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segunda-feira, 13 de julho de 2026

O OUTRO LADO DAS CAPAS


 A pacata vida intelectual portuguesa funciona entre os artistas como vasos comunicantes. Somos uma pequena banheira e entre editores e escritores há uma troca habitual de favores.

Neste Somos Livros, Francisco José Viegas debruça-se sobre um livro de Gerald Murnane publicado pela Relógio d’Água. Apenas conheço o autor de nome e o que li levou-me a interessar-me pelo livro e debrucei-me sobre o catálogo da Relógio d’Água:

Sobre As Planícies, de Gerald Murnane

 «Aos 87 anos, Gerald Murnane continua a ser o mais provável candidato australiano a juntar-se ao panteão do Nobel, onde já está o seu compatriota Patrick White, vencedor em 1973. […]

Murnane é um autor das vastas extensões australianas, de onde na verdade nunca quis sair. “As Planícies”, de 1982, provavelmente a sua obra-prima e texto mais conhecido, prova-o à saciedade. Trata-se de uma narrativa estranha, esquiva, sempre a deslizar-nos nas mãos, sobretudo quando pensamos que finalmente a agarrámos. […]

O prodígio de “As Planícies” está na forma como Murnane consegue arrancar tanta coisa de quase nada.» José Mário Silva no Expresso de 10 de Abril de 2026.

«Nos seus vastos terrenos, as famílias proprietárias das planícies preservaram uma cultura rica e singular. Obcecadas pelo próprio habitat e pela sua história, contratam artesãos, escritores e historiadores para registarem, com o máximo pormenor, todos os aspetos das suas vidas e da natureza das suas terras.

Um jovem cineasta chega às planícies, na esperança de dar o seu contributo para a elaboração dessa história. Numa biblioteca privada, começa a tomar notas para um filme e escolhe a filha do seu mecenas para o papel principal. Vinte anos mais tarde, inicia o relato da sua inquietante história de vida nas planícies.                                                                  

«O maior escritor vivo da língua inglesa de que a maioria das pessoas nunca ouviu falar.» [The New York Times]

«Murnane, um génio, é um herdeiro digno de Beckett.» [Teju Cole]

«A convicção emocional é de tal intensidade, o lirismo sombrio de tal forma comovente, a inteligência por detrás das frases lapidadas tão inegável, que suspendemos toda a incredulidade.» [J. M. Coetzee]

«Como em Proust, a especificidade das imagens que persegue e cataloga proporciona um prazer próprio. Mas o efeito da sua escrita reside menos nas imagens em si e mais na forma como o pensamento funciona na mente humana.» [The Guardian]

Gerald Murnane, nascido a 25 de fevereiro de 1939, é um romancista, contista, poeta e ensaísta australiano. Sobretudo conhecido pelo romance As Planícies, publicado em 1982, conquistou reconhecimento pela sua prosa distinta que explora a memória e a identidade, frequentemente esbatendo as fronteiras entre ficção e autobiografia.»

Sobre o livro e o autor retenho uma frase de Francisco José Viegas:

«O estilo tardio e descarnado de Murnane não tem enredo, nem personagens, só memórias e reflexões do narrador. E não pretende mostrar o mundo como ele é, mas como ele nos “parece”, neste caso “lhe parece”, o mundo através da mediação das mente e da memória.»


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 Somos Livros

 Nº 43 - Verão de 2026

Revista da Bertrand Livreiros

Periodicidade: Trianual.

Revista gratuita

Ultimamente estamos a apanhar com um tsunami Valter Hugo Mãe.

Entrevistas numa série de jornais de que não anotei as procedências, as datas.

Alguma coisa me está a falhar… mas também nunca li qualquer livro de Hugo Mãe…

No mesmo número da revista um outro rapaz aparece: Francisco José Viegas. Também surge por todo o lado, é director da revista Ler do Círculo de Leitores, editor da Quetzal, escreve uns postais no Correio da Manhã, também assessor cultural do Presidente José António Seguro.

Faz uma abordagem ao livro do escritor australiano Geral Murnane e o seu livro As Planícies, publicado pela Relógio D’Água.

Sobre o escritor:

«Não vê televisão. Nunca andou de avião. Nunca saiu da Austrália. Não vê cinema. Escreve à mão e usa uma velha Monarch com mais de 60 anos».