sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

ALI ONDE SEM NOME A PÁTRIA

Ali onde sem nome a pátria escura

me repete onde nasce a Primavera,

ao silêncio do dia que não espera

eu dou a voz subitamente pura.

 

Horror que foge sempre e que perdura,

muro imortal amando a própria hera,

assim eu oiço o anjo além da fera,

suave luz queimando a noite dura.

 

Surge um fogo sem espanto, negro e alvo.

Dissolve‑se a montanha. Totalmente.

Alguém que me seguia já está salvo.

 

E fico só. E canto. E sigo em frente.

Ao fim da minha voz encontro o alvo

onde os deuses a ferem mortalmente.

 

20.2.1954

 

Alberto de Lacerda

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