quinta-feira, 3 de setembro de 2026

SOLTAS


No Público de 27 de Agosto, Manuel Carvalho chama a atenção que o que está em causa é muito mais do que uma lei e o aviso do alto-comissário da ONU, obriga a uma discussão séria.

1.

A Jugoslávia de Tito: seis repúblicas, quatro línguas, três religiões e duas escritas.

2.

O maior pesadelo é ter de aturar os gajos todos que falam nas televisões e só dizem mentiras em que o povo continua a acreditar.

3.


Começar o dia, sentir que lhe falta fôlego, um sentir desconhecido que prenuncia que um qualquer fim está próximo.

Começar o dia, sentir que lhe falta fôlego, um sentir desconhecido que prenuncia que um qualquer fim está próximo.

Os avisos não têm sido persistentes, mais ou menos fugazes.

Avisos que a memória lhe tem enviado, não lhe permitem saber se já o disse aqui, ou em outro lado. Repete-se: não tem telemóvel e a isso deve a relativa felicidade em que vive. Já o disse aos amigos, aos filhos, aos netos, olham-no como alguém que tenha aterrado por aqui, vindo de uma qualquer galáxia. Mas há 80 anos que vive numa Lisboa que amanhece, como canta o Sérgio. Há uns anitos atrás viu-se aflito para encontrar um fogão a gás. Apenas conseguiu um com bicos de gás, mas forno electrico. E nunca deitou fora o radiozinho de pilhas em que, no tempo em que os animais falavam, ouvia os relatos do Benfica.

4.

O autor chamou-lhe Prioridade aos Pategos. 

Está na Antologia do Esquecimento:

«O que significa prioridade aos nossos? Que entre a Rosa Grilo e um imigrante nepalês vocês escolhiam a Rosa, que entre o Pedro Dias e um santo do Bangladesh vocês escolhiam o Pedro, que entre o Manuel Palito e um refugiado sírio vocês optavam pelo Palito, que entre o Joe Berardo, o Luís Filipe Vieira, o Ricardo Salgado, o José Sócrates ou outro qualquer a quem andaram os portugueses a lamber as botas e um imigrante que faz por ganhar a vida vocês não hesitariam na escolha: votavam no trafulha. Porquê? Por ser português. Ora, é precisamente esta mentalidade que faz de nós um relógio atrasado pela Inquisição, denunciou-o o Cavaleiro de Oliveira no século XVIII e  a coisa não mudou. Somos o que somos, uns pategos. Portanto, prioridade aos pategos.»

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