quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

AS TRAGÈDIAS QUE NOS ATINGEM


Abertura a cargo do escritor Gonçalo M. Tavares:

«Nas grandes tragédias o grande problema é sempre a solidão.»

1.

Tudo o que se vai passando com as depressões climáticas acentuam a incompetência do governo de Luís Montenegro.

Não adianta muito a substituição de alguns ministros porque todo o problema está em quem chefia o governo.

Cansados estamos daquela figura quase sinistra de sorriso cínico.

Que saída?

2.

Alguém, enfrentando as cheias em Alcácer do Sal, desabafa na reportagem do Diário de Notícias:

“Nós temos cheias, mas aqueles desgraçados de Leiria nem telhado têm para dormir”

A Avenida dos Aviadores, na baixa de Alcácer do Sal, voltou a ficar inundada, o que obrigou ao corte do trânsito na zona. A chuva continua e há estradas alagadas por este concelho no distrito de Setúbal.

3.

«Depois da destruição causada pela depressão Kristin, Portugal volta a enfrentar mau tempo com a chegada da Leonardo. Com os terrenos já encharcados, a nova sequência de chuva, vento e agitação marítima aumenta a probabilidade de cheias e inundações, sobretudo nas cidades impermeabilizadas: “Parte das nossas cidades está construída sobre leitos de cheia, que naturalmente inundam”», diz ao Diário de Notícias o especialista João Joanaz de Melo.

4.

Centro e Oeste e Vale do Tejo representam 20% da economia. Impacto devastador da Kristin e do clima adverso, que continua sem dar tréguas, vão custar, pelo menos, 2,5 mil milhões de euros. Economia ia crescer cerca de 2,3%, mas deve baixar para 1,3% ou menos.

5.

«Em vez de «aqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida», o Primeiro-Ministro devia ter dito: «aqueles que falharam em evitar a morte». Assim, percebia-se melhor por que é que devemos estar sempre do lado dos falhados e contra discursos cínicos.»

Cristina Fernandes no Bicho Ruim

6.

«A ministra da Administração Interna é a metáfora mais exposta, fácil e óbvia de um Governo barata tonta, que anda aos círculos neste comboio de tempestades, sem saber o que fazer e para onde vai. É quase compreensível que uma jurista qualificada, de gabinete, opte pela “reflexão” em vez da ação junto da Proteção Civil. E que diga que não saiba o que falhou, ou, ainda, opte pela misericordiosa tese da “aprendizagem coletiva”. Já todos percebemos que Lúcia Amaral é uma carta fora deste baralho. Muito mais perturbador é ver a propaganda ignóbil de Leitão Amaro, na pele de maestro da comunicação governamental, projetando uma realidade alternativa, como dizem noutros lados, quando toda a gente está a ver uma tragédia. Ou a palhaçada ofensiva de Nuno Melo, que leva os soldados para fingir que estão todos no terreno. Muito mau mesmo, também, é constatar que ainda pagamos, com mortes, a trágica decisão, tomada nos Governos de Barroso e Santana Lopes, corrigida, em parte, por António Costa, no Governo de Sócrates, de entregar o SIRESP, com um cheque de 500 milhões de euros, a um consórcio servido por alguns facilitadores desse velho mundo laranja, que vinha do cavaquismo. Essas velhas lógicas clientelares matam. E essa é a “aprendizagem coletiva” sobre como não fazer que ainda está por ser lecionada.» 

Eduardo Dâmaso no Correio da Manhã

7.

"O Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian exprime a sua solidariedade com todas as pessoas afectadas pela tempestade que assolou o país. O Conselho criou um Fundo de Apoio Extraordinário, no valor de cinco milhões de euros, de apoio a essas pessoas. Este apoio de emergência e pós-emergência será articulado com a Estrutura de Missão para a Reconstrução da região Centro do País e com as entidades locais das áreas envolvidas", pode ler-se no comunicado.

8. 

A EDP anunciou um apoio de “mais de 800 mil euros” às comunidades afectadas pela tempestade Kristin, com a suspensão temporária da facturação e apoio a clientes com centrais solares danificadas.

“No total, a EDP vai assumir um custo de mais de 800 mil euros de forma a poder apoiar os seus clientes nas regiões afectadas pelo mau tempo”, anunciou a empresa em comunicado.

Na nota, a eléctrica dá também conta que “suspendeu o envio de facturação aos seus cerca de 700 mil clientes com casas ou empresas nas zonas mais afectadas pela tempestade que atingiu o país”.

“Serão ainda disponibilizados acordos de pagamento ajustados à situação de cada cliente, sem juros”, prossegue a nota.

9.

«Depois de ter apontado baterias aos problemas de comunicação do Governo com as populações, o Presidente da República atirou também responsabilidades para as operadoras de telecomunicações.

 “As comunicações portaram-se mal, portaram-se mal”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa numa visita pelas regiões afectadas pela tempestade Kristin, nesta quarta-feira. “A Vodafone aguentou um bocadinho mais, mas depois ficou tudo sem comunicações”, identificou o Chefe de Estado, em declarações transmitidas pela SIC Notícias.

As operadoras estão no terreno a tentar recuperar serviços, havendo ainda populações que não têm acesso, não só porque não há energia, mas também porque há infra-estruturas de comunicações que ficaram danificadas. Mas há um factor de culpa das empresas, segundo o Presidente da República.»

Diogo Cavaleiro no Público de hoje.

Fontes:

Público

Diário de Notícias

Jornal de Notícias

Correio da Manhã

Lusa

Legenda: pormenor da capa do Correio da Manhã de hoje

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