sexta-feira, 10 de abril de 2026

CÂNTICO

Belo é ver florir os galhos

das velhas árvores.

E ver chegar as aves

que voltam do Sul.

Belo é o sangue rubro

dum lanho fresco,

e o riso que nasce

das nossas palavras.

Belo é o vir da manhã

sobre os telhados nus

das cidades brancas.

E mais belo ainda

que este sol visível

enflorando, amor,

teus longos cabelos

de guizos dourados:

mais belos que os ventos

cavalgando as nuvens

e dizendo-nos: vinde!,

e que o meu gênio abrindo

suas asas nos céus:

 

Mais belo que o fluir

silente desta célula

fluindo nos cosmos:

Mais belo, amor,

que a tua própria beleza

 

é este sol inviolável,

rútilo, no fundo de nós.


Papiniano Carlos

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