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quarta-feira, 10 de setembro de 2025

OLHAR AS CAPAS

Jean-Paul Sartre

Alfredo Margarido

Capa: A. Dias

Biografia de Bolso nº 14

Editorial Presença, Lisboa 1965

Recusando-se a aceitar a dúvida sistemática de Descartes, que lhe aprece como um «trompe-l’oeil», Sartre prende-se antes ao conjunto das situações empíricas que lhe revelam o homem. É na rua, diz-nos ele algures, na cidade, no meio da multidão, coisa no meio das coisas, homem no meio dos homens, que nos podemos descobrir.


quinta-feira, 9 de maio de 2024

OLHAR AS CAPAS


Moby Dick

Herman Melville

Tradução: Alfredo Margarido e Daniel Gonçalves

Capa: José Rêgo

Colecção: Biblioteca Universal Unibolso n 93

Editores Associados, Lisboa s/d

Tratem-me por Ismael. Há alguns anos – não interessa quantos – achando-me com pouco ou nenhum dinheiro na carteira, e sem qualquer interesse particular que me prendesse à terra firme, apeteceu-me voltar a navegar e tornar a ver o mundo das águas. É uma maneira que eu tenho de afugentar o tédio e de normalizar a circulação. Sempre que sinto um sabor a fel na boca; sempre que a minha alma se transforma num Novembro brumoso e húmido; sempre que dou por mim a parar diante de agências funerárias e a marchar na esteira dos funerais que cruzam o meu caminho; e, principalmente, quando a neurastenia se apodera de mim de tal modo que preciso de todo o meu bom senso para não começar a arrancar os chapéus de todos os transeuntes que encontro na rua – percebo então que chegou a altura de voltar para o mar, tão cedo quanto possível. É uma forma de fugir ao suicídio.

 

sábado, 27 de abril de 2024

OLHAR AS CAPAS


Cadernos de Circunstância

Março de 1969, Nova Série, Nº 1.

Alfredo Margarido

Fernando Medeiros

Jorge Valadas

João Freire

Manuel Villaverde Cabral

Edição dos Autores

Paris, Março de 1969

A situação geral portuguesa desde a vinda para o poder de Marcelo Caetano desenha-se agora diante de nós com complexidade crescente decerto, mas também com uma maior clareza; as linhas de força tendenciais afirmam-se com nitidez cada vez maior.

sábado, 19 de março de 2022

EM NOME DOS ADJECTIVOS


Um capítulo do seu interessantíssimo Século Passado, um livro tão ignorado por críticos – há crítica de livros? – também por leitores, chama-se Mesmo Agora Que Anoitece e por lá existe uma crónica que Jorge Silva Melo publicou mo saudoso Mil Folhas do Público de 20 de Janeiro de 2001. Começa assim:

«Têm má fama os adjectivos. Incitados a não os usar à toa, os jornalistas abrem um leque restrito que muda como os stocks da Zara.»

Mais a meio há este delicioso pedacinho:

«Teria eu lido o Gatsby, se Fitzgerald não lhe tivesse aposto o Great?Enseada, se não me perguntasse por que é que Abelaira lhe chama Amena? O Anjo, não fosse ele Ancorado? As Palavras, não as anunciasse Maria Judite como Poupadas? O Dia, não o pintasse Mário Dionísio de Cinzento? Como veria eu o mundo da colonização se Shakespeare não o entrevisse "admirável" (brave) e "novo" (new)? Teria eu sido tingido pela soturnidade e pela melancolia de Lisboa/Cesário se o desejo de sofrer não fosse subitamente absurdo? Teria ultrapassado o primeiro parágrafo de Moby Dick sem o damp, drizzly November in my soul ("desperta na minha alma um Novembro brumoso e húmido" na tradução de Alfredo Margarido)? Andaria eu de Gomes Leal no bolso sem o Bela, dizia eu, fria como o luar / sobre o dorso luzente e excepcional dum peixe?

O que fazem estes adjectivos raros, justapostos, cruzados, intrigantes? Atrasam a narrativa, demoram o pensar, fazem cair sobre as coisas ou a acção a poeira da incerteza. Não serão, assim benvindos ao mundo da notícia, que se publicita mundo de contagem de caracteres, impessoal, sem voz. Sem o desequilíbrio destas pobres palavras, o que seria da literatura.

Ai, não fosse Furioso o Orlando!

sábado, 10 de setembro de 2016

OLHAR AS CAPAS


A Praia

Cesare Pavese
Tradução: Alfredo Margarido
Capa: António Charrua
Colecção de Bolso nº 65
Portugália Editora, Lisboa s/d

Então voltou a calar-se outra vez. Eu pensava na estranheza do caso: tinha o dinheiro da viagem e não lho emprestava. Entretanto entrámos na ruazita, e a vista da oliveira irritou-me. Começava a compreender que nada é mais inabitável do que um lugar onde se foi feliz. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


No tempo da ditadura aproveitava-se tudo para a consciencialização cultural e política, viesse ela de que esquerda viesse. A ordem era armazenar, armazenar, armazenar.

Mais tarde se separaria o trigo do joio.

Cadernos, como este de Circunstância, impresso em stencil, para além de artigos de opinião, incluíam excertos de obras que não chegavam à mão de todos, dado que a PIDE exercia uma feroz vigilância sobre tudo o que, para eles, cheirasse a sublevação.

Livros e revistas andavam de mão em mão, por vezes perdia-se o saber em que mãos tinham sido depositados.
Mas, como dizia, o Armindo: Eh pá! É tudo a meio da cultura e da revolução.

Perdi alguns livros e revistas, mas também me ficaram outros que nunca os adquirira e já nem sei a quem pertenciam.

É o caso destes Cadernos de Circunstância

Nova Série nº 1 Março de 1969

Comissão de Coordenação:

Alberto Melo Alfredo, Alfredo Margarido, Fernando Medeiros, João Freire, Jorge Valadas, José Hipólito dos Santos, José Rodrigues dos Santos, Manuel Villaverde Cabral.

Redacção: 8, Rue Saint- Julian – Paris 5

Sumário:
- Teses Sobre a Actualidade da Revolução

- Luta de Classes em Portugal em 1969

Antologia de Textos:

Sobre a Burocracia Sindical – Rosa Luxemburgo

Manifesto da Sexpol – Wilheim Reich

França 1969 – Daniel Cohn-Bendit

Página especial

Uma página, quase, em branco ao dispor de cada um. A deste número é a 69.



É assim que os primitivismos teóricos – do tipo “fascismo-anti-fascismo”, “legalidade-ilegalidade”, “luta de massas – luta clandestina, “espontaneidade-organização”, etc. – surgem não só como incapazes de dar conta da situação real, até como obstáculos cada vez mais evidentes a que os verdadeiros problemas sejam colocados e que a energia revolucionária se liberte plenamente
A REVOLUÇÂO ESTÁ NA ORDEM DO DIA!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

OLHAR AS CAPAS


Por Quem os Sinos Dobram

Ernest Hemingway
Tradução: Monteiro Lobato
Revisão: Alfredo Margarido
Capa: Bernardo Marques
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Há um ano que combato pelo que julgo certo. Se vencermos aqui, venceremos por toda a parte. O mundo é belo e merece que se lute por ele, e dói-me deixá-lo. E no entanto tu tiveste tanta sorte em ter uma vida tão boa. Sim, foi uma vida tão boa como a do teu avô, se bem que seja mais curta. Sim foi uma vida como as melhores, graças a estes últimos dias. Não te queixes já que tiveste tanta sorte. Mas gostaria que houvesse um meio de transmitir o pouco que aprendi.