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domingo, 25 de janeiro de 2026

OLHAR FRIGIDEIRAS, TACHOS, PANELAS


 Leia-se a newsletter que a jornalista Bárbara Reis publicou no Público de 14 de Janeiro:

«Os 12 jornalistas que estão há seis meses a fazer a revista Visão a partir de casa querem comprar o título, que vai ser vendido em leilão, e precisam de 200 mil euros. Em sete dias, conseguiram 55% do objectivo.
Liguei ao Fernando Alves, rei da palavra e que no início dos anos 1980 ajudou a fundar a TSF como cooperativa de jornalistas, e disse-lhe o nome da campanha de angariação de fundos da Visão: MIL.

– Mil?

– Movimento Imprensa Livre.

– Belo nome. Eles são uns heróis. Estes 12 são mais de mil.»

Lembrando esse trabalho dificílimo que os resistentes jornalistas da Visão estão a realizar, para não deixarem morrer a revista, comprei-a no dia 8 de Janeiro.

Em homenagem ao trabalho dos jornalistas, recortei o trabalho do chefe Luís de Jesus e adianto a minha «receita», mesmo minha, para Camarões à Brás.

Ingredientes

Azeite

Cebolas

Alhos

Pimento vermelho

Camarões Cozidos

Farinheira

Ovos

Batatas

Queijo picado

Coentros

Azeitonas

Refogo em azeite cebolas , em boa quantidade,  até ficarem translúcidas, juntamente com alhos picados.

Junto pimento vermelho cortado aos bocadinhos, 1 farinheira sem pele e desfeita, as gambas , não muito grandes, já cozidas, que se vendem em qualquer grande superfície, batatas, cortadas em palha, fritas e envolvo tudo em ovos mexidos com queijo ralado, deixando-os cremosos, nunca secos.

Finalizo com folhas de coentros espalhadas pelo petisco e azeitonas.

Dicas:

Nunca uso batatas fritas palha de pacote.

Não menciono quantidades, deixo o assunto à vontade do freguês.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO


 Carta de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro, 14 de Março de 1916 :

«Escrevo-lhe hoje por uma necessidade sentimental — uma ânsia aflita de falar consigo. Como de aqui se depreende, eu nada tenho a dizer-lhe. Só isto — que estou hoje no fundo de uma depressão sem fundo. O absurdo da frase falará por mim.

Estou num daqueles dias em que nunca tive futuro. Há só um presente imóvel com um muro de angústia em torno. A margem de lá do rio nunca, enquanto é a de lá, é a de cá; e é esta a razão íntima de todo o meu sofrimento. Há barcos para muitos portos, mas nenhum para a vida não doer, nem há desembarque onde se esqueça. Tudo isto aconteceu há muito tempo, mas a minha mágoa é mais antiga.

Em dias da alma como hoje eu sinto bem, em toda a minha consciência do meu corpo, que sou a criança triste em quem a vida bateu. Puseram-me a um canto de onde se ouve brincar. Sinto nas mãos o brinquedo partido que me deram por uma ironia de lata. Hoje, dia catorze de Março, às nove horas e dez da noite, a minha vida sabe a valer isto.

No jardim que entrevejo pelas janelas caladas do meu sequestro, atiraram com todos os balouços para cima dos ramos de onde pendem; estão enrolados muito alto; e assim nem a ideia de mim fugido pode, na minha imaginação, ter balouços para esquecer a hora.

Pouco mais ou menos isto, mas sem estilo, é o meu estado de alma neste momento. Como à veladora do "Marinheiro" ardem-me os olhos, de ter pensado em chorar. Dói-me a vida aos poucos, a goles, por interstícios. Tudo isto está impresso em tipo muito pequeno num livro com a brochura a descoser-se.

Se eu não estivesse escrevendo a você, teria que lhe jurar que esta carta é sincera, e que as coisas de nexo histérico que aí vão saíram espontâneas do que sinto. Mas você sentirá bem que esta tragédia irrepresentável é de uma realidade de cabide ou de chávena — cheia de aqui e de agora, e passando-se na minha alma como o verde nas folhas.

Foi por isto que o Príncipe não reinou. Esta frase é inteiramente absurda. Mas neste momento sinto que as frases absurdas dão uma grande vontade de chorar.

Pode ser que, se não deitar hoje esta carta no correio, amanhã, relendo-a, me demore a copiá-la à máquina, para inserir frases e esgares dela no "Livro do Desassossego". Mas isso nada roubará à sinceridade com que a escrevo, nem à dolorosa inevitabilidade com que a sinto.

As últimas noticias são estas. Há também o estado de guerra com a Alemanha, mas já antes disso a dor fazia sofrer. Do outro lado da Vida, isto deve ser a legenda duma caricatura casual.

Isto não é bem a loucura, mas a loucura deve dar um abandono ao com que se sofre, um gozo astucioso dos solavancos da alma, não muito diferentes destes.

De que cor será sentir?

Milhares de abraços do seu, sempre muito seu

Fernando Pessoa

P. S. — Escrevi esta carta de um jacto. Relendo-a, vejo que, decididamente, a copiarei amanhã, antes de lha mandar. Poucas vezes tenho tão completamente escrito o meu psiquismo, com todas as suas atitudes sentimentais e intelectuais, com toda a sua histeroneurastenia fundamental, com todas aquelas intersecções e esquinas na consciência de si-próprio que dele são tão características...

Você acha-me razão, não é verdade?»

1.

Cada vez mais pessoas em situação de sem-abrigo procuram as urgências hospitalares em busca de um teto, alimentação, higiene, entre as quais imigrantes e moradores que perderam a casa ou o quarto onde viviam por dificuldades financeiras.

2.

Odeiam trabalhadores.

Greve na CP.

Tiveram todo o tempo para resolver as justas reivindicações dos trabalhadores.

Ocuparam os seus tempos em tratar dos assuntos dos homens do dinheiro.

Agora dizem que os trabalhadores são uns ingratos, uns irresponsáveis por terem marcado greves para o tempo de eleições…

Ouvir Luís Montenegro, com o seu cínico sorriso dizer: "um dia, temos de pôr cobro a isto!", é de de colocar um cidadão no limiar do vómito.

Ver/Ouvir aquele ministro da tutela, Miguel Pinto Luz, completamente histérico: «Isto é política partidária, eleitoral que o Governo fez "tudo para evitar" a paralisação.

O pretexto para, mais uma vez, se atacar o direito à greve é a paralisação de comboios provocada pela adesão a uma série de paragens convocadas por 16 organizações sindicais da CP, umas filiadas na CGTP-IN, outras na UGT, outras sem filiação em qualquer central sindical.

3.

«É o imigrante mais antigo que recusa admitir direitos aos novos imigrantes; é o trabalhador mal pago que acredita que os pobres que recebem subsídios o estão a extorquir; é o branco que não aceita ver os negros fora dos musseques; é o homem macho que não suporta que as mulheres ganhem poder.

Em 50 anos de Democracia fizemos muito, mas muito ficou por fazer. Faltou educar a sociedade na ideia de cooperação entre todos e de abertura aos outros, e de uma saudável desconfiança em pregadores fáceis que vendem ilusões com os nossos ressentimentos. Não seremos capazes de reconhecer no que falhámos?

Pensar no que podemos e devemos fazer para contrariar esta deriva ideológica e moral em que vivemos, levar a nossa capacidade crítica ao fundo dos problemas criados, compreender que ser radical é ir à raiz dos problemas e que não o ser é colher passivamente os frutos que deixámos semear, é isto o que se pede aos responsáveis políticos. E tudo o resto será chover no molhado.»

Luís Filipe Castro Mendes no Diário de Notícias.

4.

Por fim

Alguém um dia afirmou que um canal de televisão tanto pode vender sabonetes como presidentes.

Interessante o artigo de Bárbara Reis no Público de hoje:

«João Pinhal, da Universidade Nova de Lisboa, trouxe luz para o debate sobre papel dos media na ascensão do Chega.

Pinhal, que tem 20 anos, contou, uma a uma, todas as entrevistas que as televisões públicas e privadas fizeram ao líder do Chega, André Ventura, e ao líder do PSD, Rui Rio ou Luís Montenegro, entre Outubro de 2019 e Junho de 2024 (este período inclui os primeiros meses de Montenegro como primeiro-ministro).

Os números dos 57 meses desde que Ventura foi eleito pela primeira vez mostram que o líder do Chega deu 61 entrevistas e o líder do PSD deu 42. Os números falam por si:


SIC+SIC Notícias: 15 entrevistas a Ventura; nove ao líder do PSD.

 

TVI+ TVI24+CNN: 29 a Ventura; 17 ao líder do PSD.

 

CMTV: 12 a Ventura; seis ao líder do PSD.

 

RTP e RTP3: cinco a Ventura; dez ao líder do PSD.

Estas são entrevistas a sós, em estúdio, ou com Ventura convidado para debater ou comentar algum tema da actualidade. Excluem os debates das campanhas eleitorais.
A principal responsabilidade pela ascensão do Chega é do Chega, que vende soluções fáceis embrulhadas em mentiras e ódio. Mas os media, em particular as televisões, não podem sacudir a água do capote.»

domingo, 11 de maio de 2025

À LUPA

 A Lupa que, apanha frases, pequenas histórias, hoje estendeu-se um pouco para o além. O além é um muito interessante artigo de Bárbara Reis, publicado no Público de 10 de Maio - O Papa matemático: o que tem Deus que ver com números?

Interessantes também, alguns dos mais de 40 comentários que os leitores quiseram deixar.


Citações de Bárbara Reis:

«Não fiquei maravilhada, mas aviso que não vou sequer tentar explicar porque é que, tendo o ateísmo como único pedigree, dei por mim comovida ao ouvir em directo a frase "Habemus Papam".
Há cinco séculos que a frase é precedida por “eu vos anuncio uma grande alegria” e o facto é que, ainda sem saber quem era o sucessor de Francisco, fiquei alegre.
Ora, isto não faz sentido. Porque é que sinto alegria e comoção com o anúncio de um novo Papa? Tem que ver com o ritual e tudo isso, com certeza. Talvez também, hoje mais do que no passado, tem que ver com o legado de Francisco, que transformou a vida de homossexuais e divorciados crentes que, com ele, passaram a sentir que têm um lugar à mesa.»

Comentário de um leitor:

«Está enganada Bárbara Reis. A pergunta não é “o que fez o jovem padre Robert Prevost licenciar-se em Matemática?. A pergunta correcta é o que leva um jovem matemático a fazer um mestrado em Teologia e decidir ser padre?»

Um outro comentário:

«Em matéria de Deus e de religiões, prefiro ater-me à máxima do ateu e prémio Nobel da Literatura, José Saramago: Deus não existe; até porque, se existisse, seria um ser malévolo. Eu concordo: que Deus todo poderoso e amante de todos permitiria toda a miséria e sofrimento que assolam as suas criaturas?»

sábado, 22 de março de 2025

JORNAL DO DIA


Houve um tempo, longo tempo mesmo, em que lia o jornal, quase sempre o Diário de Lisboa, e numa sebenta colava recortes, o jornalisticamente chamado «cola e tesoura», fazia o resumo do dia com notícias locais, nacionais e do mundo, frases e tudo o que me ocorria registar. 

Um trabalho que muito me divertiu.

Quando, para outras vidas, deixei a casa do meu pai, essas sebentas ficaram na despensa. Passado algum tempo, um domingo em que por lá almocei, perguntei à minha mãe onde estavam as caixas. Deitou-as fora porque pensou que eram lixo. «Mas podia ter-me perguntado». Não lhe ocorrera…

Estou a olhar para o Público de hoje, nº 12.740, preço: 2,10 euros, e lembrei-me de voltar ao velho exercício.

Uma 1ª página é sempre uma 1ª página e, enfastiado, noto que o grande destaque vai para algo que me leva a pensar que há ali publicidade paga, sem que isso esteja mencionado. E, no entanto, há a invasão da Ucrânia, a continuação dos genocídios em Gaza perpetrados por Israel.

Na página 2, na habitual coluna que regista o que é «sim» e o que «não», o jornalista José J. Mateus dirige os seus «nãos» paraNetanyahu e Meloni:

Uma frase do actor Jeff Bridges na, pág. 3, secção «Importa-se de Repetir?»:

«Eu não acho que nós saibamos sempre quem realmente somos».

Da pág. 4 a 7 uma reportagem de Joana Gorjão Henriques:

«Nem só pessoas de minorias se sentem ameaçadas pela Administração Trump. Três casais, uma mãe e um académico contam porque escolheram viver em Portugal».

Nas páginas de «Opinião» o destaque vai para José Pacheco Pereira – Camilo e a ignorância agressiva:

«Hoje há uma cultura da boçalidade e ignorância aressiva, que invade a sociedade à medida que os mecanismos de comunicação menorizam o racional».

 e Bárbara Reis –Sobressalto Cívico tarda em Chegar:

«Não comovem Trump, J.D.Vance ou Elon Musk, mas os protestos dão-nos esperança de que nem toda a América esteja dormente».

Na pág. 14 e 15 uma entrevista com o ex-deputado do PSD Fernando Negrão em que se diz que Luís Montenegro devia ter vendido a empresa antes de assumir funções e acaba fragilizado por tudo o que aconteceu, mas foi arrogante e quis ir a eleições.

Ana Margarida Alves na pág. 21 lembra que, em 2023, as mulheres ganharam menos 12,5% do que os homens.

Na página de Desporto ainda se anda à volta com o jogo de amanhã em que Portugal, para chegar à Final Four, terá que, face ao resultado de Copenhaga, vencer a Dinamarca por dois golos.

Na página 47, Pedro Guerreiro, correspondente do Público nos Estados Unidos aborda a alta publicidade que, em plenos jardins da Casa Branca, Donald Trump, ao lado de Elon Musk, fez dos automóveis da Tesla.

No suplemento Fugas, que se publica aos sábados, o grande destaque vai para o caldo de noodles, um «punk rock da cozinha japonesa» que invadiu Portugal.

«Há dez anos, os primeiros fanáticos apresentaram o ramen aos portugueses. Hoje não faltam nas taças fumegantes. Fomos saber o que torna um ramen perfeito: o rigor, sim, mas também a imaginação.»

Volta a não se ler  a referência: «Publicidade Paga».

Que não se perca a habitual e bem humorada crónica de vinhos de Pedro Garcias, a de hoje sobre as taxas que Trump quer impor aos vinhos europeus:

Ler também uma reportagem que lembra 7 Razões porque vale a apena visitar a Irlanda, mesmo a chover.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

REVISÃO DE NOTÍCIAS LIDAS


 A Fundação Calouste Gulbenkian, o ano passado, celebrou o centenário do nascimento de Madalena Perdigão.

Esta é a biografia de Margarida Perdigão postada pelo Centro Nacional de Cultura:

«Maria Madalena Bagão da Silva Biscaia de Azeredo Perdigão licenciou-se em Matemática (1944), em Coimbra, e concluiu o Curso Superior de Piano (1948) do Conservatório Nacional, seguindo depois estudos de aperfeiçoamento em Paris. Na Emissora Nacional, foi responsável pelo programa radiofónico A Música e os Seus Sortilégios.
Ingressou na Fundação Calouste Gulbenkian em 1958 e até 1974 dirigiu o seu Serviço de Música, criando os Festivais de Música (1958-1970), a Orquestra (1962), o Coro (1964) e o Ballet Gulbenkian (1965). Entre 1978 e 1984, convidada pelo ministro Sottomayor Cardia, dirigiu o Gabinete Coordenador do Ensino Artístico do Ministério da Educação para definir uma proposta de um Plano Nacional de Educação Artística. Em 1983, organizou o I Festival Internacional de Música de Lisboa. Em 1984, regressou à Gulbenkian, para criar o ACARTE- Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte que dirigiu até 1989, ao mesmo tempo que criou o CAI – Centro Artístico Infantil da Fundação Gulbenkian, tendo concretizado três edições dos Encontros ACARTE – Novo Teatro/Dança da Europa (1987, 1988 e 1989). Foi condecorada com a Ordem do Infante D. Henrique e as insígnias da Ordem do Cavaleiro da Legião Francesa.
Casada com José de Azeredo Perdigão, presidente da Fundação Gulbenkian, Madalena Azeredo Perdigão desenvolveu um diversificado trabalho em prol da cultura portuguesa durante o Estado Novo e o período democrático.».

Hoje, relemos um artigo que Bárbara Reis publicou no Público de 17 de Junho de 2023, em que entre outras coisas, pergunta:

«Sabia que em 1974 quiseram sanear Madalena Perdigão da Gulbenkian porque ela era “incompetente” e 2Fascista”? Se não sabia, não está sozinho.»

«Outra pergunta: pensa que os colóquios a celebrar 100 anos disto e daquilo só servem para elogiar os mortos? Se sim, está enganado.

Um exemplo: foi preciso um colóquio sobre os 100 anos do nascimento de Madalena de Azeredo Perdigão (1923-1989) para eu aprender que nos anos do PREC (Processo Revolucionário em Curso), a era da pré-democracia portuguesa, ela foi insultada e chamaram-lhe tudo e mais alguma coisa.

Desconhecia a história e só sabia sobre Madalena Perdigão aquilo que sabem muitos dos que eram adolescentes nos anos 1980: que era culta, moderna, vanguardista e enérgica, que trouxe o melhor do mundo para Portugal, que acreditava na importância da educação artística e musical, que ajudou a criar a orquestra, o coro e o ballet Gulbenkian, que inventou o Jazz em Agosto e os Encontros Acarte.

Logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, houve uma “campanha de imprensa hostil” contra Madalena Perdigão, com “ataques injustos, tendenciosos e assentes em informação falsa ou parcelar”, escrevem Rui Vieira Nery e Inês Thomas Almeida em Vamos Correr Riscos. Textos escolhidos de Madalena de Azeredo Perdigão, acabado de editar pela Fundação Calouste Gulbenkian e Tinta-da-china.

Um é o Manifesto sobre a situação da música em Portugal, publicado no Diário de Lisboa a 14 de Maio de 1974 e assinado por 50 pessoas, entre as quais Fernando Lopes Graça, António Victorino d'Almeida, Sequeira Costa, Filipe de Sousa, Jorge Peixinho, Manuel de Lima, Mário Vieira de Carvalho, Manuel Jorge Veloso, Francisco D’Orey, Olga Prats, João José Cochofel, Francine Benoît, António de Oliveira e Silva, Maria Regina de Vasconcelos, Clotilde Rosa, etc. — é assim que está assinado.

No colóquio, José Sasportes disse que não queria “entrar numa zona infecta, em parte estimulada pelo Partido Comunista e pelo controleiro do sector intelectual — ‘controleiro do sector intelectual’, belo título de glória — que me diziam ser Mário Vieira de Carvalho”.

Não queria, mas entrou. Disse que, na altura, “o Carvalho” escreveu no
Diário de Lisboa “artigos em termos tão falsos e imperdoáveis como os que se podem ler nos relatórios soviéticos para isolar compositores como Shostakovich ou eliminar o encenador Meyerhold”.

E rematam dizendo que é urgente acabar com “o escândalo” de manter a Gulbenkian “nas mãos de uma ‘clique’ fascista”.

António Pinto Ribeiro disse no colóquio que Madalena Perdigão foi “a mais importante programadora cultural da segunda metade do século XX”. Sabendo tudo o que sabemos dos excessos, loucuras e erros do PREC, ingenuamente pensava que Madalena Perdigão, matemática, pianista, cosmopolita e “agitadora cultural”, tinha sido poupada às injustiças primárias do PREC. Estava enganada.»

A releitura deste artigo de Bárbara Reis tem o intuito de marcar alguns dos episódios negros que o PREC trouxe, vindos de pessoas que admiramos e situávamos longe de estarem de acordo com propósitos, não só injustos, como caluniosos.

Diga-se, por fim, que o sinistro Mário Vieira de Carvalho acabou por deixar o Partido Comunista e partiu para outros ventos, outras aventuras.