voto que ponha "fim à era Trump".

New York Times publica editorial contra Donald Trump: “É uma ameaça à democracia”
"Já conhecem Donald Trump. Ele não está apto para liderar. Observem-no. Ouçam quem o conhece melhor. Ele tentou subverter uma eleição e continua a ser uma ameaça à democracia", lê-se no editorial, curto e incisivo. "A corrupção e a ilegitimidade de Trump vão além das eleições: são todo o seu
ethos. Ele mente sem limites."

O
New York Times (NYT) lembra que o ex-Presidente dos Estados Unidos, agora candidato a um novo mandato na Casa Branca, ajudou a reverter o direito ao aborto, "com consequências terríveis".

E alerta, antecipando aquilo em que se podem tornar os próximos quatro anos, caso Donald Trump seja eleito: "O Partido Republicano não o vai conter. Trump vai usar o seu governo para perseguir os seus adversários. Vai seguir uma política de deportações em massa. Vai lançar o caos sobre os pobres, a classe média e os empregadores. Outro mandato de Trump trará danos ao clima, destruirá alianças e fortalecerá os autocratas."

Sem fazer referência à candidata democrata, Kamala Harris, o editorial, cujo título é "
Vote to end the Trump era" (em português, "votem para pôr fim à era Trump"), termina com um apelo claro: "Os americanos devem exigir melhor. Votem."

Ainda que o conselho editorial do NYT não fale em nome da redacção, como esclarece o diário norte-americano, defende uma visão com a qual o jornal se identifica — a de um mundo em que "a liberdade e o progresso avançam através da democracia e do capitalismo".

Há pouco mais de uma semana, o The Washington Post anunciou não apoiar nenhum dos candidatos à Presidência dos Estados Unidos na eleição da próxima terça-feira, 5 de Novembro. É a primeira vez em 36 anos que o diário norte-americano não declara apoio a nenhum candidato à Casa Branca, numa corrida que se adivinha renhida até ao final.

Em comunicado, o sindicato
The Washington Post Guild, que representa quase mil jornalistas e funcionários do jornal, garantiu que a direcção já tinha redigido um editorial a declarar apoio a Kamala Harris, e que a decisão de não o publicar foi tomada pelo proprietário do jornal, o multimilionário e fundador da Amazon, Jeff Bezos. Na sequência do anúncio da decisão, mais de 200 mil pessoas suspenderam as suas assinaturas do jornal.

Um dia antes, o proprietário do
Los Angeles Times, Patrick Soon-Shiong, também bloqueou um apoio do jornal californiano a Harris. Um editor, dois membros da direcção e alguns jornalistas demitiram-se em protesto.»

1.

Morte do ant-fascista Camilo Mortágua.

Nota de Daniel Oliveira no Expresso:

«Pensei escrever sobre deputados que desrespeitaram, brincaram ou fizeram política com a morte do pai de duas pessoas com quem dividem o local de trabalho. Intriga-me como conseguirão voltar hoje ao Parlamento, tendo de se cruzar com elas, e não baixar a cabeça de vergonha. Depois desisti. Sou comentador político e o problema destas pessoas não é político. É serem, como seres humanos, uma miséria. Não merecem o nosso tempo.»

2.

«É indecente falar no Ocidente em direitos humanos, quando a desigualdade doméstica resvala na pobreza, e se alimenta o genocídio e agressão perpetrados por Israel.»

Viriato Soromenho-Marques de uma crónica no Diário de Notícias

3.

Há actividades  em Portugal – e não só! – que não conseguem passar sem os trabalhadores imigrantes.

Estes trabalhadores ganham em média 600 euros brutos, mas há quem receba muito menos.

A maior vive em contentores e barracas degradadas.

Pouquíssimos empresários tratam estes trabalhadores com respeito e dignidade, perante ministros completamente ignorantes e incompetentes, de deputados que não abandonam os assentos na Assembleia para verem, com olhos de ver, o que se vai passando com a esmagadora maioria destes trabalhadores.

4.

6.

«Os católicos são perfeitos em criar mistérios, fazem tudo à porta fechada.»

Edward Berger no Diário de Notícias

terça-feira, 16 de abril de 2024

VIAGENS POR ABRIL


 

                     Este não é o dia seguinte do dia que foi ontem.

                                                              João Bénard da Costa

Será um desfilar de histórias, de opiniões, de livros, de discos, poemas, canções, fotografias, figuras e figurões, que irão aparecendo sem obedecer a qualquer especificação do dia, mês, ano em que aconteceram.


16 de Abril de 1974

 
O MINISTÉRIO DO ULTRAMAR, em nota enviada para os jornais, dava a conhecer que, contrariamente ao que diziam os inimigos da Pátria, os missionários combonianos não foram expulsos de Moçambique mas convidados a sair “para salvaguarda da sua segurança”. O mesmo no que diz respeito ao Bispo de Nampula.
Missionários e Bispo eram acusados de serem responsáveis por um “documento altamente ofensivo da nação portuguesa e também da hierarquia da Igreja, pondo em causa s relações entre Portugal e a Santa Sé.”

No topo do texto desta Viagem de Abril encontra-se, através do Notícias de Portugal, a versão do governo de Marcelo, que, como habitualamente, é uma completa mentira.

UMA NOTA da PIDE/DGS informa que “Com base nas averiguações feitas foram detidos 15 indivíduos em Lisboa e Porto”, implicados em “acções revolucionárias no 1º de Maio. Mais se informava que uma brigada apreendeu “largos milhares de exemplares de panfletos revolucionários” nas oficinas do semanário oposicionista «Notícias da Amadora».

TÃO SURREALISTA, como hilariante, o despacho da Comissão de Censura enviada para o «Jornal de Notícias e transcrita no livro de César Príncipe «Os Segredos da Censura».

Aqui se dá conta que o censor de serviço também lamentava os aumentos das tarifas de correios e telefones mas, infelizmente, não se pode dizer…

«Sobre aumentos dos correios e telefones – não se pode falar em «público reage». A propósito da reportagem o senhor coronel Saraiva não viu inconveniente nenhum, pois ele até ficara “desgostoso, termo que satisfaz nestas coisas de novos preços. O público reage é que não, pois dá a ideia de “barulho. de contestação agressiva.”

domingo, 11 de fevereiro de 2024

NOTÍCIAS DO CIRCO

«Um ano depois de conhecido o relatório sobre os abusos sexuais na Igreja Católica em Portugal, José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal, reconhece que foi importante conhecer a realidade, reconhecer que se cometeram erros e pedir perdão às vítimas.

José Ornelas, em declarações escritas à agência Lusa, considera que "o relatório da Comissão Independente foi fundamental, porque despertou para um sofrimento escondido que abalou a Igreja e a sociedade, pela crueza dos relatos que trouxe à luz do dia".

Para o também bispo de Leiria-Fátima, no meio da dor profunda que tem sido este processo de enfrentar, com clareza, estas situações de sofrimento, tem estado presente que o bem das vítimas é a prioridade e que é possível melhorar, passo a passo, o modo de agir, escutar, reparar e acompanhar.»

 Notícia tirada do Diário de Notícias on-line de hoje.

 Os comentários a esta notícia seriam inúteis porque a Igreja nada aprendeu com o escandalo dos abusos sexuais perpetrados por padres.

Este sábado também se que a presidente da Hungria, Katalin Novák, anunciou a sua demissão, após uma semana de polémica sobre o perdão que concedeu a um diretor de um lar de crianças que tentou encobrir casos de pedofilia.

«Peço perdão àqueles que magoei».

Quanto aos pagamentos às vítimas, continua a questão em «banho-maria». Falta de dinheiro não será porque ainda agora se soube que, pelo menos em Fátima,  houve um lucro de 110 mil euros e, provavelmente,  não estão contabilizadas outras receitas.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

VIAGENS POR ABRIL


Este não é o dia seguinte do dia que foi ontem.

                 João Bénard da Costa

Será um desfilar de histórias, de opiniões, de livros, de discos, poemas, canções, fotografias, figuras e figurões, que irão aparecendo sem obedecer a qualquer especificação do dia, mês, ano em que aconteceram.

Num qualquer tempo antes de 25 de Abril, o director da PIDE-DGS, determinava que, pelo menos três agentes deviam assistir às missas de domingo, principalmente nas igrejas em que alguns padres, em acto de culto, atacam declaradamente as instituições e a política ultramarina do governo e os seus princípios morais.

Sempre que possível as homilias devem ser gravadas.

O que não se pode é assistir passivamente com simples protestos verbais, à acção dissolvente e subversiva conduzida por esses sacerdotes.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

PASOLINI FOI DENUNCIADO...

Pasolini foi denunciado a um padre – Ah! essa velha invenção do confessionário… - de ter relações sexuais com um aluno seu. Sofreu-lhe as consequências: foi depois disso, desse episódio maligno que a Santa Madre Igreja recomenda aos rapazes, ficou desempregado. Ora, interessante para mim era saber o que pensa X um padre e intelectual de vanguarda com fama de progressista, homem inteligente, frugal, doutor honoris causa, acerca desse velho e desfavorecido problema. Será… será que S. M. I. não vê nisso – ou deixou de ver – ameaça ao seu bordel nupcial? Dois padres eu conheci que – nunca mo disseram – estavam, os dois, longe o bastante dessas quezílias. Mas o Bispo de Braga, o Bispo-adjunto de Aldegundes, o coadjunto de Bucelas, o próprio Cardeal bem bonito em novo, o padreca lá da terra – dizem que foder em comum só entre os animais, e, caso estes sejam masculinos, o que devem é apagar as luzes e não sujar os lençóis… Bem, por entre o quadriculado da tampinha que desce e sobe, entre ais e gemidos do padre António espanhol (apanhado em flagrante no eucalipto e que, como era altíssimo, apertava as pernas dos meninos entre os joelhos), tudo isso conta: o estar na tropa é uma atenuante de peso. Nos corredores do Vaticano, nas colunas do Osservatóre, nas ante câmaras e penumbras do Sacro -: será que assim seja, ámen seculorum ámen? As putas do Bairro Alto, bem como os marinheiros de Alfama -: hão-de pensar que, assim, a Madre Igreja não se governa… E que toda a governação eclesiástica é veste clerical sem princípio nem fim, sem justeza moral.

Raul de Carvalho em Mágico Novembro 

terça-feira, 8 de agosto de 2023

CONVERSANDO

De modo algum pretendo que num qualquer dia queira mudar a minha relação com igrejas, cleros, anjos, deuses. 

São muito fortes as fontes de que me servi para conhecer a história das religiões.

Tudo o que se passa em redor do mundo que envolve a pobreza, o sofrimento de milhões de pessoas, as guerras, não pode ter a mão, do tal Deus.

Como um dia disse José Saramago, as religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos.

Mas este Papa Francisco surpreende.

E sabemos que não consegue pôr em prática tudo aquilo que ele acha mal na igreja.

Nos dias em que por aqui esteve, dirigiu palavras que importaria que não fossem esquecidas:

Ponham-se a caminho, apressadamente, mas não ansiosamente. Sejam inconformistas, ousados e empreendedores de sonhos.

E falou dos que caem lembrando que cair não é problema, problema é permanecer no chão e lembrou um filósofo que disse que a mensagem revolucionária consiste em encontrar amável mesmo o objecto não amável.

Lembrando as ondas gigantes da Nazaré, disse : Sigam a onda, tornem-se os surfistas do amor.

E acima de tudo: Não tenhais medo!

Os números da Jornada:

1,5 milhões de pessoas.

Peregrinos de 180 países, 25 mil voluntários e cinco línguas oficiais.

Presentes 700 bispos e 10 000 sacerdotes de todo o mundo.

O Papa Francisco confessou a experiência dolorosa que foi falar com algumas das vítimas dos abusos dos padres que outros padres durante anos e anos tentaram esconder.

Este Papa tem como quase única esperança que a Igreja evolua.

Para isso tem desenvolvido um trabalho desconhecido de muitos, mas de uma profundidade que poderá mudar a igreja, torná-la digna.

Francisco é um homem culto.

A igreja não tem muita gente culta.

Olho o clero português e tenho como certo que tirando as sebentas  que lhes impingiram nos seminários, não lêem outros livros.

Cultos são José Tolentino Mendonça, o Frei Bento Domingues.

Quantos mais?

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

AH! SIM, O NEGÓCIOZINHO...


 Quiosque na Alameda.

Em outros dias, os preços escarrapachados não são os praticados.

Mas estamos na semana da Jornada da Juventude.

Vá de enfiar mais umas moedas no bolso.

Na baixa de Lisboa os restaurantes não aderiram ao Menú do Peregrino, apenas alguns pequenos restaurantes nos bairros populares o praticaram.

Aparentemente ninguém explicou a esta gananciosa raça de pseudos empresários da restauração que a malta da Jornada era jovens que não vinham à procura de lagosta ou bifes à Marrare.

Serão sempre uns reles e oportunistas chicos-espertos.

domingo, 6 de agosto de 2023

O FINDAR DA FESTA


 Podem vir pela fé, mas também vêm pela festa, pelo convívio, e isso não constitui mal algum porque ter fé, para os crentes, também é uma festa.

A organização da Festa da Juventude colocou palcos em Lisboa para que a festa se expressasse pela música, pela dança. Guy Debord, no seu livro A Sociedade do Espectáculo – onde pára o meu livrinho editado pela Afrodite do louco Fernando Ribeiro de Mello, capa cinzenta, emprestado a alguém que não mais o devolveu ao seu espaço na Biblioteca da Casa? – afirmava que as sociedades contemporâneas são sociedades do espectáculo. A igreja, se não quer ficar longe de rasgados horizontes, não pode ficar fora desse espectáculo!

Acompanhei à distância a visita do Papa e não me abalancei para grades multidões.

Este é o palco colocado na Alameda e que durante os dias e as noites manteve a zona num corrupio de alegria.

A fotografia, tirada pela minha velha maquineta comprada, ainda numa loja de 300, registou, manhã de domingo, o desmanchar do palco.

Ainda na Alameda, uma jovem descansa, olhando as fotografias destes dias tiradas pelo telemóvel, ou um outro tipo de olhar.


Linha vermelha, estação Alameda, um grupo de peregrinos enceta um qualquer caminho de regresso.

Num outro plano, uma esplanada de um pequeno café junto ao Mercado de Arroios e uma jovem,  mochilas no chão, contacta, perto ou longe, alguém.

Ainda é manhã mas já um baforada de calor que lá para a tarde, dizem os especialistas, atingirá os 40º de temperatura.

O fim da Festa.

Sente-se alguma tristeza.

Aquela tristeza cinzenta que fica no fim das garrafas vazias de que falava o Baudelaire.

sábado, 5 de agosto de 2023

CONVERSANDO

Jorge Mario Bergolio, um homem simples, um padre de espírito aberto, que gosta de futebol, que quando se preparava para se reformar, lhe disserem que muitos católicos o queriam como futuro Papa.

Terá sorrido e seguiu o caminho.

Foi eleito Papa, Francisco, 266º papa da igreja católica, no dia 13 de Março de 2013.

Levou para o Vaticano toda a sua simplicidade, o anterior papa calçava sapatos Prada, e fez da frontalidade, da bondade, da humildade os grandes desígnios do seu papado. Nunca deixou de denunciar os erros da sua igreja. Claro que os velhos padres do Vaticano não o deixam chegar onde ele quereria chegar, mas mesmo assim caminha, avança. Olhou os escândalos de pedofilia e chamou-lhes um horror. Bem ao contrário do que a maior parte de cardeais e bispos fizeram que foi ocultar e deixaram da igreja uma imagem sem pingo de perdão.

Jornada Mundial da Juventude 2023.

Olhei os sorrisos dos cardeais e bispos portugueses perante o Papa em Lisboa, e sinalizei cinismo. São lobos escondendo perfídias várias. Sabiam dos crimes dos padres e esconderam tudo. Ainda hoje não sabem dizer uma razoável, decente palavra sobre tão lamentável drama.

Como muito bem diz Francisco: «Sei que sou uma pedra no sapato, mas não tenho medo.»

Francisco fará 87 anos em Dezembro.

Nestes dias de Jornada lisboeta, mostrou algumas fragilidades físicas que, de todo, não conseguiu evitar.

Pela maior parte deste  velho clero português, não será escolhido um outro Papa igual ou melhor que Francisco. Terá que ser alguém longe de qualquer ponta de progressismo. A igreja ainda está impregnada dos velhos e bafientos tempos, terríveis tempos das sacristias salazarentas.

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

NOTÍCIAS DO CIRCO

As desculpas esfarrapadas que a equipa autárquica, comandada pelo ex-presidiário, encontraram para a censura executada no cartaz colocado em Oeiras quedenunciava o silêncio da igreja face aos padres pedófilos, são um verdadeiro nojo.   

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

POSTAIS SEM SELO


«No que me toca, sou um cidadão republicano, ateu e socialista, e consequentemente convicto defensor da liberdade de crenças e descrenças. Por isso mesmo, não concebo que os impostos pagos por todos sirvam para financiar as espaventosas cerimónias religiosas só de alguns. Mesmo que estes se considerem religião maioritária. E precisamente por isso mesmo.»

Fernando Rosas, hoje, no Público

TRÊS CARTAZES À BEIRA DA ESTRADA


 O Papa Francisco chegou hoje a Portugal para participar na Jornada Mundial da Juventude.

Admite-se que num seu discurso abordará os abusos sexuais na Igreja.

Três cartazes, afixados em Loures, Algés e Lisboa, lembram as atrocidades sexuais dos padres pedófilos e pretendem que estes crimes, no meio da alegria das festas, não caiam no silêncio. 

Os três cartazes com as cores da JMJ – vermelho, verde e amarelo - foram afixados em Loures, Algés e em Lisboa, na Alameda, mostram o número dos que foram abusados. Cada ponto vermelho representa uma pessoa. A mensagem está em inglês para que os peregrinos a consigam perceber: "Mais de 4800 crianças foram abusadas por elementos da igreja”.

Entretanto o cartaz de Algès foi removido a mando de Isaltino ou de algum seu capacho-mor.

De momento as autoridades policiais não têm qualquer informação que permita comentar o acto censório ou de quem partiu a remoção do cartaz.

sexta-feira, 28 de julho de 2023

CAMINHADA DA VERGONHA


Em Portugal não há nenhuma religião oficial.

Poderemos então gastar milhões de euros num evento da religião católica?

A Jornada Mundial da Juventude que irá ocorrer nos primeiros dias de Agosto teria que ser paga pelo Vaticano, por Fátima, pelas diversas igrejas católicas espalhadas pelo país.

Não vai ser!

O artista plástico português Bordalo II desenrolou, em protesto, um tapete ilustrado com notas de 500 euros na escadaria do altar-palco do festival.

Chamou-lhe  Walk of Shame, em português  Caminhada da Vergonha e explica que «num estado laico, num momento em que muitas pessoas lutam para manter as suas casas, o seu trabalho e a sua dignidade, decide investir-se milhões do dinheiro público para patrocinar a tour da multinacional italiana.»

Muitos aplaudiram, outros chamaram-lhe demagogo.