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terça-feira, 6 de maio de 2025

CONVERSANDO


Nasci em 1945  e sou ateu.

A minha memória de papas estende-se desde Pio XII (1939-1958), prolonga-se com João XXIII (1958-1963), Paulo VI (1963-1978), João Paulo II (1978-2005), Bento XVI (2005-2013), Francisco (2013-2025).

De Pio XII apenas tenho memória de ouvir o meu avô referir as suas simpatias nazis. Ao longo dos tempos tenho ouvido falar que os arquivos do seu papado hão-de ser publicamente revelados.

Por prazeres secretos, nunca revelados, o meu pai gostava da 7ª Sinfonia de Beethoven. Algumas vezes conversámos sobre o desejo de Pio XII, na hora da sua morte, querer ouvir o «alegreto» da 7ª Sinfonia e do poema que Jorge de Sena escreveu, por causa deste desejo de Pio XII.

O poema chama-se Como de Vós e é o último poema do seu Livro Fidelidade, publicado em 1955.

Como de Vós

                À memória do papa Pio XII que quis, ouvir, moribundo, o «Alegreto»

                 da Sétima Sinfonia de Beethoven


Como de Vós, meu Deus, me fio em tudo,
mesmo no mal que consentis que eu faça,
por ser-Vos indiferente, ou não ser mal,
ou ser convosco um bem que eu não conheço,

importa pouco ou nada que em Vós creia,
que Vos invente ou não a fé que eu tenha,
que a própria fé não prove que existis,
ou que existir não seja a Vossa essência.

Não de existir sois feito, e também não
de ser pensado por quem só confia
em quem lhe fale, em quem o escute ou veja.

Humildemente sei que em Vós confio,
e mesmo isto o sei pouco ou quase esqueço,
pois que de Vós, meu Deus, me fio em tudo

 

                                                                             (23 de Dezembro de 2001)

Em relação a outros papas , admirei imenso João XXIII, João Paulo VI, apesar das promessas, não terá conseguido continuar o trabalho do seu antecessor. João Paulo I foi o que (não) se sabe, um chá pôs fim ao reinado. Nunca tive a mais leve simpatia por João Paulo II, e, para além de outras situações, não será para esquecer o seu imenso desprezo pelo povo de Timor-Leste. Com Bento XVI pouco ou nenhum tempo me demorei e passou-me completamente ao lado.

Até que, no cair de tarde de Março de 2013,  o papa recentemente nomeado, chega à janela  e sorridente diz: «Buona Sera!»

E acrescentou:

«Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. Parece que os meus irmãos Cardeais o foram buscar quase ao fim do mundo. Eis-me aqui!”

Sabe-se do seu amor pelos fracos e os mais pobres, aliado a um soberano desprezo pelos mais ricos.

Nunca as janelas do Vaticano terão sido tão escancaradas e nenhuma destas janelas, que Francisco abriu, poderão voltar a ser fechadas.

Muita coisa Francisco não conseguiu fazer, não por vontade sua, mas porque o movimento das sacristias, por vezes, ergue-se soberanamente entre as sombras.

Uma cultura nova passeou pelos corredores do Vaticano. Só alguém com cultura, com sensibilidade, leva para o seu lado, para com ele trabalhar, um cardeal português, que é um poeta: José Tolentino de Mendonça, demasiado novo para que, por agora, possa chegar a Papa, e a que falta aquela vertente popular que distinguiu Francisco.

Amanhã os cardeais reunir-se-ão, em Conclave.

Não serão fáceis as conclusões a que terão de chegar. A Igreja atravessa gravíssimos problemas e, em Conclave ficarão, até ao momento em que fumo branco sai da chaminé no telhado da Capela Sistina e a Igreja volte a ter o seu chefe.

Notícias lidas, aqui e ali, apontam para que a Igreja não vai voltar atrás.

Não tenho tanta certeza.

Velha raposa, a Igreja não comete o mesmo erro, porque existe muito daquela gente que entende que um Francisco, tão cedo, não querem voltar a ver sentado no trono de Pedro.

 A igreja foge das novas culturas, dos novos difíceis tempos que vivemos, como o diabo da cruz.

quinta-feira, 24 de abril de 2025

À LUPA

Albert Camus gostava de futebol.

Dizia que o melhor que sabia sobre a moral e as obrigações dos homens, devia-o ao futebol.

«Aprendi rapidamente que uma bola nunca nos chega de onde a esperávamos. Isso serviu-me para toda a vida».

Pier Paolo Pasolini também foi um apaixonado do futebol, que considerava como a «última representação sagrada do nosso tempo».

O Para Francisco tinha uma loucura mansa pelo seu San Lorenzo de Almagro.

Numa recente entrevista, proferiu a enigmática frase:

«Quem vence não sabe o que perde».

segunda-feira, 21 de abril de 2025

POSTAIS SEM SELO


Apelo a todos os que, no mundo, têm responsabilidades políticas para que não cedam à lógica do medo que fecha, mas usem os recursos disponíveis para ajudar os necessitados, combater a fome e promover iniciativas que favoreçam o desenvolvimento. Estas são as “armas” da paz: aquelas que constroem o futuro, em vez de espalhar morte!

Papa Francisco, Mensagem Páscoa de 2025 

PAPA FRANCISCO (1936-2025)


 Morreu o Papa Francisco.

O Vaticano foi buscá-lo ao fim do mundo, longe das sacristias.

Fez muito, mais não conseguiu porque, certamente, o não permitiram.

Francisco vem da escola de João XXIII.

Um homem simples, que gostava de futebol, era sócio do San Lorenzo de Almagro.

Isso não diz tudo, mas diz muita coisa.

«Há duas coisas de que sinto falta: uma é não poder entrar num restaurante e comer uma pizza, a outra é não ir ver o meu San Lorenzo».

domingo, 22 de setembro de 2024

ELES TERÃO QUE PAGAR AS CRISES!

O Papa Francisco quer que os ricos paguem mais impostos.

Numa reunião no Vaticano, Francisco recusou frontalmente o sistema económico actual:

«Enquanto não se resolverem os problemas dos pobres, não se resolverão os problemas do mundo.»

terça-feira, 8 de agosto de 2023

CONVERSANDO

De modo algum pretendo que num qualquer dia queira mudar a minha relação com igrejas, cleros, anjos, deuses. 

São muito fortes as fontes de que me servi para conhecer a história das religiões.

Tudo o que se passa em redor do mundo que envolve a pobreza, o sofrimento de milhões de pessoas, as guerras, não pode ter a mão, do tal Deus.

Como um dia disse José Saramago, as religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos.

Mas este Papa Francisco surpreende.

E sabemos que não consegue pôr em prática tudo aquilo que ele acha mal na igreja.

Nos dias em que por aqui esteve, dirigiu palavras que importaria que não fossem esquecidas:

Ponham-se a caminho, apressadamente, mas não ansiosamente. Sejam inconformistas, ousados e empreendedores de sonhos.

E falou dos que caem lembrando que cair não é problema, problema é permanecer no chão e lembrou um filósofo que disse que a mensagem revolucionária consiste em encontrar amável mesmo o objecto não amável.

Lembrando as ondas gigantes da Nazaré, disse : Sigam a onda, tornem-se os surfistas do amor.

E acima de tudo: Não tenhais medo!

Os números da Jornada:

1,5 milhões de pessoas.

Peregrinos de 180 países, 25 mil voluntários e cinco línguas oficiais.

Presentes 700 bispos e 10 000 sacerdotes de todo o mundo.

O Papa Francisco confessou a experiência dolorosa que foi falar com algumas das vítimas dos abusos dos padres que outros padres durante anos e anos tentaram esconder.

Este Papa tem como quase única esperança que a Igreja evolua.

Para isso tem desenvolvido um trabalho desconhecido de muitos, mas de uma profundidade que poderá mudar a igreja, torná-la digna.

Francisco é um homem culto.

A igreja não tem muita gente culta.

Olho o clero português e tenho como certo que tirando as sebentas  que lhes impingiram nos seminários, não lêem outros livros.

Cultos são José Tolentino Mendonça, o Frei Bento Domingues.

Quantos mais?

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

AH! SIM, O NEGÓCIOZINHO...


 Quiosque na Alameda.

Em outros dias, os preços escarrapachados não são os praticados.

Mas estamos na semana da Jornada da Juventude.

Vá de enfiar mais umas moedas no bolso.

Na baixa de Lisboa os restaurantes não aderiram ao Menú do Peregrino, apenas alguns pequenos restaurantes nos bairros populares o praticaram.

Aparentemente ninguém explicou a esta gananciosa raça de pseudos empresários da restauração que a malta da Jornada era jovens que não vinham à procura de lagosta ou bifes à Marrare.

Serão sempre uns reles e oportunistas chicos-espertos.

domingo, 6 de agosto de 2023

O FINDAR DA FESTA


 Podem vir pela fé, mas também vêm pela festa, pelo convívio, e isso não constitui mal algum porque ter fé, para os crentes, também é uma festa.

A organização da Festa da Juventude colocou palcos em Lisboa para que a festa se expressasse pela música, pela dança. Guy Debord, no seu livro A Sociedade do Espectáculo – onde pára o meu livrinho editado pela Afrodite do louco Fernando Ribeiro de Mello, capa cinzenta, emprestado a alguém que não mais o devolveu ao seu espaço na Biblioteca da Casa? – afirmava que as sociedades contemporâneas são sociedades do espectáculo. A igreja, se não quer ficar longe de rasgados horizontes, não pode ficar fora desse espectáculo!

Acompanhei à distância a visita do Papa e não me abalancei para grades multidões.

Este é o palco colocado na Alameda e que durante os dias e as noites manteve a zona num corrupio de alegria.

A fotografia, tirada pela minha velha maquineta comprada, ainda numa loja de 300, registou, manhã de domingo, o desmanchar do palco.

Ainda na Alameda, uma jovem descansa, olhando as fotografias destes dias tiradas pelo telemóvel, ou um outro tipo de olhar.


Linha vermelha, estação Alameda, um grupo de peregrinos enceta um qualquer caminho de regresso.

Num outro plano, uma esplanada de um pequeno café junto ao Mercado de Arroios e uma jovem,  mochilas no chão, contacta, perto ou longe, alguém.

Ainda é manhã mas já um baforada de calor que lá para a tarde, dizem os especialistas, atingirá os 40º de temperatura.

O fim da Festa.

Sente-se alguma tristeza.

Aquela tristeza cinzenta que fica no fim das garrafas vazias de que falava o Baudelaire.

sábado, 5 de agosto de 2023

CONVERSANDO

Jorge Mario Bergolio, um homem simples, um padre de espírito aberto, que gosta de futebol, que quando se preparava para se reformar, lhe disserem que muitos católicos o queriam como futuro Papa.

Terá sorrido e seguiu o caminho.

Foi eleito Papa, Francisco, 266º papa da igreja católica, no dia 13 de Março de 2013.

Levou para o Vaticano toda a sua simplicidade, o anterior papa calçava sapatos Prada, e fez da frontalidade, da bondade, da humildade os grandes desígnios do seu papado. Nunca deixou de denunciar os erros da sua igreja. Claro que os velhos padres do Vaticano não o deixam chegar onde ele quereria chegar, mas mesmo assim caminha, avança. Olhou os escândalos de pedofilia e chamou-lhes um horror. Bem ao contrário do que a maior parte de cardeais e bispos fizeram que foi ocultar e deixaram da igreja uma imagem sem pingo de perdão.

Jornada Mundial da Juventude 2023.

Olhei os sorrisos dos cardeais e bispos portugueses perante o Papa em Lisboa, e sinalizei cinismo. São lobos escondendo perfídias várias. Sabiam dos crimes dos padres e esconderam tudo. Ainda hoje não sabem dizer uma razoável, decente palavra sobre tão lamentável drama.

Como muito bem diz Francisco: «Sei que sou uma pedra no sapato, mas não tenho medo.»

Francisco fará 87 anos em Dezembro.

Nestes dias de Jornada lisboeta, mostrou algumas fragilidades físicas que, de todo, não conseguiu evitar.

Pela maior parte deste  velho clero português, não será escolhido um outro Papa igual ou melhor que Francisco. Terá que ser alguém longe de qualquer ponta de progressismo. A igreja ainda está impregnada dos velhos e bafientos tempos, terríveis tempos das sacristias salazarentas.

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

POSTAIS SEM SELO


«No que me toca, sou um cidadão republicano, ateu e socialista, e consequentemente convicto defensor da liberdade de crenças e descrenças. Por isso mesmo, não concebo que os impostos pagos por todos sirvam para financiar as espaventosas cerimónias religiosas só de alguns. Mesmo que estes se considerem religião maioritária. E precisamente por isso mesmo.»

Fernando Rosas, hoje, no Público

TRÊS CARTAZES À BEIRA DA ESTRADA


 O Papa Francisco chegou hoje a Portugal para participar na Jornada Mundial da Juventude.

Admite-se que num seu discurso abordará os abusos sexuais na Igreja.

Três cartazes, afixados em Loures, Algés e Lisboa, lembram as atrocidades sexuais dos padres pedófilos e pretendem que estes crimes, no meio da alegria das festas, não caiam no silêncio. 

Os três cartazes com as cores da JMJ – vermelho, verde e amarelo - foram afixados em Loures, Algés e em Lisboa, na Alameda, mostram o número dos que foram abusados. Cada ponto vermelho representa uma pessoa. A mensagem está em inglês para que os peregrinos a consigam perceber: "Mais de 4800 crianças foram abusadas por elementos da igreja”.

Entretanto o cartaz de Algès foi removido a mando de Isaltino ou de algum seu capacho-mor.

De momento as autoridades policiais não têm qualquer informação que permita comentar o acto censório ou de quem partiu a remoção do cartaz.

sexta-feira, 28 de julho de 2023

CAMINHADA DA VERGONHA


Em Portugal não há nenhuma religião oficial.

Poderemos então gastar milhões de euros num evento da religião católica?

A Jornada Mundial da Juventude que irá ocorrer nos primeiros dias de Agosto teria que ser paga pelo Vaticano, por Fátima, pelas diversas igrejas católicas espalhadas pelo país.

Não vai ser!

O artista plástico português Bordalo II desenrolou, em protesto, um tapete ilustrado com notas de 500 euros na escadaria do altar-palco do festival.

Chamou-lhe  Walk of Shame, em português  Caminhada da Vergonha e explica que «num estado laico, num momento em que muitas pessoas lutam para manter as suas casas, o seu trabalho e a sua dignidade, decide investir-se milhões do dinheiro público para patrocinar a tour da multinacional italiana.»

Muitos aplaudiram, outros chamaram-lhe demagogo.

domingo, 14 de maio de 2023

NINGUÉM É PERFEITO!

Li e conversei o necessário, para um dia poder concluir que estou muito bem sem deuses e anjos.

Respeito os que acreditam naquilo que entendem acreditar, gostaria que respeitassem o meu ateísmo.

Papa Francisco:

«Hoje estou muito triste, porque no país onde apareceu Nossa Senhora foi promulgada uma lei para matar. Mais um passo na grande lista dos países que aprovaram a eutanásia».

segunda-feira, 6 de março de 2023

O FECHAR DOS TAIPAIS


 Com letra e música de José Mário Branco encontramos, no seu primeiro álbum, «Mudam-se os Tempos Mudam-se as Vontades», a canção «Nevoeiro» que nos fala de um caminheiro, com o seu passo apressado, indo ao cais do terreiro saber de um tal rei Sebastião, chegado num veleiro sem leme nem gageiro, num lençol amortalhado, ficaria bem enterrado.

 Pedro Passos Coelho aparece-nos nos últimos dias qual dom sebastião para salvar a direita e concretamente o PSD. Anda por  aí uma enorme polvorosa,  O Diário de Notícias ouviu hoje diversos politólogos e um deles, Paula Espírito Santo, adianta: «Não se pode esquecer que foi, na altura, alguém que uniu o partido, ganhou eleições e trouxe o poder ao PSD numa altura difícil na vida do país.»

Lembrar-se-á a senhora que Passos Coelho nos lixou a vida, ultrapassando largamente o que a tal troika nos impôs?

Muitos e muitos trabalhadores, reformados, estão bem lembrados e não nos queiram fazer esquecer esses com toques de cantares de sereia envolvidos em nevoeiros sebastianistas.

1.

Identificados pelo INE existem, sem qualquer tipo de utilização, 723.215 fogos devolutos em Portugal.

2.

 O Papa Francisco apelou, este domingo, ao fim do tráfico ilegal de migrantes, uma semana depois de um barco se ter afundado no sul de Itália, matando pelo menos 70 pessoas, incluindo 15 menores.

Na sua oração dominical, o Papa Francisco disse:

"Que os traficantes de seres humanos sejam detidos, que deixem de poder dispor da vida de tantas pessoas inocentes, que estas viagens de esperança nunca mais se transformem em viagens de morte e que as águas claras do Mediterrâneo já não sejam ensanguentadas por incidentes tão dramáticos».

Três suspeitos de serem contrabandistas foram presos. De acordo com relatos dos meios de comunicação italianos, são suspeitos de terem cobrado entre 5 mil e 8 mil euros a cada migrante que tinham trazido para a Turquia, três dias antes.

Como se passará, há tantos e tantos, nas odemiras do nosso Portugal à beira-mar plantado?

4.

José Sócrates foi detido há mais de oito anos, em Novembro de 2014, foi acusado em Outubro de 2017 e pronunciado em Abril de 2021.

A partir daqui uma nuvem enorme de recursos tem vindo a bloquear a continuação do processo e a data do início do julgamento estará perdida ninguém sabe onde. Duvida-se que alguma vez acontecerá.

A Justiça atrasa-se.

 Os advogados vão enchendo os bolsos.

5.

Os primeiros meses do ano arrancaram difíceis para as famílias portuguesas que, só em Janeiro, gastaram 907 milhões de euros nos supermercados.

Apesar de algumas inspecções, o governo não consegue  impedir as especulações dos grandes merceeiros do país, que nos obrigam a sair a porta dos supermercados com menos produtos no carrinho e menos dinheiro na carteira.

A incompetência governamental, ou os diversos compadrios com o patronato, continua a manter fora das intenções da maioria absoluta a questão de taxar os lucros, mais que excessivos, de certas e bem conhecidas empresas.

5.

«Duas semanas depois de ter recebido o relatório da Comissão Independente, a Igreja ainda anda aos papéis. Não para encontrar a melhor forma de confortar as vítimas e fazer justiça, mas com a preocupação de salvaguardar a posição dos seus abusadores e encobridores.»

Paulo Baldaia, hoje,  no Diário de Notícias

6.

Lido no Jornal de Notícias:

Dada a falta de mão de obra nacional, um grupo de cerca de 500 indonésios, cerca de 75% dos tripulantes, trabalham nos barcos de pesca em Caxinas, a maior comunidade piscatória do país. 

Sendo a Indonésia um país de pesca, estes imigrantes já chegam habituados ao mar e adaptam-se rapidamente. Os trabalhadores recebem o salário mínimo, mas com estadia, alimentação e viagens pagas, parte do dinheiro vai para a família, que está a 13 mil quilómetros de distância.

 7.

«Era um homem de muitos talentos, mas destaco um: sabia escrever cartas. Um atalho para o coração. Reconheço na escrita de uma carta a maior finura do espírito, a verbalização do que em abstracto se sente ou se pensa e um exercício da inteligência.»

Carmo Afonso, recordando o advogado José Manuel Galvão Teles, crónica no Público. 

Legenda: pintura de Aurora Bernardo

sábado, 28 de janeiro de 2023

MÚSICA PELA MANHÃ

Numa entrevista à agência Associated Press, no início desta semana, o Papa Francisco declarou que «ser homossexual pode ser pecado, mas não é crime».

Crime e Pecado.

É provável que há quem fique um tanto ou quanto à nora com a afirmação do Papa, que tem sido visto como um Papa de vistas largas. Mas também se sabe que pelo Vaticano ainda passeiam uma série de mentalidades completamente retrógradas, autênticos velhos do Restelo como se diria por aqui.

Há uma canção do Chico, a que Ney Matogrosso deu uma interpretação deliciosamente provocante, em que se declara que não existe pecado no lado de baixo do Equador Equador.

É para lá que vanos!

Não existe pecado do lado de baixo do equador
Vamos fazer um pecado safado debaixo do teu cobertor
Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho
Um riacho de amor
Quando é lição de esculacho, olha aí, sai de baixo
Que eu sou professor

Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar
Sarapatel, caruru, tucupi, tacacá
Vê se me usa, me abusa, lambuza
Que a tua cafuza
Não pode esperar

Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar
Sarapatel, caruru, tucupi, tacacá
Vê se me esgota, me bota na mesa
Que a tua holandesa
Não pode esperar

Não existe pecado do lado de baixo do equador
Vamos fazer um pecado, rasgado, suado a todo vapor
Me deixa ser teu escracho, teu cacho
Um riacho de amor
Quando é missão de esculacho, olha aí, sai de baixo
Que eu sou embaixador

Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar
Sarapatel, caruru, tucupi, tacacá
Vê se me usa, me abusa, lambuza
Que a tua cafuza
Não pode esperar

Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar
Sarapatel, caruru, tucupi, tacacá
Vê se me esgota, me bota na mesa
Que a tua holandesa
Não pode esperar


terça-feira, 24 de janeiro de 2023

DOS REBOTALHOS E COISAS ASSIM...


Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia pediu a demissão. A jornalista Bárbara Reis, sobre essa demissão, escreveu o Público:

«É uma maravilha ouvi-la falar. Na era da desesperança política, Ardern é frescura, é inspiração, é alegria, é luz. Demitiu-se antes de tempo, sem um escândalo ou uma crise — para além da crise geral. Podia continuar no poder, mas disse que já não tem o “tanque cheio, mais a reserva” e que só faz sentido ocupar o lugar quando o tanque está muito cheio.

Notem as suas palavras: “Não estou a sair porque é difícil. Se fosse isso, provavelmente teria saído dois meses depois. Estou a sair porque esta função, tão privilegiada, exige responsabilidade. A responsabilidade de saber quando somos a pessoa certa para liderar e, também, quando não somos.”

E mais esta: “Espero ter deixado a convicção de que se pode ser gentil, mas forte. Empático, mas decidido. Optimista, mas focado. Que podemos ser o nosso próprio tipo de líder — um líder que sabe qual é o melhor momento para sair.”

Agora que passou o choque da demissão-surpresa, vai especular-se sobre as reais razões da saída. O “tanque” de Ardern deixou de estar cheio simplesmente porque é isso que acontece após cinco anos e meio a chefiar um país? Porque a sua popularidade caiu mais 1% e o rival de direita subiu 2%? Porque vai ser difícil formar o próximo governo? Porque tem uma filha de quatro anos e quer ir buscá-la à escola? Porque, por mais que se diga que “já foi pior”, é muito difícil ser mãe de um bebé e chefe, sobretudo de um país.

Helen Clark, a primeira mulher eleita para chefiar o governo na Nova Zelândia, disse que Ardern recebeu ataques “sem precedentes” e que a sua demissão devia pôr a país “a pensar se quer continuar a tolerar a polarização excessiva que está a tornar a política uma vocação cada vez menos atraente”: “As pressões sobre os primeiros-ministros são sempre grandes, mas nesta era de redes sociais, notícias feitas para atrair clicks de leitores e ciclos de media 24 horas por dia, 7 dias por semana, Jacinda enfrentou um nível de ódio sem precedentes.”

Clark não está sozinha. Outros líderes dizem que a quantidade e intensidade de abusos e ameaças contra Ardern contribuíram para a sua saída antes de tempo. Ameaças de morte, perseguições e agressões na estrada, insultos de todo o tipo, para além de anos a responder às perguntas mais misóginas de se possa imaginar.»

 Devagar vamos aprendendo que os problemas da participação das mulheres na vida política é um problema de natureza cultural e, como tal, não se resolve por meio de quotas, decretos ou simpatias.

O filósofo Sófocles, lá muito para trás, deixou escrito: disse lá muito parabtr

«Quando uma mulher está em condições de igualdade com um homem, torna-se superior» e o escritor Somerset Maugham admitiu que somente a mulher sabe do que a mulher é capaz.

1.

Continuam as investigações em quase tudo o que são autarquias aqui no pedaço, e tanto quanto se consegue ver, ou inventar, na Câmara de Lisboa as investigações vão até ao tempo em que António Costa era presidente.

Continuam os crimes – os que se vão conhecendo –dos padres pedófilos com crianças: A diocese de Viana do Castelo anunciou, ter proibido um padre de Monção, de exercer o sacerdócio depois de este ter confirmado um caso de abuso sexual de menor.

Continuam os imbróglios com as migrações: Pode chegar aos oito mil euros o salário do diretor da nova Agência Portuguesa para as Migrações e Asilo que vai herdar as funções administrativas do SEF - mais do dobro do vencimento dos diretores nacionais da Polícia Judiciária,  

Os problemas com o SEF, e similares, denotam que os efectivos são poucos para resolverem as questões que o assunto exige.  Abrimos as portas aos migrantes mas depois não conseguimos iniciar, conduzir e finalizar o processo de cada migrante no nosso país.

Continuam os casos de imigrantes espoliados e tratados como escravos nos campos onde o trabalho sazonal é assegurado exclusivamente por estes trabalhadores, história bem sinistras que, volta e meia, chegam ao nosso conhecimento, onde as diversas máfias impõem a sua força.

 Não continua, porque começou agora, a polémica com o altar-palco onde o Papa Francisco celebrará, no próximo Verão, a missa final da Jornada Mundial da Juventude  e que  vai custar 4,2 milhões de euros.

A procissão ainda não saiu do adro, mas as palavras do Papa necessitam de um palco com este custo? O que se torna importante: as palavras ou o local onde elas serão proferidas?

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

DOS REBOTALHOS E COISAS ASSIM...


 Andou a fazer umas passeatas pelo país, tomar o pulso aos militantes, mostrou o seu cínico sorriso em jantaradas seguidas de discursatas e chegado ao remanso do lar, concluiu que vir a ocupar o cargo de primeiro-ministro do pedaço, não é tarefa fácil, apesar dos marcelistas elogios, a tentativa da imprensa de direita de lhe dar um certo apoio bem como uma artigallhada que a múmia de Boliqueime/Belém fez publicar no direitista Público, em que o governo de António Costa é desancado.

Poderá sempre dizer como um seu correleginário que talvez apareça escrito nas etrelas que um dia será primeiro ministpo do reino, mas não há qualquer certeza que ias palavras apareçam escritas.

A não ser… ah! sim, omais fiável é juntar-se aos racistas-xenófobos-do partido-esgoto-do Ventura.

E não há que hesitar!

Os trabalhos já começaram.

1.

 

Ricardo Salgado fez muita coisa no BES enquanto por lá se sentou.

Mas tudo só foi possível porque no Banco de Portugal quem também por lá andou sentado, tudo permitiu.

Medo?

Compadrio?

Falta de memória?

Lembro-me quando Mário Soares o mandou vir do Brasil, para onde fugira a seguir ao 25 de Abril, porque seria muito útil à Democracia.

Mas o que é a Democracia?

Aquelas coisas do Soares…

2.

«Como na frase de Nani Moretti, poderia pedir-se ao Governo: «Digam qualquer coisa de esquerda!» Neste caso pedir sobretudo que façam, por favor, que façam qualquer coisa de esquerda.»

Carmo Afonso , Público

3.

«A prescrição moral não está regulada juridicamente, está sujeita ao julgamento final. Se perante um crime, o julgamento de direito admite a prescrição como um valor que preserva a segurança do funcionamento jurídico, já na moral cristã não há prescrições: um assassino será sempre um assassino; um ladrão, ladrão; um abusador será sempre abusador. Só a confissão, o arrependimento e penitência atenuam, convocando o perdão. Perante os casos de suspeitas e denúncias de abusos sexuais que se acumulam, todos os meses, pendendo na jugular da Igreja Católica portuguesa como um cutelo, uma parte das suas mais altas figuras permanece muda ou envolvida num manto desculpabilizador absolutamente intolerável. Mais perto do arrependimento mas ainda longe da penitência, nem sequer confessa abertamente os seus pecados. Perante tudo o que se passou, soma aos factos uma atitude sem perdão. A Igreja continua a defender-se com a teoria dos factos à época, como se fossem cometidos na Idade Média.»

Miguel Guedes no Jornal de Notícias

4.

«As pessoas nunca são tão completa e entusiasticamente más como quando agem por convicção religiosa"»

Umberto Eco

5.

«Um sacerdote não pode continuar a ser sacerdote se for um abusador.»

Padre Francsco

6.

«A ridícula ideia de não voltara a ver-te.»

Rosa Montero

7.

 «Um ministro não ganha para o que faz.»

 Francisca Van Nunen, ex-ministra da Justiça

8.

O filme O Livro de Imagem, derradeira longa-metragem de Godard — a meu ver tão significativo para a modernidade cinematográfica como Les Demoiselles d’Avignon (1907), de Pablo Picasso, para a pintura do século XX — estreou-se nas salas portuguesas, com distribuição da Midas Filmes, no dia 6 de dezembro de 2018. Segundo os dados oficiais do ICA -Instituto do Cinema e do Audiovisual, O Livro de Imagem esteve em exibição seis semanas, até 16 de janeiro, tendo sido visto por um total de 1343 espectadores.

A pequenez de tal número é apenas uma variante de um fenómeno das últimas décadas: são muito poucos os que, realmente, viram os filmes de Godard. O certo é que, perante o clamor de exaltação e reverência suscitado pela notícia da sua morte, dir-se-ia que, depois do lançamento de Gabriela (16 de maio de 1977), os nossos horários nobres têm sido preenchidos apenas e só com filmes de Godard...

Num curtíssimo filme (2 minutos) que aborda uma fotografia da guerra da Bósnia — Je Vous Salue, Sarajevo (1993) —, Godard fala da cultura como a “regra” e da arte como a “excepção”. E refere alguns “objectos” que estipulam a regra que “todos dizem”. São eles: “cigarro, computador, t-shirt, televisão, turismo, guerra”. Acrescenta que “ninguém diz a excepção”. Porquê? Porque “isso não se diz, escreve-se: Flaubert, Dostoievski; compõe-se: Gershwin, Mozart; pinta-se: Cézanne, Vermeer; filma-se: Antonioni, Vigo. Ou isso vive-se e, então, é a arte de viver: Srebrenica, Mostar, Sarajevo.” E termina citando Louis Aragon (peço desculpa pela tradução literal): “Quando for necessário fechar o livro, será sem lamentar nada. Vi tanta gente viver tão mal e tanta gente morrer tão bem.”

João Lopes em  Sound + Vision

9.

Tirado do anúncio ao Livro de Imagem do Jean-Luc Godard:

«Ainda te lembras como costumávamos treinar o nosso pensamento?
A maioria das vezes partíamos de um sonho…
Perguntávamo-nos como, na total escuridão,cores de tal intensidade podiam emergir dentro de nós.
Numa voz suave e fraca
Dizendo coisas grandiosas,
Coisas importantes, surpreendentes, profundas e exactas.
Imagem e palavra
Como um pesadelo escrito numa noite de tempestade.
Sob os olhos do Ocidente.
Os paraísos perdidos.
A guerra está aqui…»

10.

Os Bancos já custaram ao Estado mais de 22 mil milhões de euros desde 2008.

11.

Existem 2,3 milhões de portugueses em risco de pobreza ou exclusão social, o equivalente a 22,4% da população. Portugal passou de 13.º para 8.º na lista de países europeus com maior risco de pobreza ou exclusão social.

12.

Em Lisboa, por dia, são recolhidos 990 toneladas de lixo.

terça-feira, 31 de maio de 2022

DOS REBOTALHOS E COISAS ASSIM


Talvez a grande questão dos dias que vamos enfrentando, talvez se reduza a algo um tanto ou quanto tão simples como difícil ou impossível: A questão é onde se deve parar a guerra e começar a negociar. 

Há quem diga que os únicos que vêem o fim das guerras são aqueles que nessas guerras encontram a morte.

Henry Kissinger, ex-secretário de estado dos Estados Unidos, foi ao Fórum Económico Mundial de Davos apelar ao Ocidente para não infligir derrota pesada a Moscovo e pediu sensatez à Ucrânia e ceda território aos russos.

Eu pensava que Kissinger estava a comprimidos numa qualquer instalação de saúde norte-americano. Este tipo, em nome da democracia, cometeu os maiores crimes internacionais e nunca se poderá esquecer a queda de Salvador Allende e a entrega do poder chileno ao assassino Augusto Pinochet.

O Papa Francisco: «Estou muito longe de poder responder à questão sobre se é certo fornecer armamento aos ucranianos. O que está claro é que as armas estão a ser testadas naquela terra. Os russos sabem agora que os tanques são de pouca utilidade e estão a pensar noutras alternativas. As guerras são travadas para isso: para testar as armas que produzimos.»

A Finlândia e a Suécia entregaram as candidaturas de adesão à NATO.

O presidente Erdogan da Turquia disse que a entrada da Suécia e da Finlândia não acontecerá, pelo menos enquanto ele estiver à frente dos destinos do país.

domingo, 17 de maio de 2020

POSTAIS SEM SELO


Não basta ter um trabalho, é preciso que seja decente.

Papa Francisco

Legenda: fotografia Shorpy.

sábado, 18 de abril de 2020

NOTÍCIAS DO CIRCO


O Vaticano é um reino estranho.

Sempre foi.

Li que, recentemente, abriram os arquivos do reinado de Pio XII, mas parece que não colocaram tudo.

Pairam, por exemplo, as mais sérias bênçãos com que rodeou os actos nazi/fascistas…

Por vezes, um qualquer papa, quer abrir janelas para os novos e frescos ares entrarem pelos salões e sacristias.

Um desses papas, João Paulo I, no dia 28 de Setembro de 1978, morreu durante o sono.

Chamavam-lhe o Papa do Sorriso.

O Papa João Paulo I, tinha ideias claras para o seu pontificado que apenas durou 33 dias.

A sua morte ocasionou especulações várias.

O agora Papa, Francisco de seu nome, entrou portas dentro do Vaticano com uma enorme vontade de refrescar pensamentos e procedimentos.

Para o efeito tem-se rodeado de gente que o ajude no abono das suas vontades. Uma dessa gente é o filósofo e poeta português José Tolentino de Mendonça.

Algumas das suas vontades tem conseguido que avancem,  mas para outras, têm-lhe feito a vida negra.

Há uma semana ou duas, durante uma visita de seminaristas do Colégio Escocês de Roma ao Papa, foi-lhe oferecida uma garrafa de whisky.

Com a sua humildade e sentido de humor, disse aos seminaristas que aquela era a verdadeira água benta.

Um  beato-censor, que, provavelmente, fecha os olhos à pedofilia eclesiástica, cortou a frase do vídeo onde está registada a visita dos seminaristas.

O diário britânico Daily Record comentou:

 «É uma pena, porque não creio que a cena fosse negativa para o Papa. Pelo contrário, mostra seu lado humano e bem-humorado, e acho que essa censura é uma forma exagerada de proteger sua imagem».

A Igreja e o seu lado triste e negativo.



Por aqui, durante a ditadura salazarista/marcelista, sabemos do ruidoso silêncio com que a igreja rodeou as perseguições e assassínios da PIDE/DGS, o ámen sobre a guerra colonial.

Alguém se recorda de um tal Cerejeira, Patriarca de Lisboa durante 42 anos, que assistiu, durante as guerras coloniais, às mães que iam pagar promessas em Fátima enquanto os filhos iam morrendo numa guerra trágica?

Alguém se recorda de um tal D. António Ribeiro, sucessor do Cardeal Cerejeira, que no centenário da cerejal figura, ter dito, sem se rir, que ele fôra um acérrimo defensor da «independência da Igreja perante o Estado, da liberdade das consciências e dos direitos essenciais da pessoa humana, numa época de tão poderosos totalitarismos»?

Alguém se recorda o mesmo Manuel Gonçalves Cerejeira ter dito, no dia 2 de Outubro de 1966, perante a I Assembleia do Clero do Patriarcado de Lisboa:

«Não tenho nada a não ser vós, o clero do Patriarcado. Sou pobre, vivo do que o Patriarcado me dá e quando me retirar, ficarei ainda o pobrezinho, que viverá ocultando-se o mais que puder, que viverá da caridade do Patriarcado de Lisboa»?

Passados anos, o mais fiel servidor de Salazar, desmentiu ter acções na Sacor e na Mabor, admitindo que as tenha o Patriarcado.

Esta iminência parda, a que chamaram príncipe da Igreja, morreu no dia 1 de Agosto de 1977, sem que o 25 de Abril de 1974, o tivesse incomodado no seu retiro patriarcal na Buraca.

A quem ele prestou as tenebrosas contas?

É este tipo de gente que se escandaliza, em qualquer época, que um Papa Francisco chame ao whisky a verdadeira água benta.

Legenda:  De Oliveira Salazar a Marcelo Caetano, Cerejeira foi sempre um fiel defensor da ditadura.