Jorge de Sena.
Um dos mais extraordinários intelectuais portugueses.
Teve que se exilar, onde passou uma autêntica vida de cão.
A leitura de alguns diários de escritores seus contemporâneos, os seus próprios diários, a correspondência com José Augusto França e Sophia, mostram um Jorge de Sena de uma verticalidade e honestidade intelectual tão pouco existente entre os seus pares.
Numa carta a José Augusto França: "eu sempre detestei o convívio de chacha to relax from work. O meu trabalho não é trabalho, é vida - não preciso to relax dele, a não ser falando das tantas coisas que me interessam."
José Gomes Ferreira, num dos seus "Dias Comuns" refere a indignação de Sena com um crítico, manda-lhe o recorte, que fora injusto para com Irene Lisboa. E comenta: "Só me espanta o seguinte: como é que o Jorge de Sena, no meio dos seus versos, das suas lições, dos seus estudos literários, dos seus contos, dos seus romances, das suas leituras, da sua correspondêcia, etc.,etc.,etc., - ainda arranja tempo para esta vigilância infatigável das pequeninas injustiças? (As injustiças, para as sentirmos nos outros, temos de senti-las primeiro em nós, no sangue do nosso espirito insultado!) Sim. Admiro sinceramente Jorge de Sena - até porque impõe como virtudes o que nos outros soaria a defeitos. E de súbito compreendo o motivo dessa autoridade. E de súbito compreendo o motivo dessa autoridadea: o afinco ao trabalho. Jorge de Sena precisa desse trabalho constante como eu preciso de preguiça. (Preguiça para coisa nenhuma)."
É uma pena que este "país de sacanas" teime em não conhecer a sua obra e o seu exemplo.
1.
«Neste abençoado país,
todos os políticos têm imenso talento. A oposição confessa sempre que os ministros,
que ela cobre de injúrias, têm, à parte os disparates que fazem, um talento de
primeira ordem! Por outro lado, a maioria admite que a oposição, a quem ela
constantemente recrimina pelos disparates que fez, está cheia de robustíssimos
talentos! De resto, todo o mundo concorda que o país é uma choldra. E resulta,
portanto, este facto supracómico: um país governado com imenso talento que é de
todos na Europa, segundo o consenso unânime, o mais estupidamente governado! Eu
proponho isto, a ver: que, como os talentos sempre falham, se experimentem uma
vez os imbecis!»
Eça de Queirós em Os Maias.
2.
A
lista de 37 detidos pela Polícia Judiciária no âmbito da operação que
desmantelou as chefias do Grupo 1143 tem, pelo menos, três nomes de militantes
do Chega que já foram candidatos pelo partido de André Ventura em eleições. Também
um sargento da força aérea, um polícia do comando de Setúbal ,um profissional
de saúde, três militantes ou ex-militantes e candidatos do Chega, dois
candidatos pelo partido de extrema-direita Ergue-te e PNR, Participantes em
mesas de voto em diversas eleições. Um condenado por furto, um jogador de rugby
com processos disciplinares por agressões, um membro dos Super Dragões
condenado num processo por causa de um plano de intimidação que culminou em
agressões e estão indiciados por crimes
de discriminação e incitamento ao ódio e à violência.
3.
No
fim de 2025 mais de 1,5 milhões de pessoas não tinham médico de família.
4.
«No
autocarro, uma mulher conta a outra que perdeu o marido há pouco tempo.
Silêncio. A segunda, para a encorajar, diz: «Mas a vida continua.» A primeira
comenta: «A vida continua, mas continua muito mal.»
Rui Manuel Amaral em Bicho Ruim
5.
«Não há destinos
adivinhados para as personagens que vivem em solidão. O seu futuro é incerto e
a tragédia está sempre à espreita.»
6.
«…é a velha história, demora-se muito tempo a ver bem um filme.»
7.
Disse
Ruy Belo: uma casa é a coisa mais séria da vida, e João Miguel Fernandes
Jorge: a casa é onde temos o coração, ou como refere Emily Dickinson, a
poesia é possibilidade, “uma casa mais justa que a prosa”.
8.
Um
mundo sem música, sem livros e sem memória.
Seria
o maior pesadelo que me poderia acontecer.

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