Ali onde sem nome a pátria escura
me repete onde nasce a Primavera,
ao silêncio do dia que não espera
eu dou a voz subitamente pura.
Horror que foge sempre e que perdura,
muro imortal amando a própria hera,
assim eu oiço o anjo além da fera,
suave luz queimando a noite dura.
Surge um fogo sem espanto, negro e alvo.
Dissolve‑se a montanha. Totalmente.
Alguém que me seguia já está salvo.
E fico só. E canto. E sigo em frente.
Ao fim da minha voz encontro o alvo
onde os deuses a ferem mortalmente.
20.2.1954
Alberto de Lacerda
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