«Depois de o primeiro-ministro israelita ter pedido desculpas publicamente e garantir que se tratava de um comportamento indigno para um militar de Israel, o soldado que, no Líbano, destruiu uma estátua de Jesus Cristo à marretada e o outro que fotografou o acontecimento, foram condenados a 30 dias de prisão e “excluídos de operações de combate”.
Segundo a BBC, Benjamin Netanyahu mostrou-se “chocado e triste” pelo incidente, enquanto o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar, pediu desculpas a “todos os cristãos que se sentiram ofendidos”.
Com tantos milhares de crianças mortas em Gaza, no Líbano e no Irão, atingidas
pelas bombas e balas de Israel, cujas forças armadas se arrogam o direito de
atingir escolas, hospitais, ambulâncias, jornalistas, de matar e matar civis
desarmados como se fossem alvos de prática de tiro, “a indignação e a tristeza”
de Israel está reservada a uma estátua de Jesus Cristo?
Não é porque ao Governo mais extremista de Israel lhe importe muito os
sentimentos dos cristãos – em 2023, Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança
Nacional israelita, dizia que cuspir em cristãos era uma velha tradição
judaica. O que importa ao Estado de Israel é não alienar o apoio do seu melhor
amigo nas relações internacionais, a superpotência que lhe vende armas e lhe
empresta a sua sombrinha política internacional para fazer o que quiser.
Num tempo de falta de memória e de passado reescrito ou esquecido, o Governo de
Israel e os judeus que o apoiam estão sempre a cometer o pecado da arrogância
de se olvidarem das lições da História. Porque se é longa a tradição
judaico-cristã, base da civilização ocidental, como tanto dizem, os judeus
esquecem-se que, quando é preciso um bode expiatório, o hífen se quebra como um
cristal e os judeus terminam pendurados de uma árvore como Leo Frank, enforcado
por uma turba muito americana que o foi buscar à cela.
Mesmo com a II Guerra Mundial e o nazismo, entre 1940 e 1946, várias sondagens
mostravam que os judeus eram considerados a maior ameaça para os Estados
Unidos, mais do que qualquer outra religião, raça, etnia, nacionalidade.»

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