Mostrar mensagens com a etiqueta Aldina Duarte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aldina Duarte. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A ESCUTA


Aprendi com o fado a despedir-me, a partir e a regressar, por saber e sentir que tenho um lugar marcado onde sei que me encontro, a bem ou a mal, num espaço sagrado e vital e, por isso, inviolável. Nele descubro que do luto se renasce e que de amor nunca morri. Esta é a minha fortaleza redentora, ora consoladora, ora agreste, ser fadista. E é meu desejo que vos sirva de alguma coisa: a escuta.

Aldina Duarte

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

POSTAIS SEM SELO


Quando quero impressionar faço queques de framboesa.

quinta-feira, 6 de março de 2014

O QUE NUNCA DIREI


Sexta-feira dia 7 e sábado dia 8, pelas 21,30 Horas Concertos de Aldina Duarte no Grande Auditório da Culturgest.
Preços:
Bilhete: 18,00 euros
Bilhete até aos 30 anos: 5,00 euros

Não, não há derrota, não, ninguém esmaga, nem o tempo mata.
No canto imparável da Aldina, há um entusiasmo que nos empurra, nos abraça, ouvimos-lhe a canção cantando com ela, e conquistamos o xaile, o cravo, a rua, o passeio, o dia livre, conquistamos a vida.
Por melancólicas ou angustiadas que sejam as palavras, há um jeito que a Aldina lhes dá, uma voltinha de coragem que as torna sempre entusiasmantes.
Não a ouvimos metidos para dentro, no silêncio, não, eu ouça-a de manhã.
Porque o seu canto vence a noite, é o dia que ela nos escancara.
É um canto à janela, por deserta e soturna que seja a rua por onde andamos.
É entusiasmante, sim, entusiasma-me sempre cada uma das palavras, cada verso, cada cantiga, esta Aldina.

Jorge Silva Melo

domingo, 27 de novembro de 2011

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Na próxima terça-feira, pelas 21,30 horas, no Grande Auditório da Culturgest, Aldina Duarte vai dar um concerto a que chamou “Contos de Fados”.

Preços: 18,00 euros.
Até aos 30 anos: 5 euros

“Quando canto também sonho; creio que estou a trabalhar, subterraneamente, na substituição de um medo, que é comum a todos, por uma esperança igualmente forte. Não me levem a mal.
Ao fundo do palco as cores primárias sucedem-se, entre nós a luz e a sombra, e o jogo sagrado de muitas vidas onde todos somos tudo e não somos nada.
No concerto – Contos de Fados – desejo um lugar de silêncio e revelação onde cada um por si, legitimamente, possa brincar consigo próprio às escondidas, imaginando no seu coração um esconderijo de ilusões e desilusões em desafio permanente, honesto e generoso.
Canto porque a vida me foi levando nessa direcção, mas como o vento norte, às arrecuas, sempre no sentido do Fado.
E canto – “Orfeu e Eurídice” – à Maria do Rosário Pedreira, e aos fadistas, e aos poetas: “mesmo que o saiba fechado / no silêncio mais profundo”.
E canto – “No Pó Que Ficou” –, do José Luis Gordo, a memória dos que se apaixonam, e dos que resistem, e dos que morrem: “no pó que ficou por lá / escrevi o teu nome ausente”.
E canto – “Que Amor É Este?” – o que não digo de ti, e de outros, e de ninguém : “Sobre o céu e o inferno / Diz-me tu o que não sei”.
E canto – “Medeia” – à Manuela de Freitas, e às mulheres, e a todos: “fiz do vazio pensamento / à espera de redenção”.
E canto – “Uma Outra Nuvem” – por mim como quem reza distraída, e pelo José Mário Branco, e pelo meu semelhante: “em que eu à força de aprender a amar / aprenda tudo sobre toda a gente”.

Aldina Duarte

quarta-feira, 29 de junho de 2011

DA MINHA GALERIA



Quando por um Natal calhou-me como prenda um disco da Aldina Duarte, “Apenas o Amor” tive uma surpresa muito agradável.

Desconhecia por completo Aldina Duarte e fiquei impressionada com a voz, o estilo, as palavras que cantava e passei a acompanhar o seu percurso.

Gosto de pessoas que sobem a pulso, que não precisam de muletas para chegar onde chegam e não esquecem as dificuldades que encontraram na vida.
Sabermos que quem gostamos de ouvir, também gostamos de ver como pessoa, é uma coisa muito feliz.

Por ocasião do lançamento do seu último disco, “Contos de Fados", Aldina Duarte deu uma entrevista muito bonita à revista “Pública”. Se tiverem oportunidade de a ler não percam, foi publicada juntamente com o jornal do dia 29 de Maio.

Quero deixar-vos alguns dos bocadinhos que mais me tocaram:

“Os livros ajudaram em tudo. No inicio eram mesmo a minha única e grande saída daquele mundo limitado em que vivia, Chelas. Quando aprendo a ler, muito cedo, aprendo a ler a ler livros. Eram duas coisas que não se separavam.

O grande acontecimento que marca a minha infância é o fascismo. A minha infância foi triste, e cruel. Nem é uma coisa de que goste de falar. Como tema de conversa é sério demais. As crianças pobres assistem à humilhação dos pais, pobres. É um sofrimento redobrado.

O 25 de Abril, é óbvio. Foi a restituição da dignidade merecida. Toda a gente a merece, à partida, e a minha mãe especialmente. Acreditou sempre que ia haver uma revolução. E disse-me. Era o nosso segredo. Nunca podíamos falar disto com ninguém, havia a Pide.

É uma das coisas que se culpabiliza. Mas quem se tornou uma adulta à força foi a situação, o fascismo, não foi a minha mãe.

A minha mãe tinha uns pais muito inteligentes, que a amaram muito. Apesar de vir de uma grande pobreza, tem uma origem em nada miserável. É só pobre, não acumula. Normalmente, a pobreza atrai a miséria e contaminam-se reciprocamente, mas não era o nosso caso.

Mas fui uma criança racional. A minha mãe diz que eu não chorava, dizia: “Apetece-me chorar”. É sinistro. O meu primeiro grande contacto com as emoções foi na adolescência. Lembrei-me que não tinha sido feliz na infância. E tive raiva. “Tiraram-me a infância, esses filhos da mãe dos fascistas.

E sejamos pragmáticos, era o espaço que tinha para não estar sozinha, e protegida. Adoro a rua, é a única memória de alegria da minha infância. A rua e aqueles jardins das casa apalaçadas onde a minha mãe trabalhou. O meu gosto pelo universo pagão vem daí, de andar na serra de Sintra nos jardins do Palácio do penedo. Imaginava como sempre fui, havia alturas em que acreditava que as árvores falavam, que havia fadas, gnomos…

Fui obrigada a cantar sentimentos que nunca tinha cantado. As dores do amor, as alegrias do amor, a cidade, a raiva, o desespero – canto isso desde sempre. Mas o vazio, a frieza, a incapacidade de amar, não. Uma biografia também não. A mentira a fealdade, também não. Tive de ir a um fundo a que ainda não tinha ido, para poder interpretar.”