quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

AS TRAGÉDIAS QUE NOS ATINGEM

1.

Quando é que este mau tempo finalmente acaba?
Primeiro veio a depressão Ingrid, depois vieram as tempestades Joseph e a Kristin e, agora, estamos a braços com a chuva copiosa trazida pela Leonardo e já se anuncia a Marta – mas afinal quando é que este mau tempo vai ter fim em Portugal?

Prevê-se que melhoras de tempo que se vejam, apenas se verifiquem após o Carnaval, ou seja na última semana do mês de Fevereiro.

2.

Amanda Lima para o Diário de Notícias percorreu, após as tempestades, o interior da região de Leiria, e verificou que os habitantes continuam a sentir-se “esquecidos”: «Se falta energia elétrica, sinal de telefone e água, sobra solidariedade. Doações e voluntários chegam de todos os lados, mas a reconstrução ainda é longa».

3.

«Após a passagem da depressão Kristin, houve centros de saúde de Leiria que tiveram de fechar, não só pelos danos materiais, falta de energia e de água, mas também pela falta de profissionais, que tiveram também as suas casas destruídas, que tiveram de ficar com os filhos em casa, por não terem outra alternativa, as escolas fecharam, ou porque pura e simplesmente não conseguiam passar para chegar ao local de trabalho pelas estradas cortadas. Foi assim em Leiria como em outros locais da região centro e do oeste.

Mas, ao final da tarde de terça-feira, dia 3, os profissionais da Unidade Local de Saúde da Região de Leiria, que integra o Hospital de Santo André e centros de saúde dos concelhos de Leiria, Marinha Grande, Porto de Mós, Pombal e Alcobaça ficaram a saber, através de uma circular informativa do Conselho de Administração, que as faltas teriam de ser justificadas, tendo que usar dias de férias ou horas da bolsa de compensação para não terem perda salarial.

Ana Mafalda Inácio no Diário de Notícias

4.

O especialista em proteção civil Duarte Caldeira considerou esta quinta-feira que a Proteção Civil comete os mesmos erros há 25 anos, estando as falhas "todas identificadas", e defendeu que a responsabilidade pela resposta à tempestade é nacional e local.

"A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, no meu ponto de vista, falhou naquilo que falha normalmente sempre há 25 anos. Eu recordo-me, faz 25 anos, a queda da ponte Hintze Ribeiro [Entre-os-Rios]. Desde então, os nossos erros no sistema de proteção civil estão todos identificados e são todos decorrentes de uma praga nacional que é a ausência de vocação para o planeamento e para a ação", disse ao à agência Lusa o antigo presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses e dirigente do Centro de Estudos e Intervenção em Proteção Civil.

5.

Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos, Pombal e Golegã avisaram a Comissão Nacional de Eleições que irão adiar a votação para a eleição presidencial, devido à situação de calamidade em que se encontram.

6.

A Autoeuropa interrompeu a produção nos turnos da noite de quarta a sexta-feira devido à falta de componentes por problemas abastecimento causados pelo mau tempo que assola o país.

7.

O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, adiantou que o Governo admite a entrada de mais imigrantes para garantir mão-de-obra na reconstrução das zonas afectadas pela tempestade Kristin, cujos prejuízos devem ultrapassar os quatro mil milhões de euros. O governante adiantou que as empresas de construção civil e obras públicas “estão disponíveis e interessadas em fazer o recrutamento de mão-de-obra do exterior”.

8.

Luís Montenegro falou ao país.

Puxou dos galões para mostrar o que está a implementar.

Esqueceu o que aconteceu nos primeiros dias da tragédia.

Para além de prolongar o estado de calamidade até 15 de Fevereiro revelou, numa clara cena de propaganda em que é especialista, que o apoio financeiro às famílias que perderam rendimento, no valor de 12.900 euros, vai chegar "no mais tardar até à próxima segunda-feira". Já as linhas de crédito para empresas, de 1.500 euros, "estão operacionais desde ontem", registando-se candidaturas de "825 empresas" para apoios de mais de "204 milhões de euros". E também os apoios aos agricultores estão "acessíveis", existindo agora "1100 candidatos" para ajudas de mais de 84 milhões.

Acentuou que a "rapidez" da resposta do Governo "não tem precedentes", algo que sublinha "para que se tenha dimensão da tarefa diante de nós". "Estamos mesmo a esgotar todas as nossas possibilidades para acorrer às necessidades" e destacou que o Conselho de Ministros aprovou um "regime excepcional para acelerar processos e decisões", que, salienta, "nunca foi experimentado". "São medidas temporárias, excepcionais para uma situação muito excepcional".

“O governo tem feito um esforço enorme para mobilizar todos os recursos.

Nós não vamos deixar ninguém para trás".

9.

Mário de Carvalho no Público

 “É um Governo que nasceu na precariedade e só sabe viver na precariedade.»

 

Fontes:

 

Público

Diário de Notícias

Jornal de Notícias

Correio da Manhã

Lusa

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