segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

POEMA PARA TODOS OS DIAS

E aquele dia que viemos à cidade

correndo tanto que o vento te puxava pelo vestido?

Não era meia-noite nem meio-dia,

eram todas as horas do meio.

Lembras-te de como nos perdemos pelas ruas?

Andámos a pé, brincando com os passos como os meninos   pobres.

Os homens saíram das tabernas para nos verem passar,

demos todos as mãos, fizemos uma roda

e acabámos a rir, ajoelhados, naquela praça onde havia uma igreja.                              

Depois gritámos adeus e perdemo-nos de novo.

Fomos ter diante de uma estátua e eu desenhei no mármore

uns grandes bigodes de morrer de riso.

Demos o braço, corremos outra vez e estávamos não sei onde,

certos de que o Sangue nos tinha baptizado.

Pedro Tamen de Poema Para Todos os Dias em Tábua das Matérias

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