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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

QUESTÕES DE LIMPEZA

«Não tenho a mínima intenção de ser uma pessoa melhor. Por razões profissionais, estou empenhado em ser uma pessoa ainda pior. Sem querer gabar-me, acho uma tarefa mais difícil: melhorar uma pocilga não é difícil. Qualquer pequena limpeza constitui uma melhoria. Tornar uma pocilga ainda mais imunda é que dá trabalho.»

Ricardo Araújo Pereira, de uma entrevista no Expresso

sábado, 20 de julho de 2024

CRONICANDO POR AÍ

«Segundo Donald Trump, “foi Deus que impediu que o impensável acontecesse”, no atentado de que foi alvo. Ou seja, foi o Criador que evitou que a bala do atirador trespassasse Trump, o que seria impensável, fazendo com que fosse antes atingir um antigo bombeiro, cuja morte é bastante mais pensável. Deus, nos intervalos de governar o universo, acompanha as eleições americanas, provavelmente através da Fox News, e não deixou que o candidato americano fosse abatido a tiro. Em 1914, Deus não interferiu no homicídio do arquiduque, em Sarajevo, e em 1963 não objectou a que Kennedy fosse assassinado, em Dallas.

 Mas, desta vez, o Senhor resolveu salvar a vida de um candidato presidencial. No entanto, Deus fez muito mais do que isso: montou a maior operação de marketing político da História. Luís Paixão Martins, que coordenou várias campanhas vencedoras, nunca concebeu um plano tão bom como este — e dizem-me que Paixão Martins é bastante mais caro do que Deus. Ao permitir que a bala raspasse na orelha de Trump, o Senhor forneceu-lhe o máximo de martírio com o mínimo de dano. Trump pode dizer que levou um tiro, que sobreviveu a uma tentativa de homicídio, que derramou sangue. O preço a pagar por isso foi: uma feridinha na orelha. Eu já tive lesões mais graves a jogar à bola. Mas Deus quis fazer de Trump uma vítima sem lhe infligir sofrimento. Tem sido um procedimento habitual do Senhor. Toda a história da vida de Donald Trump tem sido exactamente assim: obter o maior benefício despendendo o menor esforço. Trump começou com uns milhões de dólares oferecidos pelo pai, e quase não paga impostos sobre os rendimentos que tem. Os escândalos em que se envolve não o beliscam, e nem sequer as condenações em tribunal o afectam. Em princípio, Deus tem tido um papel crucial em todas essas peripécias. É como se o Senhor estivesse a protegê-lo por ter um plano para ele. Fico mais descansado. Talvez isso signifique que a eleição de Donald Trump seja, no entender de Deus, a maneira mais eficaz de evitar uma guerra nuclear. Ou então faz tudo parte de uma estratégia para cumprir o que vem escrito no Livro do Apocalipse. Seja como for, Deus parece saber o que está a fazer. Haja alguém.»

Ricardo Araújo no Expresso.

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

NOTÍCIAS DO CIRCO

Portugal é um enorme buraco e não se consegue vislumbrar qualquer ponta de retorno que permita que nos tornemos um país, minimamente decente.

Para além de outras coisas, péssimas coisas, Ricardo Araújo Pereira põe um dos dedos nas muitas feridas que nos rodeiam:

«Portugal abusa na bandalheira e André Ventura ganha com este lamaçal. Isso é imperdoável.»

1.

António Costa é um dos políticos mais experientes do círculo português mas custa a crer como se rodeou de ministros e colaboradores que deixam, em todos os sentidos, muito a desejar.

Por causa do ministro João Galamba arranjou uma guerra tão estutúpida, como inútil, com o Presidente da República que sempre entendeu que Galamba não tinha condições para ser ministro e António Costa insistiu em mantê-lo.

Agora o ministro das Infraestruturas apresentou um pedido de demissão do cargo ao primeiro-ministro. Na última sexta-feira, na Assembleia da República, o governante tinha afastado este cenário, mas justifica agora a decisão como a "única possível" para assegurar à família a "tranquilidade e discrição a que inequivocamente têm direito", isto apesar de entender que "não estavam esgotadas as condições políticas de que dispunha" para exercer funções.

 «O trabalho feito, os seus bons resultados e o desempenho das minhas funções com absoluto respeito pela lei e com total dedicação ao País e aos portugueses são, em meu entendimento, as condições políticas necessárias para o desempenho de funções governativas", defendeu, num comunicado em que alerta também que esta demissão "não constitui uma assunção de responsabilidades quanto ao que pertence à esfera da Justiça e com esta não se confunde".»

António Costa acumulará o cargo de ministro das Infraestruturas.

 2.

 Tão cedo não iremos saber o que se passou com Mário Centeno, António Costa e Marcelo rebelo de Sousa. Apenas ressalta que é um péssimo número que nos deixa no meio da risota do circo, nacional, europeu, talvez mundial.

 3.

O jornalista Pedro Tadeu perguntava, ontem, no Diário de Notícias se podemos confiar no Ministério Público:

«A pergunta que deixo é esta: Não podendo, nem devendo, a política meter-se no trabalho da Justiça, que penalizações a própria Justiça aplicou aos responsáveis por erros, omissões, incompetências, demoras, desleixos, teimosias e atropelos ao bom senso que, como é evidente, sempre que um caso é mediático, sistematicamente os investigadores judiciais cometem?... Que fizeram sobre isso, por exemplo, o Conselho Superior do Ministério Público ou o Conselho Superior da Magistratura?

E já nem falo das violações de segredo de justiça que, em todos estas situações, aconteceram e que arruinaram a reputação pública de alguns inocentes.

Se o Ministério Público quer que confiemos nele, tem de fazer Justiça a si próprio.»

domingo, 1 de janeiro de 2023

DOS REBOTALHOS E COISAS ASSIM...


 

. Certas mortes deixam-me completamente desamparado.

Quando em Agosto morreu Chalana, o pequeno genial, dos mais extraordinários artistas do pontapé na bola que vi jogar, não aconteceu uma única linha, tão pouco a sua morte foi aqui registada.

Agora com Pelé, numa morte anunciada, que ao tombar do ano nos deixou.

Também não me saíu o que queria dizer sobre a genialidade de Pelé. Apenas umas palavras na janela de comentários a propósito do que aqui ficou dito sobre a não referência à sua morte.

Acontece que hoje, na habitual viagem pelos pouquíssimos blogues a que presto atenção, Manuel S. Fonseca aparecia a falar de Pelé. E quando outros dizem as coisas melhor do que eu possa dizer, não hesito. Aqui está o texto do Manuel Fonseca e com fotografia que também publicou:

«Na morte de Pelé nem uma lágrima. Um sorriso, um tremor apenas. Rola-me pela face um grão de nostalgia, julgo que a nostalgia de 1965, se é que lhe consigo dar uma data. Havia um cineminha num pequeno clube de Luanda, o Vila Clotilde, o Vilinha. Ou seja, havia uma tela e projectavam-se lá filmes. E, antes dos filmes, nessa Angola colonial, que nunca soube o que era televisão, exibiam-se imagens de actualidades. Eis o que vi, um URSS-Brasil. E não juro que tenha sido o que, nesse ano, se jogou na pátria dos sovietes, se o que se jogou no Maracanã.

Sei que era o “futebol científico” contra a imparável rebeldia do samba e bossa nova. E olhem, Pelé está à entrada do meio campo da URSS e metem-lhe a bola. Cai-lhe pela direita um russo e Pelé passa-lhe a bola em arco sobre a cabeça. Mas logo, pela esquerda, lhe tomba outro russo em cima. Sem deixar cair a bola que vem do primeiro arco, Pelé faz novo arco, em sentido contrário – ualálá – e o russo passa, perdido, como um comboio descarrilado, sem saber onde vai parar.

Esses dois movimentos estão gravados na minha cabeça nostálgica como dois arcos de uma capela perfeita. Já me esqueci de certos romances de Faulkner, de alguns contos de Borges, de um ou outro filme de Hawks. Do que fez o pé divino de Pelé, nessa jogada inútil, desinteressada, de pura ars gratia artis, há em mim um menino exaltado, eufórico, guloso, que nunca se esquecerá.

Nunca vi Pelé num estádio – ao contrário desse príncipe chamado Eusébio – mas soube, nessa matinée cheia de miúdos e miúdas de 12, 13 e 14 anos, que estava, num cinema de Luanda, a ver um rei.

Nem uma lágrima hoje, rei Pelé. Um grão de nostalgia, sim. A mais bela nostalgia, a nostalgia de 1965.

Sua Majestade, até já.»

2.

Na sequência da demissão do ministro Pedro Nuno Santos e da secretária de estado do Tesouro, Marcelo resolveu acabar de uma penada com os apelos à dissolução do Parlamento e à convocação de eleições e para que não surjam equívocos disso que não vê no PSD de Montenegro face à maioria do governo de António Costa, no fundo o busílis da questão.

Dito o que disse, Marcelo viajou para Brasília para a posse da presidência de  Lula da Silva, acabou por tomar banho de mar – um clássico! – e já disse que estará em Roma para o funeral do papa Bento XVI.

3.

«Os meus pais foram trabalhadores da TAP durante décadas, mas permaneceram nos seus cargos até à reforma, armados em parvos, nunca lhes ocorrendo abraçar novos desafios a troco de 500 mil euros. Os trabalhadores que lá continuam fazem periodicamente umas reivindicações laborais que indicam a intenção suspeita de não renunciar aos cargos que ocupam. É o que se chama estar agarrado ao lugar, e é provavelmente por isso que não são premiados como quem tem o desprendimento de renunciar e abraçar novos desafios. Querem ser remunerados a troco de trabalho, que é uma coisa tão prosaica e mesquinha. Abracem novos desafios, medricas.»

Ricardo Araújo Pereira, crónica no Expresso

4.

Centenas de banhistas juntaram-se hoje, para o primeiro banho do ano, na praia de Carcavelos, concelho de Cascais, vigiados pelas autoridades, em terra e no mar, devido às previsões de agitação marítima que não se verificaram.

O mundo gira.

sábado, 31 de dezembro de 2022

DOS REBOTALHOS E COISAS ASSIM...


 Os Estados Unidos e a União Europeia são as principais fontes de assistência financeira à Ucrânia. Estima-se que esse apoio ronde os cem mil milhões de euros o que corresponde a menos de metade dos gastos que o Catar teve para organizar o Campeonato do Mundo de Futebol.

1.

«Tornámo-nos uma sociedade de surdos», palavras de José Tolentino de Mendonça na homilia de Natal no Funchal.

2.

Dinheiro, almoços em bons restaurantes, electrodomésticos, viagens e até um presunto de Montalegre. Eram estes os subornos mais frequentes entregues a 13 funcionários da Autoridade Tributária, que estão a ser julgados em Lisboa, por praticarem actos que beneficiavam particulares necessitados de resolver situações junto da administração fiscal”, segundo a acusação do Ministério Público.

Entre estes funcionários há técnicos, chefes, inspectores e um advogado que exercia as funções de jurista especializado no Centro de Estudos Fiscais e Aduaneiros

3.

Devido ao custo da habitação quase 60 mil pessoas foram forçadas a deixar Lisboa nos últimos três anos;

4.

«No dia 12 Dezembro de 2020, no Twitter, André Ventura informou o país do seguinte: “Deus confiou-me a difícil mas honrosa missão de transformar Portugal.” O Criador, no âmbito da sua actividade de administrador do universo, teria dedicado algum do seu tempo a pensar omniscientemente em Portugal e, após observação cuidada, concluíra que o país precisava de uma transformação e que a pessoa mais bem colocada para a operar seria aquele comentador de futebol que discutia foras-de-jogo com Aníbal Pinto na CMTV. É este mesmo candidato, cuja carreira é patrocinada por um ser omnipotente, que se queixa de não ser convidado por um palhaço para um programa de entretenimento. Talvez a ERC devesse recomendar a Nosso Senhor a necessidade de compensar os outros candidatos. Se necessário, evidentemente.»

 Ricardo Araújo Pereira

5.

«Marilyn Monroe. Em Quanto Mais Quente Melhor, obra-prima de Billy Wilder, Marilyn faz do seu corpo o que quer, mostra e tapa, insinua e provoca; metido num apertado vestido preto e em cima de uns saltos altos, o posterior dela faz resfolegar um comboio no mais hiperbólico jacto de vapor que o cinema já viu. Quem está na sala de cinema – aconteceu-me, aconteceu-me! – levanta-se e grita: “Pára, pára, mais não, mais não!” São gritos desvairados e deslumbrados. E chega o momento em que Marilyn beija Tony Curtis. Eis o que quero dizer: Marilyn beija de chulipa. Tony Curtis é, no filme, um milionário, e os beijos de Marylin são sumptuários, de calcanhar. Ela beija já e só o prazer de beijar e Tony Curtis confessa que sente os dedos dos pés como se estivessem num barbecue a fogo lento.»

Manuel S. Fonseca em A Página Negra

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

FARSA AÉREA UM

«Nos filmes americanos – como, por exemplo, o Força Aérea Um –, o Presidente dos Estados Unidos enfrenta pessoalmente os terroristas, luta com eles corpo a corpo, mata-os com as suas próprias mãos. Em Portugal, o Presidente e o terrorista tiram um retrato juntos e depois cada um vai à sua vida.»

Ricardo Araújo Pereira na Visão, 8 de Setembro.

Legenda: ilustração de João Fazenda na Visão

sábado, 17 de abril de 2021

NOTÍCIAS DO CIRCO


«Cheguei à livraria e não encontrei o livro do José Sócrates e pensei: o Carlos Santos Silva já passou por aqui.»

Ricardo Araújo Pereira, ontem, no Governo Sombra

sábado, 3 de novembro de 2018

O RESTO É O MEU TRABALHINHO


Abrimos as páginas de mais uma entrevista de Luiz Pacheco. A de hoje foi publicada no JL em Setembro de 1997, feita pelo Rodrigues da Silva e o Ricardo de Araújo Pereira com o título A Velhice do Guerrilheiro da Escrita:

Foi preciso chegares a um lar de terceira idade para finalmente, estares bem da vida?

E como nunca estive.

Quanto é que pagas por isto?

Pago 185 contos, que dá mais de 200 por causa dos remédios que são à parte.

Donde é que vem essa massa?

120 contos do Ministério da Cultura – é do Fundo de Fomento Cultural. Já me aumentaram aqui (tinha só 90). Mas a minha reforma de funcionário público (foram só 14 anos) – são 31.700$00 E tenho ainda mais oito contos da SPA. Isto tudo dá 160 contos.

Falta algum. Donde é que vem?

O resto é o meu trabalhinho. Quando vim para aqui tinha 500/600 contos. Sabes que o Mário Soares deu-me 650 contos, não sei se do bolso dele, se donde. Nem me interessa, para mim até pode ser lavagem de dinheiro. Bom: com 500/600 contos dava para três meses aqui. E vim. E há ainda os 55 contos por crónica para o Público.

domingo, 18 de março de 2018

POSTAIS SEM SELO


Tirando a minha preferência pelo Benfica todas as minhas opções (políticas, religiosas, etc.) são, em Portugal, minoritárias.


Legenda: o velho Estádio da Luz ainda em construção. Seria inaugurado a 1 de Dezembro de 1954

À CONVERSA


Entrevista de Bruno Vieira Amaral a Ricardo Araújo Pereira, publicada na revista Ler nº 148, Inverno de 2018.
Foi-lhe perguntado:
Em comparação com a era das redes sociais em que vivemos, pensa que vamos olhar para o boom da blogosfera (para o qual, no sosso país, também contribuíram os gato Fedorento) como uma idade de ouro da internet ou já eran visíveis aí os defeitos que agora mais facilmente detetamos no Facebook?
A resposta de Ricardo Araújo Pereira:


Legenda: ilustração de Pedro Vieira para a citada entrevista.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


Ricardo Araújo Pereira na Visão:

«Como é que se espera que um homem habituado a auferir uma pensão de três mil euros por dia viva agora com 11 mil e 500 euros por mês? Vai ter de fazer contas, certamente, o que equivale a condená-lo à pobreza: é muito provável que um homem que conseguiu levar à falência o maior banco privado e a maior empresa portuguesa não tenha especial jeito para números.» 

domingo, 2 de junho de 2013

GATO ESCONDIDO COM RABO DE FORA...


A última crónica do Ricardo Araújo Pereira, na Visão, encerra duas histórias.

Uma:

Um homem vai ao médico e diz: "Doutor, estou deprimido. Preciso de ajuda." O médico concorda: "O seu caso é muito grave. Só há uma solução para si: tem de ir ver o palhaço Grimaldi." "Mas, doutor, eu sou o palhaço Grimaldi."

Outra:

Doutor, estou a promover um livro numa época em que as pessoas compram muito menos livros. Preciso de ajuda." O director da agência concorda: "O seu caso é muito grave. Só há uma solução para si: tem de criticar o Miguel Sousa Tavares." "Mas, doutor, eu sou o Miguel Sousa Tavares."

Miguel Sousa Tavares acaba de publicar o seu último livro: Madrugada Suja.

Segundo os tops que as editoras bichanam para os jornais, o livro ocupa o primeiro lugar de vendas.

Para fazer realçar mais a figura, vender melhor o livro, Miguel Sousa Tavares, chamou palhaço a Cavaco Silva.

O pagode delirou e isso colocou-o nas manchetes dos jornais e das televisões.

São sempre curiosas as camapnhas publicitárias do escritor Miguel Sousa Tavares.

Corria Outubro de 2008 e Miguel Sousa Tavares estava para publicar um livro, ou andava às voltas com um livro, ou as vendas de outros livros estavam em baixa, qualquer coisa…

De repente surge nos jornais a notícia de que alguém assaltara a casa de Miguel Sousa Tavares, mas apenas levara o computador, onde estavam anichados dois ou mais livros.

Recordo-me do apelo lancinante que Sousa Tavares dirigiu ao eventual gatuno: Venha cá, escolha o que quiser, mas devolva-me o meu trabalho

A casa de Miguel Sousa Tavares situa-de na Lapa e pelo que se pode imaginar bem recheada, mas o alegado gatuno não levou o dragão de ouro do Futebol Clube do Porto, nem aquela pedra trazida do deserto, ou o frasquinho que guarda aquele pedacinho de areia da praia de uma qualquer ilha grega, nem um lenço de Marraquexe, possivelmente o carro alto topo de gama estaria na garagem, quaisquer outros valores que estivesse pela casa. 
Não. O alegado gatuno limitou-se a levar o computador, sabe-se lá com que inconfessáveis fins…

Pior sorte teve D. Alfredina, vizinha do prédio ao lado: enquanto foi ao Minipreço, os gatunosentraram-lhe em casa e levaram jóias, dinheiro, diversos valores. Tudo porque D. Alfredina também não escreve livros, nem tem computador.

Ficamos a aguardar qual será a próxima manobra publicitária de Miguel Sousa Tavares, ou da agência que lhe cuida da imagem…

segunda-feira, 30 de julho de 2012

À LUPA


No momento em que escrevo, Miguel Relvas ainda não se demitiu. Talvez no lapso de tempo que decorre entre a escrita deste texto e a sua publicação, ocorram outros lapsos que o obriguem a demitir-se. Mas não parece provável. Nem, devo dizer, necessário. Um número relativamente alargado de pessoas exige uma demissão, ignorando que já houve várias. Ricardo Alexandre deixou de ser director-adjunto da RDP, Maria José Oliveira deixou de ser jornalista do Público e Fernando Santos Neves deixou de ser reitor da Lusófona do Porto. Quase todos os envolvidos nestes casos abandonaram as suas funções, menos Relvas. A troika bem avisou que um dos problemas mais graves do País era a dificuldade de despedir gente na função pública. Agora é possível apostar, na internet, no momento que Relvas escolherá para se demitir. É dinheiro deitado à rua. O mais provável é que todo o povo português se demita antes de Miguel Relvas.

Ricardo Araújo Pereira na Visão.