Quero falar-te e o
coração, de comovido,
perde as palavras que juntara para ti.
Cantar-te sei e apenas isso faz sentido.
Menino d’oiro,
vem sentar-te aqui!
Menino d’oiro,
vem sentar-te aqui!
Por todo o ano é tempo
de cantar janeiras.
Mulher da erva, inda agora a vi passar.
Por mar profundo, terra e todas as fronteiras
venham mais cinco
mil p’ra te saudar.
Venham mais cinco
mil p’ra te saudar.
Pode o Sol morrer de
velho,
pode o gelo arder também,
mas a voz que de ti nasce
já não morre com ninguém.
No céu cinzento, o
astro mudo inda revela
um bater de asas, o disfarce do seu pé.
Bebem do sangue, comem tudo… olhai, cautela!
O que faz falta
já se sabe o que é.
O que faz falta
já se sabe o que é.
Junta-te a nós, ó
bairro negro! vem, falua,
p’la noite fora até que se erga o sol de Verão!
Solta as amarras, sopra, ó vento! continua,
que este homem não
se foi embora, não!
Que este homem não
se foi embora, não!
Pode o Sol morrer de
velho,
pode o gelo arder também,
mas a voz que de ti nasce
já não morre com ninguém.
Hélia Correia
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