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terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

OLHAR AS CAPAS

A Missão

Ferreira de Castro

Colecção Livros de Bolso Europa-América

Publicações Europa-América, Lisboa, Abril de 1971

Temos, também, de pensar que os homens não valem apenas pelo seu número e sim pela sua qualidade… Jesus, sozinho, fez mais do que os milhões e milhões de seres que, antes e depois dele, passaram sobre este triste vale de lágrimas. A nossa Missão não vale, portanto, somente pelos homens que alberga. Aqui, nós somos poucos, é certo, e na fábrica os operários são muitos; mas a Missão é um centro de luz, um lar de onde irradia a doutrina divina…

quarta-feira, 3 de abril de 2024

OLHAR AS CAPAS


Eternidade

Ferreira de Castro

Livraria Editora Guimarães, Lisboa s/d

Sim porque o mundo não pode continuar assim. O mundo tem de ser melhor do que é e cada vez será melhor. Daqui a alguns séculos já nada disto será assim, já nenhum homem estará em frente destas luzes com a mentalidade e pelas razões que nós estamos. A própria cidade estará transformada e já ninguém compreenderá que se seja degredado, como eu, apenas por querer que haja mais justiça entre os homens.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

OLHAR AS CAPAS


A Selva

Ferreira de Castro

Livraria Editora Guimarães, Lisboa 1954

 

Sêco e vendido na cidadezita mais próxima o que sobejava da papança quotidiana, com o produto o cabôclo adquiria sal, farinha e cachaça – e emquanto durasse a fortuna vivia feliz e não voltava a trabalhar. A cachaça, para uso diário, e um baile, de quando em quando, para desentorpecer as pernas, em qualquer barraca das margens, constituíam as suas únicas aspirações.

O resto era solidão profunda, uma vida encastoada na selva, alheia a todas as inquietações do mundo, uma vida tão aparte, tão obscura e ignorada, que se ficava a pensar num romance de misantropos que, contudo, não existia.

Quando um navio passava à vista, a família inteira vinha especar-se no cimo do barranco, a admirar o fugitivo sintoma da civilização, emquanto um dos garotos descia a segurar a canôa, não fôssem as ondas desprende-la e a corrente arrastá-la, de «bubuia», rio abaixo.