Religiosamente, sou ateu.
Já por aqui contei a história:
Um dos livros herdados da biblioteca do meu pai, é um calhamaço, mais de 700 páginas, da Editorial Inquérito: A História das Religiões de Chantepie de la Saussaye.
Tinha os meus 17 anos, passei os olhos, apanhei o que consegui entender e, passados uns tempos, não lembro quanto tempo, comecei a ler o Albert Camus.
Quanto a religiões fiquei vacinado.
Respeito a fé, as crenças, tudo, de quem entenda a isso dedicar-se.
Gostaria que respeitassem o facto de não frequentar deuses, mas não acontece facilmente.
Só Deus sabe da tranquilidade do meu ateísmo e do respeito que tenho pela fé dos outros.
O que a igreja portuguesa está a fazer com as vítimas das sevícias dos padres é um nojo!
Leia-se o artigo de Susana Peralta no Público de 10 de Abril: «Generosa com abusadores, avara com vítimas».
“Se há um mal feito por alguém, é esse
alguém que é responsável. É uma questão individual” – foram as palavras de José
Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), duas semanas
depois de serem conhecidas as conclusões da Comissão Independente para o Estudo
dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa (CI), coordenada
por Pedro Strecht.
Ornelas errou; a Igreja, enquanto instituição, é cúmplice ativa dos crimes. Cito partes do Relatório da CI ao qual voltei nestes dias.
Em primeiro lugar, porque os crimes não são alheios ao ambiente religioso que
os propicia. Quando a CI perguntava às vítimas “O que lhe dizia a pessoa
abusadora para se aproximar de si?”, uma resposta comum era “Nada”.
“Aparentemente redutor, este 'Nada' é bem revelador da perceção do
'direito/poder' que o adulto sente em relação à criança sobre a qual age sem que
nada lhe seja devido verbalizar. (...) E é um 'nada' que assenta numa estrutura
de poder e de domínio (...).” À pergunta “O que lhe dizia [o abusador] durante
o abuso?”, uma resposta comum envolvia “a invocação verbal do (...) desígnio
divino e a consequente necessidade de o mesmo ter de ser cumprido (...)”.
Em segundo lugar, porque os abusadores não agiram sozinhos. Uma vítima mulher
(página 229) conta o abuso semanal por um padre, a partir dos 5 anos, no
orfanato onde cresceu, “com a conivência das freiras”, que a levavam ao
abusador quando ele a mandava chamar. Quando se queixou a uma freira, foi
tratada de maluca e mentirosa e ficou três dias sem comer. Uma vítima do sexo
masculino, na página 224: “Os outros padres nunca nos perguntaram porque
faltávamos aos momentos de orientação espiritual — eu acho que, no fundo,
sabiam, ou pelo menos desconfiavam [de] que algo estranho se passava.” Mais uma
vítima, também homem (página 244), desta feita no hospital de uma ordem
religiosa: “Havia um enfermeiro que se chamava Y e que ainda é vivo e que sabia
de tudo. Outro auxiliar V também dizia umas coisas tipo: 'cuidado com os padres
e com as festas [no sentido de carícias]'.”.
Em terceiro lugar, porque o encobrimento organizado dos abusos propicia o
crime, e a solução de rodar os abusadores por paróquias só serve para lhes
oferecer mais vítimas numa bandeja.»
Foram pelo menos 4815 as crianças abusadas no seio da
Igreja em Portugal, segundo o estudo retrospectivo sobre os abusos sexuais
cometidos no seio da Igreja em Portugal desde 1950 até à actualidade. Segundo o
coordenador da comissão, Pedro Strecht, esse é o número "absolutamente
mínimo", a que foi possível chegar após terem sido validados 512
testemunhos.
Soube-se agora que
Igreja Católica vai pagar
mais de 1,6 milhões de euros às vítimas de abuso sexual
Foram considerados elegíveis 78 pedidos e 57 já têm os montantes de compensação
definidos. Há nove casos a aguardar a definição do montante. Compensações
variam entre os nove mil e os 45 mil euros.
Sem perdão!
1.
O objectivo de Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, é claro: esmagar os trabalhadores e acabar com os sindicatos. Só há uma resposta para toda esta sanha.
2.
Corridas ao armamento implicam pesados aumentos da despesa, de défices e subidas da dívida pública. Para compensar, FMI vê cortes de 25% nos apoios sociais, de 26% na Saúde e 14% na Educação.

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