quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

OLHAR AS CAPAS


A Crítica das Armas

Régis Debray

Capa: Henrique Ruivo

Colecção  Temas Actuais nº4

Seara Nova, Lisboa, Abril de 1977

Desde a Revolução Cubana até hoje, o que se travou na América latina, com o nome de «guerra revolucionária», não foi uma «guerra do povo» mas, em quase toda a parte, uma guerra de vanguarda. E não é escondendo este facto que se ajudará a preencher o fosso que separa a primeira da segunda.

Não era esta, todavia a concepção de Fidel, nem a de Che, nada mais que a sua experiência histórica. Pelo contrário: «Aqueles que querem fazer uma guerrilha», escrevia o Che, na Guerra de Guerrilha, um Método, «esquecendo a luta de massas, como se se tratasse de duas lutas contrárias, devem ser criticados. Nós somos contra esta posição. A guerra de guerrilha é uma guerra do povo, isto é, uma luta de massas. Pretender fazer a guerra de guerrilha sem o apoio da população, é ir de encontro a um desastre inevitável. A guerrilha é a vanguarda combatente do povo… apoiada na luta de massas dos camponeses e dos operários da zona e de todo o território onde se encontra. Sem estas condições, não se pode admitir a guerra de guerrilha».

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