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sábado, 7 de março de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


Os livros do António Lobo Antunes que constam da Biblioteca da Casa, acabam em 1999 com A Exortação dos Crocodilos,  mas há a acrescentar os cinco livros de Crónicas e mais não há, porque alguém, num acto sem nome, entendeu não mais publicar as crónicas que Lobo Antunes ia deixando em jornais e revistas

De que músicas, de que canções, gostava António Lobo Antunes?

Teria que percorrer os livros para encontrar algumas citações, se é que as há, não tenho grande memória mas também há que dizer que metade, ou mais, da minha memória está em branco.

Apenas restavam as epígrafes, mas dos livros que a Biblioteca da  Casa tem, encontrei duas: The Boxer do Paul Simon em Fado Alexandrino e Bob Dylan, em Auto dos Danados, por mor de uma citação de «11 Outlines Epitaphs» que é o título de um poema escrito no início dos anos 60.

Lonely? Ah yes

But it is the flowers and the mirrors

of flowers that now meet my

loneliness

an mine

shall be a strong

loneliness

dissolvin' deep

to the depths of my freedom

and that, then, shall

remain my song.

Assim sendo, como Músicas pela Manhã, teremos The Boxer de Paul Simon.

De Dylan ficaremos com The Times They Are a changing.



sábado, 20 de setembro de 2025

MÚSICA PELA MANHÃ

No dia 19 de Setembro de 1981, o Central Park em Nova Iorque foi palco de um enorme concerto protagonizado por Art Gargunkel e Paul Simon.

Estima-se que meio milhão de pessoas assistiram ao concerto. Para os restantes ficaram o disco de vinil, o CD, o DVD, as memórias.

Os lucros foram destinados à remodelação e manutenção do Central Park, que se encontrava deteriorado devido à falta de financiamento municipal. O concerto e o álbum marcaram o início de uma reunião de três anos entre Paul Simon e Art Garfunkel. 

A Música pela Manhã recupera três canções do concerto.

Legenda: fotografia de Mal Bray.



sábado, 4 de junho de 2022

POSTAIS SEM SELO


Preserva as tuas memórias. Elas são tudo o que te resta.

Paul Simon

sexta-feira, 20 de março de 2020

DIÁRIO DOS DIAS DIFÍCEIS


A Primavera apresentou-se hoje… mas com chuva.

E isso entristece ainda mais os já de si tão difíceis dias.

Voltaremos a passear nos jardins, voltaremos a sentar-nos nas esplanadas, voltaremos a sentir o silêncio das ruas dos bairros populares?

Chegou a Primavera, a Páscoa vem a caminho, pelo meio um qualquer puto há-de perguntar ao pai se vai haver Natal, depois os Santos Populares, os dias de Verão e de repente estamos à beira do Natal.

Será este o nosso caminhar pelos dias?

Poderemos então ouvir esta belíssima canção de um álbum dos Simon Garfunkel que tem tanto de bom como de mau. Velhas tricas de Garfunkel com Paul Simon que os foram cansando e levou ao fim de um duo que marcou, indelevelmente a música pop.


«Quando estiveres esgotado e te sentires insignificante
Quando tiveres lágrimas nos olhos, eu secar-tas-ei todas
Estarei a teu lado
Oh, quando os tempos estiverem difíceis
E não encontrares amigos,
Como uma ponte sobre águas agitadas
Eu me estenderei.
Como uma ponte sobre águas agitadas
Eu me estenderei.

Quando te sentires deprimido,
Quando andares perdido nas ruas,,
E a noite cair de repente,
Eu confortar-te-ei.
Estarei a teu lado.
Oh, quando chegar a escuridão
E a dor se espalhar à tua volta,
Como uma ponte sobre águas agitadas
Eu me estenderei.
Como uma ponte sobre águas agitadas
Eu me estenderei.

Navega, rapariga prateada,
Navega
Chegou a tua vez de brilhar.
Todos os teus sonhos vêm a caminho.
Vê como brilham.
Oh, se precisares de uma amigo
Eu navego mesmo atrás de ti.
Como uma ponte sobre águas agitadas
Serei o teu apoio.»

(Tradução de Ana Sousa Leal)

1.

Catarina Pires escreveu, hoje, estas palavras no Diário de Notícias:

«Morreu um amigo e não nos podemos abraçar.
Ele quereria risos mais do que choros. Beijos e abraços. Copos. A celebração da vida e os amigos, que são muitos, todos juntos nela. Mas os tempos que vivemos, fechados em casa, proibidos de tocar, beijar, abraçar, obrigam-nos a adiar um até amanhã como deveria ser. Que adeus é possível nestes tempos de Covid-19?»

2.
O Grupo Jerónimo Martins apresentou lucros de 433 milhões de euros no fecho das suas contas referentes a 2019.

3.

Maioria das multas aplicadas a banqueiros fica por pagar.

4.

O lucro da Galp em 2019 foi de 560 milhões de euros.

5.

Título de um artigo (não lido) de Teresa de Sousa no Público:

«São as grandes crises que fazem os grandes líderes».

Suponho que Marcelo Rebelo de Sousa não esteja no barco.

Rodrigo Alves Taxa, jurista, escreve no jornal «I» algo parecido:

 «Os grandes e verdadeiros líderes revelam-se nos momentos de aflição, de aperto e de medo».

Mas aqui sei que fala do Presidente da República:

«Marcelo Rebelo de Sousa é politicamente, repito, politicamente, uma fraude. Uma fraude. (Pese embora eu próprio nele tenha votado para a Presidência, o que, na verdade, ainda me legitima mais a escrever o que escrevo.) Toda a postura de Marcelo Rebelo de Sousa quanto à covid-19 foi verdadeiramente inaceitável e ridícula. Diria mesmo inenarrável. Um líder, um verdadeiro líder, não pode abandonar o povo e enclausurar-se no seu castelo de cristal como fez Marcelo. Perguntar-me-ão: mas não é normal o Presidente ter medo do coronavírus? Claro que é. Eu também tenho. Por mim, pela minha família, pelos meus amigos, por todos nós. Perguntar-me-ão ainda: mas o Presidente não deveria ter ido fazer o teste? Obviamente que devia.»

6.

Por tempo indeterminado a programação da Antena 2 está sujeita a um plano de contingência, assim como na maioria das estações de Rádio nacionais.

7.

Um homem, com cerca de 50 anos, matou a tiro a mulher e de seguida tentou suicidar-se. O crime ocorreu em Nogueira do Cravo, concelho de Oliveira do Hospital. Segundo os jornais apuraram, o homem é motorista de mercadorias e o casal tinha já um historial de violência doméstica há vários anos.

8.

Dir-me-ão que não é o livro mais indicado para os dias que correm: Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago.

Talvez seja verdade, é um livro de leitura muito incómoda, mas é um livro impressionante


«Estamos cada vez mais cegos porque cada vez menos queremos ver.»

Foi isso que nos aconteceu.

Não quisemos saber do meio ambiente, outras coisas assobiámos para o lado ante todos os avisos que pessoas responsáveis foram declarando.

O raio de um vírus colocou-nos, agora, em sentido e obrigou-nos a uma descida aos infernos.

«Haverá um governo, disse o primeiro cego. Não creio, mas no caso de o haver, será um governo de cegos a quererem governar cegos, isto é, o nada a pretender organizar o nada, Então não há futuro, disse o velho da venda preta, Não sei se haverá futuro, do que agora se trata é de saber como poderemos viver neste presente, Sem futuro, o presente não serve para nada, é como se não existisse, Pode ser que a humanidade venha a conseguir viver sem olhos, mas então deixará de ser humanidade, o resultado está à vista, qual de nós se considera ainda tão humano como antes cria ser.»

9.

Em Portugal há 1020 casos confirmados e 6 mortes.

A Itália ultrapassou a China em número de mortes: 3.405.

A Espanha tem um registo de  2.200 mortes.

No mundo há 272.042 casos confirmados e 11.299 mortes.

10.

Há pouco, nova declaração de António Costa ao país.

«Vai ser um trimestre muito duro!».

Medidas concretas ainda a conta-gotas.

O executivo trabalhará durante o fim-de-semana para trabalhadores e empresas ficarem saber com o que podem contar.

Chegou a Primavera, mas com ela também chegou a chuva.

Continuaremos a ficar em casa.

«A primeira regra é não embirrarmos uns com os outros», disse o médico Constantino Sakellarides.

domingo, 13 de agosto de 2017

CANÇÕES DE ENTARDECERES


São diferentes os entardeceres dos domingos?
Digo que sim.
O poeta António Reis, dizia que «é o único dia que não repetimos e que dura menos.»
É este enlanguescer da natureza, este vago sofrer do fim do dia. Cores fabulosas, um fulgor que não conseguimos definir, que andam pelo cor-de-rosa, violeta, cor-de-laranja, cor de fogo. Um deslumbramento.
Um canção incontornável dos Simon and Garfunkel: Bridge Over Troubled Water.
A versão original e mais duas interpretações de arrebatar: Aretha Franklin e Roberta Flack.




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

CANÇÔES PARA O MEU PAI


O meu pai gostava das canções do Simon and Garfunkel.

Quando íamos ao cinema, tínhamos preferência pelo Apolo 70, pela projecção, o som, a comodidade da sala e dava para petiscar no «snack», e sempre com um salto à livraria e à discoteca.

Numa dessas idas, tinha acabado de sair um «Best do Art Garfunkel» e o meu pai não hesitou: comprou-o de imediato.

Acabou por se apaixonar por «Bright Eyes» que não conhecia.


Logicamente «Bright Eyes» teria de entrar numa das cassettes que lhe fui gravando.


Por «Bright Eyes», há uma passagem deliciosa no «Alta Fidelidade» de Nick Hornby:

 - Não és mesmo capaz de ver a diferença entre «Bright Eyes» e «Got To Get You Off My Mind»?
- Claro que sou. Uma é acerca de coelhos e a outra tem uma banda de metais a tocá-la.
- Qual banda de metais. É uma secção de instrumentos de sopro. Porra!
- Seja lá o que for. Eu percebo porque preferes o Solomon ao Art. Eu compreendo, a sério. E se me pedissem para dizer qualquer era o melhor dos dois escolhia o Solomon sem hesitar. É genuíno, e negro, e lendário, e essas coisas todas. Mas gosto de «Brighr Eyes». Acho que tem uma melodia bonita, e além disso, estou.me nas tintas. Há tantas outras coisas para nos preocuparmos. Bem sei que pareço a tua mãe a falar, mas isto são apenas discos de música pop, e quem é que se importa realmente que um seja melhor do que o outro, tirando tu e o Barry e o Dick? Para mim, é como discutir a diferença entre o McDonalds e o Burger King. Tenho a certeza que há-de haver uma diferença, mas quem é que vai ralar-se a descobrir qual é?

A canção do Solomon Burke não entrou em nenhuma cassette para o meu pai, fugia um tanto ou quanto aos seus padrões de gosto musical.

Mas é mesmo uma grande canção.

Fica aqui, por mera curiosidade.


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

QUOTIDIANOS



O poeta polaco Zbigniew Herbert teve o cuidado de dizer a si próprio: «deverás ir tranquilo ao teu próprio funeral.»

Razão suficiente para que, quando a dita lhe bater à porta, deixar recado aos amigos e  familiares:

Embarquem no cacilheiro da rota da Trafaria, onde o Tejo se faz ao mar, a meio caminho, despejem as cinzas, de quem muito gostou de andar por aqui, depois almoço na Antiga Casa Marítima: filetes de tamboril, arroz de feijão, salada, não se esqueçam de pedir para a cozinheira lançar uma boa mão cheia de coentros, vinho da casa.

E não se ponham com veleidades, com mariquices, com isto, com aquilo, porque ele está a espreitar dos bastidores.

Também na morte é importante saber dar uma festa, disse aos netos a rainha-mãe, devoradora de gin-tonic, viciada em corridas de cavalos, que também adorava uma boa cachimbada.

»A história dos homens é desde sempre mistério de vida e de morte. Choramos os nossos mortos e outros chorarão a nossa morte. Assim se faz o nosso caminhar sobre a terra.»

Ficou-lhe gravada uma frase do jornalista Victor da Cunha Rego: «uma pessoa preparar-se para a morte é a grande finalidade da vida.».

Foi em Setembro do ano de 1977, na casa que, então, o pai tinha em Almoçageme, que se lembra de ter pensado, pela primeira vez, no assunto.

Tinha despachado o «Alta Fidelidade» do Nick Hornby, num só fôlego.

Há por lá uma passagem em que Hornby escreve:

«Não há propriamente muitas canções pop acerca da morte: pelo menos canções boas. Talvez seja por isso que eu gosto de muita pop e acho a música clássica um bocado tétrica. Havia aquele instrumental do Elton John, “Song for Guy”, mas não passava de umas marteladas no piano que tanto podiam ser ouvidas no aeroporto como no mosso funeral.

- Vamos lá pessoal, as cinco melhores canções pop sobre a morte.


- Genial – diz o Barry. – Uma lista de Homenagem ao pai da Laura. Fixe. “Leader of the Pack”. O tipo morre a andar de mota. E a seguir temos “Dead Man’s Curve” dos Jan e Dean, e “Terry” da Twinkle… e aquela do Bobby Goldsmoro, “ And Honey, I Miss You”…


- E que tal “Tell Laura I Love Her”? Ia ser um êxito.


Ainda bem que a Laura não está aqui para ver como nos divertimos à custa do pai dela.


- Já resolvi que música vou querer no meu. “One Step Beyond”, dos Madness. “You Can’t Always Get What You Want”.»


À noite, debaixo da parreira de uva americana, ou morangueira, sentindo o aroma, ouvindo o silêncio dos ralos e das cigarras, lembra-se de lhe ter contado o episódio e, ao mesmo tempo, perguntado, que música ele escolheria.

Uma pausa muito grande, e depois a resposta:

O Requiem de Mozart.

Passados meses, pensando que a morte é o único destino que temos assegurado, por mera brincadeira, começou a alinhar uma cassette (os CDs eram, ainda, uma miragem) de músicas e canções para serem ouvidas antes de o fogo o devorar.

Ainda nem sequer tinha chegado ao princípio dos princípios e desistiu.

Os amigos não mereciam tal castigo.

Mas algum toque teria que existir.

Foi quando concluiu que bastava uma única canção: «Bye, Bye Love», na versão, ao vivo, de Simon and Garfunkel, «bye, bye love, bye, bye happiness.»

Esperança para o futuro: a de aprender a morte serena, a que contemplava a luz no musgo daquela parede da casa de Almoçageme, a parede junto ao celeiro, onde o Marcolino guardava as maçãs reinetas, as batatas, as cebolas, as enxadas, o aroma das uvas americanas, ou morangueiras, o silêncio dos ralos e das cigarras.

Nunca aprendemos tudo sobre despedidas e o grande problema é que o tal dia, dura uma eternidade.

Entrada para uma solicitação do poeta José Gomes Ferreira:

«Enterrem também comigo na cova,
Graças a um novo invento de gravação magnética nas pedras
Música de Bach e de Mozart
É o único ar
Que os mortos podem enigmaticamente respirar»

Texto encontrado em Ié-Ié

domingo, 6 de outubro de 2013

CANÇÕES PARA O MEU PAI



O meu pai, essencialmente, tinha gosto pela música clássica, daí que a esmagadora maioria da sua discoteca tivessem esse toque.

Gostava de outras músicas, tinha algumas dessas músicas, mas eram uma mera excepção.

Gostava de algumas canções que, tanto eu como o Luís Miguel Mira, volta e meia, lhe dávamos a ouvir.

Um dia pediu-me se lhe gravava umas cassettes com essas músicas.

Assim aconteceu.

O tempo adulterou todo esse material gravado, hoje completamente inaudível, aontecendo também que algumas dessas cassettes perderam-se.

Há dias lembrei-me que seria gratificante voltar a buscar essas canções e colocá-las por aqui.

Será uma escolha aleatória, baseada nos apontamentos que deixei na contra capa das cassettes, também na hoje curta memória das canções que gravei para o meu pai.

Começarei por aquela canção que acabou por dar origem ao pedido: El Condor Pasa ,que pertence ao folclore peruano e para a qual Paul Simon escreveu um poema.

Prefiro ser um pardal do que um caracol, prefiro ser um martelo do que um prego, se eu apenas pudesse certamente o faria.

Um pequeno apontamento histórico sobre El Condor Pasa pode ser lido na Wikipédia, 

El Condor Pasa faz parte do excelente álbum, de Simon and Garfunkel, Bridge Over Troubled Water, publicado em 1970. 


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO


Por que será que tanta gente gosta de A Primeira Noite de Mike Nichols?

Quem gosta de cinema pode gostar dos filmes de Mike Nichols?

João Bénard da Costa vem em auxílio dizendo que um filme, por muito mau que seja deve ser visto porque guarda sempre algo que merece ser visto.

Mas gostar de A Primeira Noite.

Pelas canções de Simon and Garfunkel?

Pelas pernas de Anne Bracroft?

Pela corrida vertiginosa de Dustin Hoofman no Alfa Romeo Spider ao som de Mrs. Robinson?
Por ser o filme que lança Dustin Hoffman como actor de cinema?

Tudo isso e ainda mais alguma coisa. Não me perguntem o quê?

Por fim:

Percorrendo as curiosidades que na net existem sobre o filme, fica a saber-se que
- a perna de Mrs. Robinson que aparece no cartaz do filme não pertence a Anne Bracroft, mas sim a Linda Gray, uma desconhecida modelo.

- Jeanne Moreau, Judy Garland, Susan Hayward e Ava Gardner foram algumas das actrizes que chegaram a ser pensadas para o papel de Mrs. Robinson.


- Ronald Reagan esteve para ser Mr. Braddock, o marido de Mrs. Robinson.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

POSTAIS SEM SELO


Quando penso em todas as coisas que aprendi no liceu, é um espanto conseguir ainda pensar.

Da canção Kodachrome de Simon and Garfunkel.

Legenda: Liceu Gil Vicente em Lisboa, hoje Escola Secundária Gil Vicente