A Crítica das Armas
Régis Debray
Capa: Henrique
Ruivo
Colecção Temas Actuais nº4
Seara Nova,
Lisboa, Abril de 1977
Desde a Revolução Cubana até hoje, o que se travou na
América latina, com o nome de «guerra revolucionária», não foi uma «guerra do
povo» mas, em quase toda a parte, uma guerra de vanguarda. E não é escondendo
este facto que se ajudará a preencher o fosso que separa a primeira da segunda.
Não era esta, todavia a concepção de Fidel, nem a de
Che, nada mais que a sua experiência histórica. Pelo contrário: «Aqueles que
querem fazer uma guerrilha», escrevia o Che, na Guerra de Guerrilha, um Método,
«esquecendo a luta de massas, como se se tratasse de duas lutas contrárias,
devem ser criticados. Nós somos contra esta posição. A guerra de guerrilha é
uma guerra do povo, isto é, uma luta de massas. Pretender fazer a guerra de
guerrilha sem o apoio da população, é ir de encontro a um desastre inevitável.
A guerrilha é a vanguarda combatente do povo… apoiada na luta de massas dos
camponeses e dos operários da zona e de todo o território onde se encontra. Sem
estas condições, não se pode admitir a guerra de guerrilha».

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