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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

À LUPA

«Ventura ganhou nos países onde a emigração “é menos qualificada”, Seguro nos novos destinos

Tirando o caso da Alemanha, Ventura ganha nos destinos mais tradicionais, como França, Luxemburgo ou Suíça, que são os países onde a emigração portuguesa continua a ser menos qualificada.»

Rui Pena Pires, investigador, no Público 10 de Fevereiro

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O DIA SEGUINTE


Dias negros.

Continuam as intempérie provocadas pelas depressões Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo, Marta.

Quem se seguirá?

Quase impossível trabalhar nas regiões que foram afectadas pelas depressões.

Dois dias sem olhar as pedras do Cais.

Apenas inquietação.

Somos o que somos, o que aceitamos ser, pouco ou nada do que deveríamos querer ser.

Que outras inquietações?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

À LUPA

A posição de neutralidade assumida pela direcção do CDS em relação à segunda volta das eleições presidenciais não é bem aceite por várias personalidades do partido, cujo antigo líder Paulo Portas já veio dar apoio a António José Seguro.

A Lupa pergunta:

Mas o CDS ainda existe?

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

À LUPA


 O debate de ontem nas televisões ajudou a concluir que o presidente «daquela coisa» não é flor que se cheire e que não basta António José Seguro vencer a 2ª volta das presidenciais, é muito importante que ninguém fique em casa e demonstre nas urnas que «aquela coisa» não pode continuar a ofender, a criar cenas de ódio, a desestabilizar um país, já em si tão frágil.

É importante reconhecer, apesar de tudo, a importância do momento que vivemos, representa a necessidade de lutar para que as a esperança em tempos melhores não morra de vez.

Tal como se pode ler na Antologia do Esquecimento:

«Ventura acha que está no caminho certo porque estão todos contra ele. Na verdade, não estão todos contra ele. Mais de 1 milhão de palermas votaram nele. Ele próprio, nas eleições anteriores em que foi candidato, todas e mais algumas, tem vindo a gabar-se de arrasar com este e com aquele porque os portugueses estão do seu lado. Ora, há nesta lógica propagandística uma contradição que não é de admirar. Ventura diz e desdiz a cada hora que passa. O que me parece interessante, desde já, sublinhar é a importância de estarmos todos contra as pragas de ratos, independentemente do caminho que elas sigam. O discurso dos estão todos contra mim é ainda interessante por vir de um bully que passa a vida a estar contra tudo e todos, nomeadamente o PSD e PS, que ele faz equivaler em cartazes sobre corrupção, ou os ciganos, assim generalizados como se no interior da comunidade não houvesse tanta gente diferente. Ventura está constantemente a pôr-se no centro do mundo, as televisões ajudam. Também por isto é tão importante ir votar contra ele, para que finalmente ele perceba que os que estão com ele não são assim tantos como ele apregoa. O que está em causa nas próximas eleições não é a direita versus a esquerda, é indecência versus a decência, não é o socialismo versus as democracias liberais, é o respeito pela Constituição da República versus o desrespeito por uma Constituição que se pretende mudar para favorecer elites contra os direitos de todos, o que está em causa não é 52 anos de corrupção versus três Salazares para acabar com a mama, é a possibilidade de o país continuar a progredir versus um cheque em branco aos pardais das mamadas.»

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO

 Luís Montenegro colocou a pata na poça quando escolheu Luís Marques Mendes para candidato do PSD à presidência da República.

Após o miserável resultado de Marques Mendes, e sem consultar o partido, entendeu que não devia apoiar, para a 2ª volta, nenhum candidato.

Reafirmou esta segunda-feira que não vai apoiar nenhum dos dois candidatos da segunda volta das eleições presidenciais porque o seu foco é governar o país.

“Eu não estou em silêncio, o que eu estou é focado na minha tarefa e na minha missão que é governar o país”, afirmou à saída da apresentação da Carteira Digital da Empresa no Palácio da Bolsa, no Porto.

Montenegro está entalado e nenhuma daquelas asas políticas que o acompanham, lhe fazem ver que, para além de (não) governar, continua a disparatar.

domingo, 25 de janeiro de 2026

A TRANSFORMAÇÃO DE MONTENEGRO EM RÃ


 «Nessa altura, André Ventura ainda não tinha nascido e Luís Montenegro estava a entrar para a escola primária. Duas décadas e meia depois, o primeiro faz o que quer do segundo — goza-o, insulta-o, humilha-o, age como Trump com os seus críticos —, e, mesmo assim, o segundo anui e baixa a cabeça. Colocar o líder do Chega no mesmo plano de António José Seguro diz tudo sobre Montenegro. Nem sabe o que aí vem. Um dia, muito em breve, acorda, olha-se ao espelho e vê uma rã, acabada de ser engolida e cuspida por um Ventura de peito feito com a honrosa derrota que o espera na segunda volta das eleições presidenciais. Nem o PS lhe valerá, porque o líder socialista também acredita que o partido acaba de ressuscitar. Os passistas, esses, assistem de camarote, como escorpiões em pedra bolideira. Quando atacarem, depois de darem corda ao bicho, talvez já seja tarde até para eles.»

Pedro Garcias na crónica do Público de 24 de Janeiro

MÚSICA PELA MANHÃ

As gentes «daquela coisa, perigosamente, entraram num caminho que pretende fazer o regresso do país aos terríveis e negros tempos que vivemos antes do 25 de Abril.

«Na Assembleia Municipal de Lisboa de 13 de Janeiro de 2026, a deputada municipal do Chega, Margarida Bentes Penedo, demonstrou ter muitas, mesmo muitas, dúvidas sobre a linha artística do Teatro do Bairro Alto (TBA). Demonstrou também simpatizar com apenas um artista em Portugal, (o fadista João Braga), que gostaria de ver integrado na agenda cultural da cidade.»

Pedro Adão e Silva, hoje no Público, escreve que estas gentes, para além de outros atropelos, pretendem «Para defender a cultura diabolicamente nova
A premissa de que há uma "cultura de esquerda" que deve ser substituída por uma "cultura de direita" é perigosa. As políticas culturais devem garantir a variedade da oferta, sem interferência política nos conteúdos da programação; assegurar que há espaço para tudo e criar oportunidades para os artistas e as propostas emergentes. A cultura é um espaço de representação, mas também o lugar onde devemos esperar inovação. Sem essa margem para transgredir, as nossas sociedades ficam condenadas ao imobilismo.»

Uma sondagem da Universidade Católica mostra que, no próximo dia 8 e Fevereiro, António José Seguro obtém 70% de votos contra 30% do presidente «daquela coisa».

O perigo destes números é a existência de eleitores que poderão pensar que o vencedor está encontrado e já não será necessário ir votar.

Lembrar que a abstenção é uma atitude que, poderá não lhe dar a vitória, mas favorece os desígnios do presidente «daquela coisa».

Por isso, a música da manhã de hoje, leva-nos para o poema de  António Gedeão que deu uma canção de Manuel Freire.

sábado, 24 de janeiro de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


Voltamos à pergunta de Mário de Carvalho:

Não perceberão as pessoas que atravessamos um momento perigosíssimo?

Pelo que se dirá, citando o músico Miguel Guedes, que a 2ª volta da Eleição Presidencial «não é uma escolha, é uma obrigação. Não há negociação ou transigência. A estabilidade e a decência não podem pecar por omissão, muito menos por parte de cada um dos candidatos que não passaram à segunda volta, sendo grotesco que qualquer deles, à Direita, não venha a admitir endereçar o seu voto a António José Seguro.»

A nossa Música Pela Manhã deste sábado, atravessa uma das mais importantes canções de Sérgio Godinho.

É a faixa de abertura do álbum «À Queima Roupa» de 1974:


LIBERDADE

 

Viemos com o peso do passado e da semente

Esperar tantos anos torna tudo mais urgente

e a sede de uma espera só se estanca na torrente

e a sede de uma espera só se estanca na torrente

 

Vivemos tantos anos a falar pela calada

Só se pode querer tudo quando não se teve nada

Só quer a vida cheia quem teve a vida parada

Só quer a vida cheia quem teve a vida parada

 

Só há liberdade a sério quando houver

A paz, o pão

habitação

saúde, educação

 

Só há liberdade a sério quando houver

Liberdade de mudar e decidir

quando pertencer ao povo o que o povo produzir

quando pertencer ao povo o que o povo produzir

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO

 Segundo o jornal  Público o «Grupo 1143, classificado pela Polícia Judiciária como uma associação criminosa neonazi, terá realizado pelo menos um “treino de combate” no ano passado e um exercício no ano anterior em que os membros terão marchado com escudos antimotim. A cúpula do grupo, liderado por Mário Machado, teria a intenção de transformar a organização numa “milícia”.».

A frase de Mário de Carvalho, ontem, escolhida para o Postal Sem Selo: Não perceberão as pessoas que atravessamos um momento perigosíssimo?», tinha o propósito de vincar o perigo que a democracia portuguesa atravessa.

Mais ainda quando o presidente «daquela coisa», numa entrevista à RTP, não quis, não conseguiu, demarcar-se do apoio que os grupos neo-nazis lhe prestam: afirmou não os conhecer e disse ter afastado apenas os que "tinha de afastar".

Mais se adensa a ideia de que foi um enorme erro (?) o Tribunal Constitucional ter permitido a existência «desta coisa».

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

POSTAIS SEM SELO


Não perceberão as pessoas que atravessamos um momento perigosíssimo?

Mário de Carvalho

CRONICANDO POR AÍ


 O gosto pelas Crónicas, o desejo único de que o espírito de Abril se mantenha pelos tempos fora, «Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os Estados Sociais, os Estados Corporativos e o estado a que isto chegou. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem não quiser sair, fica aqui!», Salgueiro Maia ainda em 24 de Abril de 1974:

«Tinha nove anos. Os meus pais eram comunistas: «a nossa senha é Salgado Zenha», naturalmente. Levava para a escola primária dos Olivais autocolantes com um Z. 

Desde cedo, aos seis anos, que ia a pé para a escola, quinze minutos de deslocação com um colega e amigo. Éramos miúdos e estávamos por todo o lado, por toda a cidade. 

Lá estava a inscrição na parede ao pé de casa: «Não à lei Barreto/77». Havia política por todo o lado. Hoje também há, mas é mais invisível, mais elitista, menos democrática. E isto já não é bem um país, como sabeis, dada a perda, sempre reversível, de soberania. Ainda é uma pátria. Mas não há crianças nas ruas, aos bandos. Envelhecer deve ser isto. Prossigamos.

Os meus colegas de direita tinham todo o tipo de bugigangas do Freitas do Amaral, dizia-se que era a primeira campanha «à americana». Na sua autobiografia, Freitas do Amaral, já agora, usa o termo neoliberal para descrever as suas orientações e as do seu CDS. Sim, sou um respigador destes usos de uma palavra que alguns ainda rejeitam de forma ignorante.

Invejava os meus amigos de direita secretamente. Uma vez fui passar a tarde a casa do Pedro e fomos com a mãe dele às compras. De passagem, fomos dizer olá à avó, que estava a trabalhar numa sede de campanha do Freitas, ali na Cruz de Celas. A avó queria dar-me um sortido kit de campanha: «este menino é do Zenha», antecipou a mãe. Pois sou, confirmei, como se uma meta-preferência ético-política contrariasse a preferência imediata pela cor, pelo plástico.

Irritava-me o hino de Freitas do Amaral, o do «prá frente Portugal», que me ficou no ouvido até hoje, tal como o do «pão, paz, povo e liberdade» do cavaquismo ascendente. O Rafael, o meu melhor amigo, era do PSD e eu, aparentemente, tinha-o apodado de «fascista» quando soube disso, no dia em que nos conhecemos, fazia três anos. Conta essa história até hoje, mas eu não me lembro. A memória depende de outros, como tudo na vida. Aprende-se, imitando, claro. 

Lembro-me de ir a um entusiasmante comício de Salgado Zenha, que julgo ter sido no Teatro Avenida. Estava a abarrotar. Agitei uma bandeira com alegria, como ainda hoje gosto tanto de o fazer. O Teatro já não existe, substituído há muito por um mamarracho hediondo. 

Lembro-me de se achar que Maria de Lurdes Pintassilgo só servia os interesses da candidatura de Soares. Soares, esse sim, era odiado. O meu pai tinha sido advogado sindical na última década antes das eleições, a da queda brutal do peso dos salários no rendimento nacional depois do grande avanço do glorioso PREC.

Chorei no domingo da primeira volta, sempre tive a lágrima fácil: «perdeu-se uma batalha, mas não se perdeu a guerra», consolou-me o meu pai, ao mesmo tempo que dizia que jamais votaria em Soares. «É claro que vamos votar no Soares», disse a minha mãe, antecipando a deliberação coletiva proferida por Álvaro Cunhal. 

Andei então com um autocolante de Soares e tive mais companhia no recreio nessa altura. A seguir, logo em 1987, Soares foi Soares, nunca se pôde confiar nele, realmente. Mas a unidade possível era função do inimigo principal num tempo antes deste terrível consenso neoliberal. O neoliberalismo era só um movimento entre outros, não era ainda o regime europeu que Soares sempre endossou, retórica à parte.

E ainda não vi o documentário na RTP da autoria de Ivan Nunes e de Paulo Pena, de que já me falaram, sobre as eleições de 1986. Vou agora ver, provavelmente com melancolia de esquerda. 

Antes, porém, há que dizer e redizer, sem qualquer melancolia: «com o povo, por Abril, por Portugal». Sim, muito obrigado, António Filipe, por esta campanha imprescindível. Poder e razão não são sinónimos e nunca esta distinção foi tão importante. Pode perder-se e ainda assim ter razão, muitas razões.

Agora, vou votar no candidato que não se chama Ventura. Pensarei em Cunhal e no meu pai. Não é difícil votar. Difícil foi conquistar o sufrágio universal. E aí os comunistas foram, como sempre, imprescindíveis.

A vida, a luta e a resistência não terminaram no passado domingo, nem terminarão no dia 8. É papel dos democratas rejeitar Ventura, mas a luta não se esgota aí. De facto, continua a ser imprescindível derrotar o consenso neoliberal, desde logo tendo presente que rejeitar Ventura, não é apoiar as ideias de Seguro. 

A luta social terá de se intensificar e muito. Os perigos para a democracia não se encontram apenas em Ventura, mas nos projetos mais vastos de exploração, desde logo no pacote laboral. Sabemos quem continua a ser imprescindível para derrotar tudo isso.»

João Rodrigues em Abril, Abril

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

SOLTAS


Em busca de espaço para aconchegar os livros que vão entrando e não encontram espaço na Biblioteca da Casa.

Caixas com caderninhos, guardanapos de papel dum qualquer café, ou tasco, com palavras, algumas nem consegue decifrar… que estavam por ali para um qualquer texto que quis escrever, ou emendar um qualquer outro…

Desviar caixas e pastas de arquivo. 

Detesta deitar coisas fora, mas terá que ser, terá que ser…

Soltas que agora vão ficando por aqui, que se juntarão a soltas do dia, do nosso quotidiano e do mundo que gira, gira em busca de um qualquer abismo. 

1.

Anos 50.

Liceu Gil Vicente, professor Falcão Machado, aulas de Ciências Naturais:

 «Quem estuda não guardas cabras, há ruas para calcetar, campos para cultivar…»

2.

Fecharam as tascas e abriram restaurantes para gente fina, em busca de estrelas Michelin. Esqueceram que o dinheiro não falta apenas aos pobres.

 «Dezembro foi uma desgraça: os chefs em Portugal estão a “trabalhar para pagar contas”».

Lembrar ainda quem disse e agora o nome não lhe ocorre:

«Sou um óptimo garfo. Gosto de tudo quanto seja leve - feijoada, cozido à portuguesa... Só não como nouvelle cuisine. Detesto pagar para ter fome.»

3.

 Está tudo nos livros

4.

Anemoia: nostalgia de um tempo no qual nunca se viveu.

O Dicionário de Morais, existente na Biblioteca da Casa que segue as regras do Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro de 10 de Agosto de 1945, não contempla a palavra.

A Wikipédia elucida:

Anemoia é um neologismo que descreve a nostalgia ou saudade de um tempo ou lugar que a pessoa nunca viveu, como os anos 80 ou o século XIX, sentida através de filmes, músicas e fotos, criando um sentimento de pertencimento a uma era passada idealizada, uma fuga do presente, popularizado pelo The Dictionary of Obscure Sorrows.

É uma melancolia por uma época que não faz parte das suas próprias memórias, mas que você idealiza como mais simples ou romântica.

5.

Disse Miguel Lobo Antunes:

«Deus é uma construção dos homens.»

6.

De um poema de José Miguel Silva:

«Custa-me dizê-lo, mas Descartes estava errado:

não há nada no mundo mais bem distribuído

do que a estupidez. O que nos leva, fatalmente,

à conclusão de que as catástrofes políticas

ocorrem por motivos puramente naturais.»

7.
«Nos últimos anos, em todas as eleições, a pergunta é a mesma: até que ponto as forças que defendem o sistema democrático liberal vão aguentar a onda de populismo radical que tem colocado em risco o espaço da tolerância, do diálogo, da liberdade e do Estado de direito? Portugal voltou a responder positivamente, mas, como é fácil de perceber pelo resultado desta primeira volta, é uma resistência cada vez mais ameaçada.»

David Pontes, Público de 19 de Janeiro

8.

«Eu não quero voltar ao socialismo em Portugal", disse o líder do Chega, repetindo que "o socialismo destrói", "o socialismo mata" e "o socialismo corrompe".»

Leonardo Ralha, Diário de Notícias de 19 de Janeiro

9.

Pelo menos 3919 pessoas morreram no Irão durante os protestos antigovernamentais que começaram no final de dezembro nas principais cidades iranianas, de acordo com a última contagem divulgada pela organização não-governamental Human Rights Activists News Agency.


Legenda: cena do filme What´s New Pussycat? De Clive e Donner, 1965, com Woody Allen e Romy Schneider.

NOTÍCIAS DO CIRCO


Dois dias sem percorrer as pedras do Cais.

Passei o sábado de reflexão, quando chega o dia em que as autoridades acabam com esta idiotice, esta anormalidade?... e o domingo, depois de exercer o meu direito de voto, em limpezas, na (im)possibilidade de encontrar espaço para os livros que se amontoam um pouco por cada sala da casa.

Sabemos, agora, quem irá à 2ª volta da eleição presidencial que ocorrerá a 8 de Fevereiro.

1.

«O próximo Presidente vai ter uma tarefa difícil.»

Marcelo Rebelo de Sousa, na sexta-feira antes das eleições.

2.

«O PSD foi escolhido para governar Portugal e não emitirá nenhuma indicação de voto para a segunda volta.»

Luís Montenegro

3.

Na segunda volta a esquerda apoia António José Seguro.

4.

«A direita acordou, e é hora de liderar a direita e juntar esforços para evitar um socialista em Belém. É esta a batalha da segunda volta das eleições presidenciais.»

O presidente «daquela coisa»

5.

Mantém-se os sérios riscos que pairam sobre a democracia portuguesa!

sábado, 10 de janeiro de 2026

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO


Que presidente da República iremos ter?

A campanha eleitoral vai-se arrastando envolta numa pobreza franciscana.

Destaco este comentário de um leitor do Público:

«A memória é muito frágil e não tem sido trabalhada desde há uns anos Esquecer é mais fácil.

Quem apoia o Chega não é desejável como eleitor por não ser de confiança. Ponto. Já agora, a "geringonça" não era de esquerda. Era um governo minoritário de um partido de direita que necessitava do apoio de dois partidos de esquerda para poder governar.»

L. Mendonça, leitor do Público, na edição de 28 de Dezembro.

1. 

A PSP de Lisboa deteve cinco jovens, entre os 15 e os 20 anos, por roubos a estafetas de entrega de comida. O grupo foi apanhado em flagrante, num armazém em Marvila, do dia 29 de dezembro, a consumir a comida e as bebidas que tinham encomendado.

De acordo com a PSP, os suspeitos tinham delineado um plano com este objetivo, efetuando a encomenda e dando uma morada falsa. Quando o entregador chegou foi cercado, agredido e, sob ameaça de faca, obrigado a entregar as três encomendas realizadas para o mesmo local e o telemóvel.

2.

«A Sicasal, empresa industrial de processamento de carnes localizada no concelho de Mafra, foi declarada insolvente, a pedido do Banco Comercial Português, de acordo com o anúncio da declaração de insolvência do Tribunal da Comarca Lisboa Oeste publicado esta quarta-feira.
Contactado pela agência Lusa, o administrador de insolvência disse que a "produção da Sicasal está parada, mas há a intenção de apresentar um plano de recuperação para a reactivar e há todo o interesse em não encerrar a unidade".

Jorge Calvete confirmou que existem "vários investidores interessados" na empresa.»

Público

3.

As dez maiores fortunas portuguesas valem cerca de 25 mil milhões de euros, mais 1,6 mil milhões face ao ano passado. Paula Amorim, que lidera a petrolífera Galp - onde é presidente do Conselho de Administração - foi considerada a mais rica de Portugal pela revista Forbes, que divulgou esta quarta-feira o ranking das maiores fortunas nacionais, a maioria de caráter familiar.

Os cinco primeiros lugares da lista continuam a ser dominados pelas famílias Amorim, Soares dos Santos, Guimarães de Mello e Azevedo,  a que se juntou este ano Dionísio Pestana, que subiu um lugar face ao ano passado, dono do Grupo Pestana, Pousadas de Portugal e o Casino da Madeira, entre outras empresas.

4.

O Relatório Anual de Segurança Interna, relativo a 2024, indica que cerca de 24 mil mulheres foram vítimas de violência doméstica, o que dá uma média de um crime a cada 22 minutos.

5.


Esta frase da ministra da Saúde retrata a incompetência, a teimosia de um primeiro-ministro que teima em não querer ver o estado crítico que se vive no Serviço Nacional de Saúde.

Luís Montenegro ao anunciar ao país, com pompa e circunstância, a aquisição de 275 novas viaturas para o INEM, esqueceu-se de dizer que essa processo começou com o governo PS e arrasta-se há dois anos, e só chegarão daqui três e seis meses sem poderem a acudir ao pico de crise que se vive neste Inverno. 

sábado, 29 de novembro de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO


 Antevia-se que fossem assim os debates sobre as eleições presidenciais, acima de tudo pela presença do presidente daquela coisa.

Seve, um viajante deste Cais, dizia-nos há poucos dias, que pior que os debates, são os comentários das televisões após os debates.

Tudo o que ele diz é fétido e exige urgentemente a descida à sanita para o banho purificador do autoclismo.

Aquela coisa nem merece o nosso ódio, nem o nosso combate, antes desprezo e a nossa tristeza.

É certo que a esquerda fez erros, “desfigurou as linhas do seu rosto”, como disse Sophia, mas o Tribunal Constitucional, ao permitir a existência «daquela coisa»,  cometeu um erro enorme, hipotecou o futuro, já não muito firme e claro, deste país.

A comunicação social, principalmente a televisiva, em prol dos «shares» ajudou – e de que maneira! – com o seu constante visionamento dos disparates, das mentiras daquela gente, à desbunda total.

Valham-nos os deuses de todo o Olimpo.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

À LUPA


Os debates televisivos são uma invenção que os donos das televisões inventaram para os «shares».

Vão durar uma eternidade.

Mas só aquelas cabecinhas não entendem que um debate de escassos 30 minutos, nunca servirão para os eleitores captarem o que quer que seja.

Servem para angariarem publicidades e «shares»!

Para além da seca que tudo aquilo é, o que ainda é mais arrepiante são os comentários que se seguem ao palavreado e à gritaria dos candidatos falantes, onde não falha essa parte desprezível que são as notas aos candidatos, invenção, há longo tempo, de Marcelo Rebelo de Sousa enquanto comentador.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO


 «O candidato presidencial Marques Mendes deslocou-se na noite desta quarta-feira ao restaurante "O Toscano", na Parede, para se encontrar com o líder centrista Nuno Melo e os restantes membros da sua Comissão Executiva, que se reuniram num jantar, tal como foi avançado na edição impressa do DN, para tomar uma decisão sobre o posicionamento do partido na corrida à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa.

Para a decisão da Comissão Executiva do CDS, que comunicou na manhã de quinta-feira ter decidido "declarar institucionalmente" apoio à candidatura de Marques Mendes às eleições presidenciais de 18 de janeiro de 2026, contribuíram as respostas do atual conselheiro de Estado às perguntas que lhe foram feitas pelo núcleo duro da liderança centrista. Um órgão mais restrito do que o Conselho Nacional, que na sua última reunião, a 29 de outubro, mandatou a Comissão Executiva a resolver o dossier presidencial, perante a profusão de declarações de apoio de militantes e dirigentes a vários candidatos.

Marques Mendes terá chegado ao restaurante "O Toscano" perto das dez da noite, depois de dar uma entrevista ao canal televisivo Now, em Lisboa, saindo da Parede com a garantia que o CDS se juntaria ao PSD no apoio à sua candidatura, que nas últimas sondagens tem mostrado condições para passar à segunda volta das eleições.»

Leonardo Ralha no Diário de Notícias de hoje.

domingo, 9 de novembro de 2025

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO


 Gostar de futebol é uma coisa, saber que as televisões demoram horas intermináveis a discutir eleições, penaltys que não foram marcados ou foram mal marcados, ou golos que estavam em fora de jogo.

Poderia pensar-se que as mesmas televisões poderiam dedicar, não digo as mesmas horas intermináveis mas apenas algumas horas, sobre um filme, um livro, uma peça de teatro, uma exposição…

1.

Gouveia e Melo revela que se candidata porque Marcelo Rebelo de Sousa o tentou travar. Presidente nega ter tomado essa posição em público.

2.

Cavaco Silva declara apoio a Marques Mendes e diz que Gouveia e Melo carece de competência:

«O almirante Gouveia e Melo pode ter muitos predicados, mas não possui as competências e qualificações para exercer as funções de Presidente da República.»

3.

CGTP e UGT anunciam greve geral para 11 de Dezembro contra a reforma da legislação laboral.

4.

Segundo o bastonário da ordem dos médicos todos os anos saem 800 médicos de Portugal.

5.

Os bancos portugueses concederam 18 mil milhões de empréstimos para a compra de casa nos primeiro oito meses do ano.

6.

O Governo acaba de propor um aumento do subsídio de refeição para a função pública em 10 cêntimos ao ano a partir de 2027, de modo a atingir em 2029 o valor de 6,30 euros.

7.

Uma bebé nasceu dentro de uma ambulância do INEM, na berma da A22, em Loulé, quando estava a ser transportada para o Hospital de Portimão. O caso ocorreu na noite em que a urgência de Obstetrícia do Hospital de Faro estava encerrada por falta de médicos especialistas.

sábado, 8 de novembro de 2025

À LUPA


O Partido Socialista é um erro de casting.

Nunca foram socialistas.

Por um dia antigo, Mário Soares, encerrou o marxismo numa qualquer gaveta.

Nunca mais encontraram a chave.

Sempre foram sociais democratas.

Hoje, declaram-se de centro-esquerda, algo que o PPD, desde os primórdios do partido, sempre disse que era, para hoje não ser nada disso.

António José Seguro, por vontade própria, avançou para as presidenciais do ano que vem.

O Partido Socialista recentemente deu-lhe um certo apoio.

Numa entrevista ao jornal Público teve dificuldade em se assumir de esquerda.

Posteriormente disse que o apanharam num mau dia e adiantou:

«Pertenço à esquerda moderada, àquela esquerda moderna que se afirma com soluções concretas para os problemas das pessoas.»

Quem navega naquelas águas acaba por não conseguir perceber o que, efectivamente, António José Seguro defende.

A Lupa também não consegue lá chegar, mas não dramatiza porque respira outros ares.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO

Sim, há a frase atribuída a Voltaire: «Não concordo com o que dizes, mas defendo até à morte o direito de o dizeres.», mas o Tribunal Constitucional nunca deveria ter aprovado a criação de Aquela Coisa. Tudo aquilo é gente indigente, desclassificada. Os cartazes colocados, agora, em diversas localidades, não têm nada a ver com propaganda eleitoral para as presidenciais, incluem frases como "Isto não é o Bangladesh" e "Os ciganos têm de cumprir a lei", estão a desencadear diversas queixas por discriminação.

Farid Ahmed Patwary, um dos representantes da comunidade do Bangladesh em Portugal, questiona: «Como pode um candidato à Presidência da república espalhar ódio por outro país?

O presidente de aquela coisa recebe das televisões - e não só! - , por motivos pouco claros, obscenos direi, uma atenção mais que vergonhosa.  Não há mais ninguém que tenha essa visibilidade. Não há peido que dê, que não estejam presentes as câmaras de televisão para o registar. Foi esta a criatura que as televisões – e não só! - criaram, e não se poderá  esquecer que foi uma televisão de sargeta que lhe proporcionou, como comentador de futebol, o estágio para chegar onde chegou, ao ponto de, ontem ter gritado na Assembleia da República, que são precisos 3 salazares para endireitar o país, que ele chama de «bandalheira»

Legenda: imagens da Sic Notícias e da Rádio Renascença.