E aquele dia que viemos
à cidade
correndo tanto que o
vento te puxava pelo vestido?
Não era meia-noite nem
meio-dia,
eram todas as horas do
meio.
Lembras-te de como nos
perdemos pelas ruas?
Andámos a pé, brincando com os passos como os meninos pobres.
Os homens saíram das
tabernas para nos verem passar,
demos todos as mãos,
fizemos uma roda
e acabámos a rir, ajoelhados, naquela praça onde havia uma igreja.
Depois gritámos adeus e
perdemo-nos de novo.
Fomos ter diante de uma
estátua e eu desenhei no mármore
uns grandes bigodes de
morrer de riso.
Demos o braço, corremos
outra vez e estávamos não sei onde,
certos de que o Sangue
nos tinha baptizado.
Pedro Tamen de Poema Para Todos os Dias em Tábua das Matérias
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