quinta-feira, 16 de abril de 2026

OLHAR AS CAPAS


 

No Vértice da Noite

Adalberto Alves

Ilustrações: Figueiredo Sobral

Capa: Luís Nazaré Gomes

Argusnauta, Lisboa, Novembro de 2007


Movimento Perpétuo

            À memória do Carlos Paredes

há dedos, garras enclavinhadas

nos corações na penumbra

e assim podem sangras melancolia

 

amarinham sobre silêncios

e escamam a melodia

numa costa perdida

onde é febre à noite

 

quem guia a incontinência dos dedos?

quem doma a fúria do ranger?

só o silêncio o sabe

porque é música a dormir

 

a pausa essa é apenas um sinal

inscrito há face da partitura.

no ser nada repousa

e freme a luz que é pura.

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