Em busca de espaço para aconchegar os livros que vão
entrando e não encontram espaço na Biblioteca da Casa.
Caixas com caderninhos, guardanapos de papel dum
qualquer café, ou tasco, com palavras, algumas nem consegue decifrar… que
estavam por ali para um qualquer texto que quis escrever, ou emendar um qualquer outro…
Desviar caixas e pastas de arquivo.
Detesta deitar
coisas fora, mas terá que ser, terá que ser…
Soltas que agora vão ficando por aqui, que se juntarão a soltas do dia, do nosso quotidiano e do mundo que gira, gira em busca de um qualquer abismo.
1.
Anos 50.
Liceu Gil Vicente, professor Falcão Machado, aulas de
Ciências Naturais:
«Quem estuda não guardas cabras, há ruas para
calcetar, campos para cultivar…»
2.
Fecharam as tascas e abriram restaurantes para gente
fina, em busca de estrelas Michelin. Esqueceram que o dinheiro não falta apenas
aos pobres.
«Dezembro foi uma desgraça: os chefs em
Portugal estão a “trabalhar para pagar contas”».
Lembrar ainda quem disse e
agora o nome não lhe ocorre:
«Sou um óptimo garfo. Gosto de tudo quanto seja leve - feijoada, cozido à portuguesa... Só não como nouvelle cuisine. Detesto pagar para ter fome.»
3.
Está tudo nos livros
4.
Anemoia: nostalgia de um tempo no qual nunca se viveu.
O Dicionário de Morais, existente na Biblioteca da Casa que segue as
regras do Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro de 10 de Agosto de 1945, não
contempla a palavra.
A Wikipédia elucida:
Anemoia é
um neologismo que descreve a nostalgia ou saudade de um tempo ou lugar que
a pessoa nunca viveu, como os anos 80 ou o século XIX, sentida através de
filmes, músicas e fotos, criando um sentimento de pertencimento a uma era
passada idealizada, uma fuga do presente, popularizado pelo The
Dictionary of Obscure Sorrows.
É uma melancolia por uma época que não faz
parte das suas próprias memórias, mas que você idealiza como mais simples ou
romântica.
5.
Disse Miguel Lobo Antunes:
«Deus é uma construção dos homens.»
6.
De um poema de José Miguel Silva:
«Custa-me dizê-lo, mas Descartes estava errado:
não há nada no mundo mais bem distribuído
do que a estupidez. O que nos leva, fatalmente,
à conclusão de que as catástrofes políticas
ocorrem por motivos puramente naturais.»
7.
«Nos últimos anos, em todas as eleições, a pergunta é a mesma: até que ponto
as forças que defendem o sistema democrático liberal vão aguentar a onda de
populismo radical que tem colocado em risco o espaço da tolerância, do diálogo,
da liberdade e do Estado de direito? Portugal voltou a responder positivamente,
mas, como é fácil de perceber pelo resultado desta primeira volta, é uma
resistência cada vez mais ameaçada.»
David Pontes, Público de 19 de
Janeiro
8.
«Eu não quero voltar ao
socialismo em Portugal", disse o líder do Chega, repetindo que "o
socialismo destrói", "o socialismo mata" e "o socialismo
corrompe".»
Leonardo Ralha, Diário de Notícias de 19 de
Janeiro
9.
Pelo
menos 3919 pessoas morreram no Irão durante os protestos antigovernamentais que
começaram no final de dezembro nas principais cidades iranianas, de acordo com
a última contagem divulgada pela organização não-governamental Human Rights
Activists News Agency.
Legenda: cena do filme What´s New Pussycat? De Clive e Donner, 1965, com Woody Allen e Romy Schneider.

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