«A pastoral americana de Trump é uma boa porcaria. Não difere muito da pastoral americana retratada por Philip Roth no livro com o mesmo nome. Mas enquanto o segundo se esforçou por desmontar o mito do sonho americano e da suposta grandeza da América, o primeiro sonha com o regresso da América dominadora e temida, numa idealização puramente narcísica de um reizinho com o cérebro de uma criança. E usa a força e o medo para o conseguir. Que cerca de metade dos americanos o apoiem é a prova de que a tal América idílica é mesmo um mito.
Como isto está, até apetece fugir para um lugar remoto, sem comunicações e
acesso a notícias. Mas talvez não seja uma ideia muito corajosa. Neste tempo de
fanfarronice, ganância e pirataria, vale a pena continuar a resistir. Até
porque há uma certeza que nos dá algum consolo: tanto Trump como Putin e todos
os ditadores também terão o seu dia. No mínimo, morrerão.»

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