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quinta-feira, 14 de maio de 2020

POSTAIS SEM SELO


Há lugares no coração do homem, que não têm existência ainda; e neles penetra o sofrimento, para que possam tê-la.

Léon bloy epígrafe de O fim da Aventura de Graham Greene

terça-feira, 7 de novembro de 2017

POSTAIS SEM SELO


Mais tarde ou mais cedo temos de pomar partido, de forma a parecermos humanos.

Graham Greene em O Agente Americano

Legenda: John Reed

domingo, 6 de março de 2016

95 ANOS


Assinalam-se, hoje, os 95 anos do Partido Comunista Português.

Graham Greene no seu O Americano Tranquilo:

Mais tarde ou mais cedo seremos forçados a tomar partido. Isto é, se pretendemos continuar a pertencer à raça humana.

Alice Vieira numa entrevista:

Às vezes chateio-me com eles, mas quando vou votar, começo a pensar e a minha mão não vai para mais lado nenhum. Tenho sempre na cabeça uma frase que o Mário Dionísio me disse e que me tocou: “Os erros dos nossos amigos nunca nos hão-de pôr do lado dos nossos inimigos.” Por isso, mesmo que os meus amigos cometam erros, e cometem, e eu esteja em desacordo, chega uma altura em que penso no essencial, largo o acessório e fico com eles.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

POSTAIS SEM SELO


Quando fugimos para o deserto o silêncio grita-nos ao ouvido.

Graham Greene em O Americano Tranquilo

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia

quinta-feira, 5 de março de 2015

POSTAIS SEM SELO



A nossa vida é mais feita pelos livros que lemos do que pelas pessoas que conhecemos. 

Graham Greene

Legenda: fotografia Espaço Ulmeiro

sábado, 20 de julho de 2013

MEMÓRIAS QUE SE DESFAZEM


Há mortes anunciadas.

Mais tarde, ou mais cedo, sabemos que vão acontecer.


Mais uma livraria vai fechar portas no Chiado.

Em Janeiro do ano passado fechou a Livraria Portugal.

Soube-se, agora, que a Livraria Sá da Costa, na Rua Garrett, que assinalava este ano o centenário da sua fundação, vai fechar as portas na próxima segunda-feira. Foi declarada insolvente pelo Tribunal de Comércio de Lisboa já que uma assembleia de credores rejeitou um plano de viabilização da empresa apresentado a 2 de Julho. Assim sendo foi decretada a liquidação total, que implicará a venda de todo o património da livraria e a extinção da empresa.

Para além de livraria, a Sá da Costa era também uma editora de clássicos.

Foi graças à Sá da Costa que pude adquirir, em 1972, três volumes dos Ensaios de António Sérgio que me faltavam. Acabaria  por comprar todos os ensaios do Sérgio publicados pela Sá da Costa, porque era uma edição muito cuidada, orientada por Castelo Branco Chaves, Vitorino Magalhães Godinho, Rui Grácio, Joel Serrão e organizada por Idalina Sá da Costa e Augusto Abelaira.


Mas quem é que hoje lê António Sérgio?

Quem é que hoje frequenta livrarias?

Num local bonito onde se vendiam livros, passaremos, certamente, a ver um espaço para venda de trapos e bugigangas.

Chamam-lhe globalização, ou lá o que é.

A última vez que estive na Sá da Costa foi, em Outubro do ano passado, no lançamento  do Para Já, Para Já do Vitor Silva Tavares.

E assim, a minha Lisboa vai desaparecendo aos poucos.

Estas coisas doem que se farta.

Poderia ir, hoje, subir o Chiado para tirar o último boneco à Sá da Costa.

Falta-me coragem, o que lhe quiserem chamar.

Escreveu Graham Greene que a nossa vida é mais feita pelos livros que lemos do que pelas pessoas que conhecemos.

Foi em livrarias que comprei a esmagadora maioria dos meus livros.

Livrarias como a Sá da Costa.

Se não sabes despedir-te diz que já voltas.

Legenda: Vitor Silva Tavares, à conversa, na Sá da Costa, por ocasião do lançamento de Para Já, Para Já. Para Já, Para Já

domingo, 11 de abril de 2010

DEZ DIAS QUE ABALARAM O MUNDO


Cresci rodeado de livros.

Uma sorte, um privilégio, diga-se. Foi assim que tudo começou.

Há os que não têm nem essa sorte, nem esse privilégio. 

Os que têm de procurar são as pessoas que me merecem admiração, as pessoas de quem gosto, enquanto que os que têm livros à disposição, entendem que ler é uma grande maçada, ignoro-os, esqueço-me que existem, se bem que os oiça bolsar que os livros estão empoeirados, as canecas de cerveja ensinam melhor, a cerveja dá prazer, os livros apenas aborrecimento.

Havia o hábito de, nas prateleiras mais altas, colocar os livros que se convencionava não serem lidos em determinadas idades.

Lá em casa não havia essa regra. Os livros, todos, eram para serem lidos.

Juntamente com os Salgari, os Walter Scots, os Júlio Verne, ter lido o Eça de Queiroz aos 13/14 anos foi uma aventura inesquecível. Naturalmente que, mais tarde, ao Eça tive que voltar, e não é por já tanto o ter lido e relido, que alguma vez deixarei de lhe bater à porta.

Um livro de capa preta tinha o título de Dez Dias Que Abalaram o Mundo.

Tratava-se da edição basileira do livro de John Reed., um edição popular, publicada em 1945 pela Editorial Calvino Lda do Rio de Janeiro
.
O Mundo, alguma vez mudara? E em dez dias? Como teria sido?

Nada como ir ler para contar como foi.

No prefácio desta edição a que Egon Erwin Kish dá o nome “John Reed, o jornalistas das barricadas”, pode ler-se logo nas primeiras linhas:

“Combateu nas barricadas. Sua arma era o lápis, como a arma do ferreiro, lutando a seu lado, talvez fosse o martelo.
Mesmo examinada do ponto de vista jornalístico, a actividade de John Reed foi admirável. Os acontecimentos de uma semana, que seus colegas consideraram simples lutas episódicas entre os partidos russos ou incidentes pouco importantes da guerra, para John Reed foram dias que abalaram o mundo”.


Na abertura do prefácio, datado de Nova Iorque 1 de Janeiro de 1919, John Reed escreve:

“Este livro é um naco de história intensiva – tal como eu a vi. Nada mais pretende ser do que uma narrativa pormenorizada da revolução de Novembro, quando os bolcheviques, à frente dos operários e soldados, se apoderaram do poder governativo da Rússia e o colocaram nas mãos dos sovietes.”

E a fechar:

“Na luta, as minhas simpatias não ficaram neutrais. Mas, ao narrar a história daqueles dias grandiosos, tentei ver os acontecimentos com os olhos de um repórter consciencioso, interessado em registar a verdade”. (1)

Quando aos 17 anos, mais coisa menos coisa, em plena ditadura de Salazar, se pega num livro como “Dez Dias Que Abalaram o Mundo” só duas coisas poderiam suceder: colocar de imediato o livro de lado, lê-lo com o encantamento de uma aventura.

Sim, o livro é uma apaixonante reportagem, um livro honesto porque o autor declara de que lado está.

Penso que a vontade, a vontade e as ideias, têm um importante papel nos tempos da adolescência.

Caminhos que nos levam a tomar partido, não ficar naquela margem de não ser coisa nenhuma, nem direita, nem esquerda. Ficar no meio, com uma ténue ideia, a possibilidade de ver os dois lados.

Há uns anos, numa entrevista, António Mega Ferreira que, necessariamente, terá lido John Reed, dizia que o centro é uma cobardia, é uma falta de coragem, é para onde convergem, direita ou esquerda, quando não têm coragem.

Graham Greene, em “O Americano Traquilo” vai mais longe.: 

“ Mais tarde ou mais cedo temos de pomar partido, de forma a parecermos humanos”.

É comum ouvir dizer que se chegou a determinado olhar sem ter passado por manifestos, pelos mais variados ismos.

Porque também se pode chegar a esse olhar, lendo, Albert Camus, Elio Vittorini, Roger Vailland, Jorge Amado Roger Martin du Gard, Hemingway, Soeiro Pereira Gomes, uma lista de nomes de todo interminável.

Em 1981 Warren Beaty realizou Reds um filme que retrata a vida do jornalista John Reed, protagonizado, entre outros, pelo próprio Warren Beaty, Diane Keaton, Jack Nicholson, Gene Hacmann.



(1) – A tradução de “Dez Dias Que Abalaram o Mundo”, aqui citada, é a de A. Dias Gomes para “Publicações Europa-América”, Maio de 1976.