quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

VENEZUELA: OS DIAS SEGUINTES

1.

A imagem mantém-se em alguns pontos da capital venezuelana — como no Este, um reduto da oposição —, mas a razão é outra. Foram criados checkpoints, pontos de controlo, em várias zonas da cidade. De acordo com alguns relatos que chegam da Venezuela, as autoridades — algumas fardadas, outras à civil — param quem passa para revistar carros. Pedem acesso aos telemóveis para rever contactos, mensagens e publicações nas redes sociais.

De democracia pouco ou nada se fala.
Muitas pessoas evitam sair de casa por causa disto. Outras avisam amigos e conhecidos para deixarem os telemóveis em casa.

Apesar de não serem oficialmente uma autoridade no país, os colectivos operam, tal como a polícia, em coordenação com o ministro do Interior, Diodado Cabello, um membro do regime de Maduro — que, tal como o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, já garantiu que iriam proteger a todo o custo Delcy Rodríguez, depois de ela ter assumido a presidência interina da Venezuela.

2.

«A Gronelândia não está à venda.
O que está em causa, portanto, não é segurança: é poder. A Gronelândia surge na imaginação estratégica de Trump como símbolo e como atalho: símbolo de uma América que volta a impor a sua vontade pela lei do mais forte; atalho para contornar alianças, regras e equilíbrios que considera constrangedores. A retórica lembra perigosamente a doutrina de esferas de influência do século XIX, aplicada agora a um mundo que deveria ter aprendido, a muito alto custo, aonde esse caminho nos leva.
A Gronelândia é europeia. Não está à venda. Não é negociável. E não é um detalhe periférico no mapa. Hoje, é o ponto onde se cruza o futuro do Árctico, a credibilidade da NATO e a capacidade da Europa de se fazer respeitar. Se este teste falhar, os próximos não tardarão.»


Tiago Luz Pedro, editorial Público

3.

Cabe aos 57.000 habitantes da ilha decidir o seu futuro. Uma sondagem realizada em Janeiro de 2025 revelou que 85% não queriam que a sua terra natal se tornasse parte dos EUA, com apenas 6% a favor.

Começaram as negociações entre os Estados Unidos e a Gronelândia com vista à aquisição da ilha pelos norte-americanos.

4.

Em entrevista publicada pelo The New York Times, Donald Trump, afirmou que "só o tempo dirá" por quanto tempo os Estados Unidos vão manter a supervisão sobre a Venezuela.

Ao ser questionado se seriam três meses, seis meses, um ano ou mais, Trump respondeu: "Eu diria que muito mais tempo."

 Mas Donald Trump já afirmou  que a Venezuela "apenas" comprará produtos americanos com os rendimentos do petróleo, no âmbito do seu novo acordo sobre o crude, e adiantou que as compras incluirão produtos agrícolas, medicamentos, dispositivos médicos e equipamentos "para melhorar" a rede elétrica e as instalações energéticas do país latino-americano. Vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa".

5.

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez​, anunciou nesta quinta-feira a libertação de “um número significativo” de prisioneiros, tanto venezuelanos como estrangeiros, nas próximas horas.
A libertação de prisioneiros, uma reivindicação da oposição no país, é um “gesto de paz”, sem distinção de ideologia ou religião, disse Rodríguez numa conferência de imprensa em Caracas, acrescentando que foi uma decisão unilateral e não concertada com qualquer outra parte.

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