segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

POEMAS AUTOGRAFADOS

Alberto de Lacerda e Exílio veio naquela vaga  em que pedi ao meu pai que me ajudasse a encontrar os novos poetas portugueses. O meu pai não era um conhecedor dessa poesia, mas tentou encontrar quem o ajudasse. Disseram-lhe que o melhor caminho era a Colecção Poetas de Hoje, editada pela Portugália Editora.

A vantagem desta colecção única, para além da qualidade dos poetas, residia no facto de a Portugália convidar um poeta para fazer a apresentação do autor.

A Alberto Lacerda calhou o grande poeta e amigo António Ramos Rosa.

Exílio é o nº 13 da Colecção Poetas de Hoje.

Lembro que a poesia de Alberto Lacerda trouxe-me dificuldades, só muito mais tarde debeladas. Nem todas.

Nascido na Ilha de Moçambique, passou pelo Brasil, pelos Estados Unidos e viveu mais de 50 anos em Londres.

O poeta, crítico, e seu grande amigo, Eduardo Pitta, escreveu que Alberto de Lacerda «nunca acertou contas com Portugal que não passou de um intervalo na sua vida.»

Alberto de Lacerda é uma das grandes vozes da poesia portuguesa da segunda metade do século XX.

Poucos repararam. Muitos, oh! tantos, tantos, continuam sem reparar.

Morreu em Londres, tinha 78 anos, a 26 de Agosto de 2007. 

John McEwen, o crítico de arte com quem tinha combinado almoçar nesse domingo, estranhou o atraso e acabou por arrombar a porta.

Escreveu Eduardo Pitta:

«Alberto de Lacerda ainda estava vivo, porém em coma. Morreria horas depois. Conhecendo-o como conheci, sei que teria apreciado o detalhe final.»

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